Ex-ministro nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), Moreira Franco (MDB-RJ) nega que seu correligionário tenha tido participação ativa no processo de impeachment da petista. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o ex-governador do Rio de Janeiro avalia que a postura de Temer foi de colaborar, citando ainda o documento Ponte para o Futuro. No entanto, a postura intransigente de Dilma teria feito ruir as negociações, culminando no processo de afastamento da ex-presidente.
“Quem conhece o ex-presidente Temer sabe que em nenhum momento houve essa intenção (de impeachment), ao contrário. Em determinado ponto, eu mesmo me juntei com alguns companheiros e coordenamos um programa para tirar o país de uma crise econômica que já se vivia naquela época e restabelecer parâmetros que permitissem uma recomposição. Esse programa foi debatido, eu coordenei a conversa com as melhores cabeças que se tinha na época, e elas davam sugestões, escreviam textos que eram debatidos entre nós. Com todo esse esforço, fizemos uma proposta chamada Ponte para o Futuro. Esse programa foi entregue ao presidente Temer, que na época era vice-presidente, e ele levou esse projeto à presidente Dilma. Mas ela não quis aceitar”, detalhou Moreira Franco.
Leia mais“Dilma achou que aquilo era uma tentativa talvez de desprestigiá-la. Ela tratou o programa e o próprio presidente Michel Temer de maneira pouco protocolar, digamos assim. Como se pode falar em tentativa de golpe, em ruptura ou em mau trato do vice-presidente, quando se tem um processo institucional, com ritos definidos na Constituição, presidido até o momento final pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que depois foi ministro da Justiça do presidente Lula (PT)? Não acho que procede uma avaliação que veja nesse processo qualquer desvio da responsabilidade institucional e moral do vice-presidente com a presidente. Não houve golpe”, detalhou o ex-governador do Rio de Janeiro.
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