Naquele início dos anos 60, um grupo de jovens, igual a tantos que se formavam no ainda provinciano Recife, começava a desvendar os mistérios da cidade em incursões fora do bairro. Eram as primeiras sessões dos cinemas de arte, as discussões políticas e literárias, cursinhos para vestibular, as festinhas de aniversário, os “assustados”, os bailes de formatura, as ultrapassagens às fronteiras impostas pelos bons costumes e pelas velhas pontes da cidade, nos primeiros gozos do corpo e do espírito.
Caminhante daqueles alegres caminhar, Gasparino Ribeiro sempre seguia na frente, incutindo em todos – inclusive nos apreensivos familiares que ficavam na retaguarda – um sentimento de segurança, de fraterna presença, de sábia convivência. Corajoso, bravo e decidido, Gaspar era incomparavelmente leal e solidário, principalmente com os menores, os fracos e os oprimidos.
Originário da aristocracia rural da zona da Mata Norte pernambucana, Gasparino, à frente de meia dúzia de irmãos, aportou certo dia numa casa na Encruzilhada para se realizar doutor. Seria mais uma “república de estudantes”, se não fosse pelo espírito democrático que logo impregnou todos os circunstantes, transmitido pelo refúgio quase-abrigo, misto de biblioteca e centro de intermináveis discussões políticas. Líder natural, o Camarada Gaspar, como costumávamos chamá-lo, depois das desditas da “Redentora”, foi combatente de primeira hora contra os abusos de 64. Não porque fosse simpatizante das causas marxistas, mas porque era sempre solidário com os vencidos, com os perseguidos políticos, com as primeiras vítimas vencidas pelos que se impunham pela força.
Logo na longa noite de 1° de abril daquele 64, foi Gaspar junto com Fernando Menezes e outros braços amigos, quem buscou, guiou e deu abrigo ao perseguido jornalista Mílton Coelho da Graça, num comportamento que se tornaria rotina, até mesmo quando o irmão Renato Ribeiro teve que se exilar no Chile.
Cristina Tavares (1934-1982) costumava lembrar Gaspar como o bravo que venceu no braço um motorista de praça, por ousar detratar uma velhinha em plena Rua da Palma, local de ponto de táxi onde o detrator era uma espécie de xerife da área.
Já Nílton Monteiro prefere recordar Gaspar como o homem que revidou a agressão de um feroz pastor alemão com tamanho soco nas fuças que se esse animal ainda existir, certamente continua ganindo lá pelas bandas de Ponto de Parada. Fernando Mendonça evoca o Gaspar leal de sua única campanha política, a catar e recomendar votos para ele entre seus muitos amigos.
Todos, porém, amigos que cultivou entre os melhores de sua geração, certamente haverão de lembrar do Camarada Gaspar como o amigo leal, o cidadão agindo sempre em defesa dos desvalidos, dos excluídos, dessas esquálidas mãos armadas que um dia lhe tirariam a vida.
Era para esses miseráveis que ele sempre tinha algo a dizer, se irmanar, no permanente exercício da solidariedade construtiva. Não com a hipocrisia dos sepulcros caiados que tentam esconder a cruel realidade de uma sociedade injusta, produto muito mais da impunidade, da falta de limites, como se a barbárie pudesse conviver com a civilização. Mas com a certeza de que só poderemos construir uma sociedade justa e equilibrada quando não houver mais excluídos nas ruas com uma arma na mão e a maldade na cabeça.
Do contrário, sempre haveremos de ter, desgraçadamente, mais excluídos do que amigos, irmãos e camaradas como Gaspar.
Rodoviários da Região Metropolitana do Recife (RMR) fazem um protesto, na manhã de hoje, em frente ao Classic Hall, avenida Agamenon Magalhães, no bairro de Salgadinho, em Olinda. O ato é feito em solidariedade ao motorista Ednaldo Batista, que sofreu queimaduras após ser feito de refém em um incêndio a ônibus no Terminal de Jardim Brasil I. O episódio é o terceiro de violência a rodoviários na região em menos de um mês.
