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“Que governo vai resolver isto?” Pernambuco figura entre os estados com os piores indicadores de violência do país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ocupa posições preocupantes em índices como Mortes Violentas Intencionais (MVI), feminicídios e atuação do crime organizado. Diante dessa realidade, a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE) lança uma campanha institucional para chamar a atenção da sociedade e questionar: o que falta para mudar esse cenário?
Construída com base em dados oficiais, a iniciativa evidencia que a violência não pode ser analisada apenas pelos números. É preciso discutir também a capacidade de investigação do Estado, as condições de trabalho da Polícia Civil e os investimentos necessários para que delegados e delegadas possam exercer plenamente sua missão de investigar crimes, proteger vítimas e oferecer respostas à sociedade.
Mais do que apresentar estatísticas, a ADEPPE propõe um questionamento: por que Pernambuco continua figurando entre os estados mais violentos do Brasil? E quais medidas estruturantes precisam ser adotadas para mudar essa realidade?
A campanha parte do princípio de que segurança pública se constrói com planejamento, investimentos e instituições fortalecidas. Nesse contexto, a valorização da Polícia Civil, a recomposição do efetivo, a melhoria da estrutura de trabalho e o fortalecimento da investigação criminal são apontados pela entidade como medidas essenciais para ampliar a capacidade de resposta do Estado à criminalidade.
Na primeira etapa, a campanha estará presente em outdoors e nas plataformas digitais, apresentando dados relacionados à violência, homicídios, feminicídios e crime organizado. Ao longo dos próximos meses, novos conteúdos irão aprofundar esse debate, sempre fundamentados em informações públicas e voltados à conscientização da população.
Segundo o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, a campanha nasce da responsabilidade institucional da entidade em contribuir para uma discussão que interessa a todos os pernambucanos.
“Nenhuma sociedade consegue reduzir a violência sem uma investigação forte. Os delegados de Polícia querem oferecer respostas cada vez mais rápidas e eficientes à população, mas isso exige estrutura, efetivo, tecnologia e valorização institucional. Fortalecer a Polícia Civil é fortalecer a capacidade do Estado de investigar, combater o crime e proteger a sociedade.”
A ADEPPE ressalta que a iniciativa possui caráter institucional e está fundamentada em dados oficiais. O objetivo é ampliar o conhecimento da sociedade sobre os desafios enfrentados pela Polícia Civil e defender políticas públicas capazes de fortalecer a investigação criminal como instrumento essencial para a redução da violência.
Para a entidade, enfrentar a criminalidade exige mais do que acompanhar estatísticas. Exige compreender que uma Polícia Civil estruturada, valorizada e preparada representa mais eficiência nas investigações, maior capacidade de resposta ao crime e mais segurança para toda a população.
A campanha será desenvolvida ao longo dos próximos meses por meio de mídia exterior, conteúdos digitais e ações institucionais, reafirmando o compromisso da ADEPPE com o fortalecimento da Polícia Civil e com a construção de um Pernambuco mais seguro.
Enquanto a bolha bolsonarista comemora a reconciliação virtual de Michelle e Flávio Bolsonaro, aliados já articulam nos bastidores os próximos passos para virar a página e encerrar de uma vez a guerra que expôs as fissuras internas da família: o acerto de uma conversa presencial e a gravação de um novo vídeo da primeira-dama, para ser exibido neste sábado (25), na convenção nacional do PL que vai confirmar a candidatura do senador à Presidência da República.
De acordo com aliados de Michelle ouvidos reservadamente pelo blog, a presença da ex-primeira-dama na convenção nacional do PL está praticamente descartada, por conta dos cuidados de saúde exigidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebe uma série de medicações ao longo do dia.
“Michelle não pode ficar mais de três horas fora de casa por causa dos remédios do Bolsonaro. Ela não pode deixar o Jair só com a Laurinha”, afirma um aliado de Michelle ouvido pelo blog.
Mas, em outro sinal de pacificação, Michelle deve gravar mais um novo vídeo, para ser exibido no evento de São Paulo, que vai ocorrer na Arena Pacaembu. A peça ajudaria a consolidar a noção de que a reconciliação é para valer, assim como na estratégia de recuperar espaço no eleitorado feminino.
Conforme informou o blog, a reconciliação entre Michelle e Flávio, registrada em vídeos coordenados nas redes sociais, foi resultado de um esforço concentrado que mobilizou por uma semana aliados dos dois lados da guerra do ex-clã presidencial.
Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a força-tarefa de “bombeiros” incluiu a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do coordenador da pré-campanha de Flávio à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
“Foi uma luta de mais de uma semana”, resumiu um dos atores envolvidos no cessar-fogo.
Conforme o roteiro traçado pelos “bombeiros”, Flávio Bolsonaro primeiro publicou um vídeo de 2 minutos e 35 segundos pedindo desculpas à madrasta, e ela postou duas horas depois um vídeo de 2 minutos e 9 segundos aceitando o pedido e se comprometendo a ajudá-lo na corrida presidencial. “Todos nós cometemos erros, isso é humano. Aceito o seu pedido, eu te desculpo”, disse Michelle, prometendo reunir um “Exército de pessoas de bem” para “resgatar o Brasil”.
De acordo com uma fonte que acompanhou de perto a articulação do armistício, “muita gente trabalhou nos bastidores, não foi obra de um só”. “A Celina convenceu a Michelle [a concordar com a gravação do vídeo] e passou o que era pro Flávio fazer. Aí entrou a turma mais próxima do Flávio, principalmente o Valdemar, que convenceu o Flávio a gravar esse vídeo”.
Celina é uma das lideranças políticas mais próximas de Michelle e conta com o apoio da ex-primeira-dama em sua campanha para seguir no comando do Palácio do Buriti.
Já Michelle deve disputar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal, tradicional reduto bolsonarista onde a sua vitória é dada como certa. Lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula.
“Celina e Damares foram as grandes responsáveis. Elas fizeram acontecer”, afirmou ao blog um aliado de Michelle que pediu para não ser identificado. No vídeo de resposta a Flávio, ela fez questão de agradecer nominalmente às duas, “que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”.
Depois do desfecho, um interlocutor de Flávio chegou a brincar que a governadora do DF “merece o prêmio Nobel da Paz”.
‘Ninguém é perfeito’
No vídeo desta quinta-feira (23), Flávio fala em “evitar qualquer divisão”, elogiou o “grande trabalho” de Michelle à frente do PL Mulher e pregou união no campo da direita para impedir a reeleição do presidente Lula.
“Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, declarou o pré-candidato do PL.
“Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil.”
Logo após a postagem, Michelle curtiu a publicação de Flávio no Instagram, antes de publicar o próprio vídeo.
Em meio à guerra no clã Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na semana passada, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo.
Mas os atritos públicos com a madrasta e os desdobramentos das investigações do caso Banco Master, que ganharam um novo capítulo com a abertura de inquérito para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, Flávio não só se viu isolado e com dificuldades para angariar apoio de outras legendas, como também deve deixar para depois da convenção deste sábado o anúncio de quem vai ser a sua companheira de chapa.
Uma fonte graduada do Progressistas revelou ao Blog Ponto de Vista que o pré-candidato ao Senado Federal, Eduardo da Fonte (PP), teria convidado o senador Fernando Dueire (MDB) para ocupar a primeira suplência em sua chapa.
Caso a composição seja confirmada, Eduardo da Fonte dará mais um importante passo no fortalecimento da sua candidatura ao Senado. Isso porque Fernando Dueire é considerado um dos parlamentares com maior trânsito entre os gestores municipais.
Reconhecido como o senador mais municipalista de Pernambuco, Dueire construiu uma sólida relação com prefeitos de todas as regiões do Estado, tornando-se uma das figuras mais respeitadas entre os chefes dos Executivos municipais. Sua eventual presença na chapa de Eduardo da Fonte tende a ampliar significativamente a capilaridade política do projeto do presidente estadual da Federação União Progressista, agregando apoios estratégicos em diversas cidades pernambucanas. Além disso, confirmaria a aliança formal entre o PSD e o União Progressista, sepultando a possibilidade do lançamento de três candidaturas ao Senado.
No meio político, a possível indicação de Fernando Dueire para a primeira suplência é vista como um movimento de grande peso eleitoral, capaz de fortalecer a caminhada de Eduardo da Fonte rumo ao Senado Federal e ampliar sua base de sustentação em um segmento considerado decisivo nas eleições: o municipalismo.
Até o momento, nem Eduardo da Fonte nem Fernando Dueire se manifestaram oficialmente sobre a informação.
