Manter o ar das cidades limpo é um desafio crescente frente ao rápido avanço da urbanização e da industrialização. As tecnologias atuais de controle das emissões nas indústrias muitas vezes são insuficientes, fazendo atingir níveis preocupantes nos centros urbanos. A exposição contínua a essas diferentes fontes de poluição, que emitem compostos nocivos, como o ozônio e materiais particulados finos, traz graves riscos à saúde pública.
Esses poluentes penetram no sistema respiratório e causam irritação, inflamação pulmonar e estresse oxidativo, aumentando significativamente a incidência e o agravamento de doenças respiratórias crônicas e agudas, tais como asma, pneumonia e bronquite.
Grupos vulneráveis, especialmente as crianças, devido à imaturidade de seus sistemas imunológico e respiratório, e os idosos, que sofrem com o declínio progressivo da função pulmonar, são afetados de maneira mais severa. Além disso, estudos apontam que o impacto das emissões gasosas na saúde respiratória é intensificado por fatores socioeconômicos precários e pela falta de uma infraestrutura verde adequada nas cidades.
As zonas de ar limpo
As práticas internacionais para a redução da poluição nos centros urbanos têm se concentrado fortemente na implementação das chamadas Zonas de Ar Limpo, que buscam priorizar as pessoas em detrimento dos carros e promover o transporte ativo e público. Diversas medidas e regulamentações vêm sendo adotadas por cidades ao redor do mundo para enfrentar as crises interligadas de mudança climática, qualidade do ar, congestionamento e saúde pública.
Essas zonas podem atuar proibindo completamente veículos poluentes, permitindo apenas os que tenham emissão zero, que são as zonas de emissão zero. Podem cobrar taxas ou pedágios para que veículos entrem em uma determinada área da cidade, inibindo a circulação de veículos. As restrições também podem ser direcionadas para determinados tipos de veículos, como caminhões e ônibus, que geram maiores emissões.
A cidade de 15 minutos
Podem ser adotadas também medidas distribuídas em pequenas áreas para melhorar a infraestrutura, como introduzir vegetação nos espaços públicos e promover o conceito de “cidades de 15 minutos”, onde as necessidades diárias dos residentes são atendidas a uma curta caminhada ou viagem de bicicleta.
O fechamento temporário de ruas próximas a escolas no início e final do dia, ou o fechamento de ruas comerciais em dias específicos para favorecer pedestres e atividades ao ar livre também reduzem as emissões e incentivam as pessoas a caminharem ou utilizarem bicicleta.
A garantia de um futuro saudável exige o engajamento coletivo na mitigação da poluição atmosférica. Nesse processo de conscientização, cada etapa é crucial, e todo espaço urbano vegetado exerce uma função indispensável para a dinâmica da cidade. Paralelamente, a transição para uma frota de veículos elétricos, integrada a políticas públicas voltadas à expansão da infraestrutura verde e à arborização urbana, configura-se como uma estratégia altamente benéfica para a qualidade do ar nas cidades.
*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
A eleição para o governo de Pernambuco ganhou novo capítulo com a disputa pelo movimento brega e brega-funk. A manifestação cultural, historicamente ligada à periferia do Recife e Região Metropolitana, está no centro da estratégia de campanha dos dois principais candidatos ao comando do estado, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e o candidato da Frente Popular e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Raquel iniciou a campanha com o jingle “Chama Ela” como aposta das suas agendas de rua, a versão eleitoral é uma adaptação do hit homônimo lançado pelo MC Leozinho do Recife ainda em 2013.
Logo depois, a gestora incorporou o brega-funk “Raquel é Pro Max” do MC Gordinho Bolado. Recentemente, a postulante ganhou mais uma música do ritmo, dessa vez reunindo mulheres que fizeram sucesso no brega pernambucano a partir dos anos 2000, como Elisa Mel, Palas Pinho e Dayanne Henrique.
Já o candidato João Campos tem uma relação histórica com o brega-funk. Durante as gestões dele à frente da Prefeitura do Recife, artistas do gênero ganharam espaço em eventos culturais da cidade. O ritmo também embalou as campanhas do socialista para a Prefeitura em 2020 e em 2024.
