Por Rinaldo Remígio*
O futebol pernambucano é muito mais do que bola rolando. É história, paixão, identidade e pertencimento. É parte da vida de milhares de famílias que aprenderam, de geração em geração, a amar as cores dos seus clubes.
Quando falamos do nosso futebol, lembramos imediatamente dos três grandes da capital: Sport, Santa Cruz e Náutico. Clubes centenários, donos de histórias que ultrapassaram as fronteiras de Pernambuco e ajudaram a construir a tradição do futebol nordestino.
Leia maisMas Pernambuco não vive apenas do futebol da capital. O interior também tem sua história, sua força e suas paixões.
Central e Porto, de Caruaru; Salgueiro; Petrolina; Sete de Setembro; Ypiranga; Vera Cruz; Afogados da Ingazeira; Retrô; Maguary, entre tantos outros, representam cidades e regiões inteiras e já escreveram — e continuam escrevendo — capítulos importantes do nosso futebol.
Cada clube tem sua torcida. Cada torcida tem suas histórias, seus cânticos, suas alegrias e também suas lágrimas.
E, neste momento, é impossível falar da grandeza do futebol pernambucano sem abrir um espaço especial para o Santa Cruz Futebol Clube.
O SANTA CRUZ VOLTOU!
Foram nove longas temporadas longe da Série B do Campeonato Brasileiro. Uma verdadeira saga para um clube de tamanha tradição e de uma torcida reconhecida nacionalmente por sua paixão.
O Santa Cruz conheceu, nesses anos, momentos extremamente difíceis. Caiu de divisões, sofreu eliminações dolorosas, viu acessos escaparem e chegou a ficar sem divisão nacional.
Mas o Santa não morreu.
O Santa resistiu.
E talvez seja exatamente aí que esteja uma das maiores belezas do futebol: a capacidade de cair e encontrar forças para levantar novamente.
Depois de uma longa caminhada, o Santa Cruz conseguiu subir os degraus e reencontrar o caminho da Série B do Campeonato Brasileiro.
É uma conquista que ultrapassa as quatro linhas.
É a recompensa de uma torcida que sofreu, chorou, acompanhou o clube nos momentos mais difíceis e, principalmente, não abandonou o Santa Cruz.
E veja o exemplo dessa torcida tricolor: mais de 45 mil pessoas na Arena de Pernambuco, e isso aconteceu mais de uma vez! É paixão mesmo. É demonstração de amor ao clube, de fidelidade e, acima de tudo, de esperança.
Quem acompanha futebol sabe a diferença que faz uma arquibancada pulsando.
O calor da torcida, o grito, o incentivo, tudo isso levanta o time para valer!
Quando milhares de vozes cantam juntas, quando a arquibancada vibra e empurra os jogadores, cria-se uma força que parece sair das cadeiras e chegar ao gramado. Futebol também é isso: emoção compartilhada entre quem joga e quem torce.
O torcedor tricolor mostrou exatamente isso. Mesmo depois de tantos anos de dificuldades, continuou acreditando.
O Santa Cruz caiu, mas sua torcida permaneceu de pé.
E talvez esteja aí uma das explicações para a capacidade desse clube de renascer tantas vezes.
A volta do Santa Cruz deve ser comemorada não apenas pelos tricolores. É também uma conquista importante para o futebol pernambucano. Quanto mais fortes estiverem nossos clubes, maior será Pernambuco no cenário regional e nacional.
Que a saga do Santa Cruz sirva de exemplo: no futebol, como na vida, cair não significa permanecer no chão. O importante é encontrar forças para levantar e continuar caminhando.
E é justamente por amar o futebol que precisamos falar de algo que continua nos preocupando.
Não podemos permitir que a violência de alguns transforme o futebol em território de medo.
As chamadas torcidas organizadas precisam compreender uma coisa muito simples: adversário não é inimigo.
Não é aceitável que famílias deixem de frequentar os estádios por medo de confrontos, agressões ou emboscadas. Futebol deve ser festa. Deve ser encontro de gerações. Deve ser o pai levando o filho ao estádio, o avô contando histórias de grandes jogos, os amigos vestindo suas camisas e cada um defendendo seu clube com paixão — mas sempre com respeito.
Nenhuma camisa vale uma vida.
Sport, Santa Cruz, Náutico e todos os clubes do interior precisam de torcedores apaixonados, mas precisam, acima de tudo, de paz nas arquibancadas e fora delas.
Que possamos voltar a ver nossos estádios cheios de famílias.
Que as rivalidades permaneçam dentro das quatro linhas.
Que possamos brincar com o adversário, comemorar uma vitória e também saber reconhecer uma derrota.
E que a volta do Santa Cruz à Série B simbolize também um novo momento para o nosso futebol.
Um futebol forte.
Um futebol respeitado.
Um futebol de estádios cheios.
Um futebol onde possamos levar nossos filhos e netos sem medo.
Porque Pernambuco tem história, tem clubes, tem grandes torcidas e tem paixão de sobra.
Viva o futebol pernambucano!
Parabéns ao Santa Cruz e à sua apaixonada torcida pela volta à Série B!
E, acima de qualquer bandeira, escudo ou camisa:
QUE VENÇA SEMPRE A PAZ!
*Professor universitário aposentado e torcedor do futebol pernambucano
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