No momento, apenas uma faixa está liberada para a circulação de veículos na via, o que causou um congestionamento de veículos. De acordo com o Sindicato de Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE), o trabalhador chegava ao local na linha Jardim Brasil/Joana Bezerra para iniciar seu trabalho quando foi surpreendido por quatro criminosos, que estava em motos. Os homens chegaram a atear fogo ao coletivo, com o rodoviário dentro.
Ainda de acordo com o sindicato, o motorista sofreu queimaduras na região da cabeça e em alguns pontos do cabelo. Ele foi socorrido para o Hospital Ariano Suassuna, da rede Hapvida, localizado na Ilha do Leite, área central da capital. Após o atendimento, Ednaldo foi encaminhado para a psicóloga da empresa e ficará afastado de suas atividades durante o restante do dia.
“A violência está de uma forma que a gente já perdeu de ver todos os dias. E amanhã, será que a gente vai estar enterrando o motorista? Porque não é o patrimônio, o patrimônio se substitui, mas a vida, a questão da saúde mental, ele [Ednaldo] falou comigo e disse que não quer mais voltar a trabalhar por conta da violência. Não se sente mais seguro. Vocês têm acompanhado aí no dia a dia que é agressão [com os motoristas] todos os dias”, declarou Roberto Carlos Torres, presidente do Sintro-PE.
Tudo teria acontecido após uma tentativa de assalto dos criminosos no terminal, segundo relatos obtidos pelo secretário. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Por meio de nota, a corporação informou que está investigando o caso. “Foi instaurado inquérito policial para apurar todos os fatos”, completou.
Terminal interditado
Revoltados com o caso e solidarizados com a situação do companheiro de trabalho, a categoria se mobilizou e recolheu todos os ônibus do Terminal de Jardim Brasil I.
“Tiramos todos os ônibus que atendem Jardim Brasil I e II. No momento, nenhum vai operar hoje no terminal. A gente vai ver o que fazer a partir daí. A gente está aqui dando assistência e cobrando os órgãos de segurança pública que alguma atitude seja tomada para parar com essa onda de violência”, afirmou o secretário geral do sindicato, Carlos Medeiros.
A Folha de Pernambuco também buscou a Urbana-PE, responsável por gerir as operadoras de ônibus na região. Por meio de nota, a empresa Caxangá informou que o motorista “passa bem” e “não havia passageiros no ônibus no momento da abordagem”.
“A Empresa Caxangá informa ainda que disponibilizou às autoridades competentes todas as informações disponíveis sobre a ocorrência, incluindo as imagens registradas pelas câmeras de segurança do coletivo, e está colaborando com as investigações”, completou.
O Grande Recife Consórcio de Transportes (CTM) também repudiou o crime. “A Secretaria de Defesa Social (SDS) foi acionada e contará com todo o apoio do Grande Recife para que os responsáveis sejam identificados e respondam judicialmente por seus atos. O GRCTM reforça que qualquer ato de violência contra motoristas compromete a operação do transporte público, afetando diretamente os passageiros que dependem diariamente do serviço”.
Três casos de violência a rodoviários em menos de um mês
Este foi o terceiro caso de violência a rodoviários com grande repercusão em menos de um mês na RMR. O primeiro foi em 12 de agosto, quando um rodoviário foi agredido e ameaçado de morte em uma discussão de trânsito enquanto operava a linha de ônibus próxima ao Terminal de Barra de Jangada, no bairro do Curado V, em Jaboatão dos Guararapes.
O crime foi gravado por câmeras de segurança do próprio veículo. Nas imagens, é possível ver o momento em que o motorista vai até a porta do ônibus e fica de frente para o agressor, que chega proferindo xingamentos e ameaças.
“Tu quer levar um tiro aqui, filho da p***? Tu vai pagar essa p**** desse retrovisor”, diz o homem, ao acusar o rodoviário de ter atingido o seu carro. O trabalhador, por outro lado, afirma que estava descendo a ladeira e não o viu ali.
