Não convivi com o cineasta Jomard Muniz de Brito, que Deus levou ontem, aos 89 anos, no Recife. Mas vivi de perto um lamentável episódio no qual fui acusado injustamente de usar o seu nome indevidamente num suposto artigo de sua autoria no Jornal do Comércio, no qual, na condição de militante de esquerda, fazia elogios ao Governo Joaquim Francisco, considerado de direita, do qual fui secretário de Imprensa num curto período, apenas no primeiro ano da sua gestão, em 1991.
O caso poderia ser hilário, não fosse tão grotesco. Joaquim me chamou ao seu gabinete, me entregou um texto, datilografado em três páginas, com o nome de Jomard na condição de autor, perguntou minha opinião e se eu poderia encaminhar aos jornais para publicação.
Li e comentei: “Governador, esse artigo vai ter boa repercussão. Afinal, Jomard é um intelectual de esquerda respeitadíssimo e está reconhecendo avanços num governo de direita”. Liguei para Ivanildo Sampaio, então editor do JC, que aceitou prontamente publicar o artigo na edição do domingo, a mais lida do jornal.
Na segunda-feira, ao chegar ao meu gabinete, no Palácio do Campo das Princesas, encontrei minha secretária Rosa atordoada com tantas ligações de Jomard querendo falar comigo insistentemente. Naquela época não havia celular e as demandas da minha pasta chegavam por Rosa, uma gentil e competente profissional, que auxiliou também outros secretários, como Ângelo Castelo Branco, José Almir Borges e Divane Carvalho, que me sucedeu.
Imediatamente, liguei para Jomard, que, em estado de choque e revolta, me comunicou que o artigo não era de sua autoria. Subi ao gabinete do governador e assim falei: “Joaquim, estou com uma bronca. Aquele texto que o senhor me pediu para enviar aos jornais o suposto autor, Jomard Muniz de Brito, me comunicou que nunca escreveu tal texto”.
Espantado, o governador olhou para mim e disse apenas o seguinte: “Procure Luiz Otávio e resolva isso com ele”. Nunca fui com a cara de Luiz Otávio Cavalcante, então secretário de Planejamento, mas cumpri a determinação. Ele, na verdade, havia feito o texto e não sei por qual motivo usou o nome de Jomard.
Joaquim e ele convenceram um personagem do teatro que já se foi, muito amigo do governador, a aceitar a autoria do texto. Na condição de porta-voz do Governo, comuniquei aos jornalistas o equívoco dos nomes, mas, claro, ninguém engoliu a versão. Pouco tempo depois, desgastado com o episódio, deixei o Governo.
Como aprendi que o tempo é o senhor da razão, já quando estava de volta ao Diário de Pernambuco, passei a limpo esse episódio. E está registrado também no meu livro História de Repórter: o autor da trapalhada tem nome e sobrenome: Luiz Otávio Cavalcante.
Dani sai na frente e anuncia disputa pela Prefeitura do Recife
Fenômeno eleitoral este ano em Pernambuco, a deputada estadual reeleita Dani Portela (PT), que bateu a casa dos 146 mil votos, dos quais mais de 50 mil no Recife, já está de olho na Prefeitura da capital em 2028. Em entrevista ao Frente a Frente de ontem, afirmou, pela primeira vez, que está disposta e animada para entrar no páreo.
“O meu nome está à disposição do PT para cumprir qualquer tarefa que o partido decidir. Tenho muito desejo de ter a caneta do Executivo nas mãos, nas nossas mãos coletivas”, afirmou, acrescentando: “Se o PT quiser, já tem uma pré-candidata à Prefeitura do Recife”. Depois de ser eleita pelo Psol para o seu primeiro mandato, Dani se transferiu para o PT e foi a grande puxadora de votos na federação com o PV e PCdoB para o segundo mandato.
Na estreia como parlamentar, presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Alepe e foi líder do bloco de oposição à governadora Raquel Lyra (PSD). Advogada popular feminista e historiadora, Portela já foi candidata a governadora pelo Psol, em 2018, quando obteve 188 mil votos. Em seguida foi a vereadora mais votada do Recife em 2020, com 14 mil votos.
Dois anos depois, foi eleita para o seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco com 38,2 mil votos. Em quatro anos, a parlamentar praticamente quadruplicou sua votação, aparecendo agora como uma das principais lideranças do PT e da esquerda no Estado.
Se a sua candidatura vier a se confirmar, o PT romperá, mais uma vez, a aliança histórica com o PSB, de João Campos, que tem compromisso com a reeleição do prefeito Victor Marques, do PCdoB, que o sucedeu quando renunciou para disputar o Governo do Estado nas eleições deste ano.
