Versão Agreste Central

23/04


2017

Delator: Lula levou proposta a Cuba

João Carlos Mariz Nogueira relatou ter presenciado, em 2014, em Cuba, conversa entre o ex-presidente e um representante do Itamaraty

Da Veja

O executivo da Odebrecht João Carlos Mariz Nogueira relatou em delação premiada ter presenciado, em 2014, em Cuba, conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o representante do Itamaraty Marcelo Câmara, na qual o petista teria afirmado ter levado ao presidente cubano, Raúl Castro, uma proposta da empreiteira que ajudaria a viabilizar uma linha de crédito para a construção de uma zona franca industrial. A obra seria um anexo do Porto de Mariel, que também foi construído pela Odebrecht. O negócio, porém, não foi levado adiante.

O ex-presidente estava no país para ministrar palestras que contavam com financiamento da construtora. O delator diz ter acompanhado e instruído Lula a fazer a proposta em reunião com o então enviado do Itamaraty Marcelo Câmara. Ao fim da passagem pela ilha, o petista teria dito ao representante do Ministério das Relações Exteriores que Castro gostou da proposta elaborada pela Odebrecht.

Em 2015, uma reportagem da revista Época revelou que um telegrama foi enviado por Câmara ao Brasil, indicando que Lula teria tratado sobre a proposta da empreiteira com o líder cubano e que, em seguida, falaria sobre o assunto com a então presidente Dilma Rousseff.

Segundo o delator, após a conclusão do Porto Mariel, o governo cubano havia “provocado” a Odebrecht para construir uma zona franca industrial no país. No entanto, havia restrições do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a respeito da obra. Para liberar os créditos, segundo o executivo, o banco exigia o “robustecimento das garantias”.

“Como eu era diretor de crédito à exportação, coube a mim explicar ao ex-presidente Lula as alternativas que nós vislumbrávamos – nós, Odebrecht – para contribuir a questão das garantias. Tínhamos vislumbrado quatro ou cinco alternativas para essas garantias”, relatou.

Reunião. As instruções teriam sido passadas pelo executivo da Odebrecht ao ex-presidente já na viagem a Cuba, na mesma época em que Lula teria dado palestras na ilha financiadas pela empreiteira. Em uma reunião no hotel Meliá, em Havana, com a presença do representante da Embaixada brasileira e diretores da Odebrecht, o petista teria pedido uma “atualização” de “quais são os investimentos”.

“Quando se tratou o tema das garantias, eu fiz a exposição pra ele. Ele entendeu e eu pedi que pudesse explicar ao presidente Raúl Castro e a Dilma Rousseff e, adicionalmente, pedi um dialogo direto entre os líderes. Estávamos propondo objetivamente algumas soluções sendo que duas ou três delas a gente participava. Havia um interesse empresarial objetivo”, relatou.

Uma das proposições para a viabilização das linhas de crédito pelo BNDES envolvia a compra de nafta – matéria-prima para a indústria petroquímica – pela Braskem, do grupo Odebrecht. De acordo com Mariz Nogueira, a empresa poderia comprar nafta cubana “e depositar parte do dinheiro devido a Cuba em uma conta garantia para acessar o financiamento brasileiro”.

O executivo enxergava dificuldade de aprovação do BNDES, que não queria que a “conta garantia ficasse em Cuba”, e por isso, alega ter pedido ao ex-presidente para haver um “acordo para destravar a questão”.

“Eu me lembro que o presidente Lula quando estava embarcando ou prestes a embarcar no avião, conversou com esse representante da Embaixada Marcelo Câmara e disse: eu conversei com o presidente Raúl Castro, ele gostou da alternativa nafta?… Que nós compraríamos a nafta cubana”, conclui o delator. Ele ainda diz ter ouvido de Lula que “conversaria com a presidente Dilma” sobre o assunto.

Mariz Nogueira relatou que o projeto acabou não sendo levado em frente porque “os cubanos voltaram a insistir em garantia soberana, ou em conta dentro de Cuba”, e ainda avaliou que a Odebrecht teria sido surpreendida pelos “problemas de produtividade” da nafta em Cuba.

Defesas. O Estado entrou em contato com a defesa de Lula, mas não obteve resposta. A reportagem também tentou contato com Marcelo Câmara, mas ele não foi localizado.

(com Estadão Conteúdo)


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Nehemias

O Brasil será justo quando o serra, o Aécio, o temer e o Moro estiver na mesma cela!

Nehemias

Eu vou poder dizer que fiquei e fiz parte do lado certo da história com muito orgulho. E você? Vai dizer que seguiu um pato?

Nehemias

Arcebispos convocam os fiéis católicos para greve geral contra Temer.

José Pereira da Silva

Na foto, um o satanás já levou para as profundezas do inferno,agora tá demorando para levar o outro safado.


Versão Sertão do Pajeú

23/04


2017

Lava Jato: empresas demitiram quase 600 mil

Efeito pode ser ainda maior quando se consideram as vagas indiretas

Por Agência Estado

A recessão, a queda do preço do petróleo, a redução dos gastos do governo e a Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás, empreiteiras e agentes do governo, tiveram efeito devastador no emprego. Levantamento do ‘Estado’ com dez das maiores empresas citadas na Lava Jato mostra que, somente entre funcionários diretos e terceirizados dessas companhias, o corte de vagas entre o fim de 2013 (antes da deflagração da Lava Jato, em março de 2014) e dezembro de 2016 foi de quase 600 mil pessoas. Analistas apontam que o efeito foi ainda maior, quando se consideram as vagas indiretas.

