Não há brecha legal para candidato avulso na federação
Postei, na semana passada, quando estava em Brasília, a movimentação do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, junto à executiva nacional do União Brasil, o seu partido, para registrar sua candidatura avulsa ao Senado, ou seja, sem a anuência da Federação Progressista, formada pelo UB e o PP. Blogs de Petrolina postaram, ontem, que Miguel estaria fomentando uma divisão no palanque de Raquel com sua insistência por uma candidatura avulsa.
Consultei os estatutos da federação e não há acolhimento legal para candidaturas avulsas, porque, na prática, uma federação é como uma fusão partidária: dois partidos se unem e assumem compromissos em comum acordo, presos à rígida legislação eleitoral. Sendo assim, nem com aval da cúpula do UB sua candidatura avulsa seria legal.
Leia maisPor outro lado, no conjunto da federação, Miguel está isolado. Na bancada estadual, só conta com um parlamentar, o irmão Antônio Coelho. E, na federal, a mesma coisa: um único deputado, o irmão Fernando Filho. Já Eduardo da Fonte, presidente estadual da Federação Progressista, tem o apoio e o respaldo de dez deputados estaduais e dois federais, três com ele próprio.
Ao final desta ópera-bufa, Miguel pode ser acusado de divisionista, mas a governadora tem culpa no cartório. Deixou o tempo se encarregar disso quando ficou alimentando quatro candidaturas ao Senado. Miguel, certamente, perdeu a paciência.
Mas, se por acaso conseguisse uma candidatura avulsa, o que, legalmente, não tem brechas, Raquel ficaria sem o apoio formal da Federação Progressista. Estão em jogo duas candidaturas ao Senado, e não três.
BOM CABRITO NÃO BERRA – Enquanto Miguel faz ameaças com candidatura avulsa, o presidente estadual da Federação Progressista, Eduardo da Fonte, provável candidato ao Senado na chapa de Raquel em dobradinha com Túlio Gadelha (PSD), age como político mineiro, no silêncio. Da parte dele, não se ouve qualquer sinal de rebelião ou de enfrentamento à governadora Raquel Lyra (PSD). Parece discípulo fiel do preceito básico de Marco Maciel, que dizia que quem tem prazo não tem pressa.

Na Região Metropolitana – Um dos prefeitos com melhor avaliação no Estado, Vinicius Labanca (PSB), de São Lourenço da Mata, terá papel importante e estratégico na coordenação da campanha de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, colégio eleitoral que representa quase metade dos que têm poder de voto em Pernambuco – 47%. Labanca não será o coordenador geral. João resolveu criar núcleos em todas as regiões sem concentrar o poder nas mãos de uma só pessoa.
PAJEÚ E SÃO FRANCISCO – Já no Sertão do Pajeú, o núcleo gestor da campanha contará com a experiência de dois ex-prefeitos extremamente bem avaliados: Anchieta Patriota, de Carnaíba, e Adelmo Moura, de Itapetim. No São Francisco, o ex-deputado Gonzaga Patriota tem presença certa no grupo de coordenadores. Além de conhecer bem a região, goza de respeito, tem serviço prestado e votos.
Até o momento, só oba-oba – O contrato para a retomada das obras em 73 km da Ferrovia Transnordestina, no trecho entre Custódia e Arcoverde, segue sem confirmação. Na semana passada, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deu como certa a assinatura do contrato. “Estamos aguardando a confirmação do governo federal para a assinatura do contrato de retomada das obras, mas sem previsão até o momento”, comentou Priscila em entrevista ao DP. No último dia 13, o Tribunal de Contas da União determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. suspendessem novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção da Transnordestina, no trecho entre Salgueiro e Suape.

Cadê as câmeras – Apesar de ter colocado em caixa R$ 24 milhões da União, o Governo Raquel ainda não abriu licitação para aquisição de novas câmeras corporais para a polícia. Ouvida pelo JC, a Secretaria de Defesa alega que a aquisição dos equipamentos está em fase final de estudos. Mesmo com a alta no registro de mortes — e de abordagens supostamente ilegais denunciadas à Corregedoria da SDS —, a atual gestão não investiu recursos na transparência da atividade policial, cabendo ao governo federal a disponibilização de recursos.
CURTAS
PARAGUAIO – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ironizou o ex-ministro Fernando Haddad, adversário na disputa pelo Governo paulista. “Foi o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai”, provocou. Segundo o governador, a carga tributária brasileira espanta empresas que decidem transferir os negócios para o país vizinho.
NO PREJU – Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026, de acordo com as demonstrações financeiras oficiais da estatal divulgadas ontem. O resultado negativo consolidado confirma a trajetória de deterioração que já havia sido sinalizada em balancetes contábeis prévios em abril.
PODCAST – Meu convidado para o podcast Direto de Brasília de hoje é o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco (MDB). Em pauta, o quadro nacional e o seu livro “A política como destino”, que traz bastidores das principais decisões políticas que marcaram o Brasil nas últimas sete décadas. Imperdível!
Perguntar não ofende: Alguém dá crédito a candidatos avulsos?
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