ENFRENTAMENTO AO CRIME – Reeleito governador do Ceará no primeiro turno em disputa em que teve Ciro Gomes (PSDB) como seu principal oponente, Elmano de Freitas (PT) defendeu, ontem, um endurecimento das políticas adotadas pela esquerda para combater facções criminosas. O petista lamentou a posição do rival de contestar o resultado da eleição por causa de uma decisão da Justiça que reviu direitos de resposta que haviam sido concedidos durante a campanha. Elmano ainda classificou como “tolice” a defesa que a ex-senadora Kátia Abreu fez de uma menor presença da primeira-dama Janja da Silva e maior do vice Geraldo Alckmin na campanha de Lula. “O maior fracasso de segurança pública do país é da direita, no Rio de Janeiro. Chefes de facção do Ceará estão quase todos escondidos no Rio de Janeiro, onde as forças de segurança não são capazes de prendê-los”, afirmou.
A primeira visita ao pai – O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, informou, ontem, que visitará o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje pela manhã. A confirmação se deu após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a retomada das visitas regulares ao ex-presidente. “Fiquei muito feliz que bem no dia de Nossa Senhora Aparecida é bem o dia em que estou autorizado a voltar a visitar o meu pai. Hoje é só para agradecer todo mundo que está orando pelo nosso Brasil. Estou aqui fazendo minha parte” — afirmou, após participar de uma missa na Catedral de Brasília.
Nikolas em caminhada no Recife – O deputado federal reeleito em Minas Gerais Nikolas Ferreira (PL) fará uma caminhada em Boa Viagem no próximo dia 22, três dias antes da eleição de segundo turno, em apoio à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Mendonça Filho, coordenador da campanha de Flávio no estado, o ato terá concentração na Pracinha de Boa Viagem e seguirá até o Parque Dona de Lindu. Mendonça já tinha confirmado um ato de Nikolas no estado, na última sexta-feira, mas ainda não tinha definido local e horário.
Exército nas ruas – Do coordenador da campanha de Lula em Pernambuco, Carlos Veras, deputado federal reeleito pelo PT, após a grande manifestação de rua no Recife, domingo passado: “A grande virada começou com a nossa juventude, com o movimento estudantil. Estamos vendo em todas as cidades. As ruas e avenidas lotadas. Não adianta cancelar o exército de Janones. O exército está na rua. Nós vamos multiplicar nas redes sociais. Não adianta querer retirar os posts do presidente Lula falando a verdade sobre os atos e crimes do Flávio Bolsonaro. O povo está nas ruas para não deixar eles voltarem a destruir tudo o que destruíram”.
Bolsonaristas liberados para PEC da jornada de trabalho – O PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro à Presidência, deve liberar a bancada na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, segundo o senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco de oposição da Casa. O parlamentar afirmou que, embora a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro prefira abstenção, a maioria dos parlamentares avalia que é preciso se posicionar em relação à proposta. Além do PL, as legendas de oposição ao governo no Senado devem liberar as suas bancadas, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A senadora foi escolhida para mediar as conversas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e os partidos em relação à tramitação da PEC.
CURTAS
SUSPEIÇÃO – O PT estuda entrar com um pedido de suspeição contra o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acusando-o de engajamento pró-Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral. Líderanças e autoridades que fazem parte da equipe de Lula afirmam que a censura ao perfil “Exército do Lula”, lançado pelo deputado federal André Janones no WhatsApp, foi a gota d’água e a evidência que faltava para demonstrar que o ministro não está tendo uma conduta imparcial, como exige a lei.
SEM SOM 1 – A propaganda eleitoral gratuita de Flávio Bolsonaro (PL) foi transmitida sem som, ontem, em parte das emissoras de TV. Ainda sem nenhuma confirmação sobre a origem do ocorrido, o candidato gravou um vídeo supondo que alguém tentou calá-lo e criticando o caso. O TSE, posteriormente, alegou “problemas técnicos” no “Pool das Mídias” e que iria retransmitir o programa.
SEM SOM 2 – “O meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo. O meu programa foi transmitido sem som. O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu, transmitido sem som. Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência”, afirmou.
Perguntar não ofende: Como virão as novas pesquisas de segundo turno esta semana?
O ministro André Mendonça, do STF, suspendeu liminarmente a norma da Constituição de Pernambuco que permitia o pagamento em dinheiro de férias e licenças-prêmio não usufruídas por servidores públicos estaduais, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7937. A governadora Raquel Lyra (PSD) questionou a validade da emenda constitucional 68, promulgada em dezembro de 2025, argumentando que a medida desrespeitou regras sobre a iniciativa legislativa.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu liminarmente a norma da Constituição de Pernambuco que autorizava o pagamento em dinheiro de férias e licenças-prêmio não usufruídas por servidores públicos estaduais.
Na mesma decisão, tomada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7937, o magistrado manteve a regra que estabelece o subsídio dos desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) como teto remuneratório estadual.
