Dados do agregador Ipespe Analítica apontam o PSD como partido com maior número de pré-candidatos na liderança de pesquisas para as prefeituras das capitais brasileiras. O levantamento coloca a sigla com cinco nomes à frente nos levantamentos monitorados pela ferramenta, seguido por União Brasil, com quatro localidades, e PL, MDB e Republicanos, com três municípios cada.
Além de contar com o maior número de líderes nas pesquisas realizadas ao longo de 2023, agregadas pela ferramenta do Ipespe Analítica, o PSD também apresenta mais capilaridade nesse quesito, ao ter nomes em quatro das cinco regiões do país: duas no Nordeste (Natal e São Luís), uma no Centro-Oeste (Goiânia), uma no Sudeste (Rio de Janeiro) e uma no Sul (Florianópolis). As informações são da CNN.
Com quatro líderes de pesquisas, o União Brasil concentra sua força no Nordeste, região em que tem 3 nomes à frente dos demais pré-candidatos: Salvador, Fortaleza e Teresina. Completa a lista do partido Cuiabá.
Um trio de siglas lidera em três cidades cada: PL, MDB e Republicanos. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro tem na região Norte dois nomes à frente nas pesquisas agregadas, em Belém e Palmas, e o atual prefeito de Maceió, JHC, no Nordeste.
No caso do MDB, os líderes filiados à sigla estão em três regiões diferentes. O partido, que elegeu o maior número de prefeituras em 2020, está à frente em Rio Branco (Norte), Campo Grande (Centro-Oeste) e Porto Alegre (Sul). Já o Republicanos desponta em Belo Horizonte e Vitória, no Sudeste, e Porto Velho, no Norte.
Chama a atenção, como destaca o cientista político Antonio Lavareda, do Ipespe, a ausência tanto de PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto de PSDB, que em 2020 havia conquistado prefeituras importantes, como São Paulo, e que hoje não tem nenhum nome de destaque nos dados do agregador.
Lavareda aponta que, pelos dados da ferramenta, o favoritismo dos atuais gestores nas capitais segue forte, com possibilidade de reeleição de mais da metade dos prefeitos que podem disputar um novo mandato.
“Se a eleição fosse hoje, a taxa de reeleição de prefeitos de capitais seria de 58%, ou seja, são 19 candidatos à reeleição, incumbentes, dos quais 11 estão liderando as pesquisas”, explica. “Mas é um índice inferior aos 77% registrados nessas capitais em 2020.”
Como funciona o agregador
O agregador de pesquisas desenvolvido pelo Ipespe Analítica é um algoritmo que projeta a intenção de voto para prefeito a partir de levantamentos feitos por diversos institutos. Não é apenas somar os números e obter uma média. A metodologia usa estatística bayesiana e técnicas de aprendizado de máquina (machine learning). Leva em conta, por exemplo, o período em que as entrevistas foram feitas – quanto mais recentes, maior o peso no cálculo –, assim como o histórico dos institutos.
Trata-se de uma fotografia mais precisa do cenário eleitoral, quando comparado às pesquisas de forma individual. Isso porque, como ainda se trata de pré-candidaturas, pode haver diferença na lista de nomes apresentados aos entrevistados. Além disso, o agregador atualiza os dados tão logo seja divulgada uma nova pesquisa e permite a comparação ao longo do tempo na série histórica.
A vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), esteve, hoje, na comunidade Ilha de Deus, e viveu o que no ditado popular se pode chamar de uma verdadeira saia justa. Durante a visita, moradores e moradoras manifestaram indignação e fizeram críticas à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), cobrando atenção, respeito e respostas para problemas que, segundo eles, continuam sem solução.
O momento teria deixado Priscila visivelmente constrangida. Segundo relatos de pessoas que acompanharam a visita, a vice-governadora preferiu ouvir as manifestações em silêncio e, de maneira educada, deixou o local. O episódio chama atenção porque, na avaliação dos moradores, existe uma diferença entre o discurso apresentado publicamente pelo governo e a realidade enfrentada por quem vive na comunidade.
O que aconteceu na Ilha de Deus, portanto, é apontado pelos moradores como mais um retrato da insatisfação que vem se manifestando em diferentes regiões de Pernambuco.