Empresas do setor de óleo e gás, como a Petrobrás, foram afetadas pela redução da cotação do petróleo, que hoje está próxima de US$ 50. Já as grandes construtoras e incorporadoras tiveram de lidar com o alto endividamento da população, que deixou de comprar imóveis, e com a conclusão - ou interrupção - de projetos de infraestrutura, diante da deterioração das contas do governo.

A conta de 600 mil postos de trabalho fechados mostra um impacto considerável - equivalente a 5% do total de pessoas que entraram na fila do desemprego entre 2013 e 2016, que foi de 11,2 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de desocupados no País era de 1,1 milhão em dezembro de 2013; no fim de 2016, o número havia crescido para 12,3 milhões.

Após um período de longa bonança, as companhias envolvidas na Lava Jato vivem momentos de dificuldade e tentam se reestruturar. As construtoras Queiroz Galvão, Engevix, OAS e Mendes Júnior estão entre as que pediram recuperação judicial. A Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para a construção de sondas de petróleo, está na mesma situação.

Falta de equilíbrio. Os cortes de vagas são impressionantes, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), porque muitos projetos de expansão se basearam em previsões pouco realistas. Pires afirma que, após a descoberta do petróleo do pré-sal, instalou-se um clima de euforia que levou à tomada de decisões de governo - e de negócio - sem sentido econômico.

Pires cita como exemplos a determinação de que a Petrobrás fosse operadora dos campos do pré-sal e a criação da Sete Brasil. “A Petrobrás não tinha condições de fazer o trabalho de exploração sozinha. Essa decisão espantou investimentos estrangeiros que hoje seriam bem-vindos”, frisa o diretor do CBIE. O sinal verde para a construção das sondas do pré-sal, lembra Pires, foi baseada em uma previsão de produção de quase 5 milhões de barris de petróleo por dia até 2020. Em 2013, a projeção foi reduzida a 4,2 milhões; dois anos depois, houve novo corte, para 2,8 milhões de barris diários.

Essa falta de critério, segundo o economista Sérgio Lazzarini, professor do Insper, influenciou o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que acelerou a concessão de empréstimos, e também o Banco do Brasil e a Caixa, que inflaram o crédito mesmo quando a economia já dava sinais de exaustão. “O que essa gastança nos trouxe de benefícios? Acho que esse modelo de desenvolvimento mostrou que é preciso dosar a participação do Estado na economia”, diz Lazzarini.

Os efeitos colaterais da Lava Jato - o desemprego, a revelação de intricados esquemas de corrupção e o abalo à reputação de grandes companhias - levaram, pelo menos momentaneamente, a uma mudança no curso da economia. Hoje, diz o professor do Insper, o lema é a redução de gastos públicos e a abertura de vários setores a investimentos externos, entre eles infraestrutura e companhias aéreas.

A manutenção deste caminho não é garantida, na visão de Lazzarini. Ele acredita que ainda há risco de uma “guinada” populista no País como reação à crise. “Basta ver o que aconteceu nos Estados Unidos, com Donald Trump. Quando se olham os candidatos para a eleição presidencial de 2018, é muito difícil fazer uma previsão para onde vamos.”

Principais cortes. Por seu porte, a Petrobrás fez os maiores cortes em termos absolutos entre as companhias consultadas (leia mais abaixo), mas houve reduções relativamente maiores, como o da Engevix, que diminuiu seu efetivo em 85%. Os dados do quadro ao lado foram repassados pelas próprias empresas.

Algumas empresas esperam uma chance de voltar à ativa. É o caso da Sete Brasil, que chegou a movimentar 15 mil trabalhadores nos estaleiros que contratava para construir suas sondas, segundo fontes. Hoje, a atividade da Sete se resumiria a 20 funcionários. A companhia aguarda a aprovação de seu plano de recuperação no início de maio. Segundo o Estado apurou, a expectativa é contratar até 2 mil trabalhadores para a retomada das sondas. Procurada, a Sete Brasil não quis comentar nem fornecer dados oficiais sobre sua força de trabalho.

 

Justificativas. Algumas das empresas consultadas destacaram que, além da Lava Jato, outros fatores contribuíram para a redução de seus quadros. A Odebrecht lembrou da crise que abateu o País nos últimos anos e disse estar “comprometida em voltar a crescer e contribuir com as comunidades nos locais onde atua”. A Andrade Gutierrez afirmou que seus dados são afetados por reduções de ritmos de obras ou o encerramento das mesmas - justificativa que também se aplica às demais construtoras. A Promon também afirmou ter sido afetada pela redução dos investimentos em infraestrutura no País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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Versão Mata Sul

23/04


2017

Coreia do Norte X EUA: será a terceira guerra mundial?

A tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte aumentou recentemente, com agressões e advertências verbais, além de alguns movimentos militares, o que gerou uma preocupação sobre uma nova crise entre duas potências nucleares.

A Coreia do Norte ameaçou aumentar as os testes de mísseis diante de ameaças dos Estados Unidos

Da BBC Brasil 

Veículos de comunicação como o jornal americano The New York Times e o britânico The Guardian chegaram a citar a possibilidade de um conflito e compararam o momento atual como a Crise dos Mísseis de Cuba, de 1962. Afinal, seria essa a crise nuclear mais preocupante em 50 anos?