As mudanças foram introduzidas pela Emenda Constitucional estadual 68, promulgada em dezembro de 2025 por iniciativa do Legislativo. A governadora Raquel Lyra questionou a validade da alteração no STF, sob o argumento de que a medida desrespeitou as regras constitucionais sobre a iniciativa de propostas relacionadas ao regime jurídico dos servidores.
Na ação, Raquel Lyra afirmou que a autorização para converter férias e licenças-prêmio em dinheiro poderia gerar um impacto de R$ 7,9 milhões mensais nas contas públicas, o equivalente a cerca de R$ 105,2 milhões por ano.
Ao conceder a liminar, Mendonça ressaltou que cabe ao Poder Executivo iniciar propostas legislativas que tratem do regime jurídico e da remuneração dos servidores públicos. Para o ministro, o Legislativo estadual não poderia promover a mudança por meio de emenda à Constituição pernambucana.
O relator também citou um precedente do próprio STF que invalidou dispositivos da Constituição estadual que permitiam a conversão desses benefícios em dinheiro. Segundo o entendimento da Corte, a iniciativa parlamentar não pode disciplinar o regime jurídico dos servidores estaduais, mesmo quando a alteração ocorre por meio de uma emenda à Constituição do Estado.
Teto salarial dos servidores de Pernambuco segue em vigor
Mendonça não identificou fundamento para suspender o dispositivo que estabelece o subsídio dos desembargadores do TJ-PE como limite remuneratório no serviço público estadual.
A Constituição Federal permite que os Estados adotem um teto único para os servidores dos três Poderes, correspondente ao subsídio dos desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a 90,25% da remuneração dos ministros do STF.
Na avaliação do ministro, a definição do teto remuneratório interessa ao Estado como um todo. Por isso, a iniciativa para propor esse tipo de emenda constitucional não está restrita a um único órgão ou autoridade.
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (12) mostra como está a disputa presidencial no Distrito Federal para o segundo turno nas eleições de outubro. Esta é a primeira rodada da pesquisa desde que o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) foi confirmado, no último domingo (4). Aqueles que manifestaram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos somam 6%. Outros 4% não souberam responder ao levantamento.
A pesquisa também mediu a avaliação do governo Lula: a aprovação subiu 5 pontos percentuais, chegando a 42%, enquanto a desaprovação caiu 5 pontos, ficando em 54%. O segundo turno será em 25 de outubro. Na data, eleitores do DF também decidem a eleição para governador, entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass. As informações são do g1.
Veja abaixo os números da pesquisa estimulada, em que a Quaest mostra aos eleitores entrevistados os nomes dos candidatos:
Flávio Bolsonaro (PL): 50%;
Lula (PT): 40%;
Em branco/nulo/nenhum: 6%;
Não sabe: 4%
Para 94% dos eleitores ouvidos no levantamento, a escolha do candidato é definitiva. Outros 6% dizem que ainda podem mudar o voto até o segundo turno.
A Quaest ouviu 1.104 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06799/2026.
Avaliação e aprovação do governo
A pesquisa divulgada nesta segunda (12) também mediu a aprovação do trabalho de Lula como presidente.
A Mídia Ninja divulgou ontem (11) o vídeo da multidão que lotou a Avenida Paulista, em São Paulo, em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos governadores petistas reeleitos Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI), entre outros. A estimativa é que cerca de um milhão de pessoas tenham ocupado as ruas da capital paulista, segundo a campanha.
Há sobrenomes que são um peso e uma bússola. Lyra, em Pernambuco e no Brasil, é um deles.
Fernando Lyra, tio de Raquel, não foi um político que surfou a história; ele a empurrou. Primeiro ministro da Justiça da redemocratização, foi o responsável pelo fim da censura oficial, passo fundamental na reconquista da liberdade de expressão no País. Exímio articulador, um dos expoentes da formação da Aliança Democrática, foi chamado por Pedro Simon de “grande arquiteto no processo de transição política”. Quando o país estava mergulhado no arbítrio, ele foi o mestre de obras da democracia.
Fernando Lyra entendeu algo que a sobrinha governadora parece ter desaprendido: em momentos de encruzilhada histórica, não há neutralidade inocente. Há apenas omissão calculada.
Raquel Lyra foi reeleita para o governo de Pernambuco no primeiro turno das Eleições 2026. Logo em seguida, confirmou que manterá uma posição de neutralidade na disputa presidencial do segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A justificativa oficial é a “coerência” desde 2022 e o foco em Pernambuco.
É a mesma estratégia do primeiro turno, agora repetida quando a reeleição já está assegurada. É pragmatismo puro. E é, filosoficamente, uma abdicação.
