A atividade política não é um fim em si mesmo. Na democracia, a ação política busca resolver os problemas fundamentais da sociedade. A luta pela hegemonia política e a disputa entre as diversas correntes ideológicas são legítimas. No Brasil, no entanto, temos atravessado problemas sucessivos de governabilidade. Isto é fruto de um sistema político excessivamente original e disfuncional, onde não há formação clara de maioria e minoria. Muitos avanços são obtidos em complexas negociações entre o Presidente da República e o Congresso Nacional, envolvendo distribuição de cargos, concessões orçamentárias e redução das ambições transformadoras.
Em qualquer democracia madura, há uma maioria sólida identificada com o governo oferecendo apoio parlamentar. Por outro lado, cabe à oposição propor iniciativas, fiscalizar, criticar, denunciar, preparando-se para a alternância no poder. É assim nos EUA e nos países europeus. Isto, aqui, se agrava pela excessiva pulverização da representação parlamentar. O “presidencialismo de coalizão” cede lugar ao “presidencialismo de cooptação”. O pragmatismo predomina sobre a consistência programática.
Se é verdade que a política visa gerar soluções para os problemas da sociedade, a agenda de votações deveria partir do diagnóstico sobre quais são os verdadeiros desafios nacionais.
Estamos na iminência da instalação de uma CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Investigação – para investigar os tristes fatos ocorridos no último dia 8 de janeiro, quando vândalos, fanáticos e baderneiros destruíram as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros. A Constituição Brasileira em seu art. 58, parágrafo 3º., prevê as CPIs como instrumento de fiscalização e investigação. Ora, não há dúvidas que os fatos ocorridos têm que ser apurados e os responsáveis rigorosamente punidos. Mas as investigações já estão muito bem conduzidas pelo STF, pelo MPF e pela PF.
Fui membro de duas CPIs importantes: a dos Fundos de Pensão e a do CARF. Aprendi que o Congresso Nacional não deve privilegiar este tipo de atuação. A investigação é rala e ineficiente, a retórica e o espetáculo predominam, a confrontação é radical e inevitável, o desgaste para as instituições, líquido e certo. Quem viver, verá.
A investigação para valer pressupõe um meticuloso trabalho de cruzamento de dados e informações. Os deputados e senadores não são treinados para isso. Nenhuma testemunha vai lá dizer a verdade. Exceto depoimentos espontâneos como o do publicitário Duda Mendonça, na CPI dos Correios, ou do gerente da PRETROBRAS e presidente da Sete Brasil, Pedro Barusco, que, muito doente, resolveu abrir o coração e revelar percentuais de propina e como a corrupção operava, pouco se acrescenta às investigações do sistema judiciário.
Temo que a CPMI do 8 de janeiro se transforme num espetáculo de baixíssima qualidade, um teatro de horrores, aguçando a atual polarização, contribuindo muito pouco para a elucidação dos fatos. E o pior, desperdiçando energia política e desviando o foco das coisas essenciais para a maioria da população.
Não seria melhor concentrar energia e trabalho na discussão e aprovação do novo arcabouço fiscal, da Reforma Tributária, dos ajustes no Ensino Médio, da Lei das Fake News e do Marco Modernizador do Saneamento, por exemplo?
* Economista, foi deputado federal e estadual e presidente do PSDB de Minas Gerais. Também foi secretário estadual da Saúde e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Crise no STF: relatórios da PF apontam “viés político” e estratégia de Mendonça para ampliar poder na Corte
Relatórios de inteligência da Polícia Federal divulgados ontem apontam possível “viés político” na atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, à frente das operações Compliance Zero e Sem Desconto e associam determinados movimentos do magistrado a uma estratégia para ampliar seu poder dentro da Corte. O material, revelado em matérias do jornal O Globo, embasou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, que apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes retirou o sigilo dos documentos, determinou que a Procuradoria-Geral da República fosse cientificada e encaminhou o material ao presidente do tribunal, Edson Fachin.
