O acirramento da disputa presidencial, segundo as pesquisas de intenção de voto, tende a prevalecer até sábado (24), véspera da eleição. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, Flávio Bolsonaro (PL) segue favorito, mas em condição vulnerável. Esse quadro, porém, pode voltar a se tornar mais confortável para o candidato, a depender da evolução dos próximos levantamentos, avaliou em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Segundo as projeções de Lavareda, mesmo que Flávio chegue à véspera da eleição numericamente empatado com o presidente Lula (PT), ainda terá mais chances de vencer o segundo turno por causa da abstenção. “Chamo a atenção para o fato de que, se o presidente chegar empatado numericamente no sábado à noite, minha leitura é de que as chances serão de 55% para Flávio contra 45% para Lula. A justificativa é a abstenção, que afetou no primeiro turno e provavelmente afetará no segundo. Embora a abstenção costume afetar a todos, o problema é o diferencial dela, que é adverso para Lula. E se Flávio chegar com uma diferença de 1,5 ou dois pontos, a chance se abre para 70% para ele, contra 30% para Lula, nas minhas projeções”, detalhou o cientista político.
Leia maisLavareda também analisou a evolução da campanha e classificou como “até surpreendente” a reação do petista. “Na primeira semana, Flávio abriu seis pontos na pesquisa, então ele era o favorito absoluto, indiscutível. Esperava-se que o segundo turno fosse só uma caminhada sem maiores problemas em direção à vitória dele. Mas, no final da primeira semana, o que assistimos foi à reação da campanha de Lula em duas dimensões, nas ruas e nas redes sociais.”
Segundo ele, o desempenho do PT nas redes e a retomada das mobilizações de rua alteraram o cenário. “Movimentos até surpreendentes, porque o PT e Lula nunca haviam tido nas redes o desempenho que conseguiram ter sob o comando do deputado André Janones (PT-MG). E há muito tempo os chamados progressistas não colocavam tanta gente nas ruas, que estavam praticamente monopolizadas pelos bolsonaristas”.
“Na segunda semana, a eleição continuou tendo Flávio como favorito, mas ele perdeu a condição de absoluto e passou a vulnerável, já que a maior parte das pesquisas estabelecia um empate técnico. Precisamos ver a Quaest nesta quarta-feira (21), que será a primeira pesquisa realizada totalmente após o debate do domingo, e que será sequenciada pela Datafolha na quinta-feira (21). A sinalização nos dirá se Flávio continua favorito vulnerável ou se voltou a absoluto. Precisamos aguardar as próximas pesquisas para ver se esse quadro de empate técnico se altera”, explicou.
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