Por Zé Américo Silva*
Há uma diferença fundamental entre manter relações diplomáticas, defender interesses nacionais no exterior e pedir a um governo estrangeiro que molde suas decisões de acordo com a conveniência eleitoral de um grupo político brasileiro. Essa fronteira parece ter sido ultrapassada por Flávio Bolsonaro.
O documento encaminhado pelo senador ao governo dos Estados Unidos representa um dos episódios mais delicados da política recente. Não apenas porque pede o adiamento de medidas comerciais durante o período eleitoral brasileiro, sob o argumento de que elas poderiam produzir efeitos políticos favoráveis ao presidente Lula, mas porque introduz uma lógica inquietante: a de que uma potência estrangeira possa calibrar suas decisões para influenciar, ainda que indiretamente, a disputa democrática de outro país.
Mais grave ainda é o conteúdo estratégico da iniciativa. Entre os pontos defendidos está a limitação da expansão internacional do PIX, um dos maiores avanços do sistema financeiro brasileiro nas últimas décadas. Em vez de defender um ativo tecnológico nacional, a proposta sinaliza alinhamento aos interesses de outra potência econômica, justamente em um setor no qual o Brasil conquistou protagonismo mundial.
No mesmo movimento, surge a disposição de rever a participação brasileira no Mercosul como demonstração de alinhamento geopolítico aos interesses norte-americanos. Evidentemente, qualquer tratado internacional pode ser discutido e até revisto. O que causa estranheza é transformar uma decisão que pertence exclusivamente ao Estado brasileiro em argumento de convencimento perante um governo estrangeiro.
Em qualquer democracia consolidada, a oposição tem o direito — e o dever — de criticar o governo, denunciar erros e apresentar alternativas. O que não faz parte da normalidade democrática é recorrer a uma potência estrangeira para pedir que suas decisões econômicas sejam sincronizadas com o calendário eleitoral brasileiro.
O episódio produz ainda um efeito político inevitável. Ao defender apenas o adiamento das tarifas, e não sua rejeição definitiva, a mensagem transmitida é de que o problema não estaria na medida em si, mas no impacto que ela poderia produzir sobre a eleição presidencial. É um raciocínio que transforma uma disputa de interesses nacionais em cálculo eleitoral.
Esse talvez seja o maior tiro no pé do bolsonarismo desde o início da corrida presidencial. Durante anos, o grupo construiu sua identidade política sob as bandeiras da soberania nacional, do patriotismo e da rejeição a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil. Agora, oferece aos adversários exatamente o argumento que sempre combateu: o de que, diante da possibilidade de conquistar ou preservar o poder, a soberania pode se tornar negociável.
Nenhum país relevante abre mão de defender seus interesses estratégicos. Os Estados Unidos fazem isso. A China faz isso. A União Europeia faz isso. E o Brasil também deve fazê-lo, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.
A disputa eleitoral termina em outubro. A soberania nacional, porém, precisa sobreviver a qualquer eleição.
Quando um líder político leva para outro país pedidos que interferem na economia, na política comercial e, potencialmente, no ambiente eleitoral brasileiro, deixa de agir apenas como adversário de um governo. Passa a assumir uma posição que inevitavelmente será julgada pela História.
Porque governos passam. Partidos mudam. Presidentes são eleitos e derrotados. Mas há um patrimônio que não pertence à direita, nem à esquerda, nem a qualquer grupo político: a soberania do Brasil. E ela jamais deveria servir como moeda de troca em um projeto de poder.
*Jornalista e consultor de marketing político
Garanhuns passa a contar, a partir de hoje, com um dos mais importantes equipamentos públicos de saúde de sua história. Com a presença do deputado federal Felipe Carreras na solenidade de inauguração, o Hospital de Amor Dona Lindu foi entregue para oferecer atendimento gratuito, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas áreas de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.
O novo hospital permitirá que milhares de pacientes do Agreste pernambucano façam o tratamento do câncer mais perto de casa, reduzindo a necessidade de deslocamentos para Recife e outras cidades.
A implantação do Hospital de Amor em Garanhuns é resultado de uma articulação iniciada em 2024. Em fevereiro daquele ano, Felipe Carreras apresentou o pleito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto ao prefeito Sivaldo e ao deputado estadual Cayo Albino, defendendo a instalação da unidade no município.