Dentro da campanha do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a estratégia é terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula, criando um sentimento de favoritismo capaz de atrair a maior parte dos eleitores dos demais candidatos de direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
A equipe de Flávio espera, inclusive, algo que faltou no primeiro turno, o apoio oficial dos partidos do Centrão. Os mais otimistas na campanha de Flávio Bolsonaro falam até na possibilidade de vencer a eleição já no primeiro turno, com a criação de uma onda a favor do que chamam de “voto útil” nesta reta final. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Jogam contra essa estratégia as últimas iniciativas do presidente Lula, que já anunciou um reajuste no benefício do Bolsa Família e vai assinar medida provisória de combate às bets no Brasil, o que tem amplo apoio entre os brasileiros.
Segundo pesquisa Datafolha, o candidato do PL tem o potencial de atrair, num segundo turno, 43% das intenções de voto de eleitores de Romeu Zema, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
Já Lula atrairia 30% destes eleitores dos candidatos da direita. Flávio Bolsonaro se dá melhor entre eleitores de Zema e Renan Santos, com empate técnico no eleitorado de Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
Na campanha do presidente Lula, todo esforço será feito para que Lula termine o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro.
Segundo aliados de Lula, a MP sobre bets vai atingir principalmente o eleitorado feminino, garantindo um apoio ainda maior neste segmento do eleitorado, considerado crucial para a definição da eleição deste ano. O petista tem vantagem entre as mulheres, que são as mais críticas aos jogos de apostas online.
“As pesquisas mostram hoje um forte sentimento contrário às bets. Lula vai trabalhar com esse sentimento a seu favor. Isso vai pesar e muito nesta reta final”, diz um interlocutor do presidente da República, confiante que o petista terminará o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro.
Segundo esse auxiliar, sair na liderança no segundo turno vai segurar o Centrão e também influenciar até na atuação de aliados de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A avaliação é que, em São Paulo, por exemplo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ganhe no primeiro turno e não faça grande esforço em favor do candidato do PL na fase final. Afinal, Tarcísio deve ser candidato à Presidência da República em 2030 e não gostaria de ter Flávio Bolsonaro no Palácio do Planalto no próximo ano.
Mesmo sob críticas, a governadora Raquel Lyra (PSD) segue apostando na reforma de fachadas sem que espaços internos dos hospitais públicos estejam revitalizados. Hoje, a gestão dela homologou no Diário Oficial do Estado uma licitação de R$ 20,4 milhões para a requalificação da parte frontal do Hospital Otávio de Freitas, no Recife. A unidade é alvo constante de reclamações dos pacientes por conta da estrutura precária e da longa espera por atendimento e cirurgias.
O processo licitatório foi vencido pela Cinzel Engenharia, construtora que tem seis meses para terminar a obra após a assinatura da ordem de serviço. Significa que a nova fachada ficará pronta antes mesmo de outras obras em andamento, como a reforma e ampliação da unidade, que tem prazo de um ano para conclusão.
A situação é semelhante à do Hospital da Restauração, que teve a pintura da fachada concluída no primeiro trimestre deste ano, a tempo de ser exaustivamente explorada em peças de comunicação da governadora. Dentro da unidade, contudo, a reforma está atrasada. O primeiro contrato, que previa intervenções em quatro dos dez andares, deve ser aditivado, já que apenas dois pavimentos foram concluídos. As obras nos demais, contempladas em outro contrato, seguem a passos lentos.
A reação da sociedade pernambucana diante de uma declaração tão grave mostra que há limites que não podem ser ultrapassados.
O episódio expôs, para muita gente, uma face da governadora que até então permanecia escondida atrás de um discurso cuidadosamente construído. A declaração causou indignação e reacendeu o debate sobre respeito à autonomia, à dignidade e aos direitos das mulheres.
Quando uma autoridade pública ultrapassa esses limites, não é apenas uma fala que está em discussão: é a confiança da população que entra em xeque. E Pernambuco certamente não pode aceitar como normal aquilo que afronta princípios básicos de dignidade e liberdade individual e da história de um povo.
*Publicitário, radialista e presidente do Cidadania Petrolina
A crise no Supremo Tribunal Federal tomou o centro da campanha eleitoral e esvaziou o espaço para a discussão de propostas. Sem um desfecho, o desgaste do tribunal se prolonga e interfere nas estratégias dos candidatos à Presidência.
Na própria campanha do presidente Lula, a avaliação é que Flávio Bolsonaro consegue explorar politicamente esse cenário e obter dividendos eleitorais enquanto o Supremo permanecer como foco da disputa. As informações são do blog da Andréia Sadi.