O Sextou de hoje homenageia o cantor, compositor, poeta e ator Agnaldo Rayol, falecido em 2024. Entrevistei a jornalista Nilu Lebert, autora da biografia do artista.
Rayol ficou conhecido pela voz de barítono e sua participação como cantor e apresentador em diversas atrações da televisão brasileira. Entre os maiores sucessos do artista, estão suas interpretações de canções italianas, tais como “Mia Gioconda” e “Tormento D’Amore”.
O cantor deixou um legado inestimável para a música brasileira, com uma carreira que atravessou décadas e tocou os corações de milhões de fãs. O programa tributo em homenagem ao cantor vai ao ar das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
A disputa entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) por uma vaga na chapa de Raquel Lyra (PSD) finalmente começou a caminhar para uma solução. O entendimento em construção entre o PSD e a Federação União Progressista aponta para Eduardo como candidato ao Senado. O avanço ocorreu depois de uma quinta-feira (23) em que o grupo da governadora tentou resolver duas vagas com três candidaturas avulsas. Algo questionável sob vários pontos de vista e que causou muita estranheza no meio político.
Pela proposta que circulou, Miguel, Eduardo e Túlio Gadelha (PSD) seriam lançados ao Senado pelo mesmo palanque, sem estar no palanque. Depois de meses procurando um nome para completar a chapa, apareceu a alternativa de não escolher ninguém e entregar três nomes ao eleitor. A proposta aumentou a confusão antes de qualquer chance para uma solução. E foi rejeitada.
Raquel convocou deputados e prefeitos do PP para uma conversa no Palácio do Campo das Princesas pela manhã. Eduardo, presidente estadual do partido e da federação, foi chamado somente depois. Para alguns interlocutores, a ordem pareceu uma tentativa de pressioná-lo por meio de seus aliados. Pode não ter sido essa a intenção, mas foi a leitura produzida pelo método.
O resultado apontou na direção contrária. O efeito foi inverso. Prefeitos e deputados reafirmaram apoio a Eduardo. Em vez de encontrar uma base disposta a convencê-lo a desistir, o Palácio ouviu um grupo unido em torno dele. A pressão, caso tenha sido essa a estratégia, voltou acompanhada de uma demonstração de força.
Avulsos
A conta dos três candidatos era política e juridicamente questionável, pra dizer o mínimo. Não encerraria o conflito entre União Brasil e PP, obrigaria aliados da governadora a disputar estrutura e votos dentro do mesmo campo e levaria para a campanha a divergência que os partidos não conseguiram resolver numa sala. A solução, no caso, seria transformar o impasse em método eleitoral. “O que não está resolvido, resolvido está”. Não tinha como dar certo.
O PP recusou. Lógico. Eduardo manteve a candidatura e defendeu que a Federação União Progressista fizesse a indicação. Mesmo repetida por Miguel durante o dia, a tentativa dos três avulsos terminou antes de ganhar forma. Restou a Raquel devolver a decisão ao colegiado da federação União Progressista. Todo o movimento do dia foi estranho no Palácio. E nada de solução até ali.
Liderança
A demora começou a preocupar inclusive quem apoia a governadora fora da política. Segundo fontes da coluna, a inquietação se concentra na imagem de liderança de Raquel, que sempre demonstrou capacidade de decidir e comandar sua base. Mas o conflito sobre a vaga do Senado se arrasta há meses sem que a líder do processo consiga encerrá-lo.
Também há questionamentos sobre a liberdade dada a Miguel para fazer declarações em nome da governadora. Na mesma quinta-feira, ele voltou a dizer que permanece candidato e possui o apoio de Raquel e da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Quanto mais Miguel sustenta o discurso, mais a muito provável indicação de Da Fonte poderá soar como “derrota do Palácio”, mesmo que resulte do cumprimento das regras partidárias e acordos prévios. É essa impressão de falta de liderança, e não apenas o nome escolhido, que vinha preocupando interlocutores ouvidos pela coluna.
Convergência
E ao fim do dia em que toda essa confusa articulação se desenrolou, uma saída ganhou forma. Segundo apuração da jornalista Terezinha Nunes, publicada neste JC, Eduardo e Lula da Fonte (PP) reuniram-se com advogados do PSD para tratar das exigências jurídicas das convenções do partido da governadora e da Federação União Progressista.
