Flávio Bolsonaro negocia a soberania brasileira por um projeto de poder

Por Zé Américo Silva*

Há uma diferença fundamental entre manter relações diplomáticas, defender interesses nacionais no exterior e pedir a um governo estrangeiro que molde suas decisões de acordo com a conveniência eleitoral de um grupo político brasileiro. Essa fronteira parece ter sido ultrapassada por Flávio Bolsonaro.

O documento encaminhado pelo senador ao governo dos Estados Unidos representa um dos episódios mais delicados da política recente. Não apenas porque pede o adiamento de medidas comerciais durante o período eleitoral brasileiro, sob o argumento de que elas poderiam produzir efeitos políticos favoráveis ao presidente Lula, mas porque introduz uma lógica inquietante: a de que uma potência estrangeira possa calibrar suas decisões para influenciar, ainda que indiretamente, a disputa democrática de outro país.

Mais grave ainda é o conteúdo estratégico da iniciativa. Entre os pontos defendidos está a limitação da expansão internacional do PIX, um dos maiores avanços do sistema financeiro brasileiro nas últimas décadas. Em vez de defender um ativo tecnológico nacional, a proposta sinaliza alinhamento aos interesses de outra potência econômica, justamente em um setor no qual o Brasil conquistou protagonismo mundial.

No mesmo movimento, surge a disposição de rever a participação brasileira no Mercosul como demonstração de alinhamento geopolítico aos interesses norte-americanos. Evidentemente, qualquer tratado internacional pode ser discutido e até revisto. O que causa estranheza é transformar uma decisão que pertence exclusivamente ao Estado brasileiro em argumento de convencimento perante um governo estrangeiro.

Em qualquer democracia consolidada, a oposição tem o direito — e o dever — de criticar o governo, denunciar erros e apresentar alternativas. O que não faz parte da normalidade democrática é recorrer a uma potência estrangeira para pedir que suas decisões econômicas sejam sincronizadas com o calendário eleitoral brasileiro.

O episódio produz ainda um efeito político inevitável. Ao defender apenas o adiamento das tarifas, e não sua rejeição definitiva, a mensagem transmitida é de que o problema não estaria na medida em si, mas no impacto que ela poderia produzir sobre a eleição presidencial. É um raciocínio que transforma uma disputa de interesses nacionais em cálculo eleitoral.

Esse talvez seja o maior tiro no pé do bolsonarismo desde o início da corrida presidencial. Durante anos, o grupo construiu sua identidade política sob as bandeiras da soberania nacional, do patriotismo e da rejeição a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil. Agora, oferece aos adversários exatamente o argumento que sempre combateu: o de que, diante da possibilidade de conquistar ou preservar o poder, a soberania pode se tornar negociável.

Nenhum país relevante abre mão de defender seus interesses estratégicos. Os Estados Unidos fazem isso. A China faz isso. A União Europeia faz isso. E o Brasil também deve fazê-lo, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.

A disputa eleitoral termina em outubro. A soberania nacional, porém, precisa sobreviver a qualquer eleição.

Quando um líder político leva para outro país pedidos que interferem na economia, na política comercial e, potencialmente, no ambiente eleitoral brasileiro, deixa de agir apenas como adversário de um governo. Passa a assumir uma posição que inevitavelmente será julgada pela História.

Porque governos passam. Partidos mudam. Presidentes são eleitos e derrotados. Mas há um patrimônio que não pertence à direita, nem à esquerda, nem a qualquer grupo político: a soberania do Brasil. E ela jamais deveria servir como moeda de troca em um projeto de poder.

*Jornalista e consultor de marketing político

Veja outras postagens

O prefeito de Bonito, Dr. Ruy, declarou apoio à candidatura do deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) ao Senado. A adesão foi anunciada durante encontro com o candidato e amplia o grupo de lideranças políticas do Agreste pernambucano que apoiam sua candidatura.

“Conheço de perto o seu compromisso com a causa da saúde e com Pernambuco. Pode contar com o nosso time nas ruas para defender o seu nome e trabalhar pela sua eleição ao Senado”, afirmou Dr. Ruy.

Sebrae - Fazer dar certo

O deputado federal Ricardo Salles (Novo) lançou oficialmente, no domingo (16), sua candidatura ao Senado por São Paulo, durante ato em Mogi das Cruzes, no Alto Tietê. Na primeira etapa da campanha, o parlamentar pretende percorrer o Estado em um ônibus adesivado com a mensagem “Fora Lula”, em oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante o lançamento, Salles afirmou que pretende apresentar sua candidatura como alternativa ao que classifica como “centrão fisiológico”. “São Paulo precisa de representantes que defendam verdadeiramente os interesses do Estado. Não podemos ser protagonistas na economia e ficar apenas com migalhas”, declarou. O ato reuniu apoiadores, lideranças políticas e integrantes de movimentos identificados com a direita paulista.

