Na noite de ontem, a Câmara de Vereadores de Araripina votou as contas do ex-prefeito Alexandre Arraes (PSB), referentes aos anos de 2014 e 2015. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) havia recomendado aos parlamentares a rejeição das contas devido a dezenas de irregularidades cometidas pelo ex-prefeito e sua gestão.
A votação foi de oito votos a favor da reprovação e quatro votos contra a reprovação, com a participação de 12 vereadores. Os vereadores que votaram pela reprovação foram: Doval da Saúde, Aurismar Pinho, Evandro Delmondes, Camilla Sampaio, Kalígia Mateus, Camila Modesto, João Doutor e Luciano Belo. Os vereadores que votaram contra a reprovação das contas do ex-prefeito foram: Francisco Edivaldo, João Dias, Divona e Silvano do Morais. O presidente da Câmara, Roseilton Oliveira, não votou e os vereadores Rodrigo Cobrinha e Luciano Capitão não estavam presentes na sessão.
O TCE constatou que o ex-prefeito não pagou 60% do que era devido à Previdência, desviando cerca de seis reais a cada dez reais descontados dos servidores do município de Araripina, repassando somente quatro reais para a Previdência. Esse desvio de mais de R$ 8 milhões levou à constatação de diversas irregularidades cometidas pelo ex-prefeito e sua gestão. Com a reprovação das contas pela Câmara, Alexandre passa a ser incluído na lista de “Ficha Suja”.
A governadora Raquel Lyra (PSD) passou a semana promovendo uma verdadeira engenharia política para reorganizar o campo da centro-direita e dos conservadores em Pernambuco. No movimento, acabou empurrando Túlio Gadelha (PSD) para ser percebido por parte do eleitorado como um neodireitista, agregou Eduardo da Fonte (PP) ao mesmo campo e consolidou Mendonça Filho (PL) como a principal referência do eleitorado de extrema direita e bolsonarista na disputa pelo Senado.
O resultado dessa articulação produziu, ao mesmo tempo, um efeito devastador sobre Miguel Coelho (UB). Depois de alimentar a expectativa de integrar a chapa majoritária, o ex-prefeito de Petrolina assistiu à construção de um cenário que muitos já classificam como a maior humilhação política imposta à família Coelho desde que o grupo se tornou protagonista da política pernambucana.
O paradoxo é que, enquanto reúne em torno de si lideranças identificadas com a direita e o conservadorismo, Raquel continua tentando preservar um discurso de proximidade com o campo progressista e com o eleitorado lulista.
É uma tentativa de ocupar espaços políticos que, em algum momento da campanha, podem se tornar incompatíveis. Há quem avalie que esse ponto de inflexão chegará quando Lula desembarcar em Pernambuco e deixar claro, mais uma vez, qual será o seu palanque prioritário no Estado.
Quando isso ocorrer, a estratégia de transitar entre dois campos opostos poderá encontrar seu maior teste. E o desfecho dessa equação política pode transformar a construção da semana no verdadeiro “beijo da morte”.
BERNARDES VAI DANÇAR – Até onde os grupos do presidente da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, estão falando a mesma linguagem em relação ao acordo para o Senado, no qual Eduardo abre bases para Miguel e este apoia a candidatura dele (Dudu) para o Senado? A pergunta é oportuna, uma vez que só existem duas vagas para o Senado. Como Miguel já assumiu compromisso com a surpreendente candidatura de Mendonça Filho (PL), quem vai dançar é o candidato queridinho de Raquel, o deputado Túlio Bernardes, que deu uma guinada à direita, trocando o PSOL pelo PSD.
Mentira tem pernas curtas – Um fato no mínimo curioso chamou atenção no registro da candidatura de Raquel Lyra (PSD) à reeleição: no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela alegou ter apenas R$ 1 em sua conta bancária, o que levou internautas a ironizar a situação. “Conta de fachada?”, questionou um usuário das redes sociais, utilizando um termo que passou a ser associado a Raquel após reformas na fachada de hospitais ganharem destaque na publicidade do governo, ao mesmo tempo em que desabamentos do teto de unidades de saúde foram registrados. Outros internautas avaliaram como estranha a declaração, partindo de alguém que, além de governadora, tem cargo efetivo de procuradora do Estado, com salário acima de R$ 40 mil. “E o TSE aceitou uma mentira dessas?”, escreveu outro usuário.