Na disputa para o governo estadual este ano, Campos encomendou ao artista Anderson Neiff um novo jingle. Neiff juntou outros artistas e influenciadores e criou a música “João é o meu, é o seu, é o nosso”, uma paródia do “Hit do Ab” lançado por Reny e a Galera, em 2013.
Na avaliação do professor da Universidade federal de Pernambuco Thiago Soares a manifestação cultural oferece aos políticos uma possibilidade de aproximação com públicos que dificilmente seriam alcançados apenas pelos formatos tradicionais de propaganda.
“Desde o início dos anos 2000, é o brega que ativa essa relação com a identidade pernambucana, muito conectado com a juventude, primeiro com as juventudes periféricas e agora não apenas com elas. Não é à toa que o brega-funk é o mais acionado pela classe política. É exatamente aquilo que vai conectar os políticos a esse universo da juventude periférica e da juventude pernambucana”, pontuou.
Para o cientista político Isaac Luna, a utilização do ritmo pelas campanhas pode ser traduzida a partir da lógica do marketing digital. Segundo ele, o objetivo inicial não é necessariamente convencer o eleitor sobre uma proposta, mas conseguir atenção. “No marketing digital existe uma coisa chamada isca. O brega funciona como uma isca, o que atrai a atenção de uma parte substancial do eleitorado, ou seja, do voto mais popular”, analisou Luna.
O país nunca viveu situação semelhante e, por isso, a dificuldade de lidar com a realidade. Estamos mergulhados na pior crise institucional da nossa História de 526 anos. O poder mudou de mãos. A democracia representativa, tal como conhecemos, perdeu o efeito prático e o governo é exercido por aqueles que não têm, nunca tiveram e não precisam de votos.
A prática cotidiana do poder nos últimos anos tem sido submissão total ao Supremo Tribunal Federal pelo Executivo e Judiciário. A governabilidade de Lula tem como fonte primária de poder não o Congresso, mas as togas do Supremo. Quando o Congresso decide contra o governo, a judicialização é a solução. Ulysses Guimarães (1916-1992) dizia não existir vazio de poder. Nele, todos os espaços são preenchidos por quem tem mais competência ou por estar no lugar certo e na hora certa. Se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo ocupa.
O ministro Alexandre de Moraes manda muito, gostemos ou não, pelos seus méritos e capacidade ímpar de exercício de poder, diante da incapacidade ampla, geral e irrestrita dos seus adversários — e até aliados. O ministro Alexandre tem a virtù de Maquiavel, alguém que não só gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda. Não importa se isso é bom ou ruim. É real.
Ele é o símbolo desta troca de poder a que o país assistiu como se fosse a coisa mais normal do mundo. Quando o ministro André Mendonça fez o que deveria ser feito, dando ao respeitável público conhecimento das relações de Daniel Vorcaro com a nobliarquia judiciária, os barões da mídia espernearam, pediram a renúncia de Moraes, vocalizando o que grande parte da elite pensa sobre risco econômico e segurança jurídica. Os mesmos que, nos últimos anos, fizeram vista grossa para todo tipo de imprudência constitucional. Devem ter feito as contas e imaginado que, tirando Moraes, o ministro Nunes Marques, o próximo na linha sucessória, seria mais ameno e palatável. Mas Nunes Marques tem muito o que fazer no TSE. Não se meterá em conspirações contra Moraes.
Quando um ministro do Supremo manda o presidente do Senado se entender com o presidente da República convocando ambos para jantar na sua casa, é porque a democracia representativa faliu e o novo poder que aí está representa a si mesmo. Independentemente de quem vencer a eleição, isso dificilmente mudará. Este poder tem a força e a coerção. Castrou as Forças Armadas, que a ele se entregaram docilmente depois do 8 de Janeiro. Os generais saíram do palco da política e entraram os juízes.
