O ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro Moreira Franco (MDB) lançou recentemente o livro “Política como Destino”, onde faz uma reflexão sobre décadas de vivência política no Brasil até os tempos atuais. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado por este blogueiro, ele analisou um dos momentos mais tensos da história recente do país, desmentindo a tese de que o 8 de janeiro de 2023 tenha sido uma tentativa de golpe.
“Não sou adepto dessa tese. Primeiro porque golpe se faz com Forças Armadas, e não tinha ali. Não conheço nenhum golpe militar sem que haja um exército. Nesse caso não houve, houve um movimento que se deu de maneira difusa, nas portas dos quartéis. Houve uma invasão do Congresso Nacional, que foi muito mais baderna e depredação do que propriamente a busca da violência para criar um constrangimento de natureza política com consequências de um golpe militar. Não havia militar, e não existe golpe sem ter Forças Armadas, seja de direita, de esquerda. É indispensável que tenha, a história mostra que isso se dá quando existem homens e mulheres organizados de maneira tradicional, usando arma como instrumento de luta. Isso não houve. Houve baderna”, apontou Moreira Franco.
Leia maisPara ele, o mundo está passando por um processo de ruptura tecnológica e institucional, em que diversos movimentos contestam a realidade institucional. “É um momento de mudança, sobretudo tecnológica. Estamos começando a ver questionamentos de ordem institucional, tecnológica e política. Certamente irá surgir uma nova ordem. Temos que estar preparados para ela”, advertiu.
Moreira Franco ironizou ainda a chamada minuta do golpe, encontrada na casa de ex-auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Nunca vi minuta de golpe. Não me passa pela cabeça que se faça uma minuta de um golpe. Não consigo ver isso. Se faz minuta de golpe em quartel. Não é possível que essas pessoas sejam tão despreparadas a esse ponto. E no Brasil, onde temos uma experiência vivida a custo muito alto e profundo para a população e para o país, fazer uma coisa tão desorganizada, tão sem consistência, sem referências mais sólidas. Não acredito. Acho que, se tentaram fazer golpe, são incompetentes, não conseguiram realizar o que queriam”, concluiu o ex-governador.
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