Pacientes internados no Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Recife, denunciam a demora para a realização de cirurgias, falta de previsão para os procedimentos e condições precárias durante o período de internação. Entre os relatos está o de Lucicleide Ramos Ferreira, autônoma, de 53 anos, que está internada há quase 15 dias na unidade à espera de uma cirurgia para retirada da vesícula.
Segundo Lucicleide, somente no setor onde está internada há 17 pessoas aguardando por cirurgias de vesícula. Ela afirma que os pacientes passam horas em jejum e, muitas vezes, descobrem apenas no fim do dia que o procedimento foi cancelado. “Tem 17 pessoas esperando essa cirurgia de vesícula que o médico coloca na dieta zero. Passa o dia todinho com fome e, quando dá 15 horas, 16 horas, não é nem ele que vem me avisar. Quem vem é a enfermeira. Manda sair da dieta, manda comer porque suspenderam a cirurgia”, relatou.
Leia maisA paciente atribui parte da demora à falta de profissionais. “Só tem um médico operando porque dois estão afastados e só tem um operando”, disse. De acordo com Lucicleide, alguns pacientes chegam a ser encaminhados ao bloco cirúrgico e retornam sem realizar o procedimento. “Tem gente que já subiu para o bloco cirúrgico cinco vezes e desceu”, afirmou.
Ela relata ainda que há pessoas internadas há 20, 25 dias e até um mês e meio à espera de cirurgia, sem qualquer previsão de atendimento. “Só diz que existe uma fila e essa fila nunca acaba.”
A longa espera, segundo a paciente, também tem provocado crises de ansiedade entre os internados. Lucicleide cita o caso de uma mulher que está há cerca de 20 dias no hospital e tem três filhos autistas em casa, sob os cuidados da avó, uma idosa de 80 anos. “Ela ficou aqui doidinha. Todo mundo aqui está endoidando, todo mundo está tendo crise de ansiedade”, relatou.
Além da demora para as cirurgias, pacientes e acompanhantes denunciam a presença de escorpiões nas dependências do hospital, aumentando o risco de acidentes dentro da unidade. A alimentação também é alvo de críticas. “A comida daqui é péssima. Sabe o que é péssima? É péssima. A pessoa compra para não ficar com fome”, pontuou.
O relato expõe uma situação de espera prolongada, insegurança e sofrimento para pacientes que aguardam por procedimentos cirúrgicos. As denúncias precisam ser esclarecidas pela direção do Hospital Getúlio Vargas e pelos órgãos responsáveis pela gestão da saúde pública em Pernambuco, especialmente quanto à fila de cirurgias, à disponibilidade de profissionais, aos cancelamentos de procedimentos e às condições de higiene e segurança oferecidas aos pacientes e acompanhantes.
Leia menos


