É incrível a ingenuidade de certos jornalistas e analistas políticos, imaginando que Alexandre de Moraes, o homem forte do novo poder, possa ser defenestrado do Supremo com voto de minerva da ministra Cármen Lúcia. Moraes é próximo da ministra, a ponto de ter prefaciado o livro “Princípio Constitucional da Solidariedade“, por ela lançado no ano passado. Em 21 de agosto, Cármen e Moraes participaram de debate na Faculdade de Direito da USP sobre o último livro da ministra “Pela Mão do Povo: Voto e Democracia no Brasil“, escrito em parceria com as historiadoras Heloisa Starling e Nayara Correa Henriques Pinto. Moraes é catedrático da cadeira de Direito Eleitoral da USP.
O ministro tem como característica sempre dobrar a aposta. Ele jamais recua e nunca perdeu um embate, desde que chegou ao palco nacional da política em 12 de maio de 2016, ao ser empossado ministro da Justiça pelo então presidente Michel Temer. Aos 57 anos, o sagitariano Moraes, nascido em 13 de dezembro de 1968, deve assumir a presidência do Supremo dentro de 1 ano. Basta olhar para o passado recente e entender o tamanho da hipertrofia do ministro. Ele não se intimidará com editoriais e esperneios. Como vem fazendo há 10 anos, engolirá cada inimigo.
Faz tempo que o Brasil não assistia à chegada ao poder de alguém com tanto apetite para exercê-lo, como Getúlio Vargas (1882-1954) depois do golpe de 1937 e o incontrolável Costa e Silva (1899-1969) no governo militar. Nenhum deles usava toga. Esta é a grande novidade. Juízes como Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, além da sólida formação intelectual, o que os coloca há anos-luz da maioria dos políticos, foram cevados na luta política, aprenderam a ocupar seus espaços enfrentando os piores obstáculos.
Foi assim com Gilmar na Lava Jato, Dino na política maranhense e Moraes durante o governo Bolsonaro. Erra quem imagina poder intimidá-los com gritos, editoriais, denúncias ou pequenas multidões. De agora em diante, os ministros do Supremo serão indicados pelos próprios ministros do Supremo. Isso nada tem a ver com ideologia, mas puro pragmatismo de quem manda.
O ministro André Mendonça tem vivido esta realidade na própria pele, como passou com Joaquim Barbosa. A pressão sobre ele é gigante. Viu Moraes liderar a rejeição ao seu amigo Jorge Messias e entrou para o inquérito das fake news, criado em 2019 e definido por Gilmar Mendes como instrumento usado pela Corte para se defender de críticas. Agora sabemos que este instrumento pode ser usado contra ministros rebeldes.
A reação do presidente Edson Fachin foi, no mínimo, amena. O Senado de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) faz cara de paisagem e o presidente Lula (PT) escolheu discurso ensaboado, pura espuma. O vazio de poder produz vazio de estadistas, de gente capaz de contornar as crises. Esta ausência significa a ausência de solução. É o óbvio ululante de Nelson Rodrigues.
Não adianta dizer que a luz do sol é o melhor desinfetante e que tudo deve vir à tona. Já veio e nada ocorreu, porque vivemos um momento inédito, cuja superação depende de sabedoria, criatividade e ousadia. Moraes não devolverá o poder entregue a ele pela Faria Lima, a esquerda, o centro e parte da direita. Irá exercê-lo com toda energia e todas as prerrogativas. Talvez o Brasil tenha de esperar sentado que cada um cumpra o seu dever. Esta é a realidade: temos um poder acima de qualquer poder.
Meus filhos escolheram São Paulo para este feriadão da independência e aprovei na hora. Apesar da descida no ranking internacional, São Paulo continua sendo a cidade mais populosa do Brasil e a maior fora da Ásia e da África. A capital paulista segue como o principal polo financeiro e de negócios da América Latina.
Em 2025, a Organização das Nações Unidas adotou um critério geoespacial único de densidade e população para todo o planeta. Com cerca de 18,9 milhões de habitantes em sua área metropolitana, São Paulo ficou atrás de cidades que cresceram rapidamente na Ásia e na África.
O topo da lista mundial pertence agora a Jacarta, na Indonésia, seguida por Daca, em Bangladesh, e Tóquio, no Japão.