Entre as pautas que Salles afirma que levará para a campanha estão segurança pública, liberdade econômica, redução da burocracia, fortalecimento do agronegócio, infraestrutura, saneamento e defesa da propriedade privada. “É inadmissível que o paulista continue pagando uma conta cada vez maior para financiar uma máquina pública que não entrega na mesma proporção”, afirmou.

Jaboatão dos Guararapes - Trabalho em todo lugar 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trocaram elogios nesta segunda-feira (17), após visita ao navio-sonda que atua nos estudos sobre petróleo na Margem Equatorial, próximo ao Amapá — estado de origem do senador.

Na sexta-feira (14), a Petrobras anunciou que encontrou sinais de petróleo e gás em um poço perfurado na região. As informações são da CNN.

“Na minha condição de amapaense, de presidente do Congresso Nacional, muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser o orgulho de todos os brasileiros. É preciso que a gente, de uma vez por todas, reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas que muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas”, disse Alcolumbre.

Caruaru - Transparência 2026

O presidente Lula (PT) gravou um vídeo ao lado do senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, no qual defende a recondução do parlamentar ao Senado nas eleições de outubro. “Por isso, quero pedir seu voto para reeleger senador da República o companheiro Humberto Costa”, afirmou Lula.

O presidente também relembrou a passagem de Humberto pelo Ministério da Saúde e citou programas criados durante sua gestão, como Farmácia Popular, Samu e Brasil Sorridente. “Ele pode continuar nos ajudando muito mais”, disse. Humberto agradeceu o apoio: “Obrigado, presidente, continuamos juntos lutando por Pernambuco e pelo Brasil”.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Os prefeitos Ridete Pellegrino (PSD), de Jaqueira, e Dr. Leandro (PSD), de Gameleira, declararam, nesta segunda-feira (17), apoio à reeleição do senador Humberto Costa (PT). As adesões foram anunciadas durante agenda do parlamentar na Mata Sul de Pernambuco.

“Receber o apoio de Ridete Pellegrino e de Dr. Leandro no mesmo dia me deixa muito feliz e grato. São dois gestores que conhecem de perto as necessidades das suas cidades e sempre puderam contar com o nosso mandato”, afirmou Humberto. O senador também disse que pretende manter a atuação em áreas como saúde, infraestrutura e políticas sociais na região.

Durante a passagem pela Mata Sul, Humberto também se reuniu com o prefeito de Terezinha, Arnóbio Gomes (Republicanos), e com o ex-prefeito de Jaqueira Marivaldo Andrade (PT), que já haviam declarado apoio à candidatura do petista.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (17) o afastamento cautelar de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão) pelo prazo de 180 dias. O conselheiro é sobrinho do governador do estado, Carlos Brandão (MDB).

A decisão de Dino proíbe os dois de manterem contato, direto ou indireto. O ministro é o relator do caso que investiga um suposto esquema de corrupção no Maranhão que mira políticos e empresários, incluindo integrantes da família Brandão, e que envolveria o desvio de recursos públicos. As informações são da CNN.

A determinação também proíbe Daniel de manter contato com: Marcos Brandão, irmão do governador do estado; Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão; e Gilbson Júnior, condenado pela morte de João Bosco Sobrinho, morto em 2022.

Palmares - 147 anos

O Governo Raquel Lyra articula uma chapa para disputar o comando do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) nas eleições marcadas para os dias 1º e 2 de setembro, segundo informações de bastidor. A movimentação ocorre em meio ao impasse com a categoria sobre a ação da carga horária, já transitada em julgado, que, segundo os policiais civis, representa reajuste salarial de 33%.

A insatisfação com o cumprimento da decisão judicial se tornou um dos principais pontos de pressão da categoria sobre o Governo do Estado. Nesse cenário, a articulação de uma candidatura para a direção do sindicato passa a integrar a disputa política em torno da relação entre a gestão estadual e os policiais civis.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou, nesta segunda-feira (17), que pretende ampliar os investimentos em infraestrutura e desenvolvimento econômico no Estado caso seja eleito. Durante sabatina do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, o socialista criticou a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e classificou como “acanhado” o atual debate sobre a economia pernambucana. “Não estou aqui para fazer um governo de uma obra só e muito menos um governo de promessa e que não realiza. Estou aqui para realizar e dizer que Pernambuco vai liderar o Nordeste”, declarou.

João citou a Refinaria Abreu e Lima e a fábrica da Jeep como exemplos de investimentos realizados durante os governos de Lula (PT) e Eduardo Campos e defendeu a abertura de um novo ciclo de projetos estruturantes. Entre as propostas mencionadas estão a estadualização da obra da Transnordestina, com uma nova frente de construção a partir de Suape, e investimentos na duplicação das rodovias PE-60 e PE-90 e na triplicação do trecho da BR-101 que atravessa o Grande Recife.