Nem o clube de tiro escapa – A violência campeia no Estado: cerca de 10 criminosos invadiram o clube de tiro, na BR-408, em São Lourenço da Mata. O crime aconteceu na madrugada da última quarta-feira (5). Segundo informações preliminares, pelo menos 15 pistolas foram levadas. Após a ocorrência, o clube suspendeu as atividades. Antes de invadir o local, os criminosos danificaram a rede elétrica para impedir o funcionamento das câmeras de segurança. Ao perceber a ação, a equipe de segurança do clube acionou a Polícia Militar.
Mais violência – A Polícia Civil investiga a denúncia de estupro coletivo contra duas adolescentes de 14 anos dentro de uma escola municipal de tempo integral, no bairro da Charnequinha, no Cabo de Santo Agostinho. Segundo a advogada que acompanha o caso, os abusos teriam ocorrido em dias diferentes e vieram à tona após uma das vítimas relatar o que havia acontecido. De acordo com a advogada Luanny Porto, um dos casos ocorreu na última segunda-feira, por volta das 12h, durante o intervalo das aulas. “Uma das meninas teria entrado na sala de aula e cinco ou seis jovens que estavam no local deram uma rasteira nela, a derrubaram no chão e começaram a praticar os atos”, afirmou a advogada. Ainda segundo ela, a adolescente também teria sido agredida com socos na região dos seios.
Independência da Federal – O ministro André Mendonça, do STF, se reuniu, ontem, com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em um movimento para reduzir o desgaste na relação entre o gabinete do magistrado e a Polícia Federal. O encontro contou também com a presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, que articulou a reunião. Durante a conversa, Mendonça manifestou preocupação com a necessidade de preservar a independência da Polícia Federal na condução das investigações.
CURTAS
CONDENADO – O Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, ontem, o ministro Marco Buzzi à pena de disponibilidade, com proposta de perda do cargo, em razão de acusações de importunação sexual e assédio. Em decisão inédita, a medida abre caminho para que o ministro seja o primeiro a ser excluído dos quadros da magistratura após o fim da aposentadoria compulsória.
MUDANÇA – Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto, defendeu, ontem, uma “mudança profunda no Judiciário” e afirmou que o país vive um “regime de exceção”. A declaração foi proferida pelo presidenciável durante uma sabatina realizada pela Globonews. Na ocasião, ele também sugeriu a implementação de um modelo de segurança pública baseado no sistema criado pelo presidente Nayib Bukele, em El Salvador, alvo de questionamentos por violações dos direitos humanos. O ex-mandatário também subiu o tom contra o governo Lula (PT) pela reação ao tarifaço e defendeu a privatização de todas as estatais do país.
EXAME – Em documento assinado por advogados da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o candidato a vice-presidente na chapa, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), propôs à Procuradoria-Geral da República (PGR) a coleta de seu material genético para que seja realizado um exame de DNA, como forma de rebater a acusação de estupro de vulnerável apresentada por parlamentares. O órgão de acusação avalia se vai endossar um pedido da Polícia Federal para abrir um inquérito sobre o caso. Gaspar nega ter cometido crime e disse que o teste provará sua inocência.
Perguntar não ofende: Mendonça é ou não invenção de Raquel para o Senado?
O presidente Lula sancionou nesta quinta-feira (6) uma lei que amplia a punição para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes cometidos no ambiente digital, inclusive com uso de inteligência artificial.
O projeto é de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho. Desde o mês passado aguardava a sanção do presidente da república. As informações são do g1.
A produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil tem aumentado ano a ano no Brasil.
De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 4.063 registros em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram 3.280 casos.
Entre as principais mudanças previstas na nova lei, estão os aumentos de pena de alguns crimes praticados contra crianças e adolescentes, incluindo:
aumento da pena do crime de aliciamento de menores de 14 anos quando o agente usa inteligência artificial, deepfake ou perfil falso para se passar por outra pessoa;
possibilidade de aumento de pena para quem usar recursos de mascaramento de IP (protocolo de internet) ou outros identificadores digitais para dificultar a identificação em crimes contra crianças e adolescentes;
inclusão dos principais crimes de violência sexual infantil no rol de crimes hediondos e criação de nova hipótese de prisão preventiva para esses casos.
Termo ‘pornografia’
O texto também sugere o fim do uso do termo “pornografia” para se referir a conteúdos sexuais com menores.
