O ex-presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado episódios de soluços com frequência “acima da média” desde o fim de maio, diz boletim médico enviado ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Com informações do jornal O Poder e Folha de S.Paulo.
O quadro se agravou nos últimos quatro dias. Segundo apuração do jornal O Poder, a equipe médica está avaliando o quadro em tempo integral e, caso não aconteça uma melhora substancial, provavelmente Bolsonaro deve voltar ainda hoje para o hospital.
Bolsonaro tem um histórico recorrente de crises de soluço (singulto) prolongadas que já exigiram internações, exames e até mesmo procedimentos de bloqueio do nervo frênico. O médico Brasil Ramos Caiado diz estar mantendo “doses elevadas” de medicações específicas, além de “rigorosa dieta com baixo teor de acidez”. O agravamento do quadro, caso não ceda, deve levar Bolsonaro de volta ao hospital entre hoje (6) e amanhã (7).
Bolsonaro foi condenado pelo STF, em setembro do ano passado, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder. Ele foi preso em novembro ao tentar violar sua tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária por 90 dias ao ex-presidente. Na ocasião, Bolsonaro estava internado com broncopneumonia. Ele enfrenta sequelas da facada recebida em 2018.
Os últimos movimentos da política pernambucana podem produzir mais uma derrota para o deputado federal Eduardo da Fonte (PP). Mesmo comandando em Pernambuco a Federação União Progressista, formada por Progressistas e União Brasil, e dispondo de uma das estruturas partidárias mais influentes do estado, o parlamentar ainda não conseguiu reunir força política suficiente para garantir uma das vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).
Os sinais emitidos nos últimos dias apontam justamente na direção contrária. A presença da governadora ao lado do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), e do deputado federal Túlio Gadelha (PSD), durante ato político realizado em Paudalho, reforçou a percepção de que a composição para o Senado está cada vez mais próxima de ser definida.
Leia maisAs imagens do encontro reuniram, no mesmo palanque, os dois nomes que hoje aparecem como mais cotados para integrar a chapa governista. O episódio ganha ainda mais significado quando observado à luz do que ocorreu na véspera. Eduardo da Fonte vinha articulando um ato político na Codeam, em Garanhuns, ao lado de Túlio Gadelha.
A movimentação era vista como uma tentativa de demonstrar convergência entre os dois parlamentares e fortalecer a construção de uma alternativa dentro da disputa pelas vagas ao Senado. O plano, no entanto, acabou esvaziado quando Túlio decidiu cancelar sua participação no evento.
O gesto teve forte repercussão nos bastidores. Afinal, poucas horas depois de desistir da agenda construída com Eduardo, Túlio surgiu ao lado de Raquel Lyra e Miguel Coelho em um evento político de grande visibilidade. A sequência dos acontecimentos foi interpretada por muitos observadores da cena política como uma demonstração de que o deputado do PSD já fez sua escolha dentro do tabuleiro eleitoral de 2026.
Se ainda restava alguma dúvida sobre a direção desse movimento, ela foi reduzida neste sábado. Raquel Lyra, Miguel Coelho e Túlio Gadelha realizaram uma publicação conjunta nas redes sociais, em formato collab, repercutindo justamente a agenda de Paudalho. Mais do que um simples registro de evento, a postagem teve forte simbolismo político.
Ao compartilharem o mesmo conteúdo e a mesma narrativa, os três líderes reforçaram publicamente uma sintonia que já vinha sendo construída nos bastidores e que passa a ganhar contornos cada vez mais concretos no debate sobre a formação da chapa governista.
Na prática, o collab funcionou como uma espécie de segundo capítulo do ato político realizado no dia anterior. Primeiro veio a imagem dos três juntos no palanque. Depois, a decisão de amplificar essa imagem de forma coordenada nas redes sociais. Em um ambiente político onde os gestos costumam carregar mensagens cuidadosamente calculadas, a iniciativa foi interpretada como mais um indicativo de alinhamento entre os nomes que despontam como favoritos para compor a chapa majoritária de Raquel Lyra.
Para Eduardo da Fonte, o episódio representa mais um revés em uma trajetória recente marcada por tentativas de viabilizar seu projeto ao Senado. Nos últimos meses, o deputado também buscou aproximação com o campo político liderado pelo ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), numa articulação de última hora para encontrar espaço na chapa oposicionista.
