Após uma série de agendas pelo Agreste de Pernambuco, o candidato ao Governo do Estado e líder da Frente Popular, João Campos (PSB), fez uma caminhada em Bonito, ontem (29). Ao lado do prefeito do município, Dr. Ruy Barbosa, do candidato a vice-governador, Carlos Costa, do deputado federal e candidato à reeleição Felipe Carreras e de lideranças políticas, João defendeu uma gestão estadual capaz de transformar investimentos em emprego, renda e serviços públicos.
O candidato afirmou estar preparado para assumir a responsabilidade de governar Pernambuco. “Eu me conheço e conheço o adversário. E eu não tenho dúvida: me dê serviço que eu dou conta. Eu não vou ficar reclamando da vida, jogando a culpa nos outros ou dizendo que a responsabilidade não é minha. Qualquer problema que tiver em Pernambuco, eu vou botar a cara, vou ter respeito e vou resolver”, afirmou.
Leia maisJoão defendeu ainda uma estratégia de desenvolvimento que leve oportunidades também ao interior. O candidato destacou a necessidade de fortalecer a economia, atrair investimentos e ampliar a geração de emprego e renda em todas as regiões do Estado.
Na saúde, João reforçou as propostas para o Agreste. “Eu trabalhei muito, muito. Era sábado, domingo, feriado. Se eu não tivesse trabalhado os quatro anos, Recife não teria sido a cidade do Brasil que mais abriu vagas de creche, nem teria feito o melhor hospital infantil do Nordeste, que é o Hospital da Criança. Eu vou fazer um igual aqui em Caruaru para o Agreste pernambucano, além de um serviço de tratamento de câncer”, disse.
O prefeito Dr. Ruy Barbosa destacou a relação construída com a família Campos e declarou apoio à candidatura de João. “Eu conheci o pai dele e construí uma amizade. Deus quis levá-lo, mas ficou o filho, esse menino que vai transformar Pernambuco. Tenho certeza de que João vai trabalhar para Bonito ficar cada vez melhor. Pernambuco só tem a crescer com João como governador”, afirmou.
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O candidato ao Governo de Pernambuco pela Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, assinou uma carta-compromisso com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante agenda no Assentamento Normandia, em Caruaru, ontem (29). A assinatura integrou a passagem da Caravana do Bem Viver pelo Agreste e foi acompanhada de um diálogo de Ivan com trabalhadores e trabalhadoras rurais e representantes do MST.
A carta-compromisso visa orientar o próximo governo, reafirmando compromissos com as pautas da reforma agrária, da agricultura familiar e da construção de um modelo de desenvolvimento que valorize as pessoas que vivem da produção de alimentos e são o principal “motor” da economia no campo.
Leia maisAo assinar a carta-compromisso, Ivan Moraes reafirma que, uma vez eleito, seguirá lutando pela implementação de políticas públicas permanentes voltadas ao desenvolvimento e à redução das desigualdades sociais no campo em todas as regiões de Pernambuco. O documento estabelece diretrizes e metas nas áreas de acesso à terra e combate à violência, fomento à produção e agroecologia, educação, saúde e infraestrutura, além de estrutura governamental e inclusão.
Durante a tarde, Ivan e a candidata a deputada estadual Jô Cavalcanti (PSOL) foram prestigiar o Sarau de Poesia para celebrar os 80 anos de dona Inaldete Pinheiro, realizado na Rua Silva Filho, nº 7, no bairro Maurício de Nassau, em Caruaru.
No início da noite, Ivan participou de uma caminhada ao lado da presidente do PSOL Caruaru e demais candidatos aliados. O último compromisso do candidato foi na Estação Ferroviária, onde ele participou da tribuna aberta promovida pela candidata a deputada estadual Eugênia Lima (PSOL), para debater sobre cultura, geração de renda e desenvolvimento regional em Pernambuco.