Para o candidato, a contratação de operações de crédito pelo Estado deve estar associada a projetos capazes de ampliar a infraestrutura e a atividade econômica. “Pernambuco precisa sonhar e trabalhar pelos grandes projetos, integração de região e desenvolvimento integrado a longo prazo”, afirmou. Segundo João, o Estado precisa combinar obras de infraestrutura, formação profissional e integração de cadeias produtivas.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado estadual Álvaro Porto, e o candidato a deputado federal Gabriel Porto declararam, nesta segunda-feira (17), apoio à candidatura do deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) ao Senado.

Durante o anúncio, Álvaro Porto citou a atuação parlamentar de Eduardo da Fonte e destacou ações na área da saúde. “Conheço seu compromisso sério com o mandato e o trabalho que tem realizado, com entregas importantes para o nosso estado, especialmente na saúde”, afirmou.

O presidente da Alepe também disse que seu grupo político atuará na campanha do candidato ao Senado. “Pernambuco precisa de Eduardo da Fonte no Senado Federal e, junto com o nosso time, vamos trabalhar para elegê-lo senador de Pernambuco”, declarou Álvaro Porto.

O deputado federal Pastor Eurico (PSDB), que hoje aparece ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD), já esteve no centro de uma polêmica que quase lhe custou a permanência no PSB. Em 2014, o partido pediu que o parlamentar solicitasse o arquivamento de um projeto de sua autoria que tratava da chamada “cura gay”. A proposta derrubava uma resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia que proibia tratamentos destinados a “reverter a homossexualidade” e defendia que pessoas que desejassem deixar a homossexualidade tivessem direito a “acolhimento e ajuda profissional”.

A direção do PSB considerava que a proposta contrariava as diretrizes da legenda e encaminhou o caso ao Conselho de Ética. Segundo Alexandre Navarro, presidente do conselho de ética da executiva nacional do PSB desde 2005, caso o conselho fosse favorável ao arquivamento e Pastor Eurico se recusasse a retirar o projeto, o processo poderia seguir para o Diretório Nacional e resultar até no cancelamento de sua filiação. “Se eu fosse o deputado, já teria retirado o projeto”, afirmou Navarro à época, deixando clara a posição contrária da direção partidária à iniciativa.

A expulsão, porém, não chegou a acontecer porque Pastor Eurico deixou o PSB antes da conclusão do processo. O episódio ficou marcado como um dos momentos de maior tensão em sua passagem pela legenda. A história voltou à tona agora depois que Pastor Eurico voltou a citar a apresentadora Xuxa, reacendendo um embate que também marcou sua passagem pelo PSB em 2014. Na ocasião, o deputado acusou a apresentadora de fazer apologia à violência contra crianças, em reação às discussões sobre a chamada Lei da Palmada.

O Conselho Regional de Economia de Pernambuco (Corecon-PE) realiza, na próxima quarta-feira (19), o Seminário em Comemoração ao Dia do Economista 2026. O evento acontece das 9h às 18h, no Auditório do Banco Central, no Recife, reunindo economistas, pesquisadores e especialistas para discutir o tema “O Projeto de Neoindustrialização Brasileira: desafios para o Nordeste”. A programação também inclui momentos de reconhecimento e valorização da categoria.

Ao longo do dia, serão realizadas discussões sobre os caminhos da neoindustrialização brasileira e os desafios específicos enfrentados pelo Nordeste nesse processo. Para Keynis Souto, presidente do Corecon-PE, o seminário representa uma oportunidade de colocar a economia regional no centro do debate. “Discutir a neoindustrialização brasileira a partir da realidade do Nordeste é fundamental para pensarmos estratégias que considerem as potencialidades e os desafios da nossa região. O papel dos economistas é justamente contribuir para esse debate com conhecimento, análise e propostas”, afirma.

Amanhã, Recife recebe o lançamento de “Hello, People!”, livro de memórias de Márcia Rushansky, escrito por Nadezhda Bezerra e publicado pela Editora Caroá, que reúne cinquenta anos de experiências em viagens pelo mundo. O evento acontece no Restaurante Bargaço Recife, das 18h às 22h, e reunirá familiares, amigos e clientes da autora, uma das mais conhecidas profissionais do turismo em Pernambuco.

O livro narra a trajetória de Márcia desde a chegada de seus pais, nascidos da Polônia e Rússia, ao Brasil até sua consolidação como agente de viagens, período em que se tornou conhecida pelo apelido de Rainha dos Mares, em referência às décadas dedicadas aos cruzeiros marítimos.