A movimentação, porém, não prosperou. Naquele ambiente, os espaços acabaram sendo ocupados por nomes como Marília Arraes e o senador Humberto Costa, deixando o presidente estadual do PP fora das principais construções em curso.
O resultado é que Eduardo se vê diante de uma situação paradoxal. Embora detenha o controle da federação que reúne dois dos maiores partidos do país e concentre relevante influência política em Pernambuco, não conseguiu converter esse ativo em protagonismo na formação das chapas majoritárias que começam a ganhar forma para 2026.
Enquanto isso, Miguel Coelho e Túlio Gadelha avançam. O ato de Paudalho, o cancelamento da agenda da Codeam e, agora, a publicação conjunta com Raquel Lyra formam uma sequência de acontecimentos que aponta para a mesma direção. A governadora parece cada vez mais próxima de consolidar sua chapa para o Senado, tendo Miguel e Túlio como seus principais postulantes.
Na política, raramente os movimentos decisivos são anunciados de forma explícita. Muitas vezes, eles são construídos por etapas, por símbolos e por gestos cuidadosamente calculados. E os acontecimentos desta semana sugerem exatamente isso: enquanto Miguel Coelho e Túlio Gadelha acumulam sinais de fortalecimento dentro do grupo governista, Eduardo da Fonte vê diminuir, mais uma vez, o espaço para seu projeto de chegar ao Senado.
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O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) negou a construção de uma aliança com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para a disputa presidencial deste ano e disse que ambos manterão suas candidaturas. O comentário foi feito em entrevista ao podcast Iron Talks, exibida na última quarta-feira, e aconteceu após especulações sobre a hipótese de uma composição entre os dois.
“A conversa minha com o Zema foi no sentido de não continuarmos com esses desentendimentos entre nós, candidatos, que a centro-direita não pode chegar fragmentada no segundo turno. Esse foi o motivo de várias conversas”, disse na ocasião “O Zema vai continuar com a campanha dele e eu vou continuar com a minha”. As informações são do jornal O Globo.
Na entrevista, Caiado também repetiu a tese de que eles dois e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverão estar unidos para “ganhar a eleição do PT”. O ex-mandatário goiano também afirmou que “essa é a eleição em que Lula tem que sair do poder” e que a direita “não pode errar nem brincar”. Em tom parecido, Flávio também disse nesta semana, em entrevista ao jornal O Tempo, que seria importante os três estarem “juntos para derrotar o PT”.
O comentário de Caiado, por sua vez, contrasta com as sinalizações dadas no final do mês passado. Durante o cumprimento de uma agenda, Zema disse ser possível que ele e o ex-mandatário mineiro se unissem ainda no primeiro turno para viabilizar outra candidatura de direita no lugar de Flávio, que tem liderado as pesquisas junto a Lula. No dia seguinte, Caiado veio a público dizer que existia “o sentimento” para que ele e Zema estivessem em uma única chapa.
A produtora e diretora de produção cultural Mônica Silveira morreu ontem (5), aos 63 anos. O velório aconteceu às 10h e a cremação às 16h, ambos no Memorial Guararapes, no Recife. As informações são do Diário de Pernambuco.
Com atuação voltada para o audiovisual e as artes, Mônica deixa um legado na cena cultural pernambucana. Colaborou com o Festival de Cinema de Pernambuco, o Cine PE, e atuou na produção executiva de longas-metragens e na articulação de grandes produções nacionais no Nordeste.
Irmã do cineasta Breno Silveira, ela também apareceu no documentário em andamento sobre Anita Harley, fundadora das Casas Pernambucanas, projeto no qual havia realizado a aproximação entre Sônia Soares, a Suzuki, e a empresária.
A adesão de 17 vereadores que integravam as bases políticas de prefeitos aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) em Jaboatão dos Guararapes e Paulista reforça um movimento que amplia a presença e o alcance político de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado pernambucano.