Os crimes previstos na nova lei consideram “conteúdo de violência sexual” contra menores “qualquer representação, por meio de registro audiovisual, que envolva criança ou adolescente, real ou fictício” em atividades sexuais explícitas, sendo reais ou simuladas – já prevendo conteúdos gerados com inteligência artificial.
Assim, a proposta substitui a palavra pornografia e passa a classificar esse tipo de conduta como “violência sexual contra criança ou adolescente”, se alinhando a diretrizes internacionais como a Convenção de Budapeste sobre crime cibernético.
Suporte às vítimas
Outro destaque do projeto de lei é a previsão de atendimento psicológico e psicossocial para a criança ou adolescente vítima ou que tenha testemunhado violência sexual.
O menor poderá ser atendido pelo SUS com “restrição do acesso de terceiros não autorizados, especialmente do agressor”.
O criminoso também será obrigado a cobrir os custos do tratamento da vítima. Está previsto inclusive o ressarcimento ao SUS pelos serviços prestados, com os valores destinados ao Fundo de Saúde do estado onde ocorreu o atendimento.
Prisão pode chegar a 10 anos
A legislação também estabeleceu a pena para os crimes contra criança e adolescentes.
Fica prevista pena de 4 a 10 anos de prisão, além de multa, para quem “produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo de violência sexual contra criança ou adolescente”.
A punição é a mesma também para quem financia, agencia ou recruta menores de idade para participar desse tipo de conteúdo — e até para quem com eles contracene.
Essa pena pode aumentar de um a dois terços se o criminoso vender o material e também se for comprador ou armazenador.
O mesmo agravante vale para o criminoso que usar de “modulador de proxy (…) ou anonimização de endereço IP ou de qualquer outro identificador digital, por meio de software ou ferramenta”, com o intuito de ocultar essas provas.
Lula está acompanhando os desdobramentos da crise instalada entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e a Polícia Federal por causa das investigações dos desvios no INSS. No foco do imbróglio estão os inquéritos que miram Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente.
Entre as queixas de Lula está a omissão do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na crise. O presidente disse a aliados que a atuação do ministro da Justiça estava apagada e cobrou que ele colocasse um freio de arrumação no problema. Lula deixou claro que não há ganho algum para o governo no embate entre a PF e seu chefe, Andrei Rodrigues, e um integrante do Supremo num caso envolvendo seu filho.
O primeiro passo foi dado nesta quinta-feira (6), com uma reunião realizada entre Wellington César Lima e Silva e André Mendonça. A agenda foi intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que tem atuado como bombeiro. A reunião foi antecipada pelo site “Metrópoles”.
No encontro ficou acertado que o Ministério da Justiça acompanhará de perto as questões procedimentais das investigações do INSS e o fluxo dos pedidos de tramitação do material. Também foi definido que haverá uma reunião entre as equipes de Mendonça, da PF e do Ministério da Justiça para tratar desse fluxo de trabalho.
A crise chegou ao ápice depois que Mendonça determinou que a PF direcionasse ao seu gabinete todos os documentos brutos produzidos na investigação do INSS. Ele também solicitou ser informado previamente de qualquer alteração na equipe de delegados do caso.
O diretor-geral Andrei Rodrigues e a cúpula da PF consideraram uma ingerência direta de Mendonça em atribuições que não seriam do ministro e pediram que a AGU questionasse a medida judicialmente.
Na PF, a avaliação é que a entrega do material bruto ao gabinete do ministro fará com que a corporação e o Ministério Público percam o controle sobre quem tem acesso aos dados, quebrando a cadeia de custódia. Além disso, questionam que o ministro estaria querendo atuar como investigador.
O AGU Jorge Messias, no entanto, preferiu tentar distensionar o clima incluindo o Ministério da Justiça na jogada.
O candidato ao governo de São Paulo pelo PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Haddad, comentou nesta quinta-feira (6) as recentes aberturas de três inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em conversa com jornalistas, o ex-ministro da Fazenda defendeu a investigação contra o empresário e afirmou que a resolução do caso e transparência “é fundamental”. As informações são da CNN.
“Eu acho que todos nós temos que nos colocar à disposição com transparência sobre a nossa vida pessoal. Isso é de interesse público, toda transparência é fundamental”, declarou em evento em Iguape, no litoral sul paulista.
Na última quinta-feira (30), o presidente também defendeu as investigações em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Haddad argumentou em favor da independência da PF (Polícia Federal) no curso das investigações e garantiu que o presidente não irá interferir na atuação do órgão. Segundo ele, o posicionamento de Lula se dá porque “interessa a verdade, qualquer que seja”.