Especialistas ouvidos pela BBC divergem sobre as chances reais de um confronto mais acirrado - e potencialmente destrutivo - entre Washington e Pyongyang.

Há um consenso de que a solução militar não seria a melhor para as diferenças entre os dois países e que, assim como fizeram soviéticos e americanos há quase 55 anos, Donald Trump e Kim Jong-un resolverão seus problemas na mesa de negociações.

A crise atual se intensificou em 8 de abril, quando, após um teste de míssil frustrado pela Coreia do Norte, Trump disse ter enviado uma "armada muito poderosa" para a península coreana, uma referência ao porta-aviões USS Carl Vinson e a um grupo tático.

Por sua vez, o Exército norte-coreano exibiu no último fim de semana seu arsenal militar e tentou fazer um novo teste de mísseis de médio alcance. O exercício falhou novamemnte - o dispositivo explodiu pouco após o lançamento.

Estava marcado para o mesmo dia o início de uma visita do vice-presidente americano, Mike Pence, à Ásia, que tem a Coreia do Norte como um dos principais temas de sua agenda. "A era da paciência estratégia (com Pyongyang) terminou", disse ele na segunda-feira, em visita à Coreia do Sul.

A resposta da Coreia do Norte foi breve, vinda de um alto diplomata do país: "Se os Estados Unidos planejam uma ofensiva militar, vamos reagir com um ataque nuclear preventivo".

Confira a íntegra da reportagem aqui: Tensão com a Coreia do NorteO mundo pode estar próximo da 3


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Versão Agreste Central

23/04


2017

Lava Jato pode derrubar mais um ministro de Temer

Além dos seus oito ministros investigados na Lava Jato, o presidente Michel Temer pode também ser obrigado a demitir seu ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que foi intimado a apresentar sua defesa no âmbito da Operação Carne Fraca, sobre supostos pagamentos de propinas na indústria de alimentos.

Serraglio foi flagrado numa conversa em que tratava Daniel Gonçalves Filho, tido como líder da máfia dos fiscais agropecuários, como seu "grande chefe".

Segundo sua assessoria, Serraglio tentou apenas preservar os empregos de um frigorífico que seria fechado, mas sua versão pode ser contestada pela delação premiada de Gonçalves Filho.

A Polícia Federal sustenta que a máfia dos fiscais cobrava propinas das grandes empresas de alimentos e arrecadava recursos para políticos do PP e do PMDB, partido de Temer e Serraglio.


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23/04


2017

Temer acha a corrupção "triste", mas não faz nada

Blog do Josias de Souza

De duas, uma: ou Temer morrerá de tédio ou acabará gritando diante do espelho: “Fora, Temer”.

Carlos Drummond de Andrade escolheu como epígrafe do livro Claro Enigma um verso de Paul Valéry: “Les événements m’ennuient”. Significa: os acontecimentos me entediam. Ou me chateiam, numa tradução livre. Michel Temer poderia adotar o mesmo verso como lema de sua gestão. Mais do que revolta, o comportamento do presidente diante da crise moral começa a provocar uma onda de tédio.

Em entrevista à espanhola TVE, Temer concordou com o entrevistador quando ele disse que é triste ter dezenas de políticos acusados de corrupção no Brasil. “Sim, me parece triste, não posso falar outra coisa”, aquiesceu o entrevistado, antes de deixar claro que sua tristeza não tem a menor serventia: “Em relação a essas investigações, temos que esperar que o Poder Judiciário condene ou absolva as pessoas.”

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo governo. Dividido entre uma encenação e outra, a plateia não dá atenção a nenhuma das duas. Temer anuncia que está em cartaz a novela das reformas. Mas a hecatombe da Odebrecht faz piscar outra palavra no letreiro: c-o-r-r-u-p-ç-ã-o. A estratégia de Temer é clara: simular desgosto com a podridão e tentar arranca as reformas do Congresso apodrecido.

Noutra entrevista, dessa vez à agência de notícias Efe, Temer reiterou que deseja descer ao verbete da enciclopédia como o presidente que ''reformulou o país''.  Vaticinou: ''A melhor marca do meu governo, será colocar o país nos trilhos.” Bocejos! O presidente parece dar de barato que, na disputa por um lugar no cartaz, o vocábulo “reformas” prevalecerá sobre “corrupção”. Será?

Fernando Henrique Cardoso gosta de dizer que, sob atmosfera caótica como a atual, o Brasil costuma avançar. De fato, a crise atenuou as resistências ideológicas às reformas. As corporações ainda brigam pela preservação de privilégios. Mas estão meio zonzas. Amedrontado, o Congresso talvez se mexa.

Supondo-se que Temer consiga aprovar algum tipo de reforma trabalhista e previdenciária, os efeitos das mudanças serão avaliados mais adiante. A imagem do seu governo, porém, é um problema urgente. Com a popularidade roçando o chão, Temer associa sua agonizante figura a uma tríade de símbolos tóxicos: cumplicidade, suspeição e acobertamento.

Acomodado por delatores no centro de cenas nas quais foram negociadas verbas eleitorais espúrias e propinas milionárias, Temer só não é investigado porque a Procuradoria-Geral acha que ele dispõe de imunidade temporária enquanto estiver na cadeira de presidente. Contra esse pano de fundo enodoado, o presidente passa a sensação de que não dispõe de moral para agir. Daí, por exemplo, a presença de ministros suspeitos no governo.