Pernambuco deu a Raquel mais de um milhão de votos declaradamente lulistas. O eleitor pernambucano que a reelegeu votou, majoritariamente, num projeto nacional que é antagônico ao que Flávio Bolsonaro representa. Ao lavar as mãos, a governadora não está sendo neutra: está dizendo a esse eleitor que seu voto para o Planalto tanto faz. Está transformando a legitimidade que recebeu em moeda de troca para negociar dividendos com quem quer que vença.
É aqui que a filosofia cobra sua conta. A neutralidade, quando apresentada como virtude administrativa, é na verdade um vício moral.
O Cristo, no Apocalipse, foi taxativo contra os mornos: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:15-16). A tibieza não é prudência. É repugnância espiritual. É recusar-se a escolher entre o bem e o mal sob o pretexto da temperança.
Dante Alighieri, no Canto III do Inferno, reservou o Vestíbulo do Inferno — nem dentro, nem fora, o lugar mais desprezível — aos ignavos, aos que nunca tomaram partido. A eles, nem o Inferno quer. A frase que atravessou séculos e que lhe é atribuída resume: “O lugar mais quente do inferno é reservado para aqueles que se mantêm neutros em tempos de grande crise moral.”
Estamos em uma crise moral. Não se trata de uma disputa entre dois gestores. Trata-se de escolher entre a democracia que Fernando Lyra ajudou a construir — aquela sem censura, com liberdade de expressão — e um projeto que flerta abertamente com sua desconstrução. A neutralidade de Raquel diante da possibilidade concreta de vitória de Flávio Bolsonaro não é equilíbrio. É cálculo.
Fernando Lyra, em seu lugar, jamais se calaria. Ele que enfrentou a ditadura quando o custo era a prisão, o exílio, a vida; que articulou a Aliança Democrática quando tudo podia ruir, não se esconderia atrás de obras da BR-232 e do Hospital da Restauração para justificar o silêncio. Ele sabia que governador também é pedagogo da República. Que liderar Pernambuco — berço de tantas revoluções — exige dizer de que lado se está quando a democracia está em jogo.
Raquel, a pergunta não é o que Pernambuco ganha com sua neutralidade. A pergunta é o que o Brasil perde com ela. E o que seu tio, que deu a vida para que você pudesse ser governadora numa democracia livre, pensaria de uma herdeira que, podendo escolher, escolheu não escolher.
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (12) mostra como está a disputa pelo governo do Distrito Federal no segundo turno. O levantamento foi encomendado pela Globo. Esta é a primeira rodada da pesquisa desde a definição dos candidatos que avançaram ao segundo turno, no dia 4.
A votação será no dia 25 de outubro. Na data, eleitores em todo o país e no exterior também decidirão o segundo turno da eleição presidencial, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Veja abaixo os números da pesquisa estimulada, em que a Quaest mostra aos eleitores entrevistados os nomes dos candidatos:
Celina Leão (PP): 53%
Leandro Grass (PT): 33%
Em branco/nulo/nenhum: 8%
Não sabe: 6%
Quaest, 12 de outubro: intenção de votos para governador do DF, 2º turno — Foto: Arte/g1
Para 88% dos eleitores ouvidos no levantamento, a escolha do candidato é definitiva. Outros 12% dizem que ainda podem mudar o voto até o segundo turno.
A Quaest ouviu 1.104 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é DF-08737/2026.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, precisa demonstrar neutralidade para justificar sua permanência à frente dos julgamentos e da condução do processo eleitoral, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News, do Canal UOL.
A avaliação veio após a decisão de Nunes Marques de mandar apurar o canal “Exército de Lula”, no WhatsApp, e em meio ao vaivém no Tribunal Superior Eleitoral sobre a suspensão e a liberação do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
“O presidente do TSE vem se mostrando, através das suas decisões, que não vem sendo um ator neutro na disputa. Ele precisa demonstrar isso para poder justificar sua permanência, inclusive, à frente dos julgamentos e da condução do processo eleitoral deste ano”, disse Sakamoto.
O colunista disse que a sequência de decisões e reações dentro do tribunal gerou incômodo entre ministros e alimentou críticas sobre a velocidade com que alguns casos avançam e outros travam, dependendo de quem é alvo das ações. Segundo ele, Nunes Marques também suspendeu três julgamentos no plenário virtual no exato momento em que Flávio acumulava já ampla maioria desfavorável.
“Quando a gente fala que a Justiça tem dois pesos, duas medidas, não é que ela seja lenta ou rápida. É quando ela demonstra uma velocidade que interessa a um dos lados”, disse.
Decisões tomadas pelos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, nomes indicados por Jair Bolsonaro ao STF, vêm sendo recebidas com desconfiança e mal-estar por seus próprios pares na Corte, como apontou Sakamoto. A cúpula do tribunal tem demonstrado celeridade para acolher pedidos que desidratam a campanha de Lula, enquanto adota uma lentidão diante de irregularidades que beneficiam Flávio.
A censura sobre o “Exército do Lula”, protagonizado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, escancarou esse abismo de critérios, disse Sakamoto.