Nos dois municípios, considerados estratégicos para qualquer projeto de governo em Pernambuco, grupos expressivos de parlamentares municipais decidiram migrar para o palanque liderado pelo ex-prefeito do Recife. Apenas em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral do estado, dez vereadores anunciaram apoio e acompanharam João Campos durante agenda realizada no Mercado das Mangueiras, em Prazeres. Os parlamentares integravam a base do prefeito Mano Medeiros, um dos principais aliados políticos da governadora na Região Metropolitana. Em Paulista, outro importante polo eleitoral do estado, sete vereadores da base do prefeito Ramos, também alinhado ao grupo político de Raquel Lyra, já haviam declarado apoio ao projeto liderado pelo socialista.
Leia maisMais do que números, as adesões representam um significativo capital político. Somadas, as votações obtidas por esses 17 vereadores superam, com ampla margem, o eleitorado de diversos municípios pernambucanos. Trata-se de lideranças com forte inserção territorial, presença cotidiana nos bairros e capacidade de mobilização eleitoral, atributos que costumam ter peso relevante nas disputas estaduais.
O movimento ganha ainda mais relevância por envolver parlamentares que pertenciam a grupos políticos vinculados a prefeitos alinhados à governadora. Nos bastidores da política pernambucana, as migrações são interpretadas como um indicativo da crescente atração exercida pelo projeto liderado por João Campos, especialmente nos municípios metropolitanos, onde o pessebista consolidou forte presença política ao longo dos anos em que comandou a Prefeitura do Recife.
A Região Metropolitana tem papel decisivo nas eleições estaduais. Além de concentrar mais de 40% dos eleitores pernambucanos, reúne alguns dos maiores colégios eleitorais do estado, como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista. Historicamente, o desempenho dos candidatos nessa região costuma ser determinante para o resultado final das disputas pelo Palácio do Campo das Princesas.
Nesse contexto, a atração de vereadores ligados às bases dos prefeitos aliados de Raquel Lyra reforça a capacidade de expansão política de João Campos justamente na região onde seu projeto apresenta maior densidade eleitoral e onde se concentram os maiores colégios eleitorais de Pernambuco.
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Deputado federal e pré-candidato ao Senado, Túlio Gadelha virou alvo de polêmica nos últimos dias após fazer dois movimentos em relação à chapa majoritária que terá a governadora à frente. Primeiro, foi divulgado que ele faria uma agenda ao lado do deputado federal e presidente da União Progressista em Pernambuco, Eduardo da Fonte, para anunciar a candidatura de ambos. Já hoje, apareceu tecendo comentários e sugerindo uma possível aliança com Miguel Coelho.
Vale lembrar que Miguel Coelho, além de ser um político de direita e ter sido aliado de Bolsonaro, embora posteriormente tenha rompido com ele, também defende pautas que costumam causar resistência em parte do eleitorado mais próximo de Túlio. Um exemplo é a discussão sobre a escala 6×1, da qual Miguel já se declarou claramente favorável à manutenção.
O que fica no ar é a dúvida: toda essa movimentação representa oportunismo político ou apenas incoerência? Até porque a articulação da chapa deveria estar sendo conduzida pela governadora, e não por ele, que, de repente, parece ter assumido não apenas o papel de porta-voz informal do governo, mas também o de articulador político da composição majoritária.
A pré-candidata ao Senado Federal, Marília Arraes (PDT), iniciou uma extensa agenda política pelo interior de Pernambuco ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), do pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), e do senador Humberto Costa (PT). O primeiro compromisso da programação aconteceu na noite de ontem (5), em São Bento do Una, no Agreste, onde Marília e João receberam o título de cidadãos são-bentenses durante solenidade realizada na Câmara Municipal. A homenagem foi proposta pelos vereadores Pezinho (PSB) e André Valença (MDB). Até a próxima segunda-feira (8), a comitiva percorrerá 11 municípios do Agreste e do Sertão pernambucano.
Ao agradecer a homenagem, Marília destacou a importância dos investimentos realizados pelos governos do presidente Lula, que levaram desenvolvimento social e econômico para a cidade e região. “São Bento do Una é um exemplo de como a força do seu povo encontrou apoio nos investimentos do Governo Federal. Foi com a presença do Estado que milhares de famílias tiveram acesso à renda, moradia, água e oportunidades. Receber este título de cidadã são-bentense me honra e reforça meu compromisso de continuar trabalhando ao lado do presidente Lula para garantir mais desenvolvimento, emprego e qualidade de vida para esta cidade e para toda a região”, afirmou.