O segundo caso foi em 26 de agosto, quando um motorista de ônibus de 49 anos teve traumatismo craniano leve após ser espancado por um grupo de seis homens no Terminal de Pau Amarelo, em Paulista.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, o secretário geral do Sindicato dos Rodoviários (Sintro-PE), Carlos Medeiros, afirmou que tudo começou em uma discussão de trânsito. Um motociclista alegou que o motorista de ônibus havia dado uma “trancada” nele com o veículo.
A primeira pesquisa Quaest depois do início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, contratada pelo jornal O GLOBO e pela TV Globo, divulgada hoje, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto na simulação de primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL), com 30%, aparece na sequência. O levantamento aponta ainda que o escritor Augusto Cury (Avante) cresceu, passou os outros candidatos e está em terceiro.
Os percentuais se referem ao cenário testado pela Quaest que inclui Pablo Marçal. Condenado à inelegibilidade por oito anos na esteira do uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2024, o presidenciável do PRTB tem a candidatura questionada na Justiça Eleitoral.
Cury marca 10%, oito pontos percentuais a mais do que no levantamento divulgado em 14 de agosto. As pesquisas não são diretamente comparáveis, já que a sondagem anterior incluía entre os candidatos Leonardo Avalanche (PRTB), depois substituído por Marçal, mas os números sinalizam que houve avanço significativo do candidato do Avante, o que coincide com seu crescimento nas redes sociais.
Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e Marçal, com 1% cada, vêm na sequência, em patamar inferior. Eleitores que dizem que votarão em branco, nulo ou não vão votar representam 7%, e os indecisos são 11%.
No cenário sem Marçal, há pouca variação. Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Cury registra 10%. Além do início do horário eleitoral gratuito e das inserções espalhadas na programação, os candidatos tiveram nos últimos dias momentos considerados decisivos na campanha, sobretudo a entrevista à TV Globo.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota, hoje, na qual confirma que se reuniu com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no início do ano passado, para tratar de um caso sobre precatórios em julgamento no Supremo.
“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”, diz a nota.
“No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”, continua.
A manifestação do ministro foi divulgada após publicação do site “ICL Notícias” revelar que o advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, enviou uma mensagem ao banqueiro discutindo um suposto encontro com Mendonça. A reunião ocorreu antes de o ministro virar relator do caso Master na Corte, em fevereiro de 2026.
Mensagens para Vorcaro
As conversas foram retiradas do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero.
“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado a Vorcaro. Em outra mensagem, enviada em 7 de fevereiro de 2025, acrescentou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.
“Marca quarta”, respondeu Vorcaro.
Segundo o portal de notícias, o advogado retomou o assunto no dia seguinte com o banqueiro, e enviou uma foto ao lado de Mendonça.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”, disse o advogado a Vorcaro, fazendo uma referência provável ao deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
Nos registros, o advogado teria dito a Vorcaro que foi com Mendonça em uma alfaiataria. “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, escreveu Ciro Rocha Soares.
Depois de cumprir uma extensa agenda, ontem, ao lado do candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB), com entrevistas a veículos de comunicação e visitas ao comércio, à indústria e a iniciativas sociais de Arcoverde, o presidente da Câmara de Vereadores e candidato a deputado federal, Luciano Pacheco (MDB), encerrou o dia com um porta a porta no Jardim da Serra.
A escolha do bairro para fechar a programação não foi por acaso. O Jardim da Serra mantém uma relação histórica com a trajetória política de Luciano, tendo acompanhado o candidato em diferentes eleições e momentos de sua atuação pública.
Durante a caminhada, Luciano Pacheco e Batista Cabral percorreram ruas do bairro, conversaram com moradores, ouviram demandas e receberam manifestações de apoio às suas candidaturas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa de Pernambuco.
“O Jardim da Serra tem uma história de luta ao nosso lado em muitas eleições, e nesta não seria diferente. É muito bom voltar aqui, caminhar pelas ruas, conversar com as pessoas e receber esse carinho. É uma relação construída ao longo dos anos e que a gente valoriza muito”, afirmou Luciano Pacheco.