O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), publicou recentemente, em suas redes sociais, um vídeo de arquivo do Domingão do Faustão em que o cantor e compositor Raimundo Fagner faz elogios à sua gestão à frente do Estado. Ao fim do mandato, em 1994, Ciro tinha 74% de aprovação, segundo pesquisa Datafolha. Na gravação, Fagner também elogia o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB).
A relação de amizade e admiração de Fagner por Ciro vem de longa data. Após a decepção com Aécio Neves (PSDB), a quem apoiou na campanha presidencial de 2014, o cantor declarou voto em Ciro Gomes, então no PDT, no primeiro turno da eleição presidencial de 2018. Com a derrota de Ciro, Fagner apoiou Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Neste ano, o cantor manifestou o desejo de participar do lançamento da pré-candidatura de Ciro ao Governo do Ceará, realizado em 16 de maio, em Fortaleza.
Em pronunciamento na Câmara Municipal de Petrolina, o vereador Gabriel Menezes (PSD) fez duras críticas à gestão da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra.
Durante o discurso, o parlamentar cobrou investimentos do Governo do Estado na região do Sertão do São Francisco, citando a promessa de construção de creches, obras de saneamento básico e melhorias na prestação de serviços da Compesa. As informações são do Blog do Waldiney Passos.
Menezes também abordou o cenário político do estado ao declarar que não apoiará a governadora e ao anunciar apoio à pré-candidatura de João Campos, destacando divergências quanto aos espaços e atenção concedidos ao Sertão pernambucano.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a senadores que, diante de uma eventual pressão incontornável para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia adotar uma estratégia de “impeachment cruzado”, autorizando também a tramitação de um pedido contra André Mendonça. A movimentação teria como principal efeito político criar um equilíbrio de forças e evitar que o Senado fosse colocado diante de uma única frente de pressão contra o Supremo.
A estratégia ajudou a reduzir a temperatura das articulações nos últimos dias, sobretudo em meio ao aumento do embate entre ministros do STF. O cenário ganhou novos contornos na noite de quinta-feira (3), quando Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Na solicitação, Moraes apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade e mencionou, entre os envolvidos no contexto das apurações, o próprio Alcolumbre, dando ao episódio uma dimensão política que ultrapassa a disputa entre os dois ministros.
A iniciativa de Moraes chegou a ser interpretada no Senado como uma espécie de sinal verde para que Alcolumbre também permitisse o avanço de medidas contra integrantes do STF. A leitura, porém, perdeu força ontem, após Fachin retirar o pedido do âmbito do inquérito das fake news. O presidente do Supremo determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Mendonça se manifestem em até cinco dias e transferiu para a Presidência da Corte a condução dos casos envolvendo os dois ministros.
O conflito ganhou força depois que Mendonça decidiu, na terça-feira (1º), retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal elaborado por determinação sua. O documento trouxe mensagens e contatos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em resposta, Moraes acusou Mendonça de ter interferido na condução das investigações, conduzido de forma irregular tratativas relacionadas a uma possível delação e direcionado apurações por supostas razões “pessoais e políticas”. O ministro também apontou a presença de seu próprio nome e do presidente do Senado no material.
Moraes sustenta ainda que a Constituição e o regimento do STF estabelecem que cabe ao colegiado da Corte avaliar eventual crime comum atribuído a magistrados. Na avaliação do ministro, o relatório da PF revelaria decisões de Mendonça tomadas com “flagrante perda de imparcialidade”. O episódio, portanto, amplia a disputa institucional entre Supremo e Senado e coloca Alcolumbre em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que enfrenta a pressão de setores favoráveis ao impeachment de Moraes, precisa administrar uma crise dentro da própria Corte sem permitir que o Senado se transforme no principal palco de uma escalada entre os Poderes.
Portas fechadas – O presidente Lula (PT) teve conversa reservada com o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ontem, no Palácio do Planalto. O encontro aconteceu no gabinete de Lula, no terceiro andar do Planalto, e contou ainda com a presença dos ministros Jorge Messias (AGU) e Wellington César Lima e Silva (Justiça). A conversa reservada, segundo apurou o portal Metrópoles, ocorreu antes da cerimônia de sanção, pelo presidente da República, de medidas relacionadas a fundos do sistema de Justiça. Na reunião, Lula ressaltou os pronunciamentos sobre a crise feitos por ele e por Fachin no dia anterior e pediu que o presidente do STF e Gonet deem resposta “equilibrada” para a crise.