Quando escuta Temer dizer que fica “triste” com a suspeita de roubalheira que recai sobre tantos políticos, a plateia boceja de tédio. As manifestações do presidente dão sono antes de irritar. Confrontadas com os avanços da Lava Jato, suas palavras mostram que, no Brasil da Lava jato, o pesadelo tornou-se menos penoso do que o despertar.

Em meio aos dois espetáculos que estão em cartaz, Temer se divide. Do ponto de vista econômico, a aura do presidente pertence à modernização. Do ponto de vista político, Temer se esforça para simbolizar o que há de mais anacrônico. Acossado pela hecatombe moral, Temer reage à moda do avestruz: enfia a cabeça na sua pseudo-tristeza. De duas, uma: ou Temer morrerá de tédio ou acabará gritando diante do espelho: “Fora, Temer”.


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Nehemias

Só lembrando: Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: Sua base ideológica é Inclusiva ou excludente?

Nehemias

O Brasil será justo quando o serra, o Aécio, o temer e o Moro estiver na mesma cela!

Nehemias

Eu vou poder dizer que fiquei e fiz parte do lado certo da história com muito orgulho. E você? Vai dizer que seguiu um pato?

José Pereira da Silva

Luiz Maia.

José Pereira da Silva

Luiz Carlos tá certo,tem mesmo que baixar o cassetete de preferência de madeira no lombo destes vagabundos.


Flamac - 1

23/04


2017

França trava a batalha que decidirá o rumo da Europa

El País - Marc Bassets

A terceira rodada na batalha mundial entre o populismo e o status quo, entre os nacionalistas e os internacionalistas, entre as forças do retrocesso e as da abertura, é travada na França. Após o referendo britânico sobre a União Europeia e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as eleições presidenciais francesas expõem novamente as fraturas do mundo desenvolvido. Milhões de pessoas irão votar no domingo no primeiro turno das eleições para a escolha do sucessor de François Hollande. As eleições – na prática, um referendo sobre o futuro da Europa e sobre a ordem ocidental na qual a França é peça fundamental – repercutirão além das fronteiras do país.

As eleições francesas podem ser vistas como um novo capítulo na sequência da megaeleição global que começou em junho de 2016 com o Brexit – o voto favorável à saída do Reino Unido da UE –, continuou com a vitória de Trump em novembro do mesmo ano e prossegue na França.

Onze candidatos concorrem no primeiro turno neste 23 de abril. Desses, e a menos que alguém supere os 50% dos votos, coisa muito improvável, os dois mais votados passarão ao segundo turno, em 7 de maio. Daí sairá o homem ou mulher que comandará a França nos próximos cinco anos.

Saiba mais: França trava a batalha eleitoral que decidirá o rumo da Europa


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FMO

23/04


2017

Caso de Dilma e Odebrecht: inverso a Lula e Pinheiro

Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

As investigações haverão de esclarecer se Lula disse a Léo Pinheiro que deveria destruir suas anotações, mas a polícia e o Ministério Público poderão verificar um episódio onde deu-se o inverso: a Odebrecht diz que enviou a Dilma Rousseff as provas da corrupção de sua campanha nas eleições de 2014. O portador dos papéis teria sido o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

São dois os testemunhos da Odebrecht. Um, de Marcelo, seu presidente, outro de João Nogueira, um dos seus templários. Os documentos teriam sido levadas a Dilma depois de 17 de novembro e antes de 29 de dezembro. A manobra poderia ser chamada de chantagem ou, numa versão bem educada, ameaça: Me ajude, senão você morre comigo.

A empreiteira estava desesperada pois tinha vários diretores trancados em Curitiba. Já não se tratava de buscar a nulidade da Lava Jato numa manobra tipo Castelo de Areia 2.0. Era desespero mesmo.

Passados os feriados de fim de ano, a Advocacia-Geral da União defendeu o recurso a balsâmicos acordos de leniência, para evitar que empresas fossem prejudicadas por causa da conduta de alguns funcionários. Já a Controladoria-Geral da União defendeu a cobrança de multas às empresas, deixando-se as coisas no âmbito administrativo.

A casa continuou caindo e em fevereiro a Camargo Corrêa acertou sua colaboração com o Ministério Publico.

Emílio Odebrecht escreveu um artigo intitulado "Uma Agenda para o Futuro" e ensinou: "A corrupção é um problema grave, mas é fundamental dedicar nossas energias para o debate sobre o que é preciso fazer para mudarmos o país".

Um mês depois, em junho de 2015, Marcelo Odebrecht foi preso. Desde então, pai e filho dedicam suas energias a revelar o que fizeram, como fizeram e com quem fizeram.


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Nehemias

Ricardo José. Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: Sua base ideológica é Inclusiva ou excludente?

Nehemias

Luiz Maia e outros imbecis iguais a ele é que deveriam estar presos. Esses canalhas não merecem um bom dia de nenhum homem de bem. Esse elemento traduz o eleitorado da OCRIM. Uma parte é formada por alienados e idiotas, a outra, por bandidos e ladrões da pátria.