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Desde que Raquel Lyra (PSD) assumiu o governo, Pernambuco não consegue sair do quinto lugar no Ranking de Competitividade, divulgado anualmente pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Os resultados de 2026, divulgados nesta semana, mantêm o estado como quinto do Nordeste, atrás de Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
A última vez em que Pernambuco esteve em posição melhor foi com o 3º lugar em 2023, ainda como reflexo de políticas públicas da gestão anterior. Em 2024, já com um ano inteiro de gestão de Raquel sob avaliação do levantamento, o estado caiu para 5º lugar, permanecendo nessa colocação em 2025 e na pesquisa de 2026.
Puxaram Pernambuco para baixo indicadores como infraestrutura (-4), inovação (-1) e sustentabilidade ambiental (-1). Segundo o ranking, o pior posicionamento do estado é no quesito capital humano, especialmente no aspecto relacionado à inserção econômica de sua mão de obra, que foi considerada a pior do país (27º).

A Frente Popular de Pernambuco, coligação liderada pelo candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB), informou, neste domingo (30), que adotará medidas na Justiça Eleitoral diante das denúncias sobre uma suposta rede de ataques contra João Campos (PSB) nas redes sociais. Confira nota na íntegra:
“Nota da Frente Popular de Pernambuco
A Frente Popular de Pernambuco informa que adotará todas as medidas cabíveis perante a Justiça Eleitoral para que a produção e a disseminação de conteúdos apócrifos contra qualquer candidatura sejam rigorosamente investigadas, com a devida identificação e responsabilização de seus autores.
Não aceitaremos ataques anônimos, crimes contra a honra ou qualquer prática que viole a legislação eleitoral e tente degradar o debate público. Seguiremos fazendo uma campanha limpa, responsável e baseada em propostas, com respeito à democracia e, sobretudo, ao povo pernambucano.“
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou, ontem (29), apoio a João Campos (PSB) após a denúncia de uma suposta estrutura digital voltada a ataques contra o candidato ao Governo de Pernambuco. Além de Alckmin, também manifestaram apoio a João a ministra Luciana Santos (PCdoB) e o ex-ministro Silvio Costa Filho (Republicanos).
“João Campos, você tem o meu apoio e a minha solidariedade contra essa rede de ódio revelada pela imprensa nacional. Vamos em frente, fazendo uma campanha limpa como você faz. Estamos juntos, em Pernambuco e no Brasil, com João Campos”, declarou Alckmin.
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O caso veio a público após reportagem da TV Record, exibida na terça-feira (25), que apresentou o relato de Amisadai Andrade, ex-servidor cedido ao Governo de Pernambuco. Segundo a denúncia, ele teria participado de uma rede de páginas e perfis destinada a enfraquecer João Campos nas redes sociais.
Amisadai foi exonerado no dia seguinte à exibição, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) negou ter tratado do assunto com o servidor. Documentos obtidos pelo Metrópoles, porém, registram ao menos duas entradas de Amisadai no Palácio do Campo das Princesas em 2024.
Diante das acusações, a Frente Popular anunciou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no TRE-PE para apurar possíveis abusos de poder político e econômico. O grupo também informou que levará o caso a órgãos de controle.
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O podcast ‘Direto de Brasília’ da próxima semana, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, será com o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá. Ele vai falar sobre o impacto das pesquisas eleitorais, se elas influenciam o eleitor, se a multiplicidade de institutos e levantamentos causam algum tipo de confusão na cabeça do eleitor e o impacto que recorte de pesquisas estão causando nas redes sociais.
Com formação e trajetória profissional voltadas à integração entre tecnologia, comunicação e análise de comportamento, Alek atua também como professor da ESPM e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde ampliou sua atuação para temas relacionados à inteligência artificial, ética e desinformação. É autor do livro ‘Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política’, resultado de pesquisas baseadas em grandes volumes de dados das redes sociais.
Leia maisNa área profissional, Maracajá é CEO da Ativaweb e acumula experiência em análise de dados, redes sociais, comunicação e marketing político. Seu trabalho envolve o monitoramento e a interpretação de dados digitais para identificar tendências, comportamento de públicos, engajamento e circulação de narrativas. Ao longo da carreira, participou de estudos e projetos relacionados a campanhas eleitorais e comunicação política, consolidando-se como especialista na aplicação de Big Data à compreensão do comportamento político nas redes sociais.
