Raquel acusa governo Lula de má-fé
Em uma reviravolta no discurso até então encampado pelo marketing da campanha à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD) foi enfática ao acusar, ontem, durante debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de agir de “má-fé” ao “direcionar” as auditorias realizadas pelo Ministério da Saúde para investigar repasses de R$ 40 milhões a uma unidade de saúde privada da qual um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Ao ser questionada pelo candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), sobre o suposto quantitativo de 236 fraudes em “processos de tratamento de câncer e hemodiálise” realizadas no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem como sócio-administrador Jorge de Noronha Branco Neto, marido de Priscila Krause, a governadora demonstrou certa confusão ao abordar o andamento do processo, ao passo que partiu para o ataque ao Ministério da Saúde.
Leia mais“Essa fraude, suposta fraude, de que você fala, ao Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, […] foi anulada, foi suspensa, por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde”, denunciou. Apesar de não citar responsáveis pelo que classificou como “direcionamento” por parte do governo federal, a governadora alegou, apesar de o caso tramitar sob segredo de justiça, ter conhecimento de que tal “direcionamento” teria sido reconhecido pelo Judiciário.
A auditoria citada pela governadora Raquel Lyra diz respeito não somente ao montante milionário destinado à unidade de saúde administrada pelo marido da vice-governadora, mas, também, a questionamentos sobre impessoalidade, conflito de interesses e critérios adotados pela atual gestão estadual na contratação de serviços de saúde.
O caso chegou às instâncias superiores a partir de relatos feitos pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) sobre procedimentos forjados, pagamentos indevidos e suspeita de favorecimento em contratos firmados pelo governo Raquel Lyra, o que motivou, recentemente, a ida do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O DenaSUS pede a devolução de quase R$ 1 milhão ao Fundo Nacional de Saúde por “recebimento indevido de recursos da Assistência Financeira Complementar da União destinada ao Piso Nacional da Enfermagem” e “faturamento de procedimentos assistenciais sem a devida comprovação de sua execução nos prontuários analisados”.
Em paralelo, passou a tramitar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause. Após parecer favorável pela admissibilidade do processo por parte da Procuradoria da Casa, a matéria agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que se, ao final, julgar comprovado o crime de responsabilidade, pode decidir pelo afastamento do cargo e eventual perda do mandato.
O MICO DA GLOBO – Em nota oficial lida em seus telejornais, a TV Globo cancelou, ontem, o debate presidencial e lamentou a situação. Explicou que as decisões judiciais alteraram regras previamente acordadas e assinadas por todos os partidos. De acordo com o canal, invalidar as regras sobre o púlpito vazio (TSE) e impor a inclusão de um candidato que não atingia os critérios de representatividade legal (STF), no caso Renan Santos, do Missão, desfigurou o formato do evento e inviabilizou a transmissão de forma justa e segura. No lugar do debate, a emissora manteve sua programação regular de entretenimento.

Quem tem poder é Janja – Houve divergência entre conselheiros do presidente Lula (PT) sobre a ida ou não dele ao debate da Globo. O presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, defenderam a participação do chefe, que daria a ele um palanque privilegiado, em horário nobre e com audiência gigantesca, para tentar reverter votos e conquistar os indecisos. Já a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, foi contra a ideia. Em meio à cizânia, Lula declinou do convite da emissora por entender que falaria pouco e apanharia muito.
Clima de virada para João – Uma coisa está clara: nesta semana, cinco pesquisas deram João na frente. A Quaest apontou empate e a Datafolha também mostrou um quadro de empate. O que as pessoas não sabem é o que está acontecendo nos bastidores. Fontes do blog apuraram que, tanto do lado de Raquel quanto do lado de João, já existe o sentimento de que João está hoje três ou quatro pontos à frente de Raquel Lyra. É isso que ajuda a explicar a reação mais agressiva de Raquel nas redes.
Mudança radical – A governadora, que até então vinha adotando um discurso de vítima e de mimimi, mudou o tom justamente na reta final. Por outro lado, cresce o clima de confiança e de vitória dentro da Frente Popular, que chega à reta final com um grande ativo: a consolidação de Marília Arraes e Humberto Costa como praticamente eleitos para o Senado. Isso fortalece a unidade do grupo, o voto conjunto e a mobilização da Frente Popular. E, na reta final, isso pode fazer toda a diferença no próximo domingo.

O desqualificado – O presidente Lula (PT) criticou o formato de debate das televisões para justificar a própria ausência no debate presidencial que seria realizado pela Globo. A afirmação foi feita em entrevista ao Flow Podcast, concedida pelo petista no mesmo horário em que ocorreria o evento na emissora. “Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo”, declarou o petista, que disse não gostar do tipo do debate promovido pela emissora. “Você não pode levar uma pessoa que tem 49% a debater com o que tem 1%”, destacou, citando o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e chamando-o de “desqualificado”. Flávio, que tinha presença confirmada até o começo da noite de ontem, cancelou sua participação após a ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha determinar que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula durante o programa. A decisão atendeu a um pedido da campanha do petista.
CURTAS
EMPATE – A corrida eleitoral de 2026 chega às vésperas do primeiro turno com Lula (PT) somando 45% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, ante 40% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Datafolha. Já no segundo turno, em votos totais, há empate técnico: 48% para o presidente e 45% para o senador fluminense.
MAIORIA PELO FIM – A nova pesquisa Datafolha apontou que 78% da população é favorável à proibição de bets e cassinos online.
O levantamento, realizado entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, capta a percepção dos brasileiros na esteira da medida provisória do presidente Lula (PT) que proibiu apostas online às vésperas da eleição. Segundo a pesquisa, 18% são contra o fim das bets e 4% não opinaram.
SENADO EM SP – O empate técnico quádruplo na disputa pelo Senado em São Paulo se mantém na reta final desta eleição, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento traz Marina Silva (Rede) numericamente à frente, com 16% das intenções de voto. André do Prado (PL) e Simone Tebet (PSB) têm 15% cada. Já Guilherme Derrite (PP) aparece com 14%. Com a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os quatro estão empatados tecnicamente.
Perguntar não ofende: Como virão hoje as novas pesquisas nacionais para o Governo de PE?
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