Ao longo da implantação, Carreras, Sivaldo e Cayo acompanharam as principais etapas da iniciativa, entre elas uma visita técnica à unidade de Barretos para conhecer o modelo de atendimento que seria implantado na cidade.
De forma inédita, a inauguração foi simultaneamente em cinco estados, com a participação do presidente Lula via videoconferência. Estiveram presentes também o prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino; o deputado estadual Cayo Albino; o pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB), o secretário Mozart Sales, da Secretaria e Atenção Especializada à Saúde (SAES); o presidente André Longo, da agSUS; presidente Ana Paula, da Hemobras; diretor Fernando Figueira, da SAES; e dos prefeitos de Lajedo e São Bento do Una, Erivaldo Chagas e Alexandre Batité.
Para Felipe Carreras, a entrega representa uma conquista construída de forma coletiva. “Esse sonho só foi possível porque muita gente acreditou e trabalhou para ele sair do papel. Foi preciso decisão política do presidente Lula, que atendeu o nosso pleito lá em 2024, quando apresentamos o pedido junto com o prefeito Sivaldo Albino e o deputado Cayo Albino para trazer esse hospital para Garanhuns. Decisão do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do presidente da Instituição, Henrique Prata, e de tantos outros nomes que entrarão para a história de Garanhuns”, disse.
Carreras também destacou que ver o hospital pronto é a prova de que a política tem força para transformar vidas. “Hoje é dia de agradecer, se emocionar e celebrar essa conquista que vai mudar o destino de milhares de famílias do agreste pernambucano”, concluiu.
A Sudene e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) apresentam, na próxima terça-feira, um estudo técnico sobre o trecho Salgueiro–Porto de Suape da Ferrovia Transnordestina. O documento analisa aspectos relacionados à matriz de demanda do mercado doméstico, questões socioeconômicas, efeitos multiplicadores e de inclusão produtiva, além da proposição de governança para apoiar a coordenação entre os órgãos envolvidos no projeto.
A apresentação fortalece o diálogo junto ao Tribunal de Contas da União e integra os esforços de articulação técnica e institucional direcionados ao fortalecimento da infraestrutura regional, ampliando a competitividade do Nordeste.
Depois de um ano e meio no cargo, o gestor governamental Ednaldo Moura pediu exoneração da superintendência do Patrimônio da União (SPU) em Pernambuco e fez um balanço positivo de sua passagem pelo órgão ao participar de uma solenidade na presença da ministra de Administração, Esther Dweck, do prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB) e do ex-prefeito João Campos (PSB). Ednaldo deixa a função porque deverá ser candidato a deputado estadual pelo PSB.
“Recebi com entusiasmo a tarefa de ajudar o governo do presidente Lula a disponibilizar bens pertencentes à União para melhorar a vida de. brasileiros necessitados. Felizmente, posso declarar com satisfação que cumpri a missão”, disse Ednaldo, que foi Secretário Executivo de Educação na Prefeitura do Recife no primeiro mandato de João Campos.
Ednaldo apresentou dados sobre a liberação de imóveis para a construção de casas populares, escolas, postos de saúde e creches e em toda as regiões do estado. ele detalhou que foram realizadas importantes entregas voltadas à promoção do desenvolvimento urbano e da habitação de interesse social, como a viabilização do Edifício Segadas Viana e da Quadra 60, na Comunidade do Pilar, ambos localizados na cidade do Recife.
Inaugurado em 1953, o Edifício Segadas Viana, localizado na Rua Marquês do Recife, foi construído para sediar o antigo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas) e, posteriormente, passou a abrigar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2021, o imóvel foi ocupado pelo Movimento de Luta e Resistência pelo Teto (MLRT), reunindo cerca de 120 famílias em situação de vulnerabilidade social. Com a doação, o edifício passará por um processo de retrofit, que consiste na modernização de uma edificação existente, preservando sua estrutura principal e, sempre que possível, suas características arquitetônicas, ao mesmo tempo em que a adapta aos padrões atuais de conforto, segurança, eficiência e funcionalidade. Após a intervenção, o imóvel será destinado à habitação de interesse social, beneficiando cerca de 60 famílias.