O ‘Direto de Brasília’ vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Do jornal O Globo
A liberdade para organizar os próprios horários permite que Leandro Alves acompanhe os dois filhos, que necessitam de cuidados especiais, em consultas médicas sem pedir autorização a um superior. Morador de Planaltina, a cerca de 50 minutos do centro de Brasília, o entregador sai de casa às 11h para rodar na Asa Norte e costuma retornar às 22h.
Após anos trabalhando com carteira assinada, o brasiliense de 47 anos passou a fazer entregas por aplicativos em 2021, em busca de flexibilidade e ganhos maiores. Cinco anos e uma pandemia depois, porém, ele percebe uma queda na renda e um aumento nas horas trabalhadas. Embora ainda valorize a autonomia, sente falta de estabilidade. “Até 2022, eu conseguia ter uma renda que ajudava minha mãe e meus filhos. Sobravam em torno de R$ 4,5 mil. Hoje, trabalho 11 horas por dia e não consigo manter os custos de vida”, afirma.
Leia maisA experiência de Alves traduz uma demanda que deve ganhar espaço na eleição presidencial: em meio a transformações nas relações de trabalho no pós-pandemia, os brasileiros desejam, em proporção semelhante, mais estabilidade e mais autonomia quando pensam em melhores condições de trabalho hoje, mostra pesquisa Ideia realizada neste mês com 1.500 entrevistas em todo o país.
Os dados, obtidos pelo O Globo com exclusividade, mostram que ter estabilidade no emprego é citado por 21,3% dos brasileiros, fator seguido por ter autonomia e trabalhar em seu próprio negócio e por ter liberdade para definir os próprios horários, com 16,2% e 13,1%, respectivamente. A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos.
Qualidade de vida
O panorama em que estabilidade e autonomia surgem simultaneamente como condições de trabalho mais desejáveis aponta um desafio para candidatos à Presidência que querem conversar com esse eleitor e terão que se debruçar em temas que vão da regulamentação de trabalhadores de aplicativos e fim da escala 6×1 a medidas para a geração de emprego. CEO do Ideia, Cila Schulman, destaca que os trabalhadores não querem escolher mais entre direitos e autonomia.
“Entre estabilidade e liberdade, o trabalhador quer ambas. Estamos falando de qualidade de vida, não só de trabalho. As pessoas estão exaustas, inseguras e ansiosas por não saberem se terão emprego amanhã”, analisa.
Quando questionados sobre qual condição de trabalho considera a mais importante, os temas voltam a ter destaque: os entrevistados se dividem entre estabilidade (27,7%), plano de saúde (24,1%), flexibilidade de horários (19,7%), férias e descanso remunerados (18,2%), possibilidade de ser o próprio chefe (16,3%) e trabalho remoto ou híbrido (15,1%).




O levantamento aponta um quadro semelhante mesmo se considerados os diferentes perfis de trabalhadores, sejam assalariados no regime CLT, servidores públicos ou trabalhadores que não pertencem a nenhum desses grupos, como autônomos, trabalhadores por aplicativo e contratados como PJ (pessoa jurídica).
Segundo a pesquisa, a estabilidade, por exemplo, é citada por 29,9% dos servidores públicos, 23,4% dos assalariados e 20,1% dos trabalhadores que não se enquadram nessas duas categorias e têm vínculos mais flexíveis — nesse último segmento, ela aparece pouco atrás de ter autonomia e trabalhar em seu próprio negócio (24,8%). Entre quem tem CLT, a liberdade para definir horários aparece no mesmo patamar que ter benefícios, como plano de saúde (16,2% cada).
A analista financeira Gabriela Frazão, de 26 anos, associa a carteira assinada à segurança, mas valoriza autonomia. Moradora de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ela leva cerca de duas horas para chegar ao trabalho, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, e defende a ampliação dos modelos híbrido e remoto.