Cármen presta solidariedade – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o ministro Alexandre de Moraes para prestar solidariedade. A coluna da jornalista Andreza Matais apurou que Cármen disse que não concordava com a exposição a que o colega vem sendo submetido após o vazamento e a posterior retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal que expôs suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. O diálogo, contudo, não significa que a ministra votará a favor do colega quando o caso for a julgamento no plenário. A ministra tem indicado que não antecipa voto e que só se posiciona depois de conhecer o teor dos processos.
PGR apura possível interferência em relatório da PF – A Procuradoria-Geral da República informou, ontem, ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu um procedimento para apurar se houve ordem ou interferência externa na elaboração do relatório da Polícia Federal produzido a pedido de André Mendonça e que revelou mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a PGR não foi comunicada previamente sobre a determinação e sustenta que isso impediu o órgão de exercer o controle externo da atividade policial. A PF será chamada a esclarecer as circunstâncias em que o documento foi produzido e se houve alguma interferência capaz de comprometer seu conteúdo.
PF vai investigar origem de foto do Bastidor.PE – A Justiça Eleitoral determinou, ontem, que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a fotografia de um cartaz com ataques a Raquel Lyra (PSD) publicada inicialmente pelo Bastidor.PE, após pedido da coligação de João Campos (PSB). A PF terá de identificar quem produziu e enviou a imagem ao portal, quando e onde ela foi feita e, principalmente, se o cartaz realmente existiu e chegou a ser afixado em espaço público ou se a fotografia resultou de montagem, manipulação ou fabricação digital. O Bastidor.PE terá 48 horas para entregar o arquivo original, metadados e registros relacionados à edição e publicação do material.
Saúde domina embate no guia – A saúde concentrou, ontem, o confronto entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) no horário eleitoral da disputa pelo Governo de Pernambuco. João manteve o programa em que contrapõe ações realizadas no Recife à situação da rede estadual, cita superlotação, problemas estruturais e redução de investimentos e promete construir quatro hospitais regionais. Raquel respondeu em novo guia, no qual defendeu as ações de sua gestão, destacou reformas em unidades estaduais e rebateu as críticas do adversário sobre a venda de aeronaves e helicópteros utilizados pelo Estado, afirmando que 80 vidas foram salvas pelo serviço desde dezembro de 2025.
CURTAS
LOMBADAS – O Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE) desligou temporariamente os equipamentos de fiscalização eletrônica na rodovia PE-060 e em um trecho da BR-232 para o feriado da Independência do Brasil. A medida entrou em vigor às 12h de ontem e segue até as 5h da próxima terça-feira (8).
LOMBADAS II – Na PE-060, principal rota de acesso às praias do litoral Sul, todas as lombadas eletrônicas serão desligadas nos municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso, Barreiros e São José da Coroa Grande. Já na BR-232, apenas o equipamento localizado no km 10,7, no bairro do Curado, em Jaboatão dos Guararapes, no sentido Recife, será desativado. Os demais radares e lombadas continuam operando normalmente.
INSS – Neste final de semana, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério da Previdência Social (MPS) oferecerão 3.175 vagas de atendimento em Agências da Previdência Social distribuídas pelo país. Os atendimentos serão destinados à realização de perícias médicas e avaliações sociais. As vagas serão oferecidas em 14 estados, contemplando todas as regiões do Brasil. Para ser atendido, o cidadão precisa agendar pelo site ou aplicativo Meu INSS ou por ligação para a Central 135.
Perguntar não ofende: Alcolumbre conseguirá manter os dois pedidos de impeachment na gaveta?
A candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) participou, nesta sexta-feira (4), de um arrastão da Frente Popular pelas ruas de Cupira, no Agreste de Pernambuco. A mobilização contou com o prefeito Duda Lira (União), que declarou apoio à pedetista no mês passado, além dos candidatos João Campos (PSB) ao Governo do Estado, Carlos Costa (Republicanos) a vice-governador e Humberto Costa (PT) à reeleição para o Senado.
