Por José Vítor*
Há homens públicos que são lembrados pelos cargos que ocuparam. Outros, pelas decisões que tomaram. E há aqueles que, além de tudo isso, são lembrados pelas relações que construíram ao longo da caminhada.
Dr. Zé Múcio pertence a essa categoria.
Leia maisSua trajetória atravessa diferentes momentos da vida pública brasileira. Foi prefeito, secretário de Estado, deputado federal, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e ministro da Defesa. Em diferentes posições, governos e cenários políticos, manteve uma característica que se tornou uma de suas marcas: a capacidade de dialogar e construir pontes.
Pontes entre pessoas, entre instituições e entre diferentes visões de mundo.
Em tempos de tanta polarização, essa capacidade se torna ainda mais valiosa. Dialogar não significa abrir mão de convicções. Significa compreender que a vida pública exige equilíbrio, respeito ao contraditório e disposição para encontrar pontos de convergência.
Mas talvez exista uma dimensão ainda mais humana nessa capacidade de construir pontes: a de preservar amizades e cultivar relações verdadeiras ao longo do tempo.
Um episódio ocorrido ontem, dia 11, ilustra isso de maneira particularmente bonita. Durante um evento que reuniu diversas autoridades para a entrega de medalhas ao Ministro-Chefe da Advocacia-Geral da União, Dr. Jorge Messias, ao cumprimentar os presentes, fez referência ao Dr. Zé Múcio. Ao mencioná-lo, emocionou-se.
Não foi apenas uma saudação protocolar. Foi uma demonstração espontânea de estima, amizade, respeito e carinho.
E talvez aí esteja uma das qualidades mais raras na vida pública: ser amigo dos amigos. Não permitir que os cargos, as posições ou as circunstâncias políticas apaguem os vínculos construídos ao longo da vida.
Dr. Zé Múcio parece compreender que a política também é feita de relações humanas. Que é possível divergir sem romper, discordar sem desrespeitar e atravessar diferentes momentos da vida pública sem deixar para trás aqueles que fizeram parte da caminhada.
Construir pontes é exatamente isso: aproximar, mesmo quando existem diferenças; preservar o respeito, mesmo quando não há concordância; e compreender que adversários circunstanciais não precisam se transformar em inimigos permanentes.
Talvez por isso sua trajetória transcenda os cargos que ocupou.
Os cargos passam. Os governos mudam. As posições políticas se transformam.
Mas as pontes construídas, os amigos conquistados e o respeito cultivado ao longo de uma vida permanecem.
É esse, talvez, um dos maiores legados de Dr. Zé Múcio: mostrar que, na vida pública, diálogo não é fraqueza. É uma forma de grandeza.
*Advogado
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