A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, hoje, a Operação Infestatio para desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, homicídios e corrupção de menores. A investigação começou em julho de 2025 e aponta que o grupo atuava principalmente em Água Preta e São José da Coroa Grande, com funções divididas entre líderes, gerentes e responsáveis pela venda e distribuição de drogas.
Ao todo, estão sendo cumpridos oito mandados de prisão e três de busca e apreensão, autorizados pela Justiça de Água Preta. Segundo a polícia, adolescentes também eram utilizados nas atividades criminosas, enquanto ações violentas eram empregadas para controlar territórios e manter a organização do grupo. As informações são do blog Cidade 99.7.
A operação, que é a 68ª ação de repressão qualificada realizada pela Polícia Civil neste ano, conta com apoio de diversas forças de segurança. As ações ocorrem em Água Preta, Palmares, Tacaimbó e Recife, com participação das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, equipes de inteligência, unidades especiais e apoio da Polícia Civil do Mato Grosso.
O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) participou, ontem, de uma caminhada em Moreno, ao lado da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), da vice-governadora e candidata à reeleição Priscila Krause (PSD) e do prefeito de Moreno, Edmilson Cupertino. A mobilização reuniu lideranças políticas, apoiadores e moradores e reforçou a força da chapa da Coligação Pernambuco de Coração no município.
Durante a agenda, Eduardo destacou a importância de fortalecer a parceria com o prefeito Edmilson Cupertino e ampliar a representação de Moreno em Brasília. “Moreno tem um prefeito que conhece a realidade da cidade e sabe onde precisamos avançar. Quero chegar ao Senado para ser um parceiro de Edmilson, abrir portas em Brasília e trazer mais investimentos para o município”, afirmou Eduardo da Fonte.
Ao destacar a parceria durante a caminhada, o prefeito Edmilson Cupertino ressaltou a atuação de Eduardo em defesa dos municípios e a importância de contar com um representante próximo para levar as demandas de Moreno a Brasília. “Eduardo conhece as necessidades de Moreno, conhece os caminhos em Brasília e tem trabalho prestado pelos municípios. Precisamos de representantes que tenham compromisso e capacidade de buscar investimentos. Por isso, estamos ao lado de Eduardo nessa caminhada, com a certeza de que ele será a voz de Moreno no Senado”, afirmou o prefeito.
Mensagens de Daniel Vorcaro reveladas em relatório da Polícia Federal levantaram entre advogados a possibilidade de crimes como obstrução à Justiça e tráfico de influência. O caso já entrou na disputa política: a oposição levou à PGR e ao STF questionamentos sobre possíveis irregularidades.
Advogados ouvidos pelo blog da Júlia Duailibi apontam duas mensagens mais críticas. A primeira, enviada no dia 15 de novembro de 2025, pergunta Vorcaro a Moraes sobre deixar o país a dois dias de operação: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Em outra mensagem, Daniel Vorcaro pede ajuda ao ministro Alexandre de Moraes, segundo a PF, mencionando uma possível atuação junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Um dos principais obstáculos para avançar na investigação é que o relatório mostra as mensagens enviadas por Vorcaro, mas não deixa claro quais foram as respostas recebidas.
Moraes não é alvo da investigação, segundo as informações disponíveis. Também não está claro se o telefone usado pelo ministro nas conversas ainda existe ou se o conteúdo poderá ser recuperado.
Outro ponto que pode passar por perícia é a forma como as conversas eram registradas. Segundo aliados de Moraes, Vorcaro fazia prints das mensagens, salvava as imagens no bloco de notas do celular e depois as enviava pelo WhatsApp em mensagens de visualização única.
A PF pode analisar os registros deixados no aparelho para tentar relacionar arquivos, datas e conversas apagadas. Essa etapa, porém, depende de uma análise técnica e pode não ser suficiente, por si só, para comprovar eventual crime.
Por enquanto, as mensagens levantam hipóteses que ainda precisam ser investigadas e comprovadas.
