Por Mariana Teles*
Há sete anos eu não saio procurando me encaixar na sua agenda de compromissos do final de semana. Painho nunca ficou um dia dos pais sem trabalhar, e isso diz muito do que ele me ensinou todos os dias. Eu saía me encaixando na sua programação para passar o final de semana inteiro com ele, não importava onde fosse. Ele só dizia: “que horas é a sua primeira aula na segunda feira?”. A preocupação com os estudos que me faz ouvir sua voz até hoje quando eu começo ou termino um livro, um curso, um processo.
Esses dias eu disse que uma das coisas que mais me faz administrar o luto inadministrável é a sensação de ter vivido 25 anos ao seu lado com muita intensidade, em todos os extremos. Eu disse todos os dias a painho o quanto o amava, não acordava nem dormia sem lhe pedir a benção e tive sempre verdadeira devoção pelo seu jeito tão peculiar mas tão apaixonado de ser pai.
Leia maisHoje eu resolvi não chorar. Rezei, comunguei, e agora estou aqui assistindo o que foi a nossa vida juntos, a nossa casa cheia, mergulhada em milhares de vídeos no YouTube e nas tantas poesias que já lhe escrevi.
O senhor continua sendo, continua no meu jeito de procurar o lado bom em todas as coisas, na minha indisciplina muitas vezes, mas é tudo que eu sei sobre coragem, perseverança e talento.
Eu não estava pronta para caminhar sem sua direção, me perdi tantas vezes sem seu grito para me trazer de volta para mim mesma, mas aprendi a lhe encontrar na beleza dos recomeços, na eternidade dos serenos, na melodia das violas, na graça singular do improviso e nessa teima que eu tenho de não desistir fácil do que eu acredito.
Tudo que construo tem o senhor, tem a essência que foi plantada em mim pelas suas lições. Hoje é celebração, porque Deus me permitiu ter um pai e saber a real dimensão disso na vida. Que bom que eu disse tanto que amava o senhor, que eu vivi tanto a sua vida e aprendi como seguir a minha.
Gratidão por tudo que continuamos sendo juntos, o senhor será sempre o soneto mais bonito da minha existência!
Bibi
*Advogada e poetisa
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