Neste sábado (6), a agenda segue por Bom Conselho, Angelim, Jatobá e Petrolândia. Amanhã, as atividades acontecem em Floresta, Betânia, Flores, Inajá, Ibimirim e Itaíba. Já na segunda-feira (8), o grupo estará em Águas Belas, encerrando a programação antes do retorno ao Recife.
O pré-candidato a governador João Campos (PSB) recebeu, ontem (5), o título de cidadão de São Bento do Una. A entrega da honraria ocorreu na Câmara Municipal, em cerimônia prestigiada pelo prefeito Alexandre Batité (MDB), por vereadores, ex-prefeitos e outras lideranças da região. Durante o evento, também foram agraciados a pré-candidata a senadora Marília Arraes (PDT) e o deputado Diogo Moraes (PSB).
Em seu discurso, João Campos agradeceu ao vereador André Valença (MDB), autor da proposição, e ao conjunto de parlamentares que aprovaram a homenagem. O pré-candidato disse que o título de cidadão aumenta sua responsabilidade e seu compromisso com a população de São Bento do Una, elencando a luta contra a falta de água como uma prioridade para o consumo humano e para aumentar o potencial das atividades econômicas da região. “O maior desafio que a gente tem nessa região é trazer uma solução hídrica definitiva para o consumo das pessoas, que é prioridade absoluta, e para poder criar um novo ciclo de desenvolvimento e expansão da atividade da avicultura”, declarou.
Leia maisJoão também disse que está colocando seu nome à disposição do povo pernambucano para “fazer aquilo que ainda não foi feito, para fazer melhor do que o que foi feito”, mas tendo a mesma referência dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos.
“São Bento do Una viu o que é um homem do povo vencer o dinheiro, o poder, a estrutura. São Bento do Una viu que não tem quem possa com a força de Deus e do povo. E por que eu sou o homem mais feliz do mundo, certo e seguro com o nosso futuro? Porque, mais uma vez, ninguém vai vencer a força de Deus e a força do povo”, discursou.
Também estiveram na cerimônia o pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), o senador Humberto Costa (PT), e o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (MDB), entre outras autoridades. Mais cedo, ainda na cidade, João Campos deu entrevista a uma rádio local e se reuniu com apoiadores.
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Ao lado da governadora Raquel Lyra, o prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, foi uma das principais lideranças políticas presentes no lançamento das pré-candidaturas de Gustavo Gouveia para deputado estadual e Marcelo Gouveia para deputado federal, realizado na noite de ontem (5), em São Severino do Ramos, no município de Paudalho.
Em discurso, Zeca destacou a importância da parceria política construída com os irmãos Gouveia e com a governadora Raquel Lyra. “Foi uma noite memorável. Temos feito obras e ações importantes na saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento graças a uma parceria séria com Gustavo Gouveia, Marcelo Gouveia e a governadora Raquel Lyra. Arcoverde precisa de representantes comprometidos, que tenham força política e trabalhem para trazer resultados concretos para nossa população”, afirmou.
Leia maisAcompanhado da primeira-dama e secretária de Turismo, Nerianny Cavalcanti; dos vereadores Rodrigo Roa, Heriberto do Sacolão, João Taxista, João Marcos, Sg. Brito, Paulinho, Luiza Margarida e o vice-prefeito Siqueirinha, Zeca Cavalcanti destacou a unidade do seu grupo político e a força que as pré-candidaturas de Gustavo e Marcelo tem para Pernambuco e para Arcoverde.
Segundo o prefeito, a presença expressiva de lideranças de todas as regiões de Pernambuco demonstrou a força do projeto político liderado pelos Gouveia e pela governadora Raquel Lyra, que busca a reeleição.
“Quem conhece a política sabe que ninguém constrói grandes conquistas sozinho. É através das parcerias que conseguimos avançar. E Arcoverde continuará buscando apoios importantes para garantir mais obras, investimentos e oportunidades para nossa gente; e esses apoios passam por Marcelo em Brasília, Gustavo na Alepe e Raquel Lyra governadora”, ressaltou.