Em uma das análises, a PF relaciona diretamente a conduta atribuída a Mendonça a uma possível alteração no equilíbrio interno do Supremo. “A mais provável [explicação], no momento, é a de que esses movimentos integrem estratégia mais ampla do relator, com a intenção de ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte”, diz o texto. A corporação também menciona uma possível tentativa de enfraquecer o grupo de ministros que, segundo os investigadores, “atuou firmemente em defesa da democracia”.
A divulgação dos relatórios ocorre três dias depois de Mendonça encaminhar à PGR informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro que alcançaram Moraes. Os diálogos mostram o banqueiro pedindo orientações ao ministro na véspera de ser preso, em novembro de 2025, e mencionando também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Procuradoria questionou a forma como o material foi produzido, pediu sua nulidade e sustentou que uma investigação envolvendo integrante do Supremo dependeria de autorização prévia do plenário. Na sequência, Moraes determinou que Andrei encaminhasse ao STF relatórios de inteligência que contivessem citações a integrantes da Corte.
Com base nesses documentos, Moraes reuniu três frentes de questionamento à atuação do colega: a suposta usurpação da direção das investigações, com prejuízo à cadeia de custódia das provas; a participação indevida em tratativas de colaboração premiada; e o direcionamento de apurações contra o próprio Moraes. O material também aponta “indicadores de assimetria por espectro político” no tratamento dispensado a determinados alvos.
A atuação nas delações é um dos pontos centrais. “O Ministro Relator apresenta comportamento participativo nas tratativas de colaboração premiada, tanto na Operação Sem Desconto quanto na Operação Compliance Zero”, afirma a PF em trecho reproduzido por Moraes. Segundo os investigadores, Mendonça fazia questionamentos frequentes sobre o andamento das negociações e os elementos apresentados por potenciais colaboradores, além de relatar conversas com advogados envolvidos. A legislação veda a participação do juiz nas negociações entre as partes.
Um dos episódios citados envolve Maurício Camisotti, investigado no esquema do INSS. De acordo com a PF, Mendonça teria sugerido benefícios “não previstos em lei” em uma eventual colaboração, apesar da posição contrária da PGR. A corporação justificou a recusa também pelo risco de que uma futura invalidação do acordo e das provas dele decorrentes recaísse sobre a própria instituição. “A recusa a essa via não é, portanto, apenas dever de legalidade: é medida de autoproteção institucional”, diz o documento.
Outro eixo atinge diretamente Moraes. A Polícia Federal relata que Mendonça teria solicitado “mais de uma vez” alguma provocação que permitisse a abertura de uma investigação formal contra o colega. Moraes sustentou que nem a PF nem a PGR encontraram fatos que configurassem infração penal de sua parte. “Como nem a Polícia Federal, nem a Procuradoria-Geral da República encontraram qualquer fato que pudesse constituir infração penal por parte do Ministro Alexandre de Moraes, o Ministro relator, André Mendonça, reiterou suas condutas de incriminá-lo, direcionando as investigações”, escreveu. Outra análise avalia, com grau de confiança moderado, que Mendonça já sabia que uma busca por ele determinada poderia alcançar Moraes, embora talvez desconhecesse a extensão do material que seria encontrado. A própria PF ressalva que se trata de material de inteligência, sem valor probatório e que, por si só, não imputa ilícitos a magistrados.
Em outra frente da crise, Fachin abriu ontem um procedimento para esclarecer os questionamentos apresentados pela PGR sobre a condução da investigação do caso Master. O presidente do STF deu cinco dias úteis para a apresentação de informações antes de avaliar o pedido de Mendonça para que o plenário da Corte examine o relatório com as mensagens de Vorcaro. Ao mesmo tempo, Fachin recebeu de Moraes os documentos da PF que levantam suspeitas sobre a atuação de Mendonça nas operações Compliance Zero e Sem Desconto.