A Quadra 60, na Comunidade do Pilar, integra o processo de requalificação urbana que vem sendo desenvolvido na região. Sua destinação para moradia popular ganha ainda mais relevância diante do desabamento de um casarão abandonado que existia no local, acidente que vitimou quatro pessoas, das quais duas faleceram. Com a viabilização promovida, a Quadra 60 passará a contar com, no mínimo, 130 (cento e trinta) unidades habitacionais, destinadas a famílias de baixa renda.
O Granioter, iniciativa do CDTN/CNEN/MCTI voltada a materiais avançados e minerais estratégicos, entra em nova etapa de fortalecimento com a formalização de Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação entre o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN) e o Instituto Nacional de Terras Raras (INTR), com interveniência da FUNDEP.
Criado no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Granioter foi concebido para funcionar como Hub Tecnológico de Materiais Avançados e Minerais Estratégicos, sediado no CDTN/CNEN. A iniciativa aproxima infraestrutura científica, competência laboratorial, pesquisa aplicada e setor produtivo para acelerar soluções tecnológicas ligadas à nova economia mineral.
O avanço do Granioter responde a uma demanda nacional concreta: transformar potencial mineral em conhecimento aplicado, tecnologia, competitividade e valor industrial. Sua atuação está conectada a cadeias estratégicas como terras raras, minerais críticos, grafeno, nióbio, materiais avançados e outros insumos essenciais para transição energética, mobilidade elétrica, defesa, semicondutores, ligas especiais e tecnologias de baixo carbono.
A parceria entre CDTN e INTR amplia a capacidade de atuação do hub em caracterização mineral, protocolos técnicos, unidade móvel de caracterização, desenvolvimento de rotas tecnológicas de concentração e refino, estudos ambientais e radiológicos, estudos de viabilidade econômica e formação de pessoal especializado.
O que é o Granioter
O Granioter é uma iniciativa estruturante voltada a converter ciência em aplicação tecnológica para o setor produtivo. Ao reunir laboratórios, pesquisadores, infraestrutura especializada e projetos de PD&I, o hub cria um ambiente capaz de reduzir gargalos técnicos, ampliar a capacidade analítica do país e apoiar o desenvolvimento de rotas nacionais para minerais estratégicos.
Na prática, o Granioter atua como ponte entre pesquisa e indústria. Sua finalidade é permitir que minerais e materiais de alto interesse econômico sejam estudados, caracterizados, processados, avaliados e convertidos em soluções tecnológicas com maior valor agregado, segurança operacional e responsabilidade ambiental.
CDTN: base científica e tecnológica da iniciativa
Sediado no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN), o Granioter conta com a base técnica de uma instituição de referência nacional em tecnologia nuclear, minerais, materiais, saúde, meio ambiente, segurança radiológica e desenvolvimento tecnológico.
A presença do CDTN é essencial porque a cadeia de terras raras e minerais estratégicos exige domínio técnico em caracterização, processamento, avaliação radiológica, controle ambiental, desenvolvimento de rotas tecnológicas e formação de especialistas. Essas competências são decisivas para que o Brasil avance da condição de detentor de recursos minerais para a posição de país capaz de gerar tecnologia, conhecimento e valor industrial.
INTR: articulação com a cadeia mineral
Com a entrada do Instituto Nacional de Terras Raras no projeto, o Granioter ganha maior capilaridade junto à cadeia mineral, empresas, instituições públicas, laboratórios, universidades, investidores e parceiros estratégicos. O INTR passa a contribuir para aproximar laboratório, campo e setor produtivo, fortalecendo a aplicação prática das competências instaladas no hub.
Um dos pontos de destaque da parceria é a previsão de uma unidade móvel de caracterização mineral, concebida para levar inteligência analítica às áreas de pesquisa mineral. A estrutura deverá apoiar a triagem preliminar de amostras, a preparação inicial de material, a redução de prazos e a tomada de decisão técnica em campo.
Impacto nacional
A nova etapa do Granioter reforça uma visão estratégica para o Brasil: a riqueza mineral precisa ser convertida em tecnologia, competitividade, inovação e desenvolvimento industrial. A disputa global por minerais críticos e materiais avançados mostra que os países mais preparados serão aqueles capazes de dominar conhecimento, processamento, certificação, segurança ambiental e formação técnica.