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Por Edson Mota
Do Blog da Folha
Com duas vagas abertas para a próxima legislatura do Senado, a disputa começa a esquentar com a proximidade das convenções partidárias, previstas para começarem no dia 20 de julho e encerrarem no dia 5 de agosto. Do lado dos aliados da governadora Raquel Lyra (PSD), os espaços seguem abertos e a corrida pelos espaços foi intensificada na última semana. Enquanto isso, a Frente Popular já definiu os nomes do senador Humberto Costa (PT) e da ex-deputada Marília Arraes (PDT) como companheiros da chapa do pré-candidato ao governo, João Campos (PSB).
Nos corredores do Palácio das Princesas, quatro pré-candidatos disputam as vagas: o senador Fernando Dueire (PSD), os deputados federais Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD), além do ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). Enquanto a definição dos nomes não aparece, os interessados deixam claro que a escolha ficará sob responsabilidade da governadora Raquel Lyra, que tem dito repetidamente que ainda não é o tempo certo para tal decisão.
Leia maisEstratégia
Em agenda ontem (5), a governadora repetiu que seu foco segue nas entregas administrativas e que questões eleitorais vão seguir o prazo da legislação eleitoral. “Se cuidarmos da eleição e descuidarmos do serviço, perdemos o prumo de fazer de Pernambuco um estado cada vez mais seguro”, afirmou. Na mesma linha da chefe do Executivo estadual, Fernando Dueire destacou que a definição será feita no prazo eleitoral e defendeu a estratégia da aliada. “Nós temos um calendário e tudo será decidido de forma efetiva sob a liderança dela”, continuou.
Um aliado de peso na definição da governadora também será a federação União Progressista. Na última semana, líderes do projeto se manifestaram após Miguel Coelho admitir a possibilidade de lançar uma candidatura avulso ao Senado. Em reação, progressistas se manifestaram contra a proposta. A defesa da tese foi mantida por Miguel. “Se não houver a possibilidade, que haja a chance de termos candidaturas independentes”, disse, em entrevista à Rádio TMC, ontem.
Em meio ao impasse, um movimento chamou atenção na base da governadora. Túlio Gadêlha e Eduardo da Fonte participariam de reunião da Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam) em Garanhuns, ontem. O ato foi visto como sinalização de uma dobradinha. Contudo, Gadêlha acabou não participando do evento. Sem a presença do pessedista, Da Fonte recebeu no ato manifestações de apoio de lideranças do Agreste Meridional.
Aliança
Com a chapa da Frente Popular definida, Marília Arraes e Humberto Costa costumam ser presenças constantes ao lado de João Campos nas agendas pelo interior. A estratégia das lideranças está explícita nas ruas e nas redes: passar a mensagem ao eleitor de que ele deve fechar voto em todos os nomes da chapa. Neste projeto, o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é fundamental.
Com o gestor federal pontuando com 56% da preferência do eleitorado na disputa presidencial, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no mês passado, os líderes políticos costumam divulgar o slogan “time de Lula” para fixar a ideia no eleitorado pernambucano. Desde a última quinta-feira (4), Humberto e Marília cumprem agendas ao lado de João Campos. Os aliados seguem juntos em compromissos no Agreste e Sertão até a próxima segunda-feira.
“A gente tá falando de um time que vai jogar entrosado. É como aquele time em época de Copa do Mundo que entra em campo entrosado, sabendo jogar organizado na política. A gente tem coerência, a gente sabe onde está nacionalmente. É um time que todo mundo tem relação direta com o presidente Lula”, destacou João Campos em entrevista à uma rádio, ontem, em São Bento do Una.
Análise
O cientista político Alex Ribeiro destaca que a eleição para o Senado tem uma dinâmica própria. Ao contrário do embate pelo governo do estado entre Raquel Lyra e João Campos que já está ponto, a disputa pelo Senado tem cadência própria. “Neste momento, faltando 5 meses para a eleição, ainda está sendo definindo chapas e o eleitorado também não está focado nisso. Enquanto os nomes dos pré-candidatos ao governo estão em evidência, os senadores acabam ficando em segundo plano. Normalmente, a disputa pelo Senado costuma ser definida na reta final.”