Alcolumbre seria “alvo estratégico” – Em outra frente do material levado por Moraes a Fachin, a Polícia Federal afirma que Davi Alcolumbre (União-AP) poderia ser um “provável alvo estratégico” de Mendonça. A análise cita a força política do presidente do Senado, o favoritismo para permanecer no comando da Casa e, especialmente, o poder de decidir sobre pedidos de impeachment contra ministros do STF. A PF relaciona essa hipótese ao histórico entre os dois: Alcolumbre foi um dos principais obstáculos à indicação de Mendonça para o Supremo durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O relatório também chama atenção para uma reunião em que Mendonça teria defendido separar as investigações envolvendo ACM Neto e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, apesar de a equipe policial identificar conexão entre as condutas. Para os investigadores, o episódio revelaria uma “assimetria de tratamento” em relação a outras decisões tomadas pelo relator.
Lula cobra investigação “sem blindagem” – O presidente Lula (PT) se pronunciou, ontem, pela primeira vez sobre a crise no STF provocada pela divulgação das mensagens de Daniel Vorcaro e evitou citar diretamente Alexandre de Moraes. Em vídeo gravado no Palácio do Planalto, classificou o caso Master como “o maior roubo da história do Brasil”, mencionou suspeitas envolvendo políticos e agentes públicos e defendeu uma apuração ampla. “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer”, afirmou. Lula também cobrou uma resposta institucional do presidente do Supremo, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. “Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, declarou. O presidente criticou ainda “vazamentos seletivos” e defendeu “reformas profundas” nos sistemas político e Judiciário.
PF vê possível maior rigor com Lulinha – Outro relatório de inteligência da Polícia Federal aponta possível tratamento mais rigoroso de André Mendonça em relação a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao comparar a condução de apurações envolvendo o filho de Lula e ACM Neto (União), candidato ao Governo da Bahia. Segundo a PF, Mendonça avaliou, em reunião realizada em agosto, que ACM aparentava exercer atividade de representação de interesses dentro dos limites permitidos, enquanto Lulinha é alvo de dois inquéritos sob sua relatoria por suspeitas de tráfico de influência no Governo Federal. “A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”, registra o documento. A própria PF, porém, classifica como de baixa confiança a hipótese de motivação política e ressalva que a semelhança entre os dois casos ainda é “afirmada e não demonstrada”.
João diz que “nunca foi comentarista de pesquisa” – João Campos (PSB) evitou, ontem, valorizar o empate técnico com Raquel Lyra (PSD) apontado pela nova pesquisa Real Time Big Data na disputa pelo Governo de Pernambuco. O levantamento mostra os dois com 43% das intenções de voto no primeiro turno e João com 44% contra 43% da governadora no segundo. Durante agenda em São Lourenço da Mata, o socialista disse estar “muito animado”, mas afirmou que não pauta a campanha por pesquisas. “Eu vi meu pai sair com 3% da intenção de votos e ser governador de Pernambuco. Eu nunca fui comentarista de pesquisa nem serei”, declarou. João disse ainda que prefere medir a campanha pelo contato com os eleitores e pelo “calor das ruas”.
Será? – Raquel Lyra (PSD) afirmou, ontem, que os segundos de silêncio que abriram seu primeiro programa no horário eleitoral, exibido em 28 de agosto, não foram planejados. Durante sabatina da Folha/UOL, a governadora e candidata à reeleição contou que a gravação ocorreu após quatro horas de entrevista e que sequer sabia que as câmeras continuavam registrando o momento. “Pediram para respirar e mandar uma mensagem para Pernambuco, e aquilo ali, eu nem sabia que estava sendo gravado. Eu respirei e eu não imaginei nunca que aquilo seria a abertura do guia”, disse. Na peça, Raquel adotou um tom pessoal ao falar da morte do marido, Fernando Lucena, e apresentou realizações de sua gestão nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, emprego e economia.
