A crônica domingueira

No sertão onde nasci e fui criado não havia televisão. A energia, escassa e com hora marcada para nos jogar no mundo das trevas, de uma escuridão assustadora, era gerada por um motor super barulhento a diesel. Quando quebrava, dormíamos à luz de candeeiros. Era um mundo também sem fotografias. São raras as fotos que tenho dos tempos de infância.

Diferente de hoje, onde os celulares permitem até as autofotos, as chamadas selfies, naquele tempo registros fotográficos só pagos, porque ninguém tinha máquina fotográfica. Em Afogados da Ingazeira, papai recorria a “seu” Adamastor, o precursor da fotografia na cidade. As imagens eram entregues sob encomenda, muitos dias depois, em preto e branco.