O encontro começou finalmente a colocar um entendimento no papel. A federação asseguraria apoio à reeleição de Raquel e preservaria o direito de indicar o candidato ao Senado. Também passou a ser discutida a antecipação da convenção do colegiado, marcada para 5 de agosto, para que a decisão esteja formalizada antes da convenção do PSD, no dia 2.
Depois de meses de conversas políticas, o impasse avançou quando chegou à mesa dos advogados. As duas convenções precisam aprovar decisões compatíveis. A reunião criou o caminho para que deixem de caminhar em direções opostas. É o primeiro passo para que, finalmente, o palanque de Raquel e seu provável candidato ao Senado se entendam.
Desfecho
Resta pouca dúvida sobre o nome que a federação deve indicar. O PP possui cinco dos sete integrantes da Executiva estadual. O União Brasil tem dois. A correlação apareceu na votação que escolheu Eduardo, com cinco votos favoráveis e duas abstenções. A decisão continua válida.
Antônio Rueda, presidente nacional da federação e dirigente do União Brasil, e Ciro Nogueira, vice-presidente e dirigente do PP, não chegaram a um acordo para substituir a deliberação estadual. Miguel pode recorrer, judicializar ou insistir politicamente. Nenhum desses caminhos lhe entrega hoje a maioria interna ou uma decisão nacional favorável.
Eduardo reúne os votos e os instrumentos partidários necessários para ser candidato. É também com ele que o jurídico do PSD começou a organizar o desfecho na noite da quinta. Faltam o entendimento formal e as convenções, mas o cenário está bem menos aberto do que as declarações públicas fazem parecer.
O governo brasileiro emitiu uma nota na noite desta quinta-feira (23) rechaçando a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida justificada por Washington no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado. A resposta foi considerada célere e, segundo apuração, já estava preparada pelo Palácio do Planalto, que aguardava o anúncio americano para publicá-la.
O que diz a nota do governo brasileiro
O governo brasileiro argumenta, na nota, que a tarifa imposta pelos Estados Unidos seria, na prática, uma substituição das tarifas derrubadas pela Suprema Corte americana. O Palácio do Planalto critica Washington por utilizar o tema do trabalho forçado — considerado “bastante sensível” — como pretexto para essa substituição tarifária. As informações são da CNN.
Em um trecho mais técnico, a nota indica que o Ministério do Trabalho e Emprego já enviou aos Estados Unidos informações e dados que demonstram o comprometimento do Brasil com o combate ao trabalho forçado.
O documento ainda menciona que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como um país engajado nessa causa e que é signatário de 66 convenções no âmbito da organização — em contraste com os Estados Unidos, signatários de apenas 10, segundo a crítica do próprio governo brasileiro.
Ao final, a nota anuncia que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e que acionará a lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o governo está disposto a acionar o mecanismo como sinalização política, mas não necessariamente levará a medida adiante.
“Há uma avaliação de que é necessário firmar uma posição e indicar que o Brasil estaria disposto a acionar, sim, esse mecanismo”, relatou o repórter Danilo Moliterno.
Decisão sobre reciprocidade deve aguardar calendário eleitoral
Segundo a analista de Política da CNN Jussara Soares, a decisão sobre a aplicação efetiva da lei de reciprocidade não deve ser tomada em curto prazo.
O processo previsto é longo: inclui análise interna dos setores atingidos, consulta aos setores produtivos, avaliação técnica, consultas públicas e, por fim, a decisão presidencial. Nenhuma dessas etapas foi iniciada até o momento.
A avaliação de integrantes do governo é de que uma eventual decisão sobre a aplicação ou não da lei — que já enfrenta resistência de setores produtivos e também dentro do próprio governo — só deve ocorrer após as eleições de 2026.
Jussara Soares destacou que o Brasil “vai ganhar tempo” com esse trâmite, uma vez que o calendário eleitoral estará praticamente encerrado antes que o processo chegue à sua etapa final.
Eleições e relação com os Estados Unidos
No cenário eleitoral, Lula concorrerá à reeleição tendo como principal oponente Flávio Bolsonaro, que argumenta que, com ele no poder, as negociações com os Estados Unidos seriam conduzidas de forma mais tranquila.
Integrantes do governo avaliam que, confirmada a reeleição de Lula, as negociações entre Brasil e Estados Unidos poderiam ser retomadas em outros termos.
Quanto a um eventual contato direto entre Lula e Donald Trump, a avaliação interna é de que isso não deve ocorrer.
