Briga com Michelle interrompe busca da direita por voto feminino

Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã

Para além dos ataques, o que mais irrita Michelle Bolsonaro e suas aliadas, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), é o risco de interrupção de um trabalho que vinha sendo feito desde 2018 para a consolidação do voto feminino de direita no país. Curiosamente, a primeira constatação de como era o perfil da mulher eleitora brasileira veio de um trabalho da esquerda: a formação do CadÚnico, o cadastro que organiza as famílias que têm direito ao Bolsa Família e aos demais benefícios sociais.

O cadastro mostrou que a maior parte das famílias de baixa renda hoje é comandada por mulheres. E a maioria dessas mulheres é conservadora, especialmente porque grande parte hoje está vinculada a alguma denominação evangélica e é a partir dela que se organiza na sua comunidade. Tratava-se de um público pronto para ser politicamente atraído pela direita.

Candidato à reeleição em 2022, a equipe de Jair Bolsonaro constatou que a sua maior dificuldade estava na conquista do voto feminino. Montou-se, então, o movimento Mulheres com Bolsonaro, que teve Michelle e Damares Alves como principais expoentes. O movimento percorreu o Brasil, não apenas angariando apoios femininos para Bolsonaro, mas identificando mulheres que poderiam se tornar líderes políticas nas suas regiões. Michelle ainda não presidia o PL Mulher.

Conforme disse ao Correio Político uma pessoa que acompanhou de perto esse movimento, buscou-se nas diversas regiões mulheres que já exerciam liderança nas suas comunidades, embora em muitos casos talvez nem soubessem disso. Nos casos mais óbvios, pastoras evangélicas, presidentes de associações. Mas também donas de casa respeitadas pela vizinhança. O grupo começou a estimular essas mulheres a entrar na vida política. Michelle consegiu aumentar em mais de 40% a presença feminina no PL.

“Nós sabemos que não vai ser um caminho fácil, que vai haver muitos desafios, mas nós te daremos a mão”. De acordo a fonte, era esse o discurso feito por Michelle, Damares e outras para atrair as lideranças femininas. O grande problema a partir do desfecho no qual Michelle saiu do comando do PL Mulher seria: isso não aconteceu. Ao final, as decisões que prevaleceram acabaram sendo tomadas por homens.

Quando Flávio Bolsonaro afirma que o fato de não conquistar a maioria dos votos femininos acontece por falta de competência, ele não deixa de ter razão. De acordo com o último Censo, o Brasil tem hoje mais de 25 milhões de mulheres evangélicas. Elas representam de 50 a 60% do total de pessoas que têm essa religião. Se ele lidera entre os evangélicos, há um problema.

Michelle ficou com a desconfiança de que Paulo Figueiredo era ali uma espécie de ventríloquo do seu enteado, embora Flávio tenha depois desautorizado o neto do último general da ditadura. Se Michelle está certa e o raciocínio misógino predomina, ignora o candidato do PL um cálculo político que é mais que óbvio.

Somando-se tudo, mulheres comandam a maioria das famílias de baixa renda. Na maioria, são evangélicas. Entre os evangélicos, elas são maioria. Paulo Figueiredo está, assim, recomendando que se ignore o trabalho de conquista de um eleitorado que vai decidir o pleito de outubro. Ou seja, seu raciocínio significa derrota.

A estupidez do raciocínio de Paulo Figueiredo, no caso, prosseguiria mesmo na sugestão de que mulheres casadas votariam melhor que as solteiras porque seguiriam a ordem política dada pelo marido. Voltando aos dados do Censo, 51% dos lares brasileiros hoje são comandados por mulheres. Não há maridos. Todas as decisões são delas.

Esse percentual, segundo ainda o Censo, é maior na população de baixa renda. Entre as famílias hoje comandadas por mulheres, 69,9% vivem com uma renda domiciliar até um salário mínimo. Ao contrário do achismo do voto errado nos Estados Unidos, esses números são estatística. Essas mulheres são as donas dos seus votos.

Assim, se a maior parte dessas mulheres hoje apoiam, segundo o que dizem as pesquisas, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isso talvez não seja porque são, na sua maioria, de esquerda. Mas porque o segmento de direita da política, com o qual boa parte delas talvez mais se identificasse, simplesmente dispensa o seu voto.

Veja outras postagens

José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa

Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.

Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.

Sebrae - Fazer dar certo

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acatou a AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) ajuizada pela coligação Brasil Pronto Para Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou suposto abuso de poder econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e de seu vice, Alfredo Gaspar (PL), ao realizarem campanha no Festival de Barretos (SP).

A coligação aponta que, entre os dias 20 e 30 de agosto, no Palco Estádio da 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, Flávio teria ocupado o palco de shows musicais custeado por pessoas jurídicas de direito privado diante de uma plateia estimada em 60 mil pessoas, discursando como candidato à Presidência. As informações são da CNN.

Jaboatão dos Guararapes - Saúde nas escolas 2026

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 72 horas para o ministro André Mendonça, também do STF, se manifestar sobre pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF).

A AGU pediu nesta terça-feira (8) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para contestar a decisão monocrática do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Caruaru - Transparência 2026

O senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, defendeu, durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o avanço do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina e apontou a entrada da Petrobras como sócia do empreendimento como alternativa para viabilizar a obra. Segundo ele, a estatal poderia utilizar a ferrovia para escoar a produção de óleo diesel, instalar uma central de distribuição em Salgueiro e, com a expansão da malha, alcançar outras regiões do país pela Ferrovia Norte-Sul.