Nesse contexto, a parceria entre CDTN e INTR fortalece uma agenda positiva, técnica e institucional para o país. O Granioter passa a contar com maior conexão entre pesquisa aplicada e demanda produtiva, criando condições para que terras raras e minerais estratégicos sejam tratados não apenas como ativos geológicos, mas como vetores de inovação, soberania tecnológica e agregação de valor.
“O Granioter representa uma resposta técnica e estruturada à necessidade de o Brasil agregar valor aos seus recursos minerais, conectando ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial.”
Sobre o Granioter
O Granioter é um Hub Tecnológico de Materiais Avançados e Minerais Estratégicos, concebido para integrar ciência, infraestrutura laboratorial e setor produtivo. A iniciativa busca acelerar projetos de PD&I, apoiar o desenvolvimento tecnológico e fortalecer cadeias produtivas estratégicas para o Brasil.
Sobre o CDTN
O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN) é uma instituição pública de ciência, tecnologia e inovação vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Atua em pesquisa, desenvolvimento, ensino, prestação de serviços tecnológicos e apoio à inovação nas áreas de tecnologia nuclear, minerais, materiais, saúde, meio ambiente e segurança radiológica.
Sobre o INTR
O Instituto Nacional de Terras Raras (INTR) é uma instituição dedicada à articulação, ao desenvolvimento e ao fortalecimento da cadeia brasileira de terras raras, minerais críticos e estratégicos. Sua atuação busca integrar setor produtivo, ciência, tecnologia, governo, universidades, laboratórios e investidores para transformar o potencial mineral brasileiro em inovação, competitividade, sustentabilidade e soberania tecnológica.
Por Luiz Queiroz – Capital Digital
A distribuição detalhada das vagas do novo concurso da Dataprev, publicada hoje (03) no Diário Oficial da União, revela que a empresa direcionou sua política de contratação para áreas consideradas estratégicas para a transformação digital do governo federal. O quadro consolidado mostra que as oportunidades estão espalhadas entre sete cidades: Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, João Pessoa, Natal e Florianópolis. E reforçam a prioridade para profissionais ligados ao desenvolvimento de sistemas, infraestrutura tecnológica, inteligência da informação e segurança cibernética.
Ao todo, o concurso oferece 212 vagas imediatas e 1.611 vagas para cadastro de reserva, totalizando 1.823 oportunidades. A maior parte destina-se ao cargo de Analista de Tecnologia da Informação, enquanto 30 vagas em cadastro de reserva são destinadas ao cargo de Analista de Processamento.
Tecnologia
A principal aposta da Dataprev está no perfil de Desenvolvimento de Software, responsável pelo maior quantitativo de oportunidades. São centenas de vagas distribuídas entre todas as unidades da empresa, com destaque para Fortaleza, João Pessoa, Natal e Florianópolis, que concentram o maior número de contratações imediatas para essa especialidade.
O segundo maior grupo de oportunidades está em Inteligência da Informação, área voltada à análise de dados, ciência de dados e produção de inteligência para apoio às políticas públicas.
Na sequência aparecem os perfis de Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica, responsáveis pela infraestrutura computacional da estatal, além de Gestão de Serviços de TIC, que dará suporte à operação dos ambientes tecnológicos utilizados pelo governo federal.
Outro destaque é a área de Segurança Cibernética e Proteção de Dados, cuja abertura de vagas ocorre em um momento em que o governo federal amplia investimentos em proteção de sistemas críticos, identidade digital e combate a ataques cibernéticos.
Distribuição
O quadro mostra uma estratégia de descentralização das equipes técnicas.
Áreas administrativas
Embora a tecnologia concentre praticamente todas as vagas imediatas, o edital também contempla diversas áreas de apoio institucional. Há oportunidades para cadastro de reserva em:
Esses profissionais poderão ser convocados durante o período de validade do concurso, conforme a necessidade operacional da empresa.
Prioridades
A distribuição das vagas evidencia quais competências a Dataprev considera estratégicas para os próximos anos.