Segundo Jussara Soares, a percepção do governo brasileiro é de que Trump também adotará cautela e optará por ganhar tempo até o resultado das eleições brasileiras, uma vez que um contato entre os dois líderes poderia ser interpretado como uma vitória política para Lula.
Diante de tudo que se viu ontem no Palácio das Princesas, depois de vários encontros com lideranças políticas que pleiteam espaço na disputa ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), uma única constatação: a gestora não está nem aí para Senado. Sua única preocupação, que perturba noites de sono, é garantir a sua reeleição.
Que se explodam os interessados, leia-se o deputado Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que travam uma luta titânica pela vaga reservada à federação União Progressista. Raquel criou tamanha expectativa, ontem, que os olhos do mundo político se voltaram para o Palácio, que tremeu, tamanha a torcida dos aliados ansiosos, mas a montanha pariu um rato.
A governadora brinca com o novo esporte que criou: a montagem de uma chapa ao seu bel prazer, passando por cima das convenções e conveniências partidárias. Seria cômico se não fosse trágico propor ao presidente da federação, Eduardo da Fonte, uma candidatura avulsa de Miguel, sendo ele (Eduardo) o candidato oficial do colegiado formado pelo PP e União Brasil, e escolhido por ela.
Só da cabeça de Raquel, que faz política olhando para o seu próprio umbigo, sairia tamanho absurdo. Isso passa longe de civilidade política. É molecagem, grosseria, demonstração de desrespeito a quem, como Eduardo da Fonte, se propõe, como principal líder da federação, a oferecer a ela o maior tempo de TV na propaganda eleitoral e a maior fatia de fundo partidário, para viabilizar a reeleição dela.
A política, como ensinou Nicolau Maquiavel, e Raquel torce o nariz, é a arte de conquistar e manter o poder, baseada na realidade concreta e na eficácia, e não em utopias e enganação. A governadora engana-se a si própria quando trata iguais como desiguais. Aliados fortes e leais devem ser recompensados e protegidos, pois dão estabilidade ao governo.
Raquel não é sábia. O sábio faz imediatamente o que o tolo acaba fazendo. A pior combinação é o poder nas mãos de quem não entende o peso de uma decisão. Ninguém resiste por muito tempo à convicção de quem confunde autoridade com falta de saber.
QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ – Em vídeo divulgado nas redes sociais, Miguel Coelho afirmou que jamais fez política com base no toma lá, dá cá. Não parece ser o mesmo Miguel que apoiou Raquel e sem espaço no Governo rompeu. Depois se aliou a João Campos e, preterido para o Senado, pulou o muro e se abraçou novamente com Raquel. Uma sequência de mudanças de posição motivadas por interesses políticos e pela disputa por espaços e cargos, muito distante do discurso de coerência que agora tenta sustentar.
Falta de senso – Mais do que uma contradição, o que se vê em Miguel é uma política conduzida cada vez menos por convicções e cada vez mais por interesses individuais e circunstanciais. Quando o discurso ignora o próprio histórico, perde força diante dos fatos. No ambiente político, cresce a percepção de que ele vem desperdiçando um futuro promissor ao adotar sucessivas incoerências, revelando uma preocupante imaturidade política e tentando impor vontades pessoais como se fossem consensos. Para muitos observadores, não se trata apenas de falta de bom senso. Trata-se da falta de senso.
Entre os mais violentos – O Estado de Pernambuco ocupa a quinta posição entre os estados com maior taxa de mortes violentas intencionais (MVI) em 2025. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado, ontem, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2025, Pernambuco registrou 33 MVIs a cada 100 mil habitantes, contra 36,4 em 2024. À frente de Pernambuco entre as maiores taxas estão Alagoas (33,1), Ceará (34,7), Bahia (36,8) e, na primeira posição, Amapá (42,5).
Redução tímida – Apesar de Pernambuco figurar entre os piores estados, o Anuário apresenta um cenário de melhora em comparação com a edição anterior. Em 2025, o Estado teve uma redução de 9,3% nas taxas de MVI em comparação com o ano anterior, quando contabilizou 36,4 mortes por 100 mil habitantes. A variação coloca Pernambuco na décima posição entre os estados que mais reduziram. A taxa de 33 MVIs também é a menor da série histórica, iniciada em 2012.