LUIZ MAIA

Dia 3 de maio cerca de 5 mil homens altamente treinados, comandados pelo General Combatente Jorge Roberto Lopes Fossi darão o ritmo de como os \"forasteiros\" deverão se comportar diante do Foro Federal de Curitiba... As ameaças disparadas nas redes sociais contra o Juiz Sérgio Moro, partidas da mais abjeta militância defensora da corrupção, pilhagem e fragmentação do Estado de Direito, sucumbirão diante da altivez e da coragem dos brasileiros destacados para defender a verdadeira democracia.

Ricardo José

A grande dificuldade de aceitação de opiniões contrárias ao defendido por outros, se da apenas por ideologias porlitico-partidaria e nunca por interesses coletivos.

Nehemias

Juiz que recebe supersalário é corrupto


Mobi Brasil 5

23/04


2017

Em 3 anos, empresas da Lava Jato demitiram 600 mil

O Estado de S.Paulo - Fernando Schelle

A recessão, a queda do preço do petróleo, a redução dos gastos do governo e a Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás, empreiteiras e agentes do governo, tiveram efeito devastador no emprego. Levantamento do Estado com dez das maiores empresas citadas na Lava Jato mostra que, somente entre funcionários diretos e terceirizados dessas companhias, o corte de vagas entre o fim de 2013 (antes da deflagração da Lava Jato, em março de 2014) e dezembro de 2016 foi de quase 600 mil pessoas. Analistas apontam que o efeito foi ainda maior, quando se consideram as vagas indiretas.

Empresas do setor de óleo e gás, como a Petrobrás, foram afetadas pela redução da cotação do petróleo, que hoje está próxima de US$ 50. Já as grandes construtoras e incorporadoras tiveram de lidar com o alto endividamento da população, que deixou de comprar imóveis, e com a conclusão – ou interrupção – de projetos de infraestrutura, diante da deterioração das contas do governo.

A conta de 600 mil postos de trabalho fechados mostra um impacto considerável – equivalente a 5% do total de pessoas que entraram na fila do desemprego entre 2013 e 2016, que foi de 11,2 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de desocupados no País era de 1,1 milhão em dezembro de 2013; no fim de 2016, o número havia crescido para 12,3 milhões.

Após um período de longa bonança, as companhias envolvidas na Lava Jato vivem momentos de dificuldade e tentam se reestruturar. As construtoras Queiroz Galvão, Engevix, OAS e Mendes Júnior estão entre as que pediram recuperação judicial. A Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para a construção de sondas de petróleo, está na mesma situação.


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Banner - Hapvida

23/04


2017

MP quer saber quem são "Mestre" e "Tremito"

Codinomes apareceram em contrato milionário da Odebrecht com a Petrobras

Epoca - Murilo Ramos

Não está claro para os investigadores quem são os personagens por trás dos apelidos “Mestre” e “Tremito”.

 

Os codinomes foram citados em meio às explicações sobre o pagamento de propina a políticos do PMDB a partir de um contrato de R$ 800 milhões da Odebrecht com a Petrobras.

A curiosidade deve-se à importância do caso. Existem provas de que houve fraude na licitação e acerto de propina.

Dois delatores disseram que o presidente Michel Temer abençoou a negociata. Temer nega.

O Ministério Público Federal foi informado de que o ex-senador Delcídio do Amaral e o senador Humberto Costa receberam dinheiro desse mesmo contrato.

Mas há outra parte destinada ao PT que foi paga no exterior em contas indicadas pelo ex-tesoureiro do partido João Vaccari. Falta saber quem foram os destinatários finais.


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Asfaltos

23/04


2017

Temer descarta risco de perder mandato

Temer afirmou ainda conhecer "muitos" políticos que não utilizaram do caixa 2

O presidente Michel Temer refutou em entrevista à agência de notícias Efe, publicada neste sábado, a possibilidade de perder o mandato no processo que corre na Justiça Eleitoral contra a chapa formada por ele e a ex-presidente Dilma Rousseff.

Ao salientar que todas as doações recebidas por sua campanha foram legais, Temer disse esperar que o caso seja julgado como improcedente e, a menos de dois anos de encerrar o mandato, assinalou que recursos devem prolongar o processo até a decisão final.

“Não sei qual será a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ela vai demandar recursos, tanto internamente no tribunal como seguramente para o Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse o peemedebista. “Ou seja, há ainda um longo percurso processual a percorrer. Então, na pior das hipóteses, se houver, digamos assim, a anulação da chapa, a cassação da chapa, haverá recurso”, acrescentou.

Ele rebateu ainda as declarações dadas na delação premiada do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht de que todos políticos eleitos a cargo público no Brasil foram financiados com dinheiro de caixa 2. “É uma opinião da Odebrecht. A Odebrecht é que acha que todos os políticos se serviram do caixa 2. Aliás, ao assim se manifestarem, dizem que eles são os produtores do caixa 2”, comentou Temer, que disse conhecer “muitos” políticos que não utilizaram tais métodos.


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Supranor 1

23/04


2017

É difícil saber quando Lula e Pinheiro dizem a verdade

Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

A Polícia Federal e o Ministério Público poderão levantar detalhes que ajudem a esclarecer o mistério das quatro palavras. (O da serventia do apartamento nunca foi um enigma respeitável.)