“Quem frequenta metrô, trem ou ônibus sabe que, às vezes, demora de duas a três horas para ir e voltar do trabalho. Isso sem contar as intercorrências do dia, como confrontos entre facções ou as chuvas, e tudo isso afeta a nossa rotina”, afirma Gabriela, que já trabalhou na escala 6×1 e procura candidatos que defendam o fim desse regime.
Já o secretário de uma escola pública na Zona Sul de São Paulo, Michel Dromed, de 46 anos, diz esperar que os presidenciáveis valorizem os salários dos servidores e ampliem os concursos para reduzir a sobrecarga. Após trabalhar no comércio, Dromed escolheu o serviço público justamente pela estabilidade que ele oferece. “Férias são fundamentais, porque a gente precisa descansar a cabeça. O descanso remunerado é o mínimo. A gente precisa descansar e usufruir do nosso trabalho”, afirma.
Na avaliação do cientista político Josué Medeiros, coordenador do Observatório Político e Eleitoral (Opel) da UFRJ, as diferenças entre os candidatos a presidente no tema mercado de trabalho tendem a permear a campanha. Enquanto as candidaturas de direita são mais ligadas à liberdade econômica e à menor interferência do Estado nas relações de trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mais à esquerda, deve tentar ocupar o campo da proteção social — o fim da escala 6×1 é uma das apostas do petista. Seu principal rival, Flávio Bolsonaro (PL), aposta em contratos e horários mais flexíveis. Para trabalhadores de plataformas, promete conciliar autonomia e proteção social.
A pesquisa sugere, contudo, que os eleitores não se encaixam de forma tão rígida nessa divisão. Os resultados, diz Medeiros, refletem uma mudança provocada pela pandemia: a crise sanitária expôs a fragilidade de quem não tinha vínculo formal nem acesso a direitos. “Isso mudou o cenário e gerou uma onda pró-direitos, pró-vínculo e pró-estabilidade”, conclui.
Nesse cenário, os números mostram que a busca por segurança atravessa os campos políticos, embora a direita dê mais peso à autonomia e à liberdade de horário. A estabilidade é valorizada por 19% dos eleitores da direita bolsonarista e pelo mesmo percentual na direita não bolsonarista, pouco abaixo dos 25% de lulistas e dos 27% da esquerda não lulista, mostra o levantamento do Ideia.
Fora da polarização
Medeiros avalia que a pauta pode “furar a polarização”, pois os interesses econômicos podem pesar mais do que a identificação ideológica: “A questão do trabalho vai ser muito importante porque tem potencial de virar voto. Esse eleitor pode não seguir a ideologia, mas os próprios interesses. Numa eleição apertada, se 1% ou 2% mudarem, isso já pode alterar o resultado.”
Cila Schulman, do Ideia, destaca que a força eleitoral do debate sobre o fim da escala 6×1 não decorre apenas de uma reivindicação trabalhista tradicional, mas de uma demanda mais ampla por descanso e qualidade de vida. “O fim da jornada 6×1 virou uma pauta eleitoral importante, mas trouxe à tona uma demanda por descanso, por fazer outras coisas e por ter qualidade de vida novamente. O trabalhador quer o sonho completo, não quer optar apenas pela estabilidade ou pela liberdade”, avalia.
Maioria apoia valor mínimo a entregador e motorista de app
A maioria dos brasileiros defende que seja fixada uma remuneração mínima para motoristas e entregadores de aplicativo, um dos pontos em debate na regulamentação do tema, mostra a pesquisa Ideia. O percentual dos que dizem defender a medida soma 62,1%, mas recua quando os entrevistados são perguntados se mantêm o aval mesmo diante da possibilidade de aumento no preço das corridas e entregas.

Entre os que apoiam a proposta ou inicialmente não tinham opinião, 44,4% continuam favoráveis mesmo diante do impacto nos preços. Outros 16,8% passam a rejeitar a medida, e 38,9% não sabem responder.
