Pernambuco mortal, mortal…

Antonio Magalhães*

É difícil entender a inoperância dos burocratas oficiais, dos acadêmicos de televisão e dos pesquisadores dos mares para resolver ou pelo menos atenuar o problema causado pelos ataques dos tubarões no litoral de Pernambuco, especialmente na praia de Boa Viagem. O Estado é hoje o epicentro do conflito biológico mais letal do país. Não se tem notícia de tantos ataques de tubarões em toda costa brasileira. Desde 1992, o litoral pernambucano registrou 84 incidentes, dos quais 27 foram fatais. Somente na Praia de Boa Viagem contabilizam-se 25 ataques ao longo da série histórica.

A única iniciativa de controle destes predadores foi da Universidade Federal Rural de Pernambuco que criou o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). O barco do comitê capturava o peixe, inseria um chip com GPS e o soltava para observar sua rota pelo canal costeiro perto da orla. Um projeto hoje desativado. E só..

No momento, a busca de responsáveis pelo aumento dos ataques na orla da Região Metropolitana do Recife concentra-se nos construtores do Complexo Portuário de Suape, no litoral sul do Estado, que promoveram a alteração do ecossistema pelo aterramento de manguezais e a dragagem do estuário do rio Jaboatão, pondo fim ao berçário da espécie Cabeça-Chata. Tudo verdade.

A instalação portuária teve, de fato, um caráter predatório, alertado pelos chamados Ecochatos que não queriam a construção do porto. Mas ele foi feito e abriga hoje milhares de trabalhadores e é um ponta-de-lança do crescimento de Pernambuco. Mas poderia ter sido construído atentando para as consequências da obra. Os cuidados tomados, no entanto, foram insuficientes. E os pernambucanos perderam a praia e o mar, espaços de lazer e saúde.

E devem ser retirados na lista de vilões as espécies Cabeça-Chata e Tubarão Tigre, envolvidos na maioria dos ataques. Parcialmente, Suape é responsável. Mas, na verdade, o vilão mesmo desses acontecimentos é o “tempo”, a busca pelo desenvolvimento econômico, o crescimento populacional, o aumento da produção de lixo e outros dejetos, saldo de uma sociedade moderna.

Portanto, não vale a pena reclamar do que já passou. A conversa hoje deve ser outra: como amenizar os efeitos nefastos desses incidentes. Uma das ações imediatas deve ser a despoluição do rio Jaboatão – atualmente um lixão flutuante -, o que restauraria o estuário e seus manguezais. É possível? Não se sabe, pois se existem planos de limpeza dessas águas jamais saíram do papel.

Outra opção seria instalar em pontos de Boa Viagem redes de proteção contra tubarões, como já existem nas áreas de risco na China e na Austrália. Uma sugestão defendida até pelo Ministério Público Estadual. A iniciativa, no entanto, foi rechaçada pelos Ecochatos sob a alegação de que essas redes poderiam capturar, como efeito colateral, tartarugas marinhas ou outras espécies não letais. Um argumento irritante de quem despreza a vida humana. Na hipótese de enroscamento nas redes desses animais, caberia ao poder público a liberação deles e a fiscalização da segurança da proteção e sua manutenção. Será que uma vida humana vale menos do que uma tartaruga?

Já a solução proposta ontem, neste blog, pelo deputado Luciano Bivar (MDB-PE) de exterminar parte dos tubarões em Pernambuco, após os incidentes desta semana, foi rechaçada pelos mesmos ambientalistas que só reclamam e não fazem nada. Eles consideram um absurdo a proposta do parlamentar. E é mesmo. Esses especialistas dizem que o extermínio da população de tubarões seria, além de ineficiente, uma medida “ecologicamente deturpada”, que causaria mais desequilíbrio ambiental.

Bivar sonha com uma situação do passado que não existe mais, nem existirá no futuro. Ele disse: “não sou biólogo nem ambientalista, mas que cresci na Praia de Piedade, e que sempre houve botos, cardumes infindáveis de sardinhas e peixes mil. Agora, nada disso”.

