O debate presidencial transmitido pela TV Bandeirantes no último domingo (18) rendeu muita polêmica e críticas. O sociólogo e cientista político Antônio Lavareda fez coro às críticas, afirmando que é preciso “repensar” o modelo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o estudioso comparou o encontro entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a uma luta de artes marciais e apontou a influência do coach Pablo Marçal, apoiador do liberal, na condução do candidato durante o embate.
“É preciso repensar os debates. Aquilo está mais para MMA do que para debate de campanha presidencial. Acho que tem um consenso de que foi o pior debate presidencial dessas dez eleições, desde 1989 até agora. Quando acabou, comentei que quem teria adorado seria o (marqueteiro) Duda Mendonça, porque ele adorava briga de galo, era criador (risos). Aquilo não ajuda, e é preciso lembrar que os debates avançaram muito na degradação a partir das eleições municipais de 2024, da famosa eleição em São Paulo. E quem teve papel de protagonista naquela degradação? Pablo Marçal, que estava orientando, era uma espécie de coach do Flávio no domingo. Ou seja, Pablo teve papel especialíssimo na degradação da qualidade do debate”, disparou Lavareda.
Leia mais“Não digo que Flávio foi o único responsável, mas é muita coincidência o Pablo Marçal estar dirigindo um dos candidatos. Enfim, o debate precisa mudar, os jornalistas precisam ter papel maior, pois são as perguntas deles as mais orientadas para políticas públicas, que respondem aos anseios dos eleitores com relação a tópicos essenciais aos cidadãos, como saúde, educação, emprego, crédito e outras. Acho que foi lastimável assistirmos a esse último debate, o formato precisa ser repensado. Também precisamos pensar os debates do primeiro turno, a multidão de candidatos em uma sala, às vezes seis ou sete. Isso não ajuda a democracia”, ressaltou.
Apesar das críticas ao formato dos debates, Lavareda defendeu a importância da TV aberta para o processo eleitoral. “A propaganda na TV tem um alcance fenomenal. A TV aberta brasileira ainda é muito poderosa. Quando falamos da importância das redes sociais, é importante não esquecer que a TV tem a capacidade de mandar uma mensagem alcançando mais de 100 milhões de pessoas diariamente. Porque se dá em todas as emissoras e consegue furar as bolhas, diferentemente das redes sociais. Isso é estratégico na campanha eleitoral. Esse ano ocorrerão as eleições intermediárias nos Estados Unidos, e lá estão quase 12 bilhões de dólares, e metade disso é com televisão. Então, a TV continua a ser um instrumento poderoso lá, que é o nascedouro das redes sociais. Aqui no Brasil não poderia ser diferente, com certeza tem um papel importante”, concluiu Lavareda.
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