A segurança pública do Rio de Janeiro é alvo de críticas antigas. Para o ex-governador e ex-ministro Moreira Franco (MDB), no entanto, a situação de seu estado não é muito diferente da das demais unidades da Federação. Segundo ele, é tudo um reflexo da situação política nacional, já que “o exemplo vem de cima”.
“Lamentavelmente, no Brasil, essa é a história. Não é só no Rio de Janeiro. Em qualquer estado do Brasil hoje, o quadro é mais ou menos o mesmo do Rio. Os problemas que surgem no governo federal, no Congresso Nacional, são casos que assustam porque fogem da regra normal. Não há normalidade institucional democrática nesse processo. Esse é o grande problema que vivemos. O Rio de Janeiro começou com o Comando Vermelho, depois outros grupos foram se formando, e hoje eles estão instalados no Brasil inteiro e se comunicam. É um problema que temos que enfrentar”, afirmou, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Leia maisMoreira Franco lembrou do período em que governou o Rio de Janeiro, entre 1987 e 1991, período em que o chamado Comando Vermelho ainda estava se organizando. “O Comando Vermelho surge quando o então presidente Ernesto Geisel resolve, no processo de reabertura política, colocar em um presídio os presos políticos misturados com os demais presos, que foram cooptados pelo crime e, em decorrência disso, acabaram lá. E os militantes mais radicais que estavam lá por questão política começaram a fazer a cabeça dos presos. Daí surgiu o Comando Vermelho, que tem esse nome por causa do vermelho do comunismo, cor associada ao Partido Comunista. O processo vem desde essa época e foi crescendo”, relembrou Moreira Franco.
“Hoje, no Brasil inteiro, existem esses grupos organizados, bem instalados, encravados na atividade criminosa nos estados. Quando há um processo muito violento no Rio de Janeiro, eles vão para outros estados, e vice-versa. Esse é um grande problema que vivemos e tem que ser enfrentado, e não é fácil enfrentar. Não temos essa tradição. Existe um aparato militar e policial que não foi treinado nesse ambiente, mas é inevitável que esse problema seja enfrentado com a seriedade e determinação que exige”, concluiu o ex-governador.
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