O apoio à remuneração supera 60% nos diferentes grupos quando considerado o recorte por tipo de vínculo empregatício. Também atravessa os campos políticos. A mudança é defendida por 54% dos eleitores da direita bolsonarista e por 57% daqueles identificados com a direita não bolsonarista. Nesses grupos, cerca de 19% são contrários. Mesmo com a possibilidade de aumento das tarifas, mais de 40% dos ouvidos nos diferentes segmentos de esquerda e direita mantêm o aval.
Embora seja defendida pela maioria dos entrevistados, a criação de um piso ou remuneração mínima para os trabalhadores não é o ponto citado como mais importante para a regulamentação do trabalho por aplicativo. O acesso a seguro para o caso de acidente é apontado como prioridade para 19,5% dos brasileiros, seguida por reconhecer vínculo empregatício com a plataforma, que soma 14,6%. São 12,4% os que destacam a remuneração mínima, que aparece pouco à frente do acesso à Previdência (10,1%).
Entre quem não é nem CLT nem servidor público, categoria em que se enquadram os trabalhadores por aplicativo, o seguro contra acidente também foi o ponto mais citado (21%).
As principais propostas dos presidenciáveis para a área
Do jornal O Globo
O volume de emendas parlamentares empenhadas no Brasil saltou de R$ 11,3 bilhões em 2014 para R$ 47,1 bilhões em 2025. O crescimento real, já descontada a inflação, foi de 315% em 11 anos.
Nas políticas sociais, o valor passou de R$ 9,2 bilhões para R$ 35 bilhões no mesmo período, alta real de 282%. Os números fazem parte de uma série de estudos encomendados ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) pelo deputado Eduardo Bandeira de Mello (PV-RJ).
Leia maisO levantamento aponta 2015 como um ponto de inflexão no modelo, a partir da PEC do orçamento impositivo. Para os pesquisadores, a lógica de distribuição dos recursos pode ter se deslocado da esfera partidária para interesses particulares dos próprios parlamentares.
Segundo o estudo, as despesas federais em saúde financiadas por emendas passaram de R$ 5,1 bilhões em 2014 para R$ 24,8 bilhões em 2024, quase cinco vezes mais em uma década. No mesmo período, a participação das emendas nas despesas discricionárias do Ministério da Saúde passou de 18,6% para 45,4%.
Apesar do crescimento, a pesquisa afirma que não foram encontradas evidências consistentes de redução das internações por condições sensíveis à atenção primária ou da mortalidade neonatal precoce associadas ao aumento dos recursos.
Outro dado que chama atenção é que, em 2024, 91,7% das emendas destinadas à saúde financiaram custeio. Ou seja, passaram a sustentar despesas recorrentes de funcionamento da rede, embora as emendas não tenham garantia de continuidade de um ano para outro.
O levantamento também identifica uma desigualdade territorial. Entre 2023 e 2024, a diferença entre o maior e o menor limite per capita estadual para transferências de incremento ao custeio triplicou, passando de R$ 124,80 para R$ 419,10 por habitante.
Nos valores efetivamente pagos em 2024 para atenção especializada, Santa Catarina recebeu R$ 39,60 por habitante, enquanto o Amapá chegou a R$ 262, Roraima a R$ 163 e Alagoas a R$ 161.
Na educação, as emendas destinadas ao orçamento do MEC cresceram 315,6% em termos reais entre 2014 e 2024, alcançando R$ 1,58 bilhão. Nesse período, as despesas correntes passaram de 9% das emendas da área para 38%. O crescimento real das emendas destinadas a despesas correntes chegou a 1.804%, enquanto os investimentos aumentaram 241%.
O próprio estudo aponta uma tendência de universidades e institutos federais continuarem recorrendo às emendas parlamentares para complementar seus orçamentos.
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Editorial – Jornal O Globo
Há anos, quando confrontado com escândalos de corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje novamente candidato à reeleição, cita a Operação Lava-Jato e diz que a imprensa brasileira nunca pediu desculpas a ele. Foi assim na entrevista ao Jornal Nacional na última quinta-feira. É certo que a jornalista Renata Vasconcellos, falando em nome do Grupo Globo, muito apropriadamente rebateu: “O jornalismo da Globo cumpriu sua obrigação de noticiar os fatos durante aquela cobertura”. Vale, porém, aprofundar a questão.