Avanço de Cury sinaliza despertar da terceira via, diz cientista de dados
Com 11% das intenções de voto em duas pesquisas presidenciais divulgadas nos últimos dias, Augusto Cury (Avante) começa a abrir espaço para uma terceira via na disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o estrategista e cientista de dados Alek Maracajá apontou o desempenho do escritor no ambiente digital como um dos fatores por trás desse avanço. “Acredito muito que a gente está indo para o despertar da terceira via. Cury é a grande surpresa”, afirmou.
Para Maracajá, o desempenho do candidato ainda precisará ser observado nas próximas semanas para saber se ganhará consistência, mas já provocou uma mudança no cenário da disputa. “Ele furou a bolha e chegou em várias pessoas. Agora a decisão está nas pessoas. Ele vai aparecer mais ainda e vai despertar o interesse de muita gente, então acredito que ele vai crescer ainda mais”, projetou.
O estrategista atribui a ascensão de Cury à combinação entre exposição em veículos de grande alcance e uma operação digital baseada na circulação de cortes e na participação de microinfluenciadores de diferentes segmentos. Segundo dados levantados por Maracajá, o escritor passou de 8,3 milhões para 10,8 milhões de seguidores após ampliar sua participação em debates e sabatinas. “O grande segredo hoje do mundo digital é atenção, e ele conseguiu puxar a atenção para ele”, resumiu.
A passagem pelo Jornal Nacional, na avaliação do especialista, exemplifica essa dinâmica. A exposição na televisão aberta deu alcance nacional ao candidato, mas foi a reprodução de trechos da entrevista nas redes que ampliou o efeito da aparição. “Apenas a audiência do JN não significa tudo. Ele pegou cortes e colocou na internet, e chegou a um crescimento exponencial de mais de 2,4 milhões de novos seguidores”, observou. Maracajá também identifica semelhanças entre a estratégia de Cury e a de Renan Santos (Missão), embora veja diferenças no posicionamento dos dois candidatos.
Esse processo, segundo ele, é parte de uma transformação mais ampla da comunicação eleitoral. Se no início dos anos 2000 as campanhas eram estruturadas principalmente para o horário eleitoral e as ruas, hoje até o conteúdo produzido para rádio e televisão já nasce pensando em sua circulação nas plataformas digitais. “O guia hoje é pensado mais para a internet, para os cortes, do que para o próprio guia”, destacou.
Maracajá considera que o comportamento nas redes também precisa ser levado em conta na interpretação das pesquisas. Enquanto os levantamentos tradicionais medem a intenção declarada de voto, o ambiente digital permite observar buscas, compartilhamentos, engajamento e a força com que determinadas narrativas se espalham. “Hoje acredito que o que pode interferir em uma pesquisa de campo é o movimento digital. Todos estão conectados. Então uma narrativa digital pode interferir, sim, na pesquisa de campo”, explicou.
Nesse novo ambiente eleitoral, a inteligência artificial aparece como o maior desafio de 2026, na avaliação do cientista de dados. Maracajá alerta para a facilidade com que ferramentas de IA permitem produzir, manipular e distribuir conteúdos em larga escala e questiona a capacidade da Justiça Eleitoral de fiscalizar esse universo. “Hoje a Justiça Eleitoral não tem braço nem perna para poder fiscalizar e combater isso”, advertiu. Para ele, o país avançou rapidamente em conectividade, mas ainda não desenvolveu, na mesma proporção, a capacidade de identificar desinformação e distinguir conteúdos verdadeiros de materiais falsos ou manipulados.
Renan liberado – O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli liberou a campanha digital de Renan Santos, do Missão, à Presidência da República. A decisão foi tomada ontem, após ter restringido a campanha digital do candidato neste final de semana. O ministro liberou a realização de propaganda eleitoral e também o direito de participar de debates em rádio, televisão, podcasts ou quaisquer outros meios de comunicação e de receber repasses do Fundo Eleitoral. Na decisão, o ministro determinou ainda que as plataformas de redes sociais restabeleçam o funcionamento dos perfis do candidato. A decisão vale também para o candidato a vice-presidente Aroldo Medina.
