Depois do difícil processo de montagem das chapas majoritária e proporcional para as eleições de 2026 em Pernambuco, algumas feridas antigas parecem continuar abertas e ganham novos contornos nesta reta final da campanha. Um dos casos que chama atenção é o da candidatura de Rosa Amorim (PT), que, embora integre a chapa de João Campos (PSB), vem fazendo campanha aberta para Raquel Lyra (PSD) em sua terra natal, Caruaru.
Na terra de Vitalino, Rosa conta com o apoio de pelo menos três vereadores da base governista e próximos politicamente da governadora: Lula Torres, Galego de Lages e Leonardo Chaves. O movimento chama atenção porque os três têm forte ligação com Raquel e apoiam o grupo político do prefeito Rodrigo Pinheiro. A atuação em favor de Rosa, portanto, levanta questionamentos sobre uma eventual convergência política com a governadora e sobre o impacto desse apoio na candidatura de Fernando Monteiro, nome apoiado oficialmente pelo prefeito para a disputa proporcional.
A aproximação entre Rosa e Raquel não se resume, porém, ao apoio dos vereadores. A candidata, filha do principal líder do MST em Pernambuco, também esteve recentemente ao lado da governadora em uma agenda na sede do movimento, em Caruaru. No encontro, houve negociação de itens da pauta do MST, em um ato de caráter festivo que contou até com jingle eleitoral. A cena expõe uma aproximação política que, em plena campanha, contrasta com a composição formal das alianças eleitorais.

