A preocupação ajuda a explicar a defesa enfática, feita por uma ala da campanha, de que Lula se afaste cada vez mais da crise. Para esse grupo, o presidente precisa ir além das declarações de que todos devem ser investigados e cobrar a apuração de forma mais contundente.
Embora vários ministros sejam citados e tenham explicações a dar, a avaliação é que o desgaste está muito concentrado na figura de Alexandre de Moraes.
A crise também atravessa uma estratégia que a campanha de Lula vinha tentando consolidar: fazer da soberania o assunto central da eleição.
A participação do presidente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, já estava prevista na agenda. A campanha, porém, busca transformar o evento em um ativo eleitoral, aproveitando o discurso e a exposição internacional para reforçar a imagem de Lula como estadista.
O material produzido durante a viagem pode abastecer a campanha e dar destaque a essa mensagem. No retorno ao Brasil, no entanto, o presidente volta a se deparar com uma crise no Supremo que continua sem solução e ocupa o debate político.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro tenta manter o desgaste do tribunal no centro da campanha. A estratégia busca atingir ministros vistos como mais próximos de Lula, entre eles Moraes.
Isso ocorre apesar de o próprio Flávio ainda não ter esclarecido o pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro para o que seria a produção de um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. Moraes também tem explicações a dar sobre contratos e relações com Vorcaro.
A permanência dessas questões sem esclarecimento alimenta a disputa eleitoral. Para a campanha de Lula, o risco é que o adversário continue capitalizando o desgaste do Supremo enquanto o presidente encontra dificuldade para impor os temas que gostaria de discutir.
O adiamento de uma solução para a crise, portanto, não fica restrito ao tribunal: repercute na eleição e mantém as propostas para o país em segundo plano.
Em ato de campanha realizado ontem, em Jaboatão dos Guararapes, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco e candidato à reeleição, deputado Álvaro Porto (MDB), afirmou que a declaração da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugerindo a realização de laqueadura sem autorização da paciente simboliza o descaso da gestão com as mulheres pernambucanas ao longo de toda a gestão. Não só no que diz respeito à saúde, mas também à segurança e outras políticas sociais.
Falando para um auditório lotado, o deputado avaliou que o vídeo em que a governadora propõe, dentro de um hospital, que uma mãe que acabava de ter o sétimo filho fosse submetida a laqueadura sem ser informada, retrata um crime contra as mulheres, mas não só. Segundo ele, o vídeo documenta e revela para o país como Pernambuco toma conta das mulheres, mesmo sendo governado por duas delas (referindo-se ao fato de a vice-governadoria ser ocupada por Priscila Krause).
“O feminicídio aumentou nos últimos anos”, disse, acrescentando, como tem feito de 2023 para cá, em diversos discursos na Alepe, que esta realidade não obra do acaso, mas consequência direta do descumprimento da Lei Federal nº 14.541/2023, que determina o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher, inclusive nos finais de semana.
“O aumento do número de delegacias da mulher, que foi prometido pela governadora, não ocorreu. Agora, às vésperas da eleição, está correndo atrás e começando a abrir mais delegacias à noite. Como sempre, maquiando para tentar esconder a realidade”, afirmou. Até o início da campanha apenas 15 dos 184 municípios do estado dispunham de Delegacias da Mulher, das quais somente sete funcionavam 24 horas.
O deputado destacou ainda que a construção de 250 creches, promessa de Raquel que, se executada, poderia auxiliar, por exemplo, mães trabalhadoras, que teriam onde deixar os filhos, foi um fiasco. “Ela (a governadora) está, mais uma vez, começando a fazer agora, porque está em cima de uma eleição. Ela prometeu a vocês, as várias mães que estão aqui, mas só só fez 11 ou foram 12”, observou.
Dirigindo-se às mulheres da plateia, Porto disse que é importante analisar o que o atual governo vem fazendo. “Cada uma de vocês é que decide o que fazer o corpo de vocês”, disse, fazendo uma analogia com o voto. “A gente geralmente vota em uma pessoa pensando que vai ser o melhor. Foi isso que eu fiz há quatro anos (quando votou e fez campanha a governadora). Mas hoje digo e repito: quem conhece Raquel não vota em Raquel”, destacou.
“O que a gente vê hoje no estado, é que a educação não funciona, a saúde não funciona, a segurança também. Então, a gente precisa mudar e votar, para governador, no melhor prefeito da história do Recife, que é (o candidato da Frente Popular) João Campos (PSB)”, completou.
