“Faz sem ela saber” pode ser fatal para Raquel
“Faz sem ela saber”. A frase dita pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), sugerindo a realização de uma laqueadura sem o consentimento da paciente, tem tudo para entrar no rol de declarações que foram marcantes para derrotas eleitorais de seus autores.
O caso veio à tona no último domingo, após o Portal Metrópoles publicar um vídeo em que a gestora aparece na inauguração da ala pediátrica do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, respondendo ao que parece ser uma funcionária da unidade. A mulher diz a Raquel que recebeu uma gestante com sete filhos, ao que a governadora sugere que a coloque na fila para a laqueadura.
Leia maisAo ser informada de algo pela funcionária, Raquel retrucou: “Faz sem ela saber”. O caso teve repercussão nacional nos grandes veículos de imprensa e na voz de artistas, políticos, movimentos de defesa dos direitos das mulheres e influenciadores. Todos, claro, condenando a declaração.
Um dos casos mais recentes de frases que contribuíram para derrotas em eleições é o célebre “E daí? Não sou coveiro”, dito pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2020, durante a pandemia – em uma coletiva de imprensa em que questionou os números de mortos pela Covid-19 e foi confrontado pelos jornalistas.
Já naquele ano, a declaração gerou indignação na sociedade, e foi muito utilizada durante a campanha vencida pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), remetendo ao negacionismo de Bolsonaro na condução da pandemia. Em 2008, a eleição municipal no Rio de Janeiro foi para o segundo turno entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV).
Uma disputa acirrada, muito possivelmente decidida devido a uma frase de Gabeira, capturada por repórteres que o acompanhavam em um shopping de Bangu, na Zona Oeste da capital carioca. Ao comentar, ao telefone, sobre uma candidata a vereadora aliada, ele esbravejou que ela era “analfabeta política”, e que tinha uma “mentalidade suburbana”.
O caso repercutiu na camada mais pobre da população e foi muito explorado pela campanha de Paes, que acabou vencendo pelo apertadíssimo placar de 50,7% contra 49,3% dos votos válidos. Durante a campanha presidencial de 2002, o candidato pelo PPS, Ciro Gomes, foi perguntado sobre qual seria a função de sua então esposa, a atriz Patrícia Pilar, no pleito.
Ciro então disse que “a importância é ela dormir comigo”. O machismo explícito da declaração repercutiu na imprensa e foi explorado pelos adversários. Ciro terminou a eleição em quarto lugar, atrás do vencedor Lula e de José Serra (PSDB) e Anthony Garotinho (PDT). O “faz sem ela saber” de Raquel Lyra teve repercussão imediata.
Movimentos de defesa dos direitos das mulheres realizaram um protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Celebridades como as atrizes Deborah Secco e Luana Piovani se posicionaram nas redes sociais contra a declaração. O caso foi destaque em programas como o Estúdio i, da GloboNews, e nos maiores jornais de circulação nacional, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo.
EMPATE PRESIDENCIAL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial, mas o petista passou a ter uma pequena vantagem numérica, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg. Lula registra 47,7% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 47,4%. No levantamento divulgado em 17 de setembro, Lula tinha 46,8%, enquanto Flávio registrava 47,2%. Desde então, o presidente oscilou 0,9 ponto porcentual para cima, e o senador avançou numericamente 0,2 ponto. A diferença entre os dois passou de 0,4 ponto a favor de Flávio para 0,3 ponto a favor de Lula. As oscilações se deram dentro da margem de erro do estudo, que é de um ponto porcentual para mais ou para menos. Brancos, nulos e os que não sabem somam 4,9%, ante 6% na pesquisa anterior.

Datafolha pode indicar reviravolta – A pesquisa do Quaest de ontem, mostrando empate técnico entre Raquel e João, ainda não mediu o impacto na imagem da governadora do escândalo da laqueadura. A do Datafolha, prevista para amanhã, tende a captar esse efeito porque seu campo só acaba hoje. Há uma expectativa de reviravolta do cenário em favor do candidato da oposição. Na Quaest, João subiu dois pontos e Raquel caiu dois. Em reta final, isso pode mostrar uma tendência, conforme especialistas em pesquisas eleitorais e avaliação de cenários eleitorais.
Mais uma derrota na Justiça – O Tribunal Regional Eleitoral determinou, ontem, que a campanha de Raquel Lyra (PSD) conceda direito de resposta a João Campos (PSB) em 195 inserções de 30 segundos, após considerar irregular a propaganda eleitoral intitulada “Fura-Fila”. Ao todo, serão 97 minutos e 30 segundos de direito de resposta no rádio e na televisão. A decisão do desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo contabilizou 25 veiculações da propaganda na televisão e 170 no rádio, todas com 30 segundos. O material deverá ser substituído por uma única mídia de resposta, distribuída nos mesmos meios, emissoras e blocos de audiência em que a propaganda questionada foi exibida.
Mais um ministro envolvido? – Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mostram que ela determinou a um funcionário que fizesse depósitos nas contas de dois funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado pelo ministro Wellington Dias. Luchsinger é apontada nas investigações como lobista e, ao lado de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é alvo de inquéritos sob suspeita de tráfico de influência. Segundo a investigação, nos diálogos, Luchsinger enviou mensagem a um funcionário, Ulisses Barbosa, pedindo que fosse ao seu quarto e buscasse uma sacola com dinheiro. “Vc pega 60 mil por favor para fazer uns pagamentos pra mim ta”. Na mesma data, Ulisses envia um comprovante de um depósito de R$ 20 mil na conta de um dos servidores, o secretário-executivo adjunto da pasta, Ranniêr Costa Ciríaco.

Precatórios devolvidos – O corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves (na foto ao lado), determinou o cancelamento de 16 precatórios do setor sucroalcooleiro, que somam R$ 4,7 bilhões, com a respectiva devolução dos valores aos cofres públicos. A decisão atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e atinge precatórios de usinas açucareiras que chegaram a vender parte de seus créditos ao Banco Master. O montante estava depositado em contas judiciais desde dezembro de 2023, em razão de uma ordem expedida pela Justiça Federal do Distrito Federal um ano antes. O cancelamento não atinge os precatórios que o Master transferiu um mês antes de ser liquidado à Entre Investimentos, empresa da teia do banqueiro Daniel Vorcaro e controlada pelo hoje delator Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”.
CURTAS
DOAÇÕES – Os partidos dos dois presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas lideram até o momento as doações de campanha privadas, vindas de pessoas físicas. Candidatos do PL, de Flávio Bolsonaro, receberam os maiores valores: R$ 49,2 milhões de 4.602 doadores. Já o PT, de Lula, agrega mais doações em quantidade: 7.251 doadores diferentes, que somam R$ 34,6 milhões.
RETIRADA – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) remova de suas redes sociais, em até 24 horas, um vídeo gravado no Palácio da Alvorada em que o petista fala sobre o escândalo do Banco Master.
SEM DISCURSO – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), acionaram o Tribunal Superior Eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por suposta prática de conduta vedada no discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Perguntar não ofende: O Datafolha de amanhã já traz o impacto do escândalo da laqueadura?
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