A Lava-Jato foi uma investigação feita por policiais federais e pelo Ministério Público, que resultou em um processo julgado por três instâncias da Justiça. Envolveu cifras bilionárias e confissões da maior parte dos agentes corruptores e daqueles que foram corrompidos. Levou à prisão empresários e pessoas que detiveram cargos públicos, inclusive o próprio presidente Lula, que sempre clamou por sua inocência.
Leia maisEm qualquer parte do mundo, uma investigação desse porte ganharia uma cobertura extensa e intensa ao longo de toda a duração dos procedimentos. Os agentes da lei tinham fé pública, e os réus jamais deixaram de ser ouvidos pela imprensa. O jornalismo profissional não é adivinho — e a ele é vedado grampear ilegalmente juízes ou promotores, como acabou sendo feito por um hacker.
Esses grampos ilegais de fato revelaram que juiz e promotores não agiram de forma isenta e que havia conluio entre eles. A imprensa, inclusive a Globo e os demais veículos do Grupo Globo, deu ampla cobertura a essas revelações, como podem demonstrar os arquivos. O Supremo Tribunal Federal acabou por declarar a suspeição do juiz Sergio Moro, depois anulou todos os processos que pesavam contra Lula e outros ex-agentes públicos (e, novamente, tais fatos foram objeto de coberturas extensas). Não à toa, na entrevista ao Jornal Nacional na eleição de 2022, o jornalista William Bonner, então apresentador do telejornal, relatou tais fatos e disse a Lula: “Portanto o senhor não deve nada à Justiça”.
Mas, na sequência da mesma pergunta, Bonner lembrou que a Petrobras teve de registrar em balanço o prejuízo bilionário causado pela corrupção. E perguntou se o PT reconhecia que houve corrupção. Lula, embora criticando as delações premiadas por permitirem que os corruptos ficassem com parte do roubo, reconheceu: “Deixa eu lhe dizer uma coisa: você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram”.
Há décadas a Globo e os demais veículos do Grupo Globo dão amplo espaço para a cobertura de desvios de governos, independentemente da ideologia de seus ocupantes. O público é testemunha de que escândalos de corrupção mereceram toda a atenção no governo Lula, mas também, e com a mesma intensidade, nos governos Dilma, Temer e Bolsonaro, apenas para citar os deste século. Nas entrevistas e sabatinas, os candidatos à Presidência vêm sendo igualmente questionados. Como disse Renata Vasconcellos: o Grupo Globo cumpre sua missão de informar bem.
Não há do que se desculpar.
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Por Marlos Porto*
A chegada do psiquiatra e escritor Augusto Cury ao noticiário político despertou um debate que vai além das preferências partidárias. Seu nome como candidato à Presidência da República reacendeu uma discussão crucial sobre conflitos de interesses de postulantes a cargos públicos. Escancara também um discurso pedagógico que, sob a aparência de inovação, pode estar prestando um desserviço silencioso às vítimas de violência escolar.
Cury construiu um império editorial com milhões de livros vendidos e um programa de educação socioemocional, a Escola da Inteligência, cuja empresa foi avaliada em um bilhão de reais. O negócio vende metodologia e material didático para centenas de escolas e tem nas prefeituras um importante cliente. O histórico revela um modelo de negócios que se alimenta, em boa medida, de dinheiro público.
Leia maisA expansão desse modelo, contudo, não se limita à venda direta de materiais e treinamentos. Ela se sustenta em uma capilaridade que transforma gestores públicos em potenciais compradores e divulgadores da metodologia. A ausência de vedações legais claras para esse tipo de vínculo cria um terreno fértil para que interesses privados se entrelacem com a formulação de políticas educacionais, sem que haja o devido escrutínio público.
Aqui reside o equívoco central do projeto que agora tenta ganhar escala nacional. A metodologia da Escola da Inteligência tem sido alvo de críticas de pesquisadores, que a veem como uma promessa de apaziguamento e conformação dos alunos. Ao focar no desenvolvimento da resiliência e do autocontrole da vítima, a abordagem pode, na prática, escamotear a responsabilidade da instituição de ensino.