Petistas têm apostado em comparar a postura do presidente com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao citar o caso que gerou o pedido de demissão de Sérgio Moro (PL-PR) do Ministério da Justiça durante o governo anterior.
A saída de Moro ocorreu após Bolsonaro trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, indiciado pelo então ministro.
“O Lula vai deixar a Polícia Federal trabalhar porque a nós interessa a verdade, qualquer que seja. A verdade tem que ser conhecida […] Então, os filhos dos políticos, isso vale pro meu, vale pro filho do Tarcísio [de Freitas], vale pro filho do Lula, eles têm que saber que não é porque são filhos de pessoas que têm influência que essas pessoas vão usar a influência pra proteger quem quer que seja”, declarou Haddad.
Um dia depois de encerrar meses de procura por uma mulher para a vice com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), o senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu aos partidos que decidiram não aderir à sua candidatura a responsabilidade pelo desfecho da composição. O presidenciável afirmou nesta quinta-feira que manteve a preferência por uma mulher ao longo das negociações, mas disse que, embora os principais quadros das legendas tenham se aproximado de sua campanha, os “caciques” partidários não autorizaram as alianças.
— Todas as mulheres que foram cogitadas para serem minha vice estão do meu lado. Sem exceção. Todas elas estão participando de alguma forma dessa pré-campanha, colaborando com ideias e dando opiniões. Estou ouvindo todo mundo. Os principais quadros de todos os partidos vieram para nós. Não apenas quem estava sendo cogitado para vice. Quem não veio foram os caciques, os partidos — afirmou Flávio ao podcast Market Makers. As informações são do jornal O GLOBO.
A declaração ocorre após uma busca pela vice que combinou dois objetivos da campanha: colocar uma mulher na chapa, numa tentativa de ampliar a interlocução de Flávio com o eleitorado feminino, e atrair uma nova legenda para aumentar o tempo de propaganda eleitoral e a capilaridade da candidatura. Ao final, nenhum dos dois movimentos prosperou. O escolhido foi Gaspar, um homem filiado ao PL.
O próprio presidenciável reconheceu que a tentativa de atrair outras siglas tinha como um dos objetivos melhorar as condições eleitorais da chapa.
— Não digo que fui traído. Acho que cada um tem seus motivos. Claro que queria que tivesse esses partidos na minha chapa, me daria mais tempo de televisão e mais capilaridade, mas o importante é que os principais quadros estão com a gente.
Negativas de PP e Republicanos
A primeira opção da campanha foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela manifestou disposição para integrar a chapa, mas a direção do PP decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial após consultar seus diretórios estaduais. A maioria se posicionou contra a adesão à candidatura de Flávio, e o partido não autorizou a composição.
Depois, Flávio investiu na economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e recém-filiada ao Republicanos. Ela também aceitou a possibilidade de ser vice, mas o Republicanos resistiu a transformar a escolha individual de Daniella numa adesão formal à candidatura do PL.
Nesta quinta-feira, Flávio relatou que disse a Marques que ela deveria ter se filiado ao PL.
— Eu sempre falei da minha preferência por ter uma vice mulher, não só por ser mulher. Dani era uma. Ela escolheu o Republicanos e eu disse para ela se filiar ao PL — afirmou, aos risos.
As duas negativas frustraram a tentativa do PL de ampliar a coligação. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), também reconheceu nesta quinta que União Progressista e Republicanos foram os dois principais alvos das negociações.
— Nós tentamos atrair partidos, notadamente a Federação União Brasil e Progressistas e o Republicanos. Infelizmente não tivemos êxito — afirmou.
Sem o apoio das duas legendas, a campanha passou a procurar uma solução dentro do próprio PL. Flávio afirmou que havia diferentes mulheres consideradas, mas argumentou que os principais nomes já estavam comprometidos com outros projetos eleitorais.
— Dentro do PL temos grandes quadros, a própria Michelle, Júlia Zanatta, Bia Kicis, tinham grandes nomes, mas todo mundo já decidida a concorrer a alguma coisa. Foi quando veio a possibilidade do Alfredo Gaspar. Também é uma pessoa com requisitos extraordinários.