Humberto afirmou ainda que estudos já realizados apontam viabilidade para o projeto e citou análise da Sudene que estima ganho social de R$ 4,7 bilhões. O senador também defendeu a criação de um comitê estadual permanente, com participação de empresários, representantes do Governo de Pernambuco, da bancada federal, pesquisadores e sociedade civil, para acompanhar o andamento da obra. “A Petrobras pode entrar como sócia temporária desse projeto. Mais à frente, quando houver interesse de outros grupos em assumir a concessão, ela pode vender sua participação ou seguir utilizando”, afirmou.

Durante a sabatina, Humberto também se posicionou a favor do fim da escala 6×1. Segundo ele, as empresas teriam condições de se adaptar à mudança e o modelo em discussão prevê um período de transição. “O importante é destravar a obra agora, porque a Transnordestina não é só importante para Pernambuco, é estratégica para todo o Nordeste”, declarou.

Ipojuca - Na palma da sua mão

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) cumpriu agenda nesta terça-feira (8), em Serra Talhada, no Sertão. Durante a passagem pelo município, prometeu implantar um Centro de Diagnóstico e Tratamento de Câncer e participou da procissão de encerramento da 236ª Festa de Nossa Senhora da Penha.

A promessa foi feita durante uma roda de conversa com quatro mulheres que realizam tratamento oncológico pela rede pública. Segundo João, o centro seria implantado a partir da ampliação dos serviços de oncologia do Hospital Governador Eduardo Campos (HEC), com diagnóstico, quimioterapia, radioterapia e exames especializados. As pacientes relataram que chegam a enfrentar cerca de sete horas de viagem de ônibus até o Recife para realizar o tratamento. “Nosso compromisso é implantar, a partir do próximo ano, o Centro de Diagnóstico e Tratamento de Câncer do Sertão, aqui em Serra Talhada”, afirmou.

Na sequência da agenda, João acompanhou a procissão de Nossa Senhora da Penha ao lado da prefeita Márcia Conrado (PT), do candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), do candidato a deputado estadual Breno Araújo e de lideranças locais. A celebração, realizada entre 29 de agosto e 8 de setembro, encerrou nesta terça-feira a programação dedicada à padroeira de Serra Talhada, que incluiu missas, novenas e procissões.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Por Míriam Leitão – O GLOBO

São homens, filiados majoritariamente a partidos do campo da direita, a maioria dos candidatos que fazem uso de termos religiosos no nome de urna. Estudo da série Perfil do Poder, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o Common Data, identificou 445 candidaturas com esse perfil. O levantamento aponta que 66,3% são homens e que 56,6% concorrem por partidos classificados como de direita.

O estudo mostra ainda uma concentração desse tipo de designação entre candidatos a deputado estadual, que representam 51,5% dos registros, e a deputado federal, com 40,7%. Juntas, as duas categorias correspondem a 92,2% das 445 candidaturas identificadas. Regionalmente, a maior parte dos registros está concentrada no Nordeste (33,9%) e no Sudeste (32,4%).

Palmares - Forró Mares 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento no Palácio do Planalto nesta terça-feira, dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas não fez qualquer menção ao episódio durante seu discurso.

Lula discursou em uma cerimônia sobre unidades de conservação, realizada em alusão ao Dia da Amazônia. Ao longo da fala, o presidente se concentrou em temas ambientais e nas ações de seu governo para a proteção da floresta. As informações são do jornal O GLOBO.

O silêncio se repetiu nas redes sociais. Lula fez publicações ao longo do dia, mas, até o fim da tarde, não havia se pronunciado diretamente sobre o afastamento de Andrei ou sobre a decisão de Mendonça.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Titular do Ministério da Defesa desde o primeiro dia do governo Lula (PT), o pernambucano José Múcio Monteiro comemora os avanços na área, embora reconheça que há muito o que fazer. Defensor desde o primeiro momento de que o país precisa ampliar seu investimento na área da segurança e soberania, ele ressalta que o tema tem sido abordado por todos os candidatos à Presidência da República nesta eleição.

“A questão da Defesa melhorou muito. Veja que todos os candidatos a presidente estão falando em defesa, o que não se falava. O presidente Lula (PT) disse que uma das pastas prioritárias no segundo mandato será a Defesa. A grande vitória nossa foi trazermos para a discussão. Temos excelentes soldados no Exército, na Marinha, nas Forças Armadas, mas precisamos de instrumentos. Não para enfrentar ninguém, mas para defender o nosso país”, disse José Múcio, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

Há três anos e nove meses comandando o Ministério da Defesa, o pernambucano José Múcio Monteiro conseguiu o que parecia impossível no início do Governo Lula (PT): pacificar a relação da classe política com as Forças Armadas, que foi ainda mais abalada logo na primeira semana de gestão, após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele afirmou que sua intenção era apenas passar uma chuva na Esplanada, mas já é o segundo mais longevo na missão, atrás apenas de Nelson Jobim, que ficou entre junho de 2007 e agosto de 2011, entre as presidências de Lula e Dilma Rousseff (PT).

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu, nesta terça-feira (8/9), em caráter de urgência, que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspenda a decisão de André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.

O documento, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção da AGU, sustenta a existência de grave lesão à ordem pública e administrativa. As informações são do Metrópoles.

Se Pernambuco vive hoje uma disputa polarizada, a situação não é uma novidade. Quarenta anos atrás, o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, viveu um momento parecido, enfrentando o ex-governador Miguel Arraes numa das eleições mais duras da história do estado. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o atual auxiliar de Lula relembrou com carinho aquele momento. “Eu existo por causa daquela derrota”, afirmou.

“Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, reconhece o pernambucano.

Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!