Mesmo com visualização única – Parte das mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram enviadas no modo de visualização única, mas puderam ser recuperadas por conta de outros rastros, informou a Polícia Federal. Em relatório que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do STF, a PF afirmou que Vorcaro enviou cinco mensagens de visualização única a Moraes em 17 de novembro de 2025, um dia antes de ser preso e ter seu celular apreendido na Operação Compliance Zero. Segundo o documento, essas mensagens foram recuperadas por meio de programas usados pela PF. Mas Vorcaro tinha muitas outras interações pelo aplicativo sem visualização única que também puderam ser analisadas.
A promiscuidade entre os poderosos e o poder – As mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantam suspeitas sobre os limites da relação entre um integrante da Corte e um empresário investigado e justificam uma apuração aprofundada dos fatos, avaliaram juristas ouvidos pelo portal Estadão. Para Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça, os diálogos revelam uma “promiscuidade entre poderosos e o poder” e podem envolver advocacia administrativa. Para o jurista, a relação exposta pelas mensagens mostra uma proximidade que ultrapassaria uma interlocução episódica entre o banqueiro e o magistrado. “O ministro atua de uma forma muito próxima, dando conselhos, fiscalizando ou revendo, fazendo uma revisão de contrato. Ou seja, tudo isto leva a uma descredibilidade da instituição junto à população”, afirma.
Briga feia – Ao saber que o ministro André Mendonça havia pedido o aprofundamento de investigações que acabaram por descortinar suas conversas com Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes quase chegou às vias de fato com o colega do Supremo. Moraes pediu, na segunda, uma conversa com Mendonça, que o recebeu em seu gabinete. O encontro desandou. O portal Metrópoles apurou que o clima esquentou, o tom ficou ríspido de parte a parte e, por pouco, a discussão não descambou para agressões físicas. Mendonça quis saber como Moraes tomou conhecimento dessa investigação, que é sigilosa e está sob sua relatoria. “Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”, respondeu Moraes. Moraes acusou o colega de direcionar as investigações para ele. Para investigar um ministro do Supremo, é preciso ter a concordância de todos os ministros da Corte.
Alcolumbre resiste a impeachment de Moraes – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou, ontem, a aliados que não pretende dar andamento, por enquanto, a pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo matéria do jornal O Globo. A posição foi mantida mesmo após a oposição ampliar a pressão sobre o ministro com a divulgação de conversas entre ele e Daniel Vorcaro durante a crise do Banco Master. No plenário, Flávio Bolsonaro (PL) cobrou diretamente uma reação de Alcolumbre, enquanto o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou que apresentará um novo pedido de impeachment contra Moraes e uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República. Marinho também afirmou que pedirá ao Governo Federal a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O nome de Andrei aparece em uma mensagem na qual Vorcaro pediu a Moraes que intercedesse junto a “Andrei e Paulo”, em referência também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
CURTAS
QUEM VIU? – O candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos (PSB), questionou a existência dos cartazes apócrifos contra a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). Durante a sabatina da Rádio Folha FM 96,7, o postulante afirmou: “Pedi que a nossa equipe jurídica procurasse. Eles não encontraram nenhum panfleto desse que foi postado. Encontraram um panfleto que fazia ataque à honra; do que foi postado, nenhum”, enfatizou.
FLÁVIO E MICHELLE – O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma mensagem de solidariedade à governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), após ataques direcionados a ela e à sua família durante o período eleitoral. A candidata ao Senado Michele Bolsonaro (PL) também manifestou solidariedade à governadora, ao republicar um reel da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em apoio à pernambucana.
DEBATE – O portal G1/PE realizará, hoje, às 14h, um debate com candidatos ao Senado por Pernambuco. O encontro será mediado pelo jornalista Márcio Bonfim. Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em Pernambuco, são os seguintes: Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).
Perguntar não ofende: O que mais vai sair do celular de Vorcaro?
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que não é normal haver 109 pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) encaminhados ao Senado.
A declaração ocorreu quando ele deixava o Congresso Nacional na noite de terça-feira (01), dia em que um relatório da PF (Polícia Federal) revelou conversas de Daniel Vorcaro com uma pessoa que o ex-banqueiro tinha o contato salvo no celular como Alexandre de Moraes. As informações são da CNN.