Por isso, Ribeiro pondera que a disputa segue indefinida. “Humberto e Marília aparecem em vantagem nas pesquisas porque são os nomes mais conhecidos no momento, mas isso não caracteriza sucesso eleitoral. A disputa pelo governo costuma influenciar a eleição de, pelo menos, um senador. São muitos fatores em jogo: estratégia, rumo da campanha, discurso, prefeitos. Tudo isso vai pesar.”
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Provavelmente você nunca ouviu falar de Harold Lasswell (1902-1978). Mas ele foi um dos mais importantes pensadores políticos do século 20. Aos 34 anos publicou “Politics: Who gets what, when, how (1936)” (“Política: quem ganha o quê, quando, como”) e definiu política como sendo a disputa sobre “quem recebe o quê, quando e como”.
Raymundo Faoro (1925-2003) publicou o clássico “Os donos do poder” aos 32 anos e foi mais fundo. No Brasil, a questão não se resume apenas a quem recebe, mas a quem controla a máquina do poder. Ambos oferecem uma percepção interessante para o momento que o país atravessa.
Leia maisLula está desconfortável. Não é hipótese abstrata, mas leitura minuciosa dos sinais emitidos pelo próprio presidente nas últimas semanas, com intensidade que contrasta com o estilo de quem se considera imbatível.
O primeiro sinal é o tom. Lula 1 e 2 tinham a característica de uma retórica mais inteligente e eficiente, mesmo diante de dificuldades enfrentadas logo no início do primeiro mandato, como a crise do vídeo no qual o assessor do então ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, pede dinheiro ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. Naquele momento, tínhamos Lula mais confiante, capaz de reagir com altivez no debate em que o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, hoje seu vice, exigiu explicações sobre escândalos de corrupção na campanha de 2006. Superou tudo e foi reeleito.
Mas o clima mudou. O Lula do silêncio calculado e o Lula jogador de poker saíram de cena. Do alto dos seus 80 anos (ele completará 81 em outubro), adota discursos cada vez mais inflamados. Sobe o tom quando desata a falar nos palanques e eventos do governo, usa linguagem de campanha em pronunciamentos institucionais e faz ataques nominais aos desafetos.
Quem está na frente não precisa gritar. Quem grita e xinga, geralmente, está tentando convencer a si mesmo. Lula costuma andar de um lado para outro quando discursa, revelando ansiedade do velho que quer parecer moço, o que inspirou o presidente Trump a defini-lo como “dinâmico”. Poucos entenderam a ironia.
O segundo sinal é mais revelador ainda: a disputa pelo Pix. O presidente sempre falou da “herança maldita” de Bolsonaro. Agora, passou a defender abertamente uma das marcas mais populares da gestão anterior: o Pix. Podem dizer que foram os técnicos do Banco Central os criadores e que desde a época de Dilma o assunto era discutido, mas quem botou de pé e fez funcionar foi Jair Bolsonaro. Essa guinada estratégica, não ideológica, tem marcado a campanha lulista.
Lasswell mostra que quando um ator político abandona posições anteriores para apropriar-se do capital simbólico do adversário, sinaliza que o adversário acumulou valor que ele não pode mais ignorar. É a política da distribuição funcionando às avessas. Em vez de distribuir benefícios para conquistar apoio, trata-se de redistribuir narrativas para não perder o que já tem.
O terceiro sinal: ele vestiu a camisa. Lula convocou a militância a usar o uniforme verde e amarelo da seleção, marca registrada da oposição bolsonarista ao longo dos últimos 10 anos. E o fez declarando que “isso não é exclusividade do genocida”, revelando as dores de uma batalha simbólica que o PT perdeu no campo e agora tenta recuperar no discurso. Mas há ironia cruel nesse movimento: ao reivindicar a camisa da seleção, Lula reconhece implicitamente que a perdeu. Ninguém briga por território que já ocupa.
O quarto sinal é o mais grave. Durante evento em Goiás, Lula comparou os filhos de Jair Bolsonaro ao delator da Inconfidência Mineira e perguntou à plateia o que mereceriam os traidores, numa referência ao enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Mas cometeu o ato falho de confundir o mártir com o delator Joaquim Silvério dos Reis, personagem deste meu artigo de 2024. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e principal adversário eleitoral de Lula, acionou o STF, por considerar a fala do presidente uma ameaça e incitação ao crime.