Durante o ato, Marília destacou a parceria com o município e a atuação que pretende ter no Senado. “Receber esse carinho nas ruas, ao lado de Duda, de todo o seu grupo e dos nossos companheiros da Frente Popular, aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. O Agreste pode ter certeza de que terá em mim uma senadora presente, parceira dos municípios e pronta para defender os interesses de Pernambuco em Brasília”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou, nesta sexta-feira, de materiais de campanha o associando à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. O postulante do petista no pleito é Elmano de Freitas, que tenta reeleição.
— Eu já vi material do Ciro comigo, mas o que eu tenho que dizer para o povo é que o Ciro não está comigo. O Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano — disse Lula, em referência à aliança do tucano com siglas de oposição, inclusive o PL. As informações são do jornal O GLOBO.
A declaração ocorreu durante entrevista à rádio Progresso, de Juazeiro (CE). Como mostrou o GLOBO há uma semana, aliados de Ciro adotaram como estratégia a defesa de um voto casado no tucano e em Lula.
— Se uma pessoa quiser votar no Ciro, vote por conta do Ciro. Mas não pode votar enganada, achando que eu tenho ligação com o Ciro. O Ciro fez uma opção. Ele foi para o outro lado. Se ele foi para o outro lado, a gente não tem o que brincar com isso — completou Lula.
A campanha de Ciro atua para evitar a nacionalização da disputa. Há tentativa de atrair eleitores de diferentes campos ideológicos, tratando a segurança pública como principal tema do pleito deste ano.
Rompimento político
Nos últimos meses, Lula fez críticas pontuais a Ciro. Em entrevista aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”, no meio de agosto, o petista afirmou que o tucano é muito “personalista” e “acha que o mundo gira em torno dele”.
— Eu quando falo do Ciro falo de uma pessoa que gostei muito, não falo de uma pessoa que eu não gosto. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Quantos partidos ele já entrou? A única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra em um coletivo — disse Lula, que completou: — Se ele fosse escrever um livro, o título seria “eu me amo”.
Lula disse, posteriormente, que quer guardar “as lembranças das coisas boas” que fizeram juntos:
— Não vou ao Ceará falar mal dele. Ele tomou o destino dele. Ele achou que ia ser a salva pátria da esquerda e não foi, do centro e não foi. Ele disputou comigo, ele poderia ter ganho de mim. Ele é tão sabido. Ele tem que saber que a grande coisa de alguém que quer ser presidente é ter um pouco de humildade. E ele não tem. Esse é o dado concreto.
Lula e Ciro tiveram uma relação próxima, principalmente no primeiro mandato do petista, quando o hoje tucano foi ministro da Integração Nacional.
Com o correr dos anos, mantiveram o contato, apesar de alguns ataques pontuais. O clima entre eles, porém, se deteriorou ao longo da eleição de 2018. Lula era o candidato do PT, chegou a ser inscrito na Justiça Eleitoral, mas foi impedido de concorrer por causa de condenação na Lava-Jato — posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os petistas ofereceram a Ciro a possibilidade ser vice de Lula para depois que ocorresse o indeferimento — desta forma, o tucano assumiria a cabeça da chapa. Ciro classificou a oferta, entre outros termos, de “aberração” e “papelão” e disse que não aceitaria ser um “vice de araque”.
O tucano se candidatou ao Planalto pelo PDT na ocasião e terminou em terceiro lugar, com 12,46% dos votos válidos no primeiro turno.
O prefeito de Flores, Gilberto Ribeiro (PSD), e o ex-prefeito Marconi Santana (PSD), candidato a deputado estadual, declararam apoio à reeleição do senador Humberto Costa (PT). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (4). Marconi administrou o município do Sertão do Pajeú por quatro mandatos.