Entre elas estão:
A concentração das oportunidades nessas áreas acompanha o processo de expansão dos serviços digitais do governo federal. A Dataprev é responsável por plataformas críticas utilizadas pela Previdência Social, INSS, Ministério da Gestão, Ministério da Fazenda e diversos outros órgãos da administração pública, o que exige reforço permanente em equipes de desenvolvimento, infraestrutura e segurança da informação.
O quadro consolidado também demonstra uma característica importante do concurso: apesar do número relativamente reduzido de vagas para contratação imediata, o elevado volume de cadastro de reserva indica que a empresa pretende utilizar a seleção como banco de talentos para futuras convocações ao longo da validade do certame, permitindo ampliar rapidamente seu quadro técnico conforme a evolução dos projetos de transformação digital do Estado brasileiro.
O prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, deu início, hojte, ao maior programa de pavimentação asfáltica já realizado no município. Batizado de “Pavimenta Arcoverde – Mais Mobilidade, Mais Qualidade de Vida”, o projeto prevê investimentos superiores a R$ 8 milhões em recapeamento e asfaltamento de ruas e avenidas, reforçando o compromisso da gestão com a modernização da infraestrutura urbana.
As máquinas começaram a operar pela Avenida Pinto de Campos, marcando o início de uma série de intervenções que beneficiarão importantes corredores de mobilidade da cidade.
Além da Avenida Pinto de Campos, o programa contemplará a Avenida José Bonifácio, Avenida Leonardo Arcoverde, no bairro São Cristóvão, além da Rua Germano Magalhães e da Rua dos Mascates, no Centro. Esta última receberá pavimentação asfáltica pela primeira vez, atendendo a uma reivindicação histórica da população. Na Avenida Conselheiro João Alfredo, outra artéria urbana beneficiada, também já começaram os trabalhos de regularização para o asfaltamento.
Ao anunciar o programa, Zeca Cavalcanti destacou que o novo pacote de obras tem também um trabalho conjunto entre a Prefeitura de Arcoverde, o Governo de Pernambuco e importantes parceiros.
“Hoje iniciamos um novo momento para Arcoverde. O Pavimenta Arcoverde representa mais conforto, segurança e qualidade de vida para quem utiliza nossas ruas todos os dias. Esse é um investimento histórico, fruto de muito trabalho, diálogo e da parceria com a governadora Raquel Lyra, além do apoio do deputado estadual Gustavo Gouveia e de Marcelo Gouveia. Seguiremos transformando nossa cidade com obras que fazem a diferença na vida das pessoas”, afirmou o prefeito.
Zeca também lembrou que, antes, o município já havia executado cerca de R$ 6 milhões em obras de asfaltamento, também em parceria com o Governo Raquel Lyra, ampliando os investimentos em mobilidade urbana.
Com o Pavimenta Arcoverde, a gestão municipal fortalece a infraestrutura da cidade, melhora a trafegabilidade, valoriza os bairros e impulsiona o desenvolvimento urbano, consolidando mais uma etapa do conjunto de obras executadas pela Prefeitura.
Por João Batista Rodrigues*
O recente episódio envolvendo o cantor Gusttavo Lima, que recebeu cachê antecipado e desmarcou sua apresentação em um município pernambucano, reacendeu um debate sobre a possibilidade de pagamento antecipado em contratos administrativos e as precauções que os gestores devem tomar para garantir a execução do contrato.
A regra geral estabelecida pela Lei de Licitações e Contratos é a proibição do pagamento antes da correspondente contraprestação do serviço ou do fornecimento do bem. O rito tradicional e seguro exige o empenho prévio, a liquidação mediante o devido ateste da realização do serviço e, por fim, a ordem de pagamento. Trata-se do fluxo natural que protege o patrimônio público.
Entretanto, a própria lei e o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU) preveem situações específicas em que a antecipação é admitida, desde que cumpridos alguns requisitos. A flexibilização só é legítima se configurar condição indispensável para a obtenção do serviço ou se propiciar uma sensível economia de recursos para o município.
Ocorre que, diante da impossibilidade prática de se exigir garantias tradicionais nesse tipo de ajuste — como cauções em dinheiro ou fianças bancárias —, as precauções jurídicas do gestor devem ser redobradas.