Nem um riso maroto – Quando a governadora insistiu, ontem, com Eduardo da Fonte na solução de Miguel disputando com ele o Senado na mesma aliança, mas como candidato avulso, o presidente da Federação olhou para a gestora e soltou essa pérola: “Já imaginou eu e ele (Miguel) dividindo a mesma van com a senhora? Correria o risco de ser atingida por uma bala perdida”. Como não tem um mínimo de humor, Raquel não deu sequer um sorriso maroto.
CURTAS
DESCULPAS 1 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo, ontem, no qual diz ter aceitado o pedido de desculpas do enteado, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, eu assisti seu vídeo e recebi suas palavras com muita paz. Eu quero te agradecer por sua sinceridade, você sabe o quanto a verdade é importante para mim. Todos nós cometemos erros, isso é humano”, afirmou.
DESCULPAS 2 – E acrescentou: “O nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior que desentendimentos, por isso aceito seu pedido. Eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil. Façamos isso pelo nosso maior líder Jair Bolsonaro”.
QUEM ACREDITA? – O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que prestou serviços advocatícios a uma empresa de contabilidade ligada a uma consultora empresarial que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Ele, no entanto, não deu detalhes sobre os trabalhos realizados, como os contratos assinados, reuniões com os clientes, pareceres e eventuais petições na Justiça.
Perguntar não ofende: O que a governadora lucra ao prolongar o impasse na chapa para o Senado?
O pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) voltou a criticar a gestão da governadora do estado, Raquel Lyra (PSD), nesta quinta-feira (23). Em evento do lançamento da pré-candidatura de Sileno Guedes a deputado estadual, Campos afirmou que o governo persegue os adversários, briga na política e não cuida da população.
“Hoje tem uma gestão no estado de Pernambuco que persegue os adversários, os pequenos, quem trabalha, os loteiros, os toyoteiros, quem está no hospital, quem está na escola pública. Ficam brigando na política e esquecem de cuidar do povo”, disparou.
João Campos ainda garantiu que mudará esse cenário e reforçou a parceria com o parlamentar.
“Nós vamos mudar essa realidade. Por isso eu vim aqui para reafirmar meu compromisso com você (Sileno) e para dizer que nós vamos fazer uma caminhada bonita por Pernambuco, que vai começar a partir de hoje e não vai parar até a vitória. Mais do que isso, depois da vitória é que nós vamos trabalhar”, afirmou.
O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) ironizou nesta quinta-feira os movimentos de reconciliação entre o pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Sem citar nominalmente os envolvidos, o ex-governador de Goiás comparou os novos capítulos do conflito com o programa de televisão “Casos de família”.
“Enquanto uma família que conhecemos resolve questões internas como se estivesse em um episódio do programa ‘Casos de Família’, eu sigo trabalhando para construir um projeto de futuro que nos liberte, de uma vez por todas, das garras do PT e de qualquer outro projeto ideológico”, escreveu o goiano nas redes sociais. As informações são do jornal O GLOBO.
Nesta quinta-feira, Flávio publicou um vídeo com um pedido de desculpas para a madrasta. O senador reconhece atuação de Michelle no comando do PL Mulher no passado e a convida para ingressar na sua campanha ao Planalto. Posteriormente, Michelle afirmou ter aceitado o pedido de desculpas do enteado.
Nas últimas semanas, Caiado decidiu ampliar a estratégia de rivalizar publicamente com o senador e também passou a ter como alvo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O goiano chamou o irmão de Flávio de “Pateta da política brasileira” após a confirmação do tarifaço americano aos produtos nacionais, subindo o tom contra as falas do adversário e de seu entorno.
Provocações em série
Antes disso, Caiado já havia condenado a participação de Flávio na audiência pública do Representante Comercial dos EUA (USTR). Na ocasião, o ex-governador fez referência à carta enviada às vésperas do evento por Flávio a autoridades americanas, na qual ele sugere a suspensão das negociações sobre o tarifaço para depois das eleições.
— Isso tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro, já que este assunto não deve ser tratado apenas no interstício da campanha eleitoral — disse Caiado, durante agenda na Confederação Nacional do Comércio, em Brasília.
Na mesma semana, ele disse em um post nas redes sociais que a candidatura de Flávio estaria “afundando” e que “aliados já começaram a pular fora”, ao compartilhar uma reportagem que dizia que a federação PP-União Brasil teria recuado do apoio presidencial. Caiado também provocou o senador ao dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tratado o parlamentar como “um peru de Natal, mantendo-o vivo no primeiro turno para entregar e vencer no segundo turno”. “Como ele vai para esse embate se tem tantos problemas?”, questionou. Depois que o senador leu em live uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que provocou a suspensão de suas visitas por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Caiado também disse que “liderança não se herda”.