Humberto afirmou que as adesões reforçam sua campanha na região. “Receber, no mesmo dia, o apoio do prefeito Gilberto e do ex-prefeito Marconi tem um significado muito especial para nós. São duas lideranças que conhecem Flores profundamente e que representam a história recente do município”, disse o senador.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro negou ter realizado o pagamento de vantagens indevidas a Paulo Sérgio Neves de Sousa e Belline Santana, servidores do Banco Central (BC).
O ex-dono do Banco Baster admite, no entanto, ter feito um “agrado” a Paulo Sérgio ao prestar apoio à família dele uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos. As informações são do g1.
O depoimento foi revelado pelo Metrópoles. A TV Globo também teve acesso ao material.
A oitiva ocorreu na sexta-feira (28) no âmbito do inquérito que investiga a relação do ex-banqueiro com dois servidores suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do Banco Master.
“Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de concierge que é interessante, vou pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas. Ele ressarciu? Ele pagou por esse serviço ou não? Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque eu ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização. Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos”, disse Vorcaro no depoimento. Paulo Sérgio Neves de Sousa era ex-diretor de fiscalização do BC. Ele e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária, foram afastados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) em março.
Ambos são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco, ocorrida após o agravamento da crise da institução, no fim de 2025.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Atuação servidores
As investigações apontam que os servidores davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC que envolviam o Master.
Além disso, as apurações da PF indicam que eles revisavam e sugeriam alterações em documentos que o Master mandava ao BC – e vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a eventuais medidas adotadas pela autoridade monetária.
O que disseram as defesas
Em nota divulgada após o depoimento, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro para se manifestar diretamente sobre parte dos fatos apurados e responder aos questionamentos da investigação.
Segundo os advogados, Vorcaro respondeu “de forma clara e consistente” às perguntas formuladas e sustentou que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito.
A defesa de Paulo Sérgio disse que todos os custos da viagem de Paulo e sua família à Orlando, Flórida, foram pagas pelo servidor e “devidamente comprovadas”.
Ainda de acordo com os advogados, Paulo Sérgio “tem demonstrado sua atuação escorreita na regulação prudencial e supervisão” junto ao BC. E que não há “quaisquer elementos de prova que permitam a ilação de que Paulo Sérgio e sua equipe tenham de qualquer modo beneficiado Daniel Vorcaro”.
O candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP/UP) participou, nesta sexta-feira (4), de uma caminhada com mulheres em Caruaru, no Agreste, ao lado da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e do candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD). Com concentração no Pátio da Estação Ferroviária, o ato reuniu apoiadoras, lideranças e militantes e percorreu ruas do Centro da cidade.
Durante a mobilização, Eduardo da Fonte defendeu políticas públicas voltadas à proteção, à autonomia e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “Precisamos avançar na defesa de políticas públicas que garantam mais proteção, oportunidades e autonomia para as mulheres, além de fortalecer o combate à violência doméstica”, afirmou o candidato.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez circular entre os colegas no Congresso Nacional que se a pressão para dar início ao processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se tornar insustentável, iria também autorizar o processo contra outro ministro da corte: André Mendonça.
Essa proposta de impeachment cruzado teve efeito de baixar a temperatura no Senado ao longo dos últimos dias. As informações são do g1.
O argumento de Alcolumbre se tornou mais palpável a partir da decisão, na quinta-feira (3) à noite, de Alexandre De Moraes, de pedir ao presidente do STF, a Edson Fachin, a investigação de Mendonça.
Na decisão, no bojo no polêmico inquérito das Fake News, Moraes cita indícios de crime de responsabilidade de Mendonça e até de que Alcolumbre havia sido investigado.
Estes pontos foram lidos como uma senha para permitir a atuação de Alcolumbre no Senado.
No entanto, nesta sexta-feira (4), Fachin retirou do âmbito do inquérito das fake news o pedido de Moraes. Na decisão, o presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça se manifestem, no prazo de até cinco dias, sobre o pedido de Moraes, e transferiu os casos para a Presidência da Corte.
Com isso, os dois inquéritos que envolvem Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos pelo presidente Fachin.
Na terça-feira (1), o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No pedido de Moraes, o ministro afirmou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais da direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, a investigação de determinados alvos, e cita seu próprio nome, e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça “com flagrante perda de imparcialidade”.