Para mitigar riscos, o contrato deve ser firmado diretamente com o artista ou com seu empresário exclusivo, detalhando um cronograma de desembolso que fragilize o mínimo possível os cofres municipais. A boa prática administrativa sugere o parcelamento do cachê: uma primeira cota e a parcela final vinculada obrigatoriamente à efetiva subida do artista ao palco.
Ademais, o instrumento contratual precisa ser blindado com cláusulas penais e multas severas para o caso de descumprimento injustificado. O controle preventivo também pode incluir a exigência de que a produção comprove, com dias de antecedência, a emissão dos bilhetes aéreos e as reservas hoteleiras da equipe.
Se o show não ocorrer, o valor antecipado deverá ser devolvido. Portanto, Prefeitos e Secretários Municipais devem ter em mente que o TCU e os Tribunais de Contas estaduais consideram a antecipação de pagamentos sem as devidas cautelas e justificativas um erro grosseiro, conduta grave passível de aplicação de multas, imputação de débito e rejeição de contas.
No trato do dinheiro público, a prudência jurídica é a única garantia de que a festa do município não se transformará em uma dor de cabeça nos tribunais.
*Advogado, ex-prefeito de Triunfo e ex-presidente da União dos Vereadores de Pernambuco
A vereadora de Arcoverde Célia Galindo (Podemos) voltou a defender o fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde da mulher e ao combate ao câncer. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar, que superou um câncer, destacou a atuação do deputado federal Eduardo da Fonte (PP) na destinação de recursos para a área da saúde e afirmou que apoiará sua pré-candidatura ao Senado Federal, caso ela seja confirmada.
Ao relembrar sua trajetória de superação, Célia ressaltou que conhece de perto a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento e dos investimentos na rede pública de saúde. “Quem venceu o câncer sabe que cada exame realizado no tempo certo e cada investimento na saúde podem salvar vidas. Eu vivi essa batalha e sei o quanto políticas públicas eficientes fazem a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
A vereadora destacou iniciativas defendidas por Eduardo da Fonte ao longo de sua atuação parlamentar, entre elas a ampliação do acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos no Sistema Único de Saúde (SUS), medida voltada ao diagnóstico precoce do câncer de mama. Também lembrou a destinação de recursos para hospitais especializados em tratamento oncológico em Pernambuco, incluindo investimentos no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), que contribuíram para a modernização da estrutura de atendimento e aquisição de equipamentos de alta tecnologia.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Para além dos ataques, o que mais irrita Michelle Bolsonaro e suas aliadas, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), é o risco de interrupção de um trabalho que vinha sendo feito desde 2018 para a consolidação do voto feminino de direita no país. Curiosamente, a primeira constatação de como era o perfil da mulher eleitora brasileira veio de um trabalho da esquerda: a formação do CadÚnico, o cadastro que organiza as famílias que têm direito ao Bolsa Família e aos demais benefícios sociais.
O cadastro mostrou que a maior parte das famílias de baixa renda hoje é comandada por mulheres. E a maioria dessas mulheres é conservadora, especialmente porque grande parte hoje está vinculada a alguma denominação evangélica e é a partir dela que se organiza na sua comunidade. Tratava-se de um público pronto para ser politicamente atraído pela direita.
Candidato à reeleição em 2022, a equipe de Jair Bolsonaro constatou que a sua maior dificuldade estava na conquista do voto feminino. Montou-se, então, o movimento Mulheres com Bolsonaro, que teve Michelle e Damares Alves como principais expoentes. O movimento percorreu o Brasil, não apenas angariando apoios femininos para Bolsonaro, mas identificando mulheres que poderiam se tornar líderes políticas nas suas regiões. Michelle ainda não presidia o PL Mulher.
Conforme disse ao Correio Político uma pessoa que acompanhou de perto esse movimento, buscou-se nas diversas regiões mulheres que já exerciam liderança nas suas comunidades, embora em muitos casos talvez nem soubessem disso. Nos casos mais óbvios, pastoras evangélicas, presidentes de associações. Mas também donas de casa respeitadas pela vizinhança. O grupo começou a estimular essas mulheres a entrar na vida política. Michelle consegiu aumentar em mais de 40% a presença feminina no PL.