O deputado alertou ainda que a governadora continua, após quatro anos de uma gestão limitada, reclamando do passado e governando com olho no retrovisor. Segundo ele, quando Raquel consegue olhar pra frente é para fazer promessa que, assim, como as creches e a ampliação delegacias da mulher, não terá competência para cumprir.
O evento foi organizado por aliados e apoiadores de Jaboatão dos Guararapes. Ao longo da programação, além de fazer campanha para si e João Campos, o deputado pediu votos para Gabriel Porto (PSB), candidato a deputado federal. Em seguida, Álvaro Porto participou de carreata de João Campos pelos bairros do Ibura, Cohab e Jordão, no Recife.
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Depois de proferir uma das frases mais desumanas da história da redemocratização em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) parece enfrentar uma disputa que não é mais entre ela e seus adversários. A disputa é consigo mesma. Quatro dias depois de reconhecer a autoria do pedido para que uma mãe fizesse uma laqueadura sem o seu consentimento, um verdadeiro escândalo nacional, a governadora vem falar em “descontextualização” durante ato na terça-feira (22), em Caruaru.
A mudança de narrativa parece calculada e, de toda sorte, descontextualizada. A Raquel Lyra que gravou um vídeo se desculpando, que participou de um debate se desculpando, agora se coloca na condição de vítima de descontextualização. Só depois de toda repercussão em todo o país, incluindo posicionamentos da imprensa nacional, o foco da sua fala tenta ser invertido. Parece mais preocupada com a sua biografia do que com a contradição no meio de uma eleição.
Nomes como Andréa Sadi, Natuza Nery, Miriam Leitão, Débora Secco, Luana Piovanni, Samara Felippo, entre tantos outros, se posicionaram de maneira firme sobre o caso. Fica a dúvida sobre que Raquel está se posicionando. Se a de ontem, ou a de hoje. A do vídeo de 2025 – nem tão antigo assim –, ou a candidata de 2026.
A laqueadura sem consentimento começou a virar o símbolo de um movimento preso na garganta de muitas mulheres. “Faz sem ela saber” se tornou uma referência sobre uma prática a não ser repetida. E talvez apenas o simples gesto de pedir desculpas seja insuficiente para a gravidade de tudo o que foi escrito. A Raquel que muda de versão segue devendo explicação.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin negou um pedido de liminar (decisão provisória) para determinar a instalação da CPI do Master no Senado. O pedido foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Zanin entendeu que não ficou devidamente comprovada uma omissão do presidente do Senado em relação à instalação da comissão. As informações são do portal G1.
Segundo o ministro, o pedido não esclareceu como ocorreu a tramitação nem qual foi a atuação da Presidência do Senado diante de um conjunto de requerimentos relacionados ao caso Master.
Zanin destacou ainda que o próprio senador reconheceu a existência de um requerimento anterior para a criação da CPI.
Para o ministro, essas informações são necessárias para avaliar se houve, de fato, uma omissão ilegal que justificasse a intervenção do Judiciário para determinar a instalação da comissão
Presidente da Abrapel alerta para o peso da abstenção na disputa presidencial
A disputa presidencial chega à reta final com um cenário de estabilidade nas pesquisas, mas a abstenção pode alterar o resultado, especialmente se atingir os segmentos de menor renda. A avaliação é da cientista política e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Mara Telles, que, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, chamou atenção para dois fatores capazes de influenciar a eleição: o efeito dos levantamentos de intenção de voto sobre as escolhas dos eleitores e a dificuldade dos institutos de antecipar quem efetivamente comparecerá às urnas.
Para Mara, as pesquisas não apenas registram a preferência do eleitorado, mas também podem interferir nas decisões tomadas nos últimos dias de campanha, inclusive pela opção pelo voto útil. “Sim, as pesquisas mudam os rumos das eleições na reta final. Pode ser que influenciem um plebiscito, pelo voto útil”, afirmou. A cientista política ressaltou, porém, que os levantamentos oferecem uma fotografia do momento e não impedem mudanças de opinião. “Temos inúmeros elementos que podem mudar a opinião do eleitor que não está cristalizado, que não tem uma posição de afeto com o candidato”.