‘Guerra psicológica’ e Vorcaro
Flávio também voltou a rebater questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que há uma “guerra psicológica” para associá-lo a irregularidades. O presidenciável sustentou que seu contato com o empresário ocorreu exclusivamente nas tratativas para buscar financiamento privado para um filme sobre Jair Bolsonaro e negou ter cometido qualquer ilegalidade.
— A relação que eu tive foi simplesmente por conta do filme. Um filme querendo investimento privado para o filme do meu pai. Foi me apresentado a ele. Eu assinei CPIs pedindo investigação do Banco Master, diferente da esquerda, que se mobilizou para que não tivesse — afirmou.
Flávio disse ainda que defendia que pessoas ligadas ao Banco Master fossem ouvidas no Senado para esclarecer as relações do grupo tanto com ele quanto com integrantes do governo Lula.
— Eu queria que Augusto Lima fosse lá no Senado para perguntar qual a relação dele com Flávio Bolsonaro. E depois perguntar qual a relação com Lula.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de surgirem novos episódios envolvendo seu nome durante a campanha, o senador afirmou que estaria sendo cobrado por fatos que sequer ocorreram.
— Eu fico impressionado que estamos sendo punidos por um futuro que ninguém sabe. Não tem nada que eu tenha feito de errado. Estamos competindo com alguém que joga sujo, um governo que colocou pessoas no STF alinhadas à causa dele. Hoje o Moraes virou articulador do Lula — disse.
Na sequência, Flávio classificou o movimento como uma tentativa de equipará-lo politicamente ao presidente.
— É uma guerra psicológica que está acontecendo. Tem Lula, que foi condenado em todas as instâncias. Querem me colocar no mesmo patamar que este cara. Hoje tem zero investigações contra mim.
O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PDT), e o prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), selaram um acordo político que une duas importantes lideranças do estado na eleição deste ano.
Pelo entendimento, a candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil), esposa de Cléber Chaparral, fará dobradinha com o candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB). A parceria será construída tanto em Surubim, principal reduto político de Chaparral, quanto no Cabo de Santo Agostinho, base eleitoral comandada por Lula Cabral. As informações são do Blog Ponto de Vista.
A composição fortalece os dois grupos políticos e amplia o alcance das candidaturas, unindo a força eleitoral do Agreste à influência do Cabo, na Região Metropolitana do Recife.
O Podemos definiu, nesta quinta-feira (6), apoio às candidaturas de Eduardo da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL) ao Senado. O presidente estadual da legenda, Marcelo Gouveia, e o vice-presidente, Ricardo Teobaldo, oficializaram primeiro a adesão a Eduardo e, horas depois, participaram do anúncio em favor de Mendonça.
Com a decisão, o partido rifou Túlio Gadelha, que integra a chapa oficial da governadora Raquel Lyra ao lado de Eduardo da Fonte. Embora permaneça na base governista, o Podemos escolheu, para as duas vagas ao Senado, um nome da chapa de Raquel e outro de fora da composição majoritária. A própria governadora reafirmou, nesta quinta, que seus candidatos são Eduardo e Túlio, rejeitando publicamente Mendonça.
“Estou muito feliz em oficializar o apoio à candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado Federal. É um projeto coletivo que fortalece a reeleição da governadora Raquel Lyra”, afirmou Marcelo Gouveia. Mendonça agradeceu a adesão nas redes sociais: “O apoio do Podemos reforça a união de forças em torno da nossa candidatura ao Senado Federal. Obrigado, Marcelo Gouveia e todo o time do Podemos Pernambuco. Este é um momento importante na nossa caminhada”.
O presidente de honra do Cidadania, Roberto Freire, criticou o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, realizado na noite da última terça-feira (4), na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A reunião, que também contou com o ministro Cristiano Zanin, marcou uma tentativa de reaproximação entre Lula e Alcolumbre após meses de rompimento. Questionado sobre a conversa, o senador limitou-se a dizer que o conteúdo era “segredo”.
Em publicação no X, antigo Twitter, Freire afirmou que negociações reservadas entre representantes dos Três Poderes contrariam os princípios democráticos. “Articulações políticas em jantares no lusco-fusco e com sussurros e segredos entre representantes dos Três Poderes, ao arrepio das leis e liturgias, são incompatíveis com a democracia. A independência dos Poderes exige transparência e nunca acordos de bastidores”, escreveu.