A cena merece ser vista também sob o ponto de vista de Faoro. O estamento burocrático que “Os Donos do Poder” descreve não se define só por ocupar o Estado, mas por tratar o Estado como extensão de si mesmo, por confundir poder público com poder pessoal. Quando o presidente sugere em evento governamental, ainda que por metáfora histórica torta, que seu adversário merece a forca, não estamos diante de um excesso retórico qualquer.
Não é por causa do encontro entre Trump e Flávio na Casa Branca, muito menos pelas tarifas de 25% sobre certos produtos brasileiros. É um ato típico de quem sente escapar das mãos o controle da máquina. Quando um poderoso se sente ameaçado, arreganha os dentes antes de mostrar os argumentos.
Há uma diferença fundamental entre o Lula de 2002 e o Lula de 2026. Era desafiante, nada tinha a perder e tudo a ganhar. Hoje, é incumbente. E incumbente quando adota comportamento de desafiante, se tornando agressivo, territorial, disposto a jogar fora o protocolo, geralmente o faz pela simples razão de perceber que a incumbência em si não é mais a grande vantagem.
Lasswell diria que Lula luta para manter valores que acumulou, como poder, prestígio, capacidade de influenciar quem recebe o quê. Faoro seria mais ácido: é o momento em que o estamento percebe que o controle da máquina pode mudar de mãos, reagindo com os instrumentos disponíveis, legais ou não, elegantes ou não.
Aplicada ao Brasil de 2026, a síntese dos 2 pensadores indica insegurança tremenda. Lula vê nossos vizinhos trocarem a esquerda pela direita, como em Chile, Argentina, Paraguai, Peru, Equador e agora deve se repetir na Colômbia. A Venezuela está sob controle norte-americano e Cuba foi engolida pela própria decadência. E há a pressão de Trump.
Lula sabe que vivemos o fim de um ciclo. Tudo muda rápido e sem controle. As pesquisas podem mostrar empate ou vantagem. Mas não mostram o que se passa no âmago do presidente. Outro dia num evento, ele foi chamado de “velhinho barbudinho”, reagiu bem, mas aquilo desceu arranhando.
Muita coisa pode acontecer até 4 de outubro. O medo de perder poderá passar, mas ninguém duvida de que os nervos permanecerão à flor da pele.
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Evangélicos no centro da disputa
A Marcha para Jesus, um dos maiores eventos religiosos do país, voltou a evidenciar como a fé e a política caminham lado a lado no Brasil contemporâneo. Realizada em São Paulo, a edição deste ano reuniu autoridades de diferentes espectros ideológicos, expondo não apenas divergências políticas, mas também a crescente disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico em qualquer eleição nacional.
O episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça revelou os cuidados adotados por figuras públicas ao participar de manifestações religiosas em um ambiente altamente polarizado. Apesar de dividirem o mesmo trio elétrico em determinados momentos, os três evitaram aproximações numa demonstração de que a presença no evento tinha significado político tão relevante quanto o religioso.
Leia maisA cena ilustra uma transformação observada nas últimas décadas. Inicialmente concebida como uma celebração de fé, a Marcha para Jesus passou a ocupar espaço privilegiado no calendário político brasileiro. Governadores, prefeitos, parlamentares, ministros e pré-candidatos costumam marcar presença no evento em busca de visibilidade junto ao segmento evangélico, que representa uma parcela cada vez maior da população e exerce influência crescente nas urnas.
A disputa por esse público, entretanto, deixou de ser exclusividade de lideranças conservadoras. Se durante muitos anos a direita teve maior identificação com o movimento evangélico, hoje, representantes de governos de esquerda e centro também investem na aproximação com o setor. A participação de Jorge Messias, enviado pelo presidente Lula (PT), simboliza essa estratégia de diálogo adotada pelo Palácio do Planalto para ampliar sua interlocução com as igrejas e os seus fiéis.
Embora a presença de autoridades seja cada vez mais comum, permanece o debate sobre os limites entre manifestação religiosa e utilização política desses espaços. Na prática, a Marcha para Jesus consolidou-se como um dos principais termômetros da relação entre religião e poder no Brasil, atraindo candidatos e governantes de todas as correntes ideológicas em busca de legitimidade e conexão com um eleitorado decisivo.