O colunista avaliou que Nunes Marques pode se beneficiar no caso de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas, uma vez que o ministro teve seu nome atrelado ao caso Master: “Nunes Marques, tal qual Alexandre de Moraes, também está no meio do furdúncio do Master. Muita gente fala que o resultado eleitoral interessa a Moraes, porque ele pode vir a ser cassado sob Flávio, em um ato de vingança devido ao julgamento do pai dele no inquérito da tentativa de golpe.”
“Mas pouca gente fala que não interessa a Nunes Marques que Lula ganhe. Por quê? Vazamentos mostram que ‘a Turma do KN’ teria um contrato de R$ 427 milhões com o Master de Daniel Vorcaro. Há indícios de atuação desse grupo para ajudar o banco em decisões sobre precatórios multibilionários”, afirmou Sakamoto.
“Há também informações a respeito de Airbnbs de super luxo, pagos por Vorcaro, para Nunes Marques, sem contar o pagamento de uma garota de programa no valor de R$ 10 mil reais”, continuou.
“Há uma percepção em Brasília de que vencendo o Flávio, entrega-se a cabeça de Moraes e enterra-se o caso Master por algum motivo. E aí, com esse sacrifício, as questões relacionadas ao próprio Nunes Marques ficariam de lado. Ganhando o Lula, a Polícia Federal irá continuar o curso atual das investigações, e o atual presidente do TSE poderia sofrer danos”.
Hackers invadiram hoje (12) o site da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e publicaram mensagens de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e ataques a nordestinos. Texto chamava nordestinos de “burros”. Também falava que as universidades públicas vão “queimar”.
Ao fundo, a página exibia uma montagem com Flávio Bolsonaro (PL) e Júlia Zanatta (PL). Candidato ao Planalto aparecia de camisa do Brasil e fazendo o gesto de “arminha”. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) aparecia segurando um chicote.
Mensagem declarava apoio à “direita conservadora, Deus, pátria e família”. Em outro trecho, estava escrito “Glória ao Sul, aos EUA e a Israel”. Invasores também sugeriram fraude eleitoral em caso de uma derrota de Flávio. “Abra os olhos, direita!!! Se o Flávio não ganhar, eles manipularam as eleições com a China”.
Invasão também fazia menção indireta a Daniel Vorcaro. Os hackers afirmavam que o patrocínio dado pelo banqueiro ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro “estava certo”, enquanto um suposto dinheiro concedido por ele a um documentário sobre Lula “foi por fora”. Como mostrou o UOL, o suposto patrocínio a filme de Lula não é citado no celular de Vorcaro.
Página com mensagens deixou de ser exibida, mas o site segue fora do ar. Até a publicação desta reportagem, a página da agência não havia sido restabelecida.
O UOL procurou a Ancine e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Em homilia celebrada ontem (11), na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, o bispo diocesano de Afogados da Ingazeira, Dom Limacêdo Antônio da Silva, fez uma série de críticas ao cenário político nacional e alertou para riscos envolvendo direitos sociais, democracia, soberania nacional e a futura composição do Congresso. A fala foi registrada pelo blog do jornalista Nill Júnior.
Ao abordar o segundo turno da eleição presidencial, Dom Limacêdo afirmou que a disputa envolve mais do que os dois candidatos que disputam o Executivo. Segundo ele, o que está em jogo é o modelo de sociedade que será deixado para as próximas gerações. Embora nem sempre tenha citado nominalmente os candidatos, fez referências a posições associadas ao campo bolsonarista e demonstrou preocupação com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Um dos trechos mais fortes da fala do bispo foi quando ele questionou as mudanças propostas na Constituição e chamou a atenção para a possibilidade de uma ditadura se instalar com apoio do próprio Legislativo — algo que já aconteceu em regimes como o de Mussolini, na Itália, e o de Hitler, na Alemanha, que chegaram ao poder por vias institucionais antes de desmontar a democracia por dentro.
“Mas, qual é o problema da nossa Constituição atual que precisa ser mudada? Eis um perigo do fascismo chegar pelo poder legislativo. O Brasil já teve o golpe militar, pelos militares, mas poderá ter também uma ditadura querida, aplaudida e permitida pelo legislativo dessa nação. Olhemos a formação do nosso futuro Congresso. É de preocupar, minha gente. Se o outro era ruim, esse parece que será pior”, disse.
Quem é Dom Limacêdo
Dom Limacêdo Antônio da Silva não é novato no debate político. Filho de cortador de cana e costureira, nasceu em Nazaré da Mata e foi nomeado bispo de Afogados da Ingazeira pelo Papa Francisco em 2023. Antes disso, atuou em pastorais ligadas a catadores de material reciclável, trabalhadores rurais e movimentos sociais.