Passaram-se três anos e a ordem dos fatos embaralhou-se na memória de quem é obrigado a cuidar da própria vida. Tomando-se "abril ou maio" como referência, percebe-se que estranhas coisas estavam acontecendo e poderiam justificar a recomendação. No dia 17 de março a Polícia Federal prendera o operador Alberto Youssef. No dia 20, caiu Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Dias depois, Nestor Cerveró, outro ex-diretor, foi para a Europa, em férias.

Em seu escritório, o advogado Márcio Thomaz Bastos prenunciava uma tempestade. Em 2011, ele conseguira uma vitória espetacular das empreiteiras sobre a Polícia Federal e o Ministério Público, anulando a Operação Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justiça.

A tempestade chegou em junho, quando um procurador suíço bloqueou US$ 23 milhões depositados por Paulo Roberto Costa. Ele havia sido libertado e um juiz pouco conhecido mandou prendê-lo de novo. Era Sergio Moro. Percebia-se que se estabelecera uma colaboração entre Curitiba e Genebra. Se essa colaboração vazou em "abril ou maio", não se sabe. Sabe-se, porém que Lula chamou Léo Pinheiro ao seu Instituto. Estava "preocupado" e fez uma pergunta "muito objetiva, muito clara": "Se a OAS tinha feito algum pagamento no exterior para João Vaccari". Depois, tratando de eventuais anotações contábeis de Léo Pinheiro com o PT, disse-lhe: "Se tiver, você destrua".

Abre-se uma questão. É provável que Pinheiro e a OAS tivessem anotações. Se elas existiram, seria razoável que fossem destruídas ou, pelo menos, transferidas para um lugar seguro.

Marcelo Odebrecht só mandou "higienizar" os apetrechos" de suas "operações estruturadas" em novembro de 2014, quando diretores da empreiteira foram presos. Essa circunstância mostra a extensão da onipotência dos mandarins das empreiteiras. Apesar disso, o caso de Léo Pinheiro é diferente. Ele recebeu a recomendação de Lula, um ex-presidente da República, padrinho da titular do cargo e comissário-chefe do PT.

A defesa de Lula sustenta que Léo Pinheiro inventou essa história para salvar a própria pele. Se ele mostrar quais provas destruiu, como e quando, fortalece sua denúncia.


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Nehemias

Luiz Maia e outros imbecis iguais a ele é que deveriam estar presos. Esses canalhas não merecem um bom dia de nenhum homem de bem. Esse elemento traduz o eleitorado da OCRIM. Uma parte é formada por alienados e idiotas, a outra, por bandidos e ladrões da pátria.

LUIZ MAIA

Todos têm de ser punidos e seus beneficiários de diferentes partidos, de tucanos a comunistas, passando pelos peemedebistas de sempre, merecem a aposentadoria compulsória da política e a pena da lei. Mas que não reste dúvida: o verdadeiro sócio do esquema criminoso que colocou em xeque a ainda incipiente democracia brasileira atende pela alcunha de Lula, e sua máscara caiu indubitavelmente diante dos olhos da Nação. Quem ainda não enxergou é porque não quer mesmo ver.”

Nehemias

Lula significa o resgate da política.

Nehemias

Defender Lula é defender a democracia. e quiserem nos derrotar que nos derrotem na urna. Apresentem os seus projetos, digam o que vocês defendem. Não impeçam o nosso país de olhar para o futuro e deter na figura do presidente Lula a grande liderança política que pode sim nos conduzir para enfrentar este cenário vergonhoso que estamos mergulhados hoje.

Nehemias

Serra quer Lula candidato em 2018.


ArcoVerde

23/04


2017

O Brasil se refaz ou apodrece?

Vinicius Torres Freire - Folha de S.Paulo

Circula por aí a ideia de convocar uma Constituinte, excluídos os políticos da geração zumbi, os mortos-vivos da República falecida entre 2013 e 2016, que fede insepulta.

Quase ninguém nos centros de poder compra a Constituinte, por ora. Mas, no início de 2015, quando já se falava de impeachment, quase toda a elite mais atuante refugava a deposição de Dilma Rousseff.

Há ânsia desesperada de outro país, de mudança ordenada, pois já ocorrem transformações de fundo; instituições e política se dissolvem ou se estragam em lutas violentas. O Brasil está em mudança constitucional, no sentido genérico do termo.

"Transformação" é um nome suave para essa guerra civil por outros meios que se desenrola desde 2015 e que, a depender de vencedores e estragos, vai definir se haverá governo viável em 2019.

Há conflitos fundamentais.

Há luta, sem pacto, para revirar o mundo de trabalho e seguridade social, núcleo das relações socioeconômicas. Outras reformas, incontroversas ou despercebidas, passam desde 2016. Pode vir mais: terras, terra indígena, lei ambiental etc.

Pode vir reforma política que desmontaria um sistema eleitoral de 70 anos.

O STF ou seus monocratas extrapolaram suas funções. Toureiam ou tutelam Executivo e Legislativo, fazem arranjos extralegais para evitar transbordamentos mais graves nos Poderes e acomodam exageros dos tenentes da nova burocracia judiciária-policial (Lava Jato).

Os tenentes dizimam a elite política carcomida da Nova República Velha, fase mais recente do histórico conluio que combinava a engorda ou a criação de oligarquias político-econômicas com o uso de recursos públicos para reorganizar e valorizar a grande empresa, via roubo ou mero subsídio.