Público se incomodou com tom político – A Marcha teve 53,4% de menções negativas nas redes sociais, segundo levantamento da AP Exata. A análise da consultoria aponta que a rejeição se concentrou no que foi visto como uso eleitoral do evento religioso e protagonismo concedido a lideranças políticas. Do total de menções, 28,9% foram positivas e 17,7% neutras. A consultoria analisou 200 mil mensagens publicadas no Instagram e no X entre os dias 3 e 5 de junho – ou seja, o levantamento teve início um dia antes do evento ocorrer. “Os dados mostram que houve um incômodo do público devido ao aproveitamento político de um evento voltado à fé cristã”, afirmou Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata.

Interpol no encalço – A Polícia Federal prepara uma ofensiva internacional para rastrear o patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro. Investigadores estudam acionar a chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo voltado à localização e ao bloqueio de bens de investigados no exterior. A medida pode alcançar recursos vinculados ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2018. A PF também aguarda desdobramentos da negociação de delação premiada de Vorcaro e quer mapear ativos ainda não identificados fora do Brasil. Nos bastidores, investigadores avaliam que parte desses recursos poderá ser usada para ressarcir prejuízos atribuídos ao Banco Master.
Cada um por si – O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) descartou uma composição eleitoral com o ex-governador Romeu Zema (Novo) para a disputa presidencial e afirmou que ambos manterão suas candidaturas. Segundo Caiado, o entendimento entre os dois é evitar conflitos internos e preservar a unidade do campo de centro-direita para um eventual segundo turno. A declaração contrasta com sinalizações recentes sobre a possibilidade de uma chapa conjunta ainda na primeira fase da disputa. Apesar disso, Caiado voltou a defender convergência futura entre sua candidatura, a de Zema e a do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o PT.
Renovação automática – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que torna permanente a renovação automática da CNH para motoristas enquadrados como bons condutores. O benefício vale para quem não registrou infrações nem pontos na carteira nos últimos 12 meses e integra o Cadastro Positivo de Condutores. O Congresso, porém, manteve a exigência dos exames de aptidão física e mental, retirando a dispensa prevista originalmente pelo governo. A nova legislação também flexibiliza o processo de obtenção da primeira habilitação, reduzindo exigências de carga horária e ampliando alternativas às autoescolas tradicionais.

Soluços aumentam – Relatório médico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal informou que Jair Bolsonaro (PL) apresentou aumento na frequência das crises de soluço ao longo da última semana. Segundo o cardiologista Brasil Ramos Caiado, o ex-presidente permanece sob medicação em doses elevadas e dieta controlada para reduzir os sintomas. O boletim afirma que Bolsonaro está estável do ponto de vista cardiológico, com pressão arterial controlada, embora relate cansaço leve, fadiga e dificuldades relacionadas ao equilíbrio corporal. Condenado por tentativa de golpe de Estado, ele cumpre prisão domiciliar desde março por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
CURTAS
Federação em disputa – A governadora Raquel Lyra (PSD) tem evitado arbitrar, por enquanto, a disputa entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) pela vaga ao Senado na chapa governista. Nos bastidores, a avaliação é que antecipar uma escolha poderia gerar desgaste dentro da própria Federação União Progressista. A sinalização do Palácio é de que o espaço pertence ao bloco, mas a definição do nome ainda ficará para mais adiante.
Dudu à frente – A última pesquisa Datafolha colocou o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) numericamente à frente do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) na corrida pelo Senado. Em um dos cenários, Dudu apareceu com 22%, contra 19% de Miguel. Em outro, marcou 21%, enquanto o ex-prefeito registrou 16%. Os números fortalecem o discurso dos aliados do progressista, mas ainda não encerram a disputa dentro da federação.
Ainda tem Túlio – Enquanto Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) disputam espaço na Federação União Progressista, aliados de Raquel Lyra (PSD) lembram que a composição da chapa passa também por Túlio Gadêlha (PSD). Nos bastidores, o deputado é visto como um ativo importante para ampliar o diálogo com setores próximos ao presidente Lula (PT) e equilibrar o perfil político da aliança.
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