Em outras ocasiões, já defendeu pautas como o fim da escala 6×1, cotas para estudantes negros e a punição de atos antidemocráticos. Em homilia de Natal de 2025, criticou a chamada “dosimetria” que beneficiava envolvidos nos atos de 8 de janeiro — o que lhe rendeu ataques e ameaças nas redes sociais. Na época, respondeu: “Jesus questionou os poderosos” e “a Igreja existe para formar consciências”.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compartilhou hoje (12) uma publicação que associa imagens de uma jovem supostamente usando drogas a atos de vandalismo para criticar a manifestação pró-Lula realizada na capital paulista no domingo (11). A gravação da garota, no entanto, circulava nas redes sociais antes do protesto e teria sido feita fora do Brasil, segundo a agência de checagem Aos Fatos.
Imagem não foi feita no Brasil
Em publicação no Instagram, Tarcísio contrapôs imagens de brasileiros vestidos de verde e amarelo a cenas que classificou como de “vandalismo, depredação e intolerância”. O governador afirmou que a democracia garante o direito de protestar, mas não o de destruir, e defendeu a paz no país. As informações são do UOL.
Questionado pelo UOL, o governador de São Paulo não respondeu por que utilizou imagens que não eram do ato na Paulista em vídeo sobre a manifestação. A nota do governador cita a ocorrência de cinco placas de vidro danificadas além da aplicação de adesivos e pichações em paredes e corrimãos do Metrô em escadas fixas e rolantes e no interior de um trem.
O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), compartilhou a mesma imagem de outro perfil no Instagram. O senador pergunta: “É isso que você quer para o futuro do Brasil?” O vídeo tinha mais de um milhão de curtidas às 16h30.
Candidato à presidência, Flávio Bolsonaro compartilha conteúdo enganoso nas redes sociais | Imagem: Reprodução/Instagram
A publicação reúne diferentes imagens, entre elas a de uma mulher de cabelos vermelhos levando o rosto em direção a um objeto que segura nas mãos. Segundo a agência de checagem Aos Fatos, há registros da circulação do vídeo no sábado (10), um dia antes das manifestações no Brasil, em perfis argentinos e chilenos no X, antes do ato em São Paulo.
Uma publicação em espanhol atribuía a gravação a uma marcha em apoio à Palestina na Alameda, no Chile. A versão, porém, também não foi confirmada. Até a publicação da checagem, não havia sido possível identificar a mulher, determinar a origem do vídeo ou confirmar qual substância aparece nas imagens.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou que houve um “problema técnico” na exibição da propaganda eleitoral do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e que o material vai ser transmitido novamente. A manifestação ocorreu em nota nesta segunda-feira (12).
Mais cedo, Flávio reclamou da falta de áudio na sua propaganda eleitoral exibida na televisão no horário do almoço. Segundo o TSE, o arquivo vai ser corrigido. “O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que o problema de áudio registrado hoje no horário eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro ocorreu devido a um problema técnico no Pool de Mídias”, diz.
A Corte prossegue: “No momento da finalização das mídias, antes da exibição, não foram carregados os áudios de nenhuma das duas propagandas de televisão em bloco desta segunda-feira (12), às 13h, para o cargo de presidente da República”.
O TSE afirma ainda: “Contudo, houve tempo hábil para a correção do problema antes da exibição da segunda propaganda, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva. O arquivo com a propaganda do candidato Flávio Bolsonaro foi corrigido e será reexibido”.
De acordo com o plano de mídia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a transmissão das propagandas eleitorais são de responsabilidade de um “pool” de emissoras.
Nas redes sociais, Flávio disse que não acredita que a falta de som ocorreu por acaso. “Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito, não existe coincidência. Vocês acham que vão calar a minha voz? Não vão calar, não vão conseguir, não adianta.”
O candidato do PL também pediu para que os seus eleitores compartilhem a sua propaganda na internet, com áudio. “Ninguém vai calar a voz do povo brasileiro”, declarou.
A reportagem também enviou questionamentos ao “pool” de emissoras responsável pela transmissão, mas não obteve retorno.
A coligação do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a remoção de postagens falsas envolvendo o comício realizado ontem (11), na Avenida Paulista, em São Paulo.
O PT acusa a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e seus apoiadores de postarem desinformação para vincular imagens antigas de pessoas usando drogas com os militantes que estiveram no comício, além de atribuir ao partido episódios de vandalismo.
Segundo a campanha, os posts foram compartilhados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), os deputados eleitos Lucas Pavanato (PL-SP) e Rony de Assis Gebrial (Podemos-RS), e o influenciador Pablo Marçal. O conteúdo alcançou ao menos um milhão de visualizações apenas no Instagram.
Na petição encaminhada ao TSE, a campanha de Lula pede que as postagens sejam removidas das principais plataformas em 24 horas e que novos posts idênticos sejam proibidos. Em caso de descumprimento, o partido solicita ainda que as plataformas Meta e X sejam multadas. O caso será julgado pelo ministro Marco Aurélio Belizze.