Se não for levada a sério esta questão por autoridades e ambientalistas, a beleza da orla oceânica de Pernambuco vai ser só para os olhos, como no poema de Carlos Pena Filho sobre Olinda. As águas do mar, em breve, serão apenas uma lembrança, numa paródia trágica da poesia, ou um quadro na parede, uma foto, um post no Youtube.

Por conta de três décadas de descaso, a praia de Boa Viagem e a orla dos arredores metropolitanos são hoje só areia para quem a frequenta. O banho de mar se tornou uma atividade de risco, que pode mutilar ou matar. Um mergulho para se refrescar pode ser fatal no encontro com o maior predador do oceano. Esse peixe cartilaginoso, que habita o planeta há cerca de 400 a 425 milhões de anos, muito antes dos dinossauros, e que sobreviveu até agora por sua adaptabilidade aos contextos mais hostis.

O tubarão agora faz parte do dia-a-dia do pernambucano. É assunto doméstico, está nas placas de aviso na praia, nos folhetos turísticos e o viajante tem de tirar uma foto diante de um aviso de perigo no mar para comprovar sua passagem por Boa Viagem.

Por enquanto é assim. Quem tem condições de garantir a segurança dos banhistas, não o faz. Presume-se que a contagem de ataques não será afetada. Só crescerá, embora os humanos não sejam o alimento preferencial dos tubarões. Mas a mordida em pessoas é exploratória, às vezes fatal pela dimensão afetada e alta possibilidade de infecções. São eles, no topo da cadeia alimentar, que controlam as populações marinhas de outras espécies, evitam a propagação de doenças ao se alimentarem de animais doentes ou mortos, e ajudam a manter a saúde dos recifes de corais. E nós entramos sem pedir licença no habitat do predador. Um descuido e tudo pode acontecer. É isso.

*Jornalista

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O debate presidencial transmitido pela TV Bandeirantes no último domingo (18) rendeu muita polêmica e críticas. O sociólogo e cientista político Antônio Lavareda fez coro às críticas, afirmando que é preciso “repensar” o modelo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o estudioso comparou o encontro entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a uma luta de artes marciais e apontou a influência do coach Pablo Marçal, apoiador do liberal, na condução do candidato durante o embate.

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O crescimento da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição na última semana foi evidenciado nas pesquisas, com o petista chegando ao empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em parte dos institutos. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, no entanto, ainda é cedo para cravar uma virada, como vêm afirmando aliados do petista. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o analista diz que é preciso aguardar as próximas pesquisas, entre elas a Quaest, nesta quarta-feira (21), e o Datafolha, na quinta-feira (22), para verificar se houve consolidação do movimento.

“É incontestável que a mudança de cenário da primeira para a segunda semana do segundo turno ocorreu por conta de uma onda produzida a partir de dois vetores, que foram as ruas e as redes sociais. Houve uma intensa movimentação, de certa forma inédita, já que há mais de dez anos não se via a esquerda e os progressistas terem tantas pessoas mobilizadas nas ruas. Mas nós veremos se essa onda, com as pesquisas a partir de amanhã, continua. Se continuar, torna-se absolutamente plausível a hipótese de ultrapassagem de Lula sobre Flávio na reta final. Se a onda continuar e o movimento assinalado pelas pesquisas da semana passada ganhar impulso e se for evidenciado na Quaest e Datafolha, mostrando uma hipotética maior capitalização das circunstâncias do debate por Lula, será plausível esse quadro”, pontuou Lavareda.

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O acirramento da disputa presidencial, segundo as pesquisas de intenção de voto, tende a prevalecer até sábado (24), véspera da eleição. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, Flávio Bolsonaro (PL) segue favorito, mas em condição vulnerável. Esse quadro, porém, pode voltar a se tornar mais confortável para o candidato, a depender da evolução dos próximos levantamentos, avaliou em entrevista ao podcast Direto de Brasília.