Articulações políticas em jantares no lusco fusco e com sussuros e segredos entre representantes dos Três Poderes, ao arrepio das leis e liturgias, são incompatíveis com a democracia. A independência dos poderes exige transparência e nunca acordos de bastidores. https://t.co/FrOn1qLNIE
A federação PSDB/Cidadania decidiu declarar neutralidade nas eleições para o Governo de Pernambuco e desembarcou do palanque de Raquel Lyra (PSD). A medida representa mais um revés para a governadora, que, em uma semana, viu quatro partidos deixarem sua base de apoio e enfraquecerem seu projeto de reeleição. Já seu principal adversário, João Campos (PSB), atraiu essas siglas e formou a maior frente de oposição da história do estado.
A decisão pela neutralidade foi tomada pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que interveio na direção local do partido, destituindo nomes ligados a Raquel. Com isso, a convenção realizada pelo grupo governista em 31 de julho foi invalidada por uma nova reunião promovida na última quarta (5) pelos interventores designados pela Executiva nacional. O desembarque do PSDB e do Cidadania faz Raquel perder ainda mais tempo de guia eleitoral e vê sua base reduzida a cinco partidos: PSD, PP, União Brasil, Avante e Podemos.
Embora a federação liderada pelo PSDB não vá coligar com nenhuma candidatura a governador, o Cidadania tem uma direção alinhada a João Campos e já declarou apoio ao candidato. Desde a semana passada, outras quatro siglas deixaram o palanque de Raquel e se juntaram à Frente Popular de Pernambuco. Foi o caso da federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade), do Mobiliza e da Democracia Cristã, que se incorporam a um grupo formado por PSB, Republicanos, federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), PDT, MDB e Agir, totalizando 12 partidos.
Com esse conjunto político, João Campos se consolida como o maior vitorioso dos últimos dias do período pré-eleitoral. Quando a campanha começar, ele terá cerca de 60% do tempo de inserções partidárias e de guia eleitoral, massificando sua presença junto ao eleitorado.
A Polícia Federal (PF) concluiu nesta quinta-feira (6/8), um novo inquérito sobre fraudes em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou seis pessoas pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e organização criminosa. A informação foi confirmada pelo Metrópoles.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto; o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho; e o ex-diretor de Benefícios André Paulo Félix Fidelis. As informações são do Metrópoles.
Segundo a investigação, o grupo é suspeito de manipular informações nos sistemas do INSS para viabilizar a concessão irregular de benefícios previdenciários em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). As alterações teriam permitido a liberação de aposentadorias com base em dados falsificados.
O relatório foi entregue ao ministro André Mendonça, relator do inquérito da Farra do INSS. O caso foi revelado em uma série de reportagens do Metrópoles.
De acordo com os investigadores, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) alertou a PF sobre a saída de R$ 26.457.531,95 das contas da confederação para 15 pessoas físicas e jurídicas ligadas aos setores de turismo, alimentação e eventos, além de federações estaduais vinculadas à Contag.
O que chamou a atenção foi o fato de as movimentações terem sido realizadas de forma fracionada, em uma suposta tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos. Ainda assim, o modus operandi despertou suspeitas no Coaf, que acionou a PF. Com a entrega do relatório, caberá ao ministro André Mendonça encaminhar o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Este é o segundo relatório final da PF envolvendo integrantes da cúpula do INSS. Em 14 de julho, a corporação concluiu outro relatório e indiciou 47 pessoas, entre elas o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
O ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, anunciou, nesta quinta-feira (6), que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados e integrará o palanque da governadora Raquel Lyra na campanha pela reeleição. “Quero atender a esse chamado, caminhar ao lado da governadora Raquel Lyra e trabalhar em Brasília para gerar mais empregos, fortalecer a economia e garantir mais investimentos para Pernambuco”, afirmou.
A defesa de Anderson Gustavo Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, protocolou nesta quinta-feira (6/8), no Supremo Tribunal Federal, uma Revisão Criminal contra a condenação que lhe impôs 24 anos de prisão na Ação Penal 2.668, o processo que julgou o chamado “Núcleo 1” da trama golpista de 2022-2023. Eles pedem que o ex-ministro seja absolvido por falta de provas.
A peça, assinada pelos advogados Eumar Roberto Novacki e Raphael Vianna de Menezes, pede a distribuição por dependência ao ministro Nunes Marques, relator da revisão criminal movida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, sob o argumento de que os dois casos foram julgados com base no mesmo conjunto de provas e acusações do chamado “Núcleo 1”.