Relatório técnico do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), feito por determinação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, indica que não encontrou publicações com informações falsas a favor de Lula (PT) e/ou contra Flávio Bolsonaro (PL) no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.
O canal com mais de 3 milhões de inscritos é coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG). Tem como principal finalidade o compartilhamento de informações, vídeos, fotos, áudios e orientações para apoiadores de Lula no segundo turno.
O impasse na Justiça Eleitoral teve início com pedido da campanha de Flávio. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alegou que o canal reproduzia notícias falsas contra ele.
“Os elementos reunidos oferecem subsídios para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral. No período examinado, não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos, ressalvado o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório técnico do TSE.
Ontem, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu uma ordem de Nunes Marques. Com isso, reabilitou o funcionamento do canal de WhatsApp. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE.
Apesar de manter o funcionamento do canal, Cueva reforçou que é inteiramente proibida a vinculação de conteúdos falsos. Caso haja descumprimento, poderá haver novamente a suspensão do canal.
O Brasil perdeu um grande intelectual, pensador, transgressor, filósofo, “pai” de uma geração de cineastas que agitaram o século anterior com produção de filmes super oito, a bitola possível com que se fazia cinema nas gerações passadas. Entre os seus “filhos” encontram-se Paulo Cunha, os saudosos Amin Steaple e Geneton Moraes Neto, que não mais estão aqui para lhe prestar homenagem. Mas Paulo, hoje professor da Universidade Federal de Pernambuco, exaltou em suas redes sociais, aquele que foi um “brilhante pensador e criador” e também, um dos seus “maiores amigos”. Jomard partiu, aos 89 anos, e será sepultado às 16h deste Dia da Criança e Nossa Senhora Aparecida, no Cemitério de Santo Amaro.
Para Paulo Cunha, ele “vai fazer uma falta enorme” e “grande parte da alegria de Pernambuco adormece”. Sim, Jomard fará muita falta, aos amigos, aos alunos, aos seguidores, aos amantes dos seus “atentados poéticos”, como ele costumava chamar os irreverentes versos que costumava distribuir por e-mail para os amigos. Sua mente brilhante sempre fervilhou. Talvez por isso tenha sido um dos intelectuais perseguidos pela ditadura militar de 1964, que não gostava de seres pensantes.
Ele havia sido convidado pelo educador Paulo Freire para integrar o Serviço de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco. Chegou a ser preso, no mesmo ano do golpe militar e até dividiu cela com o militante comunista Gregório Bezerra, um das lendas da esquerda pernambucana. Foi aposentado precocemente, mas continuava dando aulas e cursos em Campina Grande, em João Pessoa, e onde fosse chamado.
É um dos precursores do tropicalismo, e admirado por artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Também era amigo do polêmico cineasta Glauber Rocha. Foi um dos autores do primeiro manifesto tropicalista, movimento de brasilidade que pipocaria logo depois. Era impossível ficar indiferente à irreverência, à sabedoria e à perspicácia de Jomard. Ele tinha o dom de mostrar a direção, nortear vidas. Que o diga o professor de Literatura da UFPE, Anco Márcio, que o viu pela primeira vez, quando tinha apenas 17 anos e cursava o científico.
Em suas redes sociais, ele lembrou que quase ainda “um moleque”, em 1982, conheceu Jomard em uma livraria do Recife, quando este fazia uma de suas habituais performances. “Naquela noite, todo um mundo se abriu para mim”, lembra. Os dois se tornaram amigos, e para Anco, Jomard era “a mente mais inquieta que conheci, mais livre, mais transgressor, mais verdadeiro, uma metralhadora giratória”.
Convivi muito com Jomard. A gente sempre se encontrava na Rua Sete de Setembro, nos saudosos tempos da Livro 7, que reunia os intelectuais do Recife. Mas a lembrança mais inquietante aconteceu em um carnaval do Recife, quando me defrontei, na Rua da Aurora, na sexta-feira à noite com o criador de “O Palhaço Degolado” e do “Inventário do Feudalismo Cultural“. Estávamos na gestão Jarbas Vasconcelos como Prefeito do Recife, e era o primeiro ano em que a alegoria gigante do Galo da Madrugada era montada sobre a Ponte Duarte Coelho.
Penso que eu ia me encontrar na sexta-feira com o pessoal do Bloco “Nem sempre Lili toca flauta“. Ao encontrar Jomard com uma câmera, em plena Rua da Aurora, ver o carnaval fervendo na sexta-feira, e presenciar a dificuldade dos operários para acabar de montar a alegoria, brinquei com ele, na qualidade de porta-estandarte da “Troça Nóis Sofre Mais Nóis Goza”. É que ninguém conseguiua colocar a cabeça do Galo.