Na leitura da pesquisadora, o quadro presidencial pouco se alterou nas últimas semanas. “É um cenário de empate técnico. O quadro não mudou”, observou. Mara apontou que o presidente Lula (PT) mantém força eleitoral no Nordeste, embora registre intenção de voto inferior à votação obtida na região em 2022. Segundo ela, o petista voltou a crescer um pouco entre as mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), que havia avançado nesse segmento, aparenta ter interrompido o crescimento. “Ou seja, o quadro está congelado”, avaliou.
A trajetória de Augusto Cury (Avante) ilustra, segundo Mara, a dificuldade de transformar o interesse inicial por uma candidatura em apoio duradouro. Depois de alcançar 11% nas pesquisas, o escritor perdeu espaço. A cientista política classificou o movimento como um “voo de galinha” e associou a ascensão inicial à novidade representada por seu discurso, distante do confronto entre os principais adversários. “Ele cresceu nesse espaço porque apresentou algo interessante, se mostrou como alguém com um discurso que não era de guerra, mas de cura”, explicou. “É fácil crescer num primeiro momento, mas é difícil transformar visibilidade em intenção de voto.”
Mara também questionou a estratégia de Lula de buscar uma aproximação com o eleitorado evangélico nesta fase da campanha. Na avaliação dela, o presidente deveria concentrar esforços nos segmentos que contribuíram para sua vitória em 2022, especialmente mulheres e pessoas com renda de até dois salários mínimos. “Apostar nesse setor na última hora é um equívoco. Além de ineficiente, ele deveria investir mais em segmentos que contribuíram com sua vitória em 2022”, declarou. Para a pesquisadora, encontros com lideranças religiosas progressistas tendem a produzir pouco efeito sobre eleitores evangélicos já identificados com a direita.
É justamente entre os eleitores de menor renda que Mara identifica um dos pontos de atenção para o comparecimento às urnas. Segundo ela, a distância entre a residência e o local de votação está entre os fatores que mais influenciam a abstenção. “Quanto mais distante, menor é a disposição desse eleitor de votar. Isso ocorreu especialmente na população que ganha de zero a dois salários mínimos e que visivelmente é eleitorado lulista”, afirmou. A pesquisadora relacionou esse comportamento também ao Nordeste, onde Lula concentra parte importante de seu apoio.
O risco, acrescentou, é que a falta de disposição para votar não apareça com a mesma clareza nos levantamentos de intenção de voto. “As pesquisas não conseguem capturar a abstenção. Um momento de apatia pode gerar um menor comparecimento às urnas”, advertiu. Mara citou ainda o desgaste provocado pelas discussões sobre corrupção, inclusive as relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), como um possível fator de desmobilização. “Se o eleitor passa a perceber que todos são corruptos, isso desmobiliza a campanha”, afirmou.
“Brasil não é quintal de ninguém” – O presidente Lula (PT) foi o primeiro líder mundial a discursar na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mantendo a tradição desde 1955 de o Brasil iniciar os discursos. Em sua fala, Lula abordou a situação na América Latina, com o aumento das operações dos Estados Unidos na região. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, adicionou. Ele disse que a América Latina sofre tentativas de influência da potência hegemônica, em referência aos EUA. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”. O petista também falou sobre a Venezuela e outros países da região, pontuando que os venezuelanos merecem definir seu próprio destino e que a Nicarágua “não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”.
Trump quer “proteger Hemisfério Ocidental” – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu extinguir o que chamou de “interferência externa” no Hemisfério Ocidental e afirmou que pode utilizar o poderio militar norte-americano para isso. A sua fala foi feita ontem, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump busca dominar o Hemisfério Ocidental e expulsar a presença dos rivais China e Rússia da região. “Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. (…) Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos”, afirmou Trump.
Desinteresse pelo guia – Pesquisa Quaest, encomendada pelo Grupo Globo, mostra que 44% dos eleitores não estão com a televisão ligada durante o horário eleitoral: 20% desligam o aparelho quando começa a propaganda e 24% já não estão assistindo à TV nesse período. Outros 12% procuram uma programação diferente, enquanto 18% mantêm o aparelho ligado, mas não prestam atenção ao conteúdo. Apenas 25% afirmam acompanhar a propaganda com atenção. O interesse é menor entre os jovens de 16 a 34 anos, dos quais 20% dizem assistir ao programa atentamente, contra 28% dos eleitores com 60 anos ou mais.