“Nós sabemos que não vai ser um caminho fácil, que vai haver muitos desafios, mas nós te daremos a mão”. De acordo a fonte, era esse o discurso feito por Michelle, Damares e outras para atrair as lideranças femininas. O grande problema a partir do desfecho no qual Michelle saiu do comando do PL Mulher seria: isso não aconteceu. Ao final, as decisões que prevaleceram acabaram sendo tomadas por homens.
Quando Flávio Bolsonaro afirma que o fato de não conquistar a maioria dos votos femininos acontece por falta de competência, ele não deixa de ter razão. De acordo com o último Censo, o Brasil tem hoje mais de 25 milhões de mulheres evangélicas. Elas representam de 50 a 60% do total de pessoas que têm essa religião. Se ele lidera entre os evangélicos, há um problema.
Michelle ficou com a desconfiança de que Paulo Figueiredo era ali uma espécie de ventríloquo do seu enteado, embora Flávio tenha depois desautorizado o neto do último general da ditadura. Se Michelle está certa e o raciocínio misógino predomina, ignora o candidato do PL um cálculo político que é mais que óbvio.
Somando-se tudo, mulheres comandam a maioria das famílias de baixa renda. Na maioria, são evangélicas. Entre os evangélicos, elas são maioria. Paulo Figueiredo está, assim, recomendando que se ignore o trabalho de conquista de um eleitorado que vai decidir o pleito de outubro. Ou seja, seu raciocínio significa derrota.
A estupidez do raciocínio de Paulo Figueiredo, no caso, prosseguiria mesmo na sugestão de que mulheres casadas votariam melhor que as solteiras porque seguiriam a ordem política dada pelo marido. Voltando aos dados do Censo, 51% dos lares brasileiros hoje são comandados por mulheres. Não há maridos. Todas as decisões são delas.
Esse percentual, segundo ainda o Censo, é maior na população de baixa renda. Entre as famílias hoje comandadas por mulheres, 69,9% vivem com uma renda domiciliar até um salário mínimo. Ao contrário do achismo do voto errado nos Estados Unidos, esses números são estatística. Essas mulheres são as donas dos seus votos.
Assim, se a maior parte dessas mulheres hoje apoiam, segundo o que dizem as pesquisas, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isso talvez não seja porque são, na sua maioria, de esquerda. Mas porque o segmento de direita da política, com o qual boa parte delas talvez mais se identificasse, simplesmente dispensa o seu voto.
Depois deste blog revelar os bastidores do arranca-rabo do ex-ministro Sílvio Costa Filho (Republicanos) com o prefeito de Camaragibe, Diego Cabral (PSD), tudo porque o gestor não cumpriu a palavra no apoio à reeleição do agora ex-aliado para a Câmara dos Deputados, um sambinha bem conhecido cai como uma luva para sintetizar a decepção do ex-ministro com o prefeito: “Vou festejar, de Beth Carvalho”.
A letrinha diz assim: “Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão”. Quem acompanha a política estadual sabe que Silvio Costa Filho foi o verdadeiro padrinho da eleição de Diego em Camaragibe.
Para elegê-lo, fez de tudo, inclusive convenceu o PSB a retirar a pré-candidatura de um aliado no município. A prova disso está no santinho acima da época da convenção, no qual são destacados, ao lado do então ministro, o presidente Lula e o presidente nacional do PSB, João Campos.
Como deputado inicialmente e depois ministro, Sílvio alavancou recursos federais para a gestão de Diego em Camaragibe. Mas o prefeito logo revelou o seu perfil de traidor ao se bandear de imediato para a governadora Raquel Lyra, a troco de migalhas.
Silvio ainda acreditou que o prefeito, mesmo aliado a Raquel, enquanto o ministro tem compromisso com o projeto estadual de João Campos, não farrapasse no acordo firmado lá atrás, de apoiá-lo para federal.
Estava completamente iludido e, ontem, o tempo, que é o senhor da razão, comprovou: foi terrivelmente apunhalado pelas costas. O prefeito sem palavra, fraco e desrespeitoso, se rendeu às pressões da governadora para apoiar outro federal.
