Raquel só pensa nela!
Diante de tudo que se viu ontem no Palácio das Princesas, depois de vários encontros com lideranças políticas que pleiteam espaço na disputa ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), uma única constatação: a gestora não está nem aí para Senado. Sua única preocupação, que perturba noites de sono, é garantir a sua reeleição.
Que se explodam os interessados, leia-se o deputado Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que travam uma luta titânica pela vaga reservada à federação União Progressista. Raquel criou tamanha expectativa, ontem, que os olhos do mundo político se voltaram para o Palácio, que tremeu, tamanha a torcida dos aliados ansiosos, mas a montanha pariu um rato.
A governadora brinca com o novo esporte que criou: a montagem de uma chapa ao seu bel prazer, passando por cima das convenções e conveniências partidárias. Seria cômico se não fosse trágico propor ao presidente da federação, Eduardo da Fonte, uma candidatura avulsa de Miguel, sendo ele (Eduardo) o candidato oficial do colegiado formado pelo PP e União Brasil, e escolhido por ela.
Leia maisSó da cabeça de Raquel, que faz política olhando para o seu próprio umbigo, sairia tamanho absurdo. Isso passa longe de civilidade política. É molecagem, grosseria, demonstração de desrespeito a quem, como Eduardo da Fonte, se propõe, como principal líder da federação, a oferecer a ela o maior tempo de TV na propaganda eleitoral e a maior fatia de fundo partidário, para viabilizar a reeleição dela.
A política, como ensinou Nicolau Maquiavel, e Raquel torce o nariz, é a arte de conquistar e manter o poder, baseada na realidade concreta e na eficácia, e não em utopias e enganação. A governadora engana-se a si própria quando trata iguais como desiguais. Aliados fortes e leais devem ser recompensados e protegidos, pois dão estabilidade ao governo.
Raquel não é sábia. O sábio faz imediatamente o que o tolo acaba fazendo. A pior combinação é o poder nas mãos de quem não entende o peso de uma decisão. Ninguém resiste por muito tempo à convicção de quem confunde autoridade com falta de saber.
QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ – Em vídeo divulgado nas redes sociais, Miguel Coelho afirmou que jamais fez política com base no toma lá, dá cá. Não parece ser o mesmo Miguel que apoiou Raquel e sem espaço no Governo rompeu. Depois se aliou a João Campos e, preterido para o Senado, pulou o muro e se abraçou novamente com Raquel. Uma sequência de mudanças de posição motivadas por interesses políticos e pela disputa por espaços e cargos, muito distante do discurso de coerência que agora tenta sustentar.

Falta de senso – Mais do que uma contradição, o que se vê em Miguel é uma política conduzida cada vez menos por convicções e cada vez mais por interesses individuais e circunstanciais. Quando o discurso ignora o próprio histórico, perde força diante dos fatos. No ambiente político, cresce a percepção de que ele vem desperdiçando um futuro promissor ao adotar sucessivas incoerências, revelando uma preocupante imaturidade política e tentando impor vontades pessoais como se fossem consensos. Para muitos observadores, não se trata apenas de falta de bom senso. Trata-se da falta de senso.
Entre os mais violentos – O Estado de Pernambuco ocupa a quinta posição entre os estados com maior taxa de mortes violentas intencionais (MVI) em 2025. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado, ontem, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2025, Pernambuco registrou 33 MVIs a cada 100 mil habitantes, contra 36,4 em 2024. À frente de Pernambuco entre as maiores taxas estão Alagoas (33,1), Ceará (34,7), Bahia (36,8) e, na primeira posição, Amapá (42,5).
Redução tímida – Apesar de Pernambuco figurar entre os piores estados, o Anuário apresenta um cenário de melhora em comparação com a edição anterior. Em 2025, o Estado teve uma redução de 9,3% nas taxas de MVI em comparação com o ano anterior, quando contabilizou 36,4 mortes por 100 mil habitantes. A variação coloca Pernambuco na décima posição entre os estados que mais reduziram. A taxa de 33 MVIs também é a menor da série histórica, iniciada em 2012.

Nem um riso maroto – Quando a governadora insistiu, ontem, com Eduardo da Fonte na solução de Miguel disputando com ele o Senado na mesma aliança, mas como candidato avulso, o presidente da Federação olhou para a gestora e soltou essa pérola: “Já imaginou eu e ele (Miguel) dividindo a mesma van com a senhora? Correria o risco de ser atingida por uma bala perdida”. Como não tem um mínimo de humor, Raquel não deu sequer um sorriso maroto.
CURTAS
DESCULPAS 1 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo, ontem, no qual diz ter aceitado o pedido de desculpas do enteado, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, eu assisti seu vídeo e recebi suas palavras com muita paz. Eu quero te agradecer por sua sinceridade, você sabe o quanto a verdade é importante para mim. Todos nós cometemos erros, isso é humano”, afirmou.
DESCULPAS 2 – E acrescentou: “O nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior que desentendimentos, por isso aceito seu pedido. Eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil. Façamos isso pelo nosso maior líder Jair Bolsonaro”.
QUEM ACREDITA? – O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que prestou serviços advocatícios a uma empresa de contabilidade ligada a uma consultora empresarial que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Ele, no entanto, não deu detalhes sobre os trabalhos realizados, como os contratos assinados, reuniões com os clientes, pareceres e eventuais petições na Justiça.
Perguntar não ofende: O que a governadora lucra ao prolongar o impasse na chapa para o Senado?
Leia menos

