Diferença minúscula – A pesquisa AtlasIntel, divulgada ontem, acendeu o alerta no Palácio do Campo das Princesas. A governadora Raquel Lyra (PSD), que aparecia com vantagem mais confortável no levantamento anterior, agora tem 48,6%, contra 47,4% de João Campos (PSB), seu principal adversário. Apenas 1,2 ponto separa os dois, diferença inferior à margem de erro de dois pontos. No segundo turno, o cenário é ainda mais apertado: 49,2% para Raquel e 48,5% para João. Com a vantagem praticamente evaporada e as curvas se aproximando, João chega à reta final em condições de virar o jogo.
Lula em Recife – O candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, afirmou, em entrevista ao Blog da Folha ontem, que o presidente Lula (PT) fará uma caminhada no Recife, nesta sexta-feira (25). “A gente vai fazer um grande ato no Recife, podendo celebrar essa reta final da campanha que, com fé em Deus e no povo, será vitoriosa em Pernambuco e no Brasil. Faremos uma grande caminhada na manhã da sexta-feira. Estamos fechando o itinerário agora à tarde. O roteiro deve ser a partir das 9h da manhã”, afirmou.
CURTAS
JUPI – A governadora Raquel Lyra (PSD) estava acompanhada de políticos de Jupi, município do Agreste, quando foi filmada falando para fazer laqueadura “sem ela saber” em uma mulher grávida que tinha sete filhos. No vídeo, Raquel conversa com a secretária de Assistência Social de Jupi, Carla Patrícia Gomes de Oliveira Albuquerque, que aparece de blazer preto. Carla é nora da prefeita Rivanda Freire Lima (PSD), que também aparece nas imagens. Além delas, também aparece no vídeo o vice-prefeito da cidade, Lêdson Liberato (União Brasil). As informações são do portal G1/PE.
VOTO JUSTIFICADO – Quem estiver fora do domicílio eleitoral no dia da votação, no próximo dia 4 de outubro, deverá justificar a ausência. A justificativa pode ser apresentada no próprio dia da eleição pelo aplicativo e-Título ou por meio do Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE). O formulário deve ser preenchido e entregue nas mesas receptoras de votos ou de justificativas instaladas para essa finalidade, nos locais divulgados pelos tribunais regionais eleitorais e pelos cartórios eleitorais.
VOTO JUSTIFICADO II – A justificativa é válida exclusivamente para o turno em que a eleitora ou o eleitor não compareceu por estar fora do domicílio eleitoral. Portanto, é necessário apresentar um requerimento para cada turno de votação não realizado, respeitando os requisitos e prazos correspondentes. Quem não apresentar a justificativa no dia da votação poderá fazê-la em até 60 dias após cada turno.
Perguntar não ofende: O fator Lula ajudará de fato na campanha de João?
A ministra Luciana Santos (PCdoB) e a senadora Teresa Leitão (PT) fizeram novas críticas à governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) após a repercussão do vídeo em que ela sugeriu que uma mulher fosse submetida a uma laqueadura “sem ela saber”. “Dá uma tristeza e uma vergonha alheia de ver uma mulher governadora falar da laqueadura para mulheres”, afirmou Luciana.
A ministra disse ainda que o episódio seria, em sua avaliação, “só a ponta do iceberg” e associou a crítica às políticas estaduais voltadas às mulheres. As informações são do Diario de Pernambuco.
Teresa, por sua vez, questionou o pedido de desculpas feito pela governadora. “Por que ela pediu desculpas e a gente não acredita nas desculpas? Porque existe, tem sintonia. Pode não ter sintonia com o que ela disse, mas tem sintonia com o palanque onde ela está”, declarou.
A candidata ao Senado por Pernambuco, Marília Arraes (PDT), criticou a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), após a divulgação de um vídeo em que a governadora comenta um caso envolvendo uma mulher submetida a um procedimento de laqueadura sem consentimento.
Durante discurso em encontro com mulheres no Recife nesta terça-feira (22), Marília afirmou que a fala de Raquel teria sido espontânea e questionou um pedido de desculpas feito posteriormente pela governadora. As informações são do JC.
Segundo Marília, o episódio revelaria a forma como, na avaliação dela, o governo estadual trata a população de baixa renda. A candidata também criticou a forma como, segundo sua interpretação, as mulheres pobres seriam tratadas em situações relacionadas a decisões sobre o próprio corpo.
“Mas eu quero dizer uma coisa a vocês. A fala foi espontânea, não adianta pedir desculpa. Aquilo ali demonstrou o que ela sente, o que ela pensa, o que ela faz, porque junto com quem está mostra quem ela é”, disse Marília.