“Jomard, no próximo carnaval não estarei só no “Nóis sofre mais nóis goza”, pois vou fundar outro bloco em homenagem a esse Galo sem Cabeça, em pleno carnaval. O bloco se chamará “O Galo Degolado”. Passou o tempo, um dia Jomard me chama para a estreia de um filme dele, cujo título não lembro mais. Era um filme meio sombrio, todo mundo acompanhava em silêncio, mas a gargalhada era geral, quando eu aparecia, do nada, falando no “Galo degolado”. Só Jomard mesmo, para me aprontar uma dessa… Jomard era assim. Filmava o que via e o que vivia. Na foto acima, ele documenta Lula, quando este era ainda um líder operário.
Posteriormente, a cineasta Luci Alcântara fez um documentário sobre a vida e obra do nosso mestre. Hoje meu amigo Mucíolo Ferreira, que trabalhou na Prefeitura e que via Jomard lá, quando chefiava o setor de cultura da PCR, lembrou que trabalhou com ele na primeira gestão de Jarbas. “Foi dele e de Marcelo Mário de Melo a ideia de levar o carnaval do Recife para a parte peninsular da cidade. Dois gênios que tiveram o olhar futurista, vanguardista, para o que é hoje o fantástico carnaval do Recife Antigo”, diz. Da Bahia, o antropólogo Fernando Batista lamenta o encantamento de Jomard. “Foi lutar por nós do outro lado”… Que Deus o tenha, Jomard, e que você continue agitando lá por cima. Você fará falta para sempre, em nossas mentes e corações. E rogai por nós…”
O empresário Fredy William Lima de Lira, de 44 anos, foi morto a tiros na noite da última quarta-feira (7), na rodovia PE-275, entre São José do Egito e Tuparetama, no Sertão do Pajeú, em Pernambuco.
Segundo o blog do Nill Júnior, Fredy foi interceptado por volta das 21h e atingido por três disparos. Ele foi levado ao Hospital de Tuparetama, sofreu paradas cardíacas, chegou a ser reanimado, mas não resistiu.
De acordo com relatos de pessoas da região, Fredy era conhecido por seu envolvimento em eleições e pelo hábito de realizar apostas altas. Ele também cursava Direito na Faculdade Vale do Pajeú (FVP), em São José do Egito.
Em 7 de setembro, Fredy teve sua picape incendiada enquanto participava de uma carreata em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em São José do Egito. Ele publicou vídeos nas redes sociais mostrando o veículo destruído e, depois, pedindo contribuições financeiras para recuperar o prejuízo. Na ocasião, manifestou preocupação com sua segurança.
Na última quinta-feira (8), a FVP divulgou nota oficial de pesar e repúdio ao assassinato do estudante. A instituição decretou luto institucional e suspendeu as atividades acadêmicas no dia. A faculdade afirmou que “nenhuma divergência política, ideológica, religiosa ou de pensamento pode justificar a violência” e cobrou das autoridades uma investigação “rigorosa, célere e transparente”.
A Polícia Civil investiga o caso. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não é possível determinar a motivação do crime nem identificar os responsáveis. O órgão considera prematuro estabelecer conclusões sobre o caso.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) esteve no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), para participar de uma missa no dia da padroeira do Brasil. Antes da celebração, ele disse que iria rezar pela saúde do Papa Leão 14, que anunciou que está com um nódulo no pulmão e que passará por cirurgia.
Geraldo Alckmin estava acompanhado de diversas figuras públicas. Além de sua esposa, Lu Alckmin, estavam com ele o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Gilberto Kassab, presidente do PSD, a deputada federal Tabata Amaral e João Campos, presidente do PSB.
Apoiadores entoaram gritos a favor da reeleição de Lula (PT). Ao ver Alckmin, a multidão começou a gritar: “Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”. Houve também manifestações contrárias. Na saída do local, por exemplo, alguém chamou o vice-presidente de ladrão.
Missa com a presença de Geraldo Alckmin, Lu Alckmin, Tábata Amaral e João Campos em Aparecida (SP) | Foto: Rubens Cavallari/Folhapress
Geraldo pediu pelo Brasil e pela saúde do Papa. “Que seja breve a recuperação de sua santidade”, disse em suas redes sociais. Também afirmou que pediria a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo futuro do país.
Ainda na cidade, Alckmin deu entrevistas para uma rádio local. Em seus stories no Instagram, o vice-presidente mostrou que segue em campanha durante uma participação na Rádio Aparecida.
Tabata postou nas redes que estava pedindo orações por sua mãe. Reni Amaral sofreu um acidente no dia anterior às eleições e precisou ser hospitalizada na UTI. João Campos publicou apenas uma homenagem à santa. Já Kassab e Padilha dividiram momentos da visita ao Santuário em suas redes sociais.