Em situações de bullying, a Lei 13.185/2015 obriga a escola a prevenir e combater a violência de forma ativa. No entanto, o discurso que enfatiza que o aluno deve aprender a gerir melhor suas emoções diante da agressão opera uma transferência preocupante: se a vítima continua sofrendo, é porque não desenvolveu inteligência emocional suficiente. A falha deixa de estar na omissão da escola ou do sistema e passa a recair sobre a suposta incapacidade individual do estudante de lidar com o trauma. O selo de escola emocionalmente inteligente corre o risco de se tornar um tapete sob o qual se varrem problemas que exigiriam intervenções estruturais.
A notoriedade de Augusto Cury e sua candidatura a um cargo público de primeira grandeza tornam esse debate urgente. O risco não está no resultado das urnas, mas na própria candidatura como ferramenta. Ainda que se confirme uma votação irrisória, a simples passagem pelo palco eleitoral já seria suficiente para projetar nacionalmente sua assinatura e, por tabela, os produtos que carregam seu nome. Não seria a primeira vez que uma campanha serve, na prática, como mola propulsora de uma marca.
O problema não é existir um negócio privado legítimo, mas a possibilidade de instrumentalização da política para alavancá-lo. Utilizar a projeção que a política confere com a finalidade de vender mais seria, no mínimo, uma inversão perversa do que se espera de quem um dia pede o voto do cidadão.
*Analista político
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Por Antônio Campos*
A propósito da minha crônica domingueira, o escritor e advogado Antônio Campos, que detém o controle do acervo do saudoso local de encontro e desencontros da poesia, literatura e política, me enviou o texto abaixo, com destaque para essa frase: “No Recife, os belos sonhos se esquecem de morrer.”
O Recife só será grande no presente e no futuro se valorizar e respeitar o seu passado. O Savoy foi — e é — um dos símbolos mais importantes da cidade. O Poeta do Savoy, Carlos Pena Filho, é chamado de o Poeta do Recife.
Leia maisA mesa de um bar pode ser comparada às páginas de um livro, onde se contam e se conhecem histórias, desejos e frustrações, esperanças e lamentos, sonhos e revoluções. Pode-se contemplar o mundo — a estética da libido, as sensações, os lugares, as viagens. É também palco de apresentações acaloradas. Por isso, o bar é mais do que um lugar para beber, descontrair e encontrar amigos.
O bar está presente na história da humanidade em todos os tempos e lugares, na formação das civilizações, nos processos dialéticos. Sempre associado à liberdade de expressão, à criação e à desconstrução; aos movimentos, à cultura, à arte, à música, à poesia e a todas as outras manifestações possíveis.
No Recife — cidade de cultura ímpar e de tantas revoluções — existiu o Bar Savoy. Reduto de intelectuais, poetas, artistas, políticos e de todos que buscavam momentos de descontração. É o mais antológico e famoso bar da história de Pernambuco, assim como o Restaurante Leite é um símbolo do nosso Estado.
Localizado originalmente na Avenida Guararapes, no coração do comércio da cidade, foi fundado em 1944 e viveu sua fase de maior efervescência na década de 1960. Foi ponto de encontro de nomes como Gilberto Freyre, Carlos Pena Filho, Renato Carneiro Campos, Capiba, Osman Lins, Vicente Rego Monteiro, Ascenso Ferreira, Mauro Mota, entre tantos outros.
