Calculado por um algoritmo que coleta e processa 175 variáveis das plataformas Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia, o índice traz resultados que variam de 0 a 100 pontos.
O monitoramento feito de 4 a 15 de outubro mostra que o petista saltou de 70,7 pontos para 82,6 pontos. A performance de Flávio seguiu o caminho inverso: saiu de 80 pontos no domingo do primeiro turno para 76,4 pontos.
No IPD, são cinco métricas monitoradas: presença nas principais redes sociais; fama (visibilidade e alcance de conteúdo); engajamento; mobilização (compartilhamento e menções espontâneas); valência (razão entre reações positivas e negativas); e interesse (acessos e volume recente de buscas).
O algoritmo do cálculo pondera também o “ruído” das redes, principalmente de bots, para conseguir chegar ao mais próximo possível do comportamento real do eleitor.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, desde 2020, tem havido um alto nível de correlação entre aquilo que o IPD mostra e o que a urna mostra. Para ele, o avanço de Lula nas redes sociais é explicado por um somatório de fatores, a começar pela guinada na comunicação do petista com a entrada dos deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG) e André Janones (Rede-MG) na campanha. Ela, pela introdução de vídeos legendados, na vertical e em formato selfie; ele, pelo canal “Exército do Lula” no WhatsApp, com “missões” em outras plataformas.
A isso, se somam eventos que ocorreram fora do ambiente digital, como manifestações na Avenida Paulista (SP) e em Copacabana (RJ), além da aprovação do fim da escala 6×1 no Senado. “O indicador é uma sinalização de mudança de quadro. Sugere que Flávio perdeu a condição de favorito que ele sustentava no primeiro turno, muito pelo que chamamos de ‘wake-up call’, ou despertar, da campanha petista, depois do resultado das urnas”, diz o diretor da Quaest.
Do lado de Flávio, o pós do primeiro turno foi pontuado pelas declarações de apoio de presidenciáveis derrotados —Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante)— além do ex-presidente Michel Temer (MDB). O senador ainda foi autorizado a visitar o pai, em prisão domiciliar desde agosto do ano passado.
Os apoios, porém, surtiram pouco efeito na popularidade digital do postulante ao Planalto. Pelo contrário: houve um desengajamento da campanha do PL nas redes sociais, embora ainda permaneça perto do teto.
Nunes explica que, para o eleitor, o endosso dos presidenciáveis derrotados tem perdido importância ao longo do tempo, e o eleitorado tem optado por outros mecanismos, que não os tradicionais formadores de opinião, na hora de decidir o voto.
Outro fator que pesou na performance do senador foi o clima de “já ganhou” na base bolsonarista. Ele marcou 47,03% nas urnas e Lula, 45,16% –na história das eleições brasileiras, nunca um candidato que terminou atrás na primeira rodada venceu o pleito. Nos dados, foi como se parte dos agentes da campanha tivesse “tirado férias”, diz Nunes.
Daqui para frente, segundo ele, as métricas de engajamento e mobilização deverão ser as mais decisivas para o resultado final, sobretudo ao considerar o recorde de abstenções no primeiro turno, de 33,4 milhões.
“No IPD, há sinais de que Lula está conseguindo mobilizar eleitores no segundo turno e possivelmente aumentar a presença nas urnas. Flávio, que já tem uma base engajada há mais tempo, está estável. O eleitor de Lula está mais motivado, e é possível que isso impacte na eleição, porque pode provocar uma redução, mesmo que mínima, nas abstenções, o que já favoreceria a campanha de Lula em um cenário tão apertado.”
Na primeira Quaest do segundo turno, divulgada na quarta-feira (14), o senador marcou 46%, contra 44% de Lula –o que configura empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
No último levantamento Datafolha, de quinta-feira (15), nos votos válidos, em que são excluídos brancos e nulos, o senador tinha 51% ante 49% de Lula, configurando também empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
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