“O que estamos pedindo é a soltura imediata, o julgamento de procedência da revisão criminal, desconstituindo a condenação e absolvendo Torres. Se isso não for possível, que o Tribunal reconheça nosso pedido de desclassificação dos crimes, além da redução da pena ao mínimo legal”, explicou o advogado Eumar Novacki.
Torres foi condenado pela Primeira Turma do STF, por maioria, sob a tese de que teria aderido ao plano de ruptura institucional usando os cargos que ocupou. A acusação se apoiou em quatro pilares: suposta instrumentalização da Polícia Rodoviária Federal no segundo turno das eleições de 2022; participação em reuniões e manifestações associadas ao projeto golpista; posse, em sua casa, de uma minuta de decreto de estado de defesa; e omissão deliberada diante dos atos de 8 de janeiro de 2023, apesar de sua posição de garantidor da segurança pública no DF.
O ministro Luiz Fux divergiu e votou pela absolvição, por entender que as provas não demonstravam, além de dúvida razoável, adesão do então secretário ao plano golpista. Depois do trânsito em julgado, a prisão foi cumprida em 25 de novembro de 2025; Torres está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a Papudinha.
A Revisão Criminal nº 6.197, com 124 páginas, questiona a condenação em várias frentes:
PRF e o painel de inteligência: a defesa sustenta que o acórdão interpretou “de forma claramente equivocada” o depoimento da testemunha Clebson Ferreira para concluir que Torres teria interferido na produção de um painel de Business Intelligence usado para monitorar o deslocamento de eleitores.
A minuta de decreto: quanto ao documento apreendido na casa de Torres, a defesa argumenta que a prova técnica (papiloscópica) produzida nos autos contradiz a conclusão do acórdão de que a posse do papel comprovaria adesão subjetiva ao golpe e mostra que o documento já circulava na internet em dezembro.
A live de 29 de julho de 2021: os advogados contestam que esse evento possa servir como marco inicial da suposta trama, já que os tipos penais de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito (arts. 359-L e 359-M do Código Penal) ainda não existiam na data da live.
Reunião ministerial de 5 de julho de 2022: a peça questiona a interpretação dada à presença de Torres nesse encontro, ao lado de Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Mário Fernandes.
Omissão de provas defensivas: a defesa alega que o acórdão não analisou elementos favoráveis a Torres, como uma reunião voltada à desmobilização dos acampamentos golpistas, o Protocolo de Ações Integradas (PAI), mensagens trocadas na noite de 7 de janeiro de 2023 e a frase atribuída a ele “não deixe chegar no Supremo”, a qual, sustenta a defesa, teria sido descontextualizada.
Nexo causal e presunção: argumenta-se que a condenação se baseou em presunções sucessivas sobre o “suposto conhecimento” de relatórios de inteligência, sem prova objetiva de que Torres tivesse ciência prévia dos ataques.
Questões processuais: a defesa também alega incompetência originária do STF, incompetência da Primeira Turma, nulidade do acórdão por deficiência de fundamentação e cerceamento de defesa — neste último ponto, sustenta que diligências solicitadas, inclusive dados requeridos à Meta, não foram adequadamente atendidas.
Atipicidade dos crimes: a peça questiona a própria tipificação penal aplicada, incluindo a imputação de organização criminosa e os crimes de dano qualificado, alegando que os fatos atribuídos a Torres não se enquadrariam nesses tipos.
Caso o STF rejeite a absolvição, a defesa pede, alternativamente, a revisão da dosimetria da pena de 24 anos. O argumento é que a pena-base foi fixada acima do mínimo legal sem fundamentação individualizada suficiente, que não foi reconhecida a atenuante do art. 65, III, “b”, do Código Penal e que a punição refletiria a “gravidade histórica” do 8 de janeiro, em vez da culpabilidade concreta e individual de Torres, o que violaria o princípio constitucional da individualização da pena.
O ponto mais urgente da petição é o pedido de tutela cautelar: a defesa quer a suspensão liminar de todos os efeitos da condenação, penais e extrapenais, com a expedição imediata de alvará de soltura, antes mesmo do julgamento de mérito da revisão.
Os advogados argumentam que o tempo de prisão é “irrestituível” e que danos à carreira e à reputação de Torres não poderiam ser plenamente reparados apenas com eventual decisão futura favorável. Citam precedentes do próprio STF (RvC 5.474/SC e RvC 5.508/RO) para sustentar que a Corte já admitiu, em casos excepcionais, conceder liminar em revisões criminais.