“A minha percepção é que tem 109 pedidos e isso não é normal, 109 solicitações no Congresso [a respeito] dos dez ministros do Supremo de pedido de impeachment”.
Alcolumbre não comentou a situação de Alexandre de Moraes. “Eu não achei nada, não devo achar nada.”
Novos pedidos de afastamento
Somente na terça-feira, surgiram dois novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou que também vai pedir o afastamento do ministro que é alvo dos bolsonaristas por causa da sua atuação na última corrida presidencial e no julgamento de Jair Bolsonaro.
Parlamentares da oposição aproveitaram as revelações do relatório da PF para atacar Moraes. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele teria perguntado se estava na hora de fugir do país para não ser preso. Os peritos ainda encontraram indícios de que o ministro do STF teve acesso ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o ex-banqueiro e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Durante coletiva realizada na Câmara na terça, parlamentares de oposição apresentaram uma queixa-crime contra o ministro na Procuradoria-Geral da República. Também foi solicitado que o Supremo autorize investigação contra Moraes.
O deputado federal Felipe Carreras e o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, reuniram-se, nesta terça-feira (1º), em Brasília, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O encontro tratou de medidas relacionadas ao comércio exterior e à tributação que podem afetar o Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco.
Entre os temas discutidos estiveram a medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas”, a aplicação de medidas antidumping e a possibilidade de aumento da alíquota de importação de produtos de poliéster, utilizados como insumo pela indústria de confecções da região. Segundo Carreras, eventuais mudanças devem considerar os efeitos sobre produtores, comerciantes e trabalhadores do setor.
“O Polo de Confecções gera emprego, renda e oportunidade para milhares de famílias. Santa Cruz do Capibaribe e todo o Agreste precisam ser ouvidos antes de qualquer decisão que possa afetar diretamente esse setor”, afirmou Felipe Carreras. De acordo com o parlamentar, caso sejam identificados possíveis prejuízos para a cadeia produtiva, também deverão ser discutidas medidas compensatórias.
Foi com sigilo máximo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)André Mendonça tratou do pedido que fez na semana passada para que a Polícia Federal identificasse interlocutores de algumas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. A conversa citava conteúdos graves, como pedido de blindagem por meio do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O retorno veio em 72 horas, prazo dado pelo ministro para que a PF identificasse os interlocutores das mensagens enviadas pelo banqueiro. Seu colega no STF, Alexandre de Moraes, era o receptor das mensagens que Vorcaro trocava sobre a Operação Compliance Zero, que viria a prendê-lo no fim de 2025. Mendonça não deu nem mesmo à PGR ciência do relatório policial que mostrava as conversas entre o banqueiro e Moraes. As informações são do jornal O GLOBO.
No fim de semana, o ministro, que é o relator das investigações do Banco Master, procurou o presidente do STF, Edson Fachin, e relatou o conteúdo bombástico das mensagens. Como informou a colunista Malu Gaspar, o presidente da Corte não escondeu o temor pelo desgaste que o Supremo pode amargar com a crise em plena campanha eleitoral. Mendonça também se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, que, assim como ele, foi indicado ao tribunal por Jair Bolsonaro. Além de tratar de temas eleitorais, Mendonça falou sobre o conteúdo das mensagens e disse que o material seria remetido à PGR.
Na segunda-feira (31), ministros relataram que o clima de que uma “bomba estava prestes a estourar” pairava no tribunal. Veio a explosão. Alexandre de Moraes teve conhecimento do relatório policial em que aparece sua troca de mensagens com Vorcaro. Irritado, buscou Mendonça e o bate-boca começou. Acusou Mendonça de investigar colegas da Corte. O relator do caso Master rebateu, dizendo que fez o pedido sem saber quem era o interlocutor e questionou como Moraes teve acesso ao documento, que ainda era sigiloso.
Segundo aliados de Moraes, foi só depois do “calor” que houve entre ele e Mendonça que o ministro decidiu encaminhar o documento para a PGR se manifestar. Já interlocutores de Mendonça relataram que o ministro já iria encaminhar o relatório, que também cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao órgão que ele chefia.