Segundo as projeções de Lavareda, mesmo que Flávio chegue à véspera da eleição numericamente empatado com o presidente Lula (PT), ainda terá mais chances de vencer o segundo turno por causa da abstenção. “Chamo a atenção para o fato de que, se o presidente chegar empatado numericamente no sábado à noite, minha leitura é de que as chances serão de 55% para Flávio contra 45% para Lula. A justificativa é a abstenção, que afetou no primeiro turno e provavelmente afetará no segundo. Embora a abstenção costume afetar a todos, o problema é o diferencial dela, que é adverso para Lula. E se Flávio chegar com uma diferença de 1,5 ou dois pontos, a chance se abre para 70% para ele, contra 30% para Lula, nas minhas projeções”, detalhou o cientista político.

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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar que o também candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) autorize a quebra do sigilo bancário. A cobrança foi feita durante carreata do petista que partiu de Juazeiro, na Bahia, até Petrolina, em Pernambuco, nesta terça-feira (20).

Mais cedo, Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para que os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de sua família sejam liberados desde que Flávio faça o mesmo. As informações são da Folha de Pernambuco.

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O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a eleição representa uma escolha sobre os rumos do Brasil e defendeu a soberania nacional durante discurso em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Na ocasião, o candidato questionou se o país deve manter uma postura de defesa dos interesses nacionais ou se aproximar dos Estados Unidos.

Lula também destacou os investimentos em educação e a proposta de criação de uma modalidade universitária do programa Pé-de-Meia. As informações são do JC.

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A senadora eleita Marília Arraes (PDT) participou, nesta terça-feira (20), de uma caminhada ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. O ato reuniu apoiadores e lideranças políticas e marcou a última agenda de campanha de Lula nos dois estados antes do segundo turno.

Também participaram da mobilização o presidente nacional do PSB, João Campos, o governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o presidente estadual do PT em Pernambuco, Carlos Veras, o senador Humberto Costa (PT) e a senadora Teresa Leitão (PT). No primeiro turno, Lula obteve 60,2% dos votos válidos em Petrolina e 63,30% em Juazeiro.

Antes da caminhada, Marília afirmou, em entrevista à imprensa local, que pretende atuar em demandas de Petrolina, como acesso à água e obras de infraestrutura, incluindo o novo hospital regional. Já Lula falou sobre o Bolsa Família, combate à pobreza e voltou a afirmar que autorizou a abertura de seus sigilos bancário e telefônico ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente Lula (PT) participou, nesta terça-feira (20), de um ato que une Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), no Vale do São Francisco, a cinco dias do segundo turno.

Ao lado de aliados políticos, como a eleita senadora Marília Arraes (PDT), o governador do Piauí Rafael Fonteles (PT) e o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT). As informações são do Diario de Pernambuco.

Se o leitor não conseguiu assistir à exibição ao vivo do podcast Direto de Brasília com o cientista político Antonio Lavareda, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o vice-presidente Geraldo Alckmin para explorar uma das principais propostas econômicas de Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno, o corte de quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal. Em vídeo divulgado nesta terça-feira nas redes sociais do petista, Alckmin questiona quais despesas seriam atingidas pela medida e recorre ao exemplo da Argentina, governada por Javier Milei, para comparar as propostas econômicas do adversário com as políticas de ajuste fiscal adotadas no país vizinho.

A equipe do candidato do PL estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de um eventual governo, cerca de R$ 200 bilhões. Coordenadora da agenda econômica, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques defende rever o arcabouço fiscal, a âncora criada pelo governo Lula, e trocá-lo por uma regra que leve em conta a trajetória da dívida pública. A campanha também fala em reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios, e em envolver os outros Poderes no esforço fiscal. Não h[a detalhes ainda, porém, de onde sairia a economia para sustentar o ajuste já no início da gestão. As informações são do jornal O GLOBO.

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