A escalada no tom contrasta com a atitude do presidenciável nos meses que sucederam a sua escolha como pré-candidato pela direção nacional do PSD. Naquele momento, ele concentrava as críticas mais duras em Lula e poupava Flávio, mesmo diante do início das crises que passaram a afetar a campanha do senador. Após as primeiras descobertas sobre a relação entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, do Banco Master, Caiado afirmou que ele deveria se explicar, mas divergiu da postura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também presidenciável, que classificou a atitude de Flávio de pedir dinheiro ao banqueiro para um filme sobre o pai como um “tapa na cara do Brasil”.
Virada de chave
Por trás da recente mudança da estratégia de comunicação de Caiado, há a influência da mulher do ex-governador, Gracinha Caiado (União-GO), como mostrou a newsletter do GLOBO Jogo Político, do jornalista Thiago Prado. Na liderança das pesquisas para a disputa pelo Senado em Goiás, ela passou a alertar o marido sobre o baixo índice de engajamento das suas postagens, focadas até então na discussão de propostas de governo e nos feitos dele no comando do estado. O aviso também coincidiu com a entrada de Marcos Carvalho, ex-estrategista digital de Flávio, na administração das redes sociais do ex-governador, contrariando o que havia sendo pregado pelo marqueteiro da campanha, Paulo Vasconcelos.
A pesquisa Genial/Quaest mais recente mostrou Caiado com 4% das intenções de voto no primeiro turno, numericamente acima de Renan Santos (Missão), que teve 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%, mas distante dos 28% registrados por Flávio e dos 40% de Lula.
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos apresentou, nesta quinta-feira (23), uma proposta para triplicar 30 quilômetros da BR-101 entre os terminais integrados de Abreu e Lima e Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. Orçada em R$ 1,2 bilhão, a intervenção seria executada em parceria com o Governo Federal e prevê quatro viadutos, passarelas e a redução de cerca de um terço no tempo dos deslocamentos.
O projeto foi dividido em três trechos: do Terminal Integrado de Abreu e Lima ao Terminal da Macaxeira; da Macaxeira à Estação do Barro; e do Barro ao Terminal Integrado de Cajueiro Seco. Os viadutos fariam conexões entre Guabiraba e Brejo da Guabiraba, Várzea e Iputinga, Cohab e Jordão, além de Muribeca e Prazeres. Segundo a proposta, cerca de 90 mil veículos circulam diariamente pelo trecho metropolitano da rodovia, enquanto os terminais localizados ao longo do percurso recebem 138 mil passageiros por dia.
A proposta também inclui dois contornos urbanos: um de 14 quilômetros entre Abreu e Lima e Igarassu e outro de quatro quilômetros entre Muribeca e Prazeres. “A BR-101 deixou de exercer apenas uma função rodoviária e passou a operar, na prática, como uma grande avenida metropolitana, margeada por serviços, comércio e moradia”, afirmou João Campos.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nas redes sociais que o apoio do partido à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é incondicional. Segundo ele, a presença do governador na convenção da legenda será uma honra, mas uma eventual ausência será compreendida e não mudará o posicionamento da sigla.
As negociações para definir a segunda vaga ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) seguem sem consenso. Após receber, nesta quinta-feira (23), prefeitos e deputados estaduais do PP em um café da manhã no Palácio do Campo das Princesas e, em seguida, reunir-se separadamente com Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União Brasil), a governadora deixou o encontro sem anunciar uma definição. Na sequência, os dois pré-candidatos divulgaram vídeos nas redes sociais reafirmando que seguem na disputa pela vaga.
Enquanto Eduardo da Fonte voltou a defender que pretende representar “todo Pernambuco” no Senado e ressaltou sua atuação em todas as regiões do Estado. Por outro lado, Miguel Coelho reafirmou que será candidato, disse contar com o apoio de Raquel Lyra e Priscila Krause e ainda alfinetou o adverário ao afirmar que não faz política “com ameaças ou pelo troca-troca”.
As manifestações ocorreram em meio ao impasse entre União Brasil e Progressistas, que insiste na homologação de Eduardo da Fonte como candidato da Federação União Progressista.