Quem conhece a fábula de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, sabe que ali a lógica é justamente a inversão da realidade. Na política de Pernambuco, parece que estamos diante de algo parecido.
A governadora Raquel Lyra anunciou hoje 20 pontos de um novo programa de governo. O problema é que, depois de quatro anos à frente do Estado, boa parte do que está sendo apresentado como promessa para os próximos anos deveria, na verdade, ser apresentada como resultado do governo que termina.
Leia maisÉ uma situação politicamente curiosa: pela primeira vez, um governo parece reconhecer, ainda que indiretamente, que aquilo que prometeu não foi entregue. E, em vez de apresentar resultados concretos, anuncia que pretende fazer no futuro aquilo que não conseguiu fazer no presente.
Depois de quatro anos governando Pernambuco, o objetivo central deveria ser outro: apresentar resultados, prestar contas do que foi realizado e mostrar uma perspectiva de futuro a partir das conquistas já alcançadas. Não se governa um Estado apenas com intenções. Governo se mede por entregas.
Por isso, anunciar agora 20 compromissos para os próximos anos, sem que eles estejam sustentados por resultados equivalentes nos quatro anos anteriores, acaba produzindo uma pergunta inevitável: se não foi feito até agora, por que o pernambucano deveria acreditar que será feito depois?
É aí que a política encontra a fantasia. Em Alice no País das Maravilhas, as coisas podem acontecer ao contrário da lógica. Na vida real, especialmente na administração pública, não.
Depois de quatro anos, não basta dizer o que se pretende fazer. É preciso mostrar o que foi feito. Pernambuco não precisa de novas promessas para o futuro. Precisa saber por que tantas promessas do passado ainda não viraram realidade.
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