Edilberto Coutinho, no livro Bar Savoy, que celebrou os cinquenta anos do Savoy em 1994, registrou:
“Por outro lado, não podemos esquecer: grandes personalidades, de passagem pela capital pernambucana, foram tomar o seu chope na calçada famosa. Formam um rol dos mais ilustres, que inclui nomes do porte de Roberto Rosselini e Alberto Cavalcanti, Jorge Amado e Aldous Huxley, Roberto Burle Marx e Paulo Mendes Campos, Antônio Callado, Heitor Villa-Lobos e Paschoal Carlos Magno. Passaram pelo Savoy Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, ciceroneados por Otávio de Freitas Júnior durante congresso de escritores em 1960. O mesmo Otávio que, um ano antes, como presidente da Sociedade dos Amigos de Cuba, hospedara em sua casa da Praça Chora Menino a senhora Célia Guevara, mãe do Che. Leva a ilustre dama, numa tarde de intenso calor do Recife, a refrescar-se com uma paradinha no Savoy. Oferece-lhe guaraná e pede um chope. A mãe do Che Guevara recusa o refrigerante: “Quiero lo mismo que toma usted”. E prova o produto mais célebre do bar, deliciada. Garante: não tomara uma cerveza tão deliciosa em Cuba nem na Argentina.”
Fechado em 1992, acompanhou o processo natural das transformações urbanas das grandes cidades. Com o centro econômico e cultural deslocando-se para outras áreas do Recife, o Savoy ainda resistiu no seu endereço original, mas acabou fechando suas portas. Porém, na memória de várias gerações de boêmios, o Savoy nunca desapareceu.
Agora, ressurge em novo espaço no Centro do Recife, vizinho a uma grande livraria, tornando-se novamente um local de encontro, visitação e prazer — seja para um bom café ou um chope com o selo do seu nome.
Este patrimônio cultural dos pernambucanos renascerá, em breve. Carlos Pena Filho, que fez do Savoy o seu quartel-general — e faleceu prematuramente aos 31 anos —, imortalizou o bar em versos no Guia Prático da Cidade do Recife:
Nas mesas do Bar Savoy
O refrão tem sido assim:
São trinta copos de chope,
São trinta homens sentados,
Trezentos desejos presos,
Trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
Fazer o que tem vontade —
Espiar o banho de uma,
A outra, amar pela metade,
Se daquela que é mais linda
Quebrar a rija vaidade…
Mas como a gente não pode
Fazer o que tem vontade,
O jeito é mudar a vida,
Num diabólico festim.
Por isso, no Bar Savoy
O refrão é sempre assim:
São trinta copos de chope,
São trinta homens sentados,
Trezentos desejos presos,
Trinta mil sonhos frustrados.
O poeta Mauro Mota, ao saber da morte de Carlos Pena, compôs estes versos que viraram placa, fixada no Savoy em 20 de dezembro de 1960 — e hoje fazem parte do acervo do bar, ora exposto:
São agora vinte e nove
Os homens do Bar Savoy.
Vinte e nove que se contam.
Falta um — para onde foi?
Vinte e nove homens tristes,
Dentro deles como dói
A ausência do poeta Carlos
Na mesa do Bar Savoy.
O renascimento do Savoy reafirma os versos do hino de seus cinquenta anos, de 1994:
“No Recife, os belos sonhos se esquecem de morrer.”
*Advogado e Escritor. Membro da Academia Pernambucana de Letras
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O candidato a governador João Campos (PSB) usou as redes sociais para dar uma invertida em Raquel Lyra (PSD) sobre a requalificação de estradas em Pernambuco. Depois de a governadora postar um vídeo em que diz que até o adversário reconhecia seus feitos nesse tema, o ex-prefeito do Recife avisou que as imagens que aparecem em seu guia eleitoral são de duas rodovias federais, sob responsabilidade do Governo Lula.
“Para que tá feio. Não adianta querer esconder. Aqui é BR-232, em Serra Talhada, e BR-316, em Araripina. E depois entre Floresta e Belém do São Francisco. Estão querendo se meter até nas estradas do presidente Lula”, afirma o locutor em vídeo postado por João Campos, chamando de fake a tentativa de Raquel de configurar o eleitorado.
A postagem ainda termina fazendo uma provocação sobre o uso de aeronaves do Governo do Estado no transporte VIP de autoridades, ao mesmo tempo em que pacientes deixam de contar com o serviço de transporte aeromédico. “Mas isso é coisa de quem não pega estrada, né? Gosta mesmo é de andar de helicóptero e comprar avião”, finaliza.