O documento foi encaminhado à PGR e, na terça-feira (1º), as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro se tornaram públicas, por ordem do ministro. A essa altura, os ministros do STF já estavam em polvorosa. A ala ligada a Moraes saiu em defesa do magistrado, em reservado. O principal argumento a favor dele é questionar a legalidade das ações feitas por Mendonça. Para esses ministros, o relator do caso Master teria ferido o rito do tribunal ao investigar um colega da corte sem a autorização do presidente do STF ou do plenário.
Integrantes do gabinete de Mendonça argumentam que ele não investigou colegas e que dirigiu o pedido à PF para saber quem eram os destinatários das mensagens com Vorcaro, sem saber que Alexandre de Moraes seria citado.
O caso também fez entornar de vez o caldo com a Polícia Federal. A decisão de Mendonça causou revolta e indignação no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A interlocutores, o delegado acusa Mendonça de atuar de maneira ilegal, cometendo abuso de autoridade e desvio de finalidade. A crítica central é que Mendonça assumiu a função de investigador, o que não compete ao juiz. A mesma crítica passou a ser entoada por aliados de Gonet e ministros do STF ligados a Moraes.
O caso agora será decidido no plenário do STF, a pedido do relator e deixará claro se Mendonça ou Moraes ganhará a queda de braço. Seja qual for o desfecho, o fato é que o STF hoje vive uma crise sem precedentes.
A bola está com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luis Edson Fachin. Ele não pode demorar a se manifestar sobre a máxima gravidade das revelações feitas nesta terça-feira a respeito da relação absolutamente inadmissível do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, primeiro por meio de uma série de reportagens do jornal O Estado de S.Paulo e depois tornadas públicas quando o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, levantou o sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal sobre o caso.
Diante dos achados da PF, Mendonça se dirigiu a Fachin cobrando dele a convocação de uma sessão aberta e pública do pleno, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República, para analisar, “de modo técnico e eminentemente jurídico” as novas revelações trazidas pela PF. As informações são do jornal O GLOBO.
Com essa manifestação dirigida diretamente a Fachin, Mendonça torna explícita uma realidade: as citações ao procurador-geral Paulo Gonet no material da PF também tornam sua situação delicada e o deixam sujeito a uma investigação nos mesmos termos que Moraes.
Não é de hoje que o STF vem empurrando com a barriga e evitando mexer na ferida aberta na corte com o caso Master. Em relação a outro ministro, Dias Toffoli, o que a corte fez foi instá-lo a se afastar da relatoria do caso e, a partir daí, passar a se julgar impedido de julgar o caso. E só. Até aqui, as relações de sua família com empresas e fundos ligados ao Master não foram objeto de inquérito próprio pela PF.
Não é o mesmo procedimento que o STF tem usado para investigações similares, quando elas não atingem os seus. Sobretudo não é a maneira como Alexandre de Moraes procede nos muitos casos nos quais é relator.
Não é suficiente nem aceitável, agora, discutir se André Mendonça avançou o sinal em relação ao que dizem o Regimento Interno do STF e a Lei Orgânica da Magistratura. Diante dos fatos trazidos ao conhecimento do país, o STF tem de abrir as cortinas e cortar na própria carne.
Numa só tacada, veio à tona que Moraes editou o contrato do escritório de sua mulher, Viviane Barci, com o Master, que foi consultado por Vorcaro sobre a conveniência e o momento de deixar o país para não ser preso, que recebeu dele vários pedidos para influenciar em decisões da PF e da PGR e que seus filhos receberam cartões de crédito e transporte em aeronaves franqueados pelo Master. É uma bomba atômica em termos de gravidade criminal e institucional.
Fachin não tem como hesitar. Moraes é vice-presidente do STF, a imagem da corte está em seu pior momento e temas como impeachment de ministros do Supremo estão na pauta das eleições. Tudo isso contribui para a urgência da manifestação de Fachin e dos demais ministros, em público, como eles mesmos fizeram questão de fazer em casos paradigmáticos da história recente, como a trama golpista.