Diego, segundo Sílvio Costa acaba de constatar, puxa a fila de políticos cuja palavra é como dinheiro falso: circula bastante, mas não tem valor real na hora de pagar a dívida.
Por Antônio Campos*
A Ferrovia Transnordestina está no centro do debate. O anúncio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da liberação de mais R$ 600 milhões para o trecho cearense da obra, enquanto Pernambuco permanece sem autorização para o reinício do trecho Salgueiro-Suape, reacendeu uma preocupação legítima: estaria Pernambuco perdendo espaço na principal estratégia logística do Nordeste? O tema também foi objeto de Ação Popular nº 0804040-39.2023.4.05.8300, que é por mim movida sobre a anulação do aditivo que tirou Pernambuco, entre outras iniciativas.
Pedi hoje ao Juiz federal que solicite a União e a Infra S.A que informe nos autos a situação jurídica e de alocação de recursos e previsão de início do trecho Salgueiro/Suape, Transnordestina Pernambuco.
Os fatos são objetivos. No Ceará, as obras avançam, novos lotes são inaugurados e há cronograma de execução. Em Pernambuco, permanece a indefinição sobre o reinício das obras, embora o trecho seja considerado estratégico para conectar o interior ao Porto de Suape, um dos maiores complexos portuários da América Latina. A diferença de ritmo produz um desequilíbrio regional que merece reflexão.
Não se trata de defender um estado contra outro. O Ceará tem pleno direito de celebrar seus investimentos e sua capacidade de articulação institucional. O problema surge quando Pernambuco permanece sem respostas concretas sobre um empreendimento igualmente relevante para o desenvolvimento regional.
A própria discussão nacional sobre a logística brasileira está mudando. A integração ferroviária entre a Transnordestina, a Ferrovia Norte-Sul e os corredores bioceânicos podem redefinir o mapa econômico do país nas próximas décadas, na estratégia via Peru, que é a que a China quer. Nesse cenário, perder protagonismo significa perder investimentos, empregos, competitividade industrial e capacidade exportadora.
É justamente por isso que Pernambuco precisa agir politicamente. Mais do que discutir responsabilidades passadas, chegou o momento de construir uma agenda institucional capaz de recolocar o Estado na prioridade nacional.
Nesse contexto, ganha especial importância o papel da bancada federal pernambucana. Deputados e senadores, independentemente de posições partidárias, possuem a responsabilidade constitucional de defender os interesses permanentes do Estado perante o Governo Federal.
Essa responsabilidade torna-se ainda mais relevante diante da nova posição ocupada pela senadora Teresa Leitão, que passou a exercer a liderança do Governo no Congresso. A liderança amplia sua capacidade de interlocução junto ao Executivo Federal e cria uma oportunidade institucional para buscar soluções concretas para o trecho pernambucano da Transnordestina.
Não se trata de confronto político nem de disputa federativa. Trata-se de representar Pernambuco. A liderança governista pode funcionar como ponte para destravar decisões administrativas, acelerar definições técnicas, promover o diálogo com a Infra S.A., o Ministério dos Transportes, a ANTT e os órgãos de controle, permitindo que o Estado volte a integrar efetivamente a estratégia logística nacional.
Também é importante que o Governo Federal esclareça, com transparência, qual é o cronograma previsto para o trecho Salgueiro-Suape, quais recursos estão programados, quais obstáculos jurídicos permanecem e quais medidas estão sendo adotadas para superá-los. A previsibilidade é fundamental para investidores, para o setor produtivo e para a sociedade.
Pernambuco não pode assistir passivamente ao redesenho dos grandes corredores ferroviários brasileiros. A Transnordestina representa muito mais do que uma ferrovia: ela simboliza desenvolvimento regional, integração econômica, redução de custos logísticos e fortalecimento do Porto de Suape.
O momento exige união institucional. Governo estadual, bancada federal, setor produtivo, universidades e sociedade civil precisam atuar de forma coordenada para garantir que Pernambuco participe, em igualdade de condições, da nova geografia econômica do Brasil.
O desenvolvimento do Ceará é uma boa notícia para o Nordeste. Mas o desenvolvimento regional somente será completo quando Pernambuco também voltar aos trilhos.
*Advogado