O governo vive uma espécie de moratória, a moratória do superavit. Este é o significado do "teto" de gastos: um pedido oficial de paciência aos credores, garantia até que se consiga estabilizar a dívida pública. Se falhar, se o "teto" cair ou furar, virá crise financeira até que se assine outra carta de intenções, promessa de novo arrocho.

Como se nota, são mudanças no modo de contratar trabalho, em sindicatos, na redistribuição de renda. São disputas decisivas a respeito das condições de solvência do setor público. No modo de escolher políticos. São alterações de fato nos poderes de Justiça, procuradores e polícia.

Curiosamente, a reforma trabalhista passa quase como avalanche. O combate maior da esquerda é contra a reforma previdenciária e o "teto", justamente aquilo que, do ponto de vista fiscal, é o antídoto gêmeo contra uma crise financeira a partir de 2019, seja o governo de esquerda ou de direita. "Teto" e reforma, caso não se recorde, eram projetos também do governo petista moribundo de 2015.

Na reforma política e no ataque aos tenentes judiciais, a esquerda oficial podre (PT e satélites) é aliada dos carcomidos de direita em uma manobra para conservar a podridão na política, nas empresas e também o "desenvolvimentismo", em degradação terminal e tóxica.

É um pacto que pode resultar no pior dos mundos: um outsider no Planalto cercado de zumbis da política e vampiros do capital.

Não há por ora quem ou o que dê sentido a essa reconstituição caótica do país. 


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Garanhuns

23/04


2017

Temer diz ser triste ver 8 de seus ministros na Lava Jato

O presidente Michel Temer disse achar "triste" ver dezenas de parlamentares e oito ministros de seu governo acusados de corrupção na Lava Jato, ignorando completamente que ele próprio é delatado por negociar uma megapropina para seu partido.

"Sim, me parece triste, não posso dizer outra coisa. Mas é necessário esperar que o Poder Judiciário condene ou absolva as pessoas", declarou em entrevista ao canal de TV espanhol 'TVE', que foi gravado na quinta-feira 20 e exibido neste sábado 22 na Espanha.

"O Brasil não para, portanto não serão os efeitos de atos de corrupção que poderão parar o país", completou Temer.  A entrevista foi concedida às vésperas da visita do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, ao Brasil, na segunda e terça-feira.

Temer é acusado em delação da Odebrecht de ter participado de uma reunião em que foi acertada uma propina de US$ 40 milhões para o PMDB. Ele confirma a existência e a participação na reunião, mas nega a negociação do repasse ilegal. Temer só não é investigado porque o procurador-geral, Rodrigo Janot, lhe deu imunidade, usando para isso uma jurisprudência equivocada.

Na entrevista, ele também disse considerar que o juiz Sergio Moro, que julga os processos da Lava Jato em primeira instância, "cumpre seu papel adequadamente". "Creio que ele [Moro] cumpre seu papel adequadamente, qualquer consideração negativa que eu faça sobre as delações será prejudicial porque pode passar a ideia de que se quer acabar com a Lava Jato", declarou.


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Naipes

23/04


2017

Corrupção ronda a Odebrecht desde a ditadura

Josias de Souza

Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, Emílio Odebrecht deu a entender que o convívio de sua empresa com a corrupção começou há 30 anos, quando o Brasil já havia se redemocratizado. Documento disponível nos arquivos do Senado demonstra que não é bem assim. A suspeição já rondava o Grupo Odebrecht durante a ditadura militar. Em 17 de abril de 1979, Norberto Odebrecht,  (Foto), pai de Emílio, sentou-se num banco de CPI, no Senado, para se defender de denúncias de desvio de verbas, superfaturamento e favorecimento nas obras do complexo nuclear de Angra —um negócio iniciado há 45 anos, em 1972, sob o governo do general Emílio Médici.

As informações que você lerá abaixo foram extraídas do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito criada no Senado para investigar o Acordo Nuclear Brasil—Alemanha. A CPI começou a funcionar em outubro 1978, no governo do general Ernesto Geisel. O documento que registra o resultado do trabalho, disponível aqui,  só foi publicado no Diário do Congresso em agosto de 1982, quase quatro anos depois, já durante o mandato do general João Figueiredo, último presidente do ciclo militar. As denúncias contra a Odebrecht eram apenas parte da matéria-prima da CPI, que nasceu de uma reação dos senadores a uma notícia publicada pela revista alemã Der Spiegel.

O ânimo da maioria dos senadores não era o de investigar, mas o de demonstrar que a revista ofendera o Brasil injustamente. A CPI teve dois relatores. O primeiro deles, senador Jarbas Passarinho, anotou no seu relatório final coisas assim: “Em setembro de 1978, a revista alemã ‘Der Spiegel’ publicou extensa reportagem sobre o Programa Nuclear Brasileiro. Da sua leitura, nota-se o caráter sensacionalista da matéria e a clara insinuação de que o brasileiro é irresponsável e incompetente na condução de realizações complexas…”. Era nítido o desejo de desqualificar a notícia. Mas o relatório da CPI deixava antever que já vigorava na época a ''normalidade'' de que falou Emílio Odebrecht aos procuradores da Lava Jato 

O relator toureou as denúncias da revista o quanto pôde. Deu crédito irrestrito a versões oficiais, recolhidas em depoimentos de autoridades. Entretanto, a despeito de toda a má vontade com o teor da reportagem da Der Spiegel, ecoada por jornais brasileiros, Jarbas Passarinho teve dificuldades para isentar a Odebrecht. Anotou a certa altura: “De tudo o que a revista alemã deu a público, só essa denúncia de que a Construtora Norberto Odebrecht recebeu a adjudicação das obras civis de Angra II e Angra III sem concorrência é o que se provou verdadeira. A publicação insinua, porém, que por trás do suposto favorecimento estaria o ministro [Ângelo] Calmon de Sá, do Comércio e Indústria.”

Continue lendo a reportagem clicando aí: Corrupção ronda a Odebrecht desde a ditadura 


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Comentários

LUIZ MAIA

Dia 3 de maio cerca de 5 mil homens altamente treinados, comandados pelo General Combatente Jorge Roberto Lopes Fossi darão o ritmo de como os \"forasteiros\" deverão se comportar diante do Foro Federal de Curitiba... As ameaças disparadas nas redes sociais contra o Juiz Sérgio Moro, partidas da mais abjeta militância defensora da corrupção, pilhagem e fragmentação do Estado de Direito, sucumbirão diante da altivez e da coragem dos brasileiros destacados para defender a verdadeira democracia.

Nehemias

Corrupção ronda a Odebrecht desde a ditadura... Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, Emílio Odebrecht deu a entender que o convívio de sua empresa com a corrupção começou há 30 anos, quando o Brasil já havia se redemocratizado. Documento disponível nos arquivos do Senado. Documento disponível nos arquivos do Senado demonstra que não é bem assim. A suspeição já rondava o Grupo Odebrecht durante a ditadura militar.


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23/04


2017

Delatores provam propinas milionárias a PMDB e PT

O Globo

Delatores da Odebrecht apresentaram à força-tarefa da operação Lava-Jato extratos e planilhas que comprovam pagamentos milionários de propina ao PMDB e ao PT. Os documentos referem-se ao PAC-SMS — um contrato de prestação de serviços da diretoria internacional da Petrobras, que previa a manutenção de unidades da petrolífera em nove países onde atuava. Os repasses foram feitos entre 2010 e 2012 e ultrapassam US$ 40 milhões.

O valor do contrato superava US$ 800 milhões. Já a parte da propina era repartida em 4% desse valor ao PMDB (US$ 32 milhões) e 1% ao PT (US$ 8 milhões), o equivalente a US$ 40 milhões. As delações ainda dão conta de outros US$ 25 milhões não detalhados, atingindo um total de US$ 65 milhões em propinas.

Foram 70 pagamentos que ocorreram de duas maneiras: uma pequena parte paga em espécie no Brasil; uma maior parte repassada a contas de operadores fora do país. Os depósitos feitos pela Odebrecht em offshores variam de US$ 256 mil a US$ 3 milhões.

Leia mais: Delatores da Odebrecht apresentam extratos de propinas milionárias a PMDB e PT


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22/04


2017

O retrocesso avança

André Singer - Folha de S.Paulo

Para comemorar comme il faut um ano do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, as forças empenhadas em dissolver as bases de qualquer projeto nacional deram nova demonstração de vontade ofensiva. Na quarta-feira (19), conseguiram reunir 287 votos (contra 144) para avançar a reforma trabalhista na mesma Câmara dos Deputados que abriu o processo de impeachment contra a ex-presidente. É verdade que foram 80 sufrágios a menos do que os obtidos para levar a então mandatária ao cadafalso, mas revela uma disposição radical cujas consequências se prenunciam funestas.

Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), chama a atenção para o caráter interligado dos projetos constitucionais em curso. O dinheiro poupado do corte de benefícios previdenciários proposto é importante para viabilizar a PEC dos gastos, aprovada em outubro passado. Como o teto estabelecido impede o aumento de dispêndio público, será preciso tirar das aposentadorias para manter o mínimo de funcionamento em outras áreas (segurança, saúde, educação etc.).

Por outro lado, o regime de urgência aprovado para as alterações na legislação existente desde os anos 1940 pode eliminar direitos históricos da classe trabalhadora. Além de permitir, entre outras muitas medidas, que o negociado prevaleça sobre o legislado, abrindo o caminho para que a CLT vire letra morta onde os sindicatos são mais fracos, o parecer do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) investe contra o imposto sindical. Embora a contribuição obrigatória seja fonte inequívoca de burocratização, aboli-lo no contexto desta reforma significa esvaziar a principal fonte de resistência ao retrocesso generalizado.

Para completar, a Câmara, ao ampliar, em março, por 231 a 188 votos, o raio de ação das empresas terceirizadas, que agora podem realizar também as atividades-fim de outras firmas, colocou nova parcela da força de trabalho mais longe do alcance da fiscalização. Pode-se imaginar o quanto tudo isso precarizará as relações de trabalho, tendendo, talvez, a diminuir a base de arrecadação da Previdência e reforçando a necessidade de cortar benefícios.

Aos poucos, como se viu na manifestação de 15/3, a sociedade começa a acordar para o tamanho do retrocesso em curso. Redução do valor do trabalho, deterioração dos serviços públicos, destruição e venda do patrimônio nacional para estrangeiros, desindustrialização acelerada e ameaça às liberdades democráticas. Resta saber se haverá tempo para desligar o modo demolição em que o jogo atual vem sendo jogado antes que seja tarde. Parte da resposta virá nos protestos previstos para sexta que vem. 


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