CURTAS
FIM DA TAXA DAS BLUSINHAS – O Congresso Nacional aprovou, ontem, a medida provisória que acaba com a “taxa das blusinhas”. O texto, aprovado de forma simbólica pela Câmara e pelo Senado, zera o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 e segue agora para sanção presidencial.
VITÓRIA PARA LULA – A aprovação da medida representa uma vitória política para o presidente Lula (PT) a cerca de um mês das eleições. A oposição tentou alterar o texto na Câmara para reduzir o ganho do Governo Federal com a medida, mas todos os destaques foram rejeitados. No Senado, a votação ocorreu de forma rápida e sem discussão.
INDÚSTRIA ALERTA PARA EMPREGOS – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o fim da “taxa das blusinhas” pode colocar em risco 109 mil empregos no país e provocar perda de R$ 21,8 bilhões para a indústria brasileira. O acordo aprovado prevê avaliação periódica dos impactos da isenção sobre as empresas nacionais, inicialmente após três meses e, depois, a cada seis meses. A medida não altera o ICMS cobrado pelos estados sobre as encomendas internacionais.
Perguntar não ofende: Lula conseguirá evitar que a crise no STF respingue em sua campanha?
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais indeferiu, nesta quinta-feira (3), o registro da candidatura de Eduardo Cunha (Republicanos) ao cargo de deputado federal. A decisão da Corte foi por unanimidade. Cabe recurso.
O relator do caso, desembargador Sálvio Chaves, analisou as impugnações ao registro de candidatura apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pela candidata a deputada estadual Roberta Lopes Alves (PL). As informações são do g1.
O TRE-MG declarou incidentalmente inconstitucionais as alterações promovidas na Lei da Ficha Limpa em 2025, que mudaram a contagem do tempo em que uma pessoa fica proibida de se candidatar às eleições. A Corte entendeu que as mudanças reduziram a proteção à moralidade e à probidade administrativa exigida pela Constituição.
Eduardo Cunha teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados, em 2016, por conduta incompatível com o decoro parlamentar.
Aplicando a redação anterior da Lei da Ficha Limpa, o desembargador concluiu que o prazo de inelegibilidade permanece em vigor até 1º de fevereiro de 2027, alcançando as eleições de 2026.
Enquanto o processo estiver em tramitação, o candidato pode continuar fazendo campanha, inclusive com o uso do horário eleitoral gratuito.
Entenda As mudanças na Lei da Ficha Limpa foram sancionadas em setembro de 2025. Com as alterações, foi antecipado o início da contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade para políticos cassados ou condenados por uma série de crimes.
Parte das mudanças está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes, que já devolveu o processo. A análise será retomada no plenário virtual entre 11 e 18 de setembro.
Cármen Lúcia, relatora, e Luiz Fux votaram pela derrubada de trechos da reforma e pelo restabelecimento das regras anteriores. O placar está em 2 a 0.
Pesquisa exclusiva Focus Poder/AtlasIntel mostra Ciro Gomes com 48,4% e Elmano de Freitas com 45,8% no 1º turno. A diferença de 2,6 pontos está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, configurando empate técnico e tornando esta uma das fotografias mais competitivas da disputa. As informações são do Focus Poder.
O resultado puro do 1º turno Ciro Gomes (PSDB): 48,4% Elmano de Freitas (PT): 45,8% Delegado Hugo: 1,0% Brancos/nulos: 1,2% Não sabe: 3,0% Demais candidatos: abaixo de 0,5%
Portanto, Ciro e Elmano concentram 94,2% das intenções de voto. O dado revela uma eleição fortemente polarizada entre os dois principais candidatos.
Votos válidos Quando são excluídos brancos, nulos e eleitores que não sabem ou não responderam, o cenário fica em:
Ciro Gomes: 50,5% Elmano de Freitas: 47,8% Delegado Hugo: 1,0% Demais: menos de 1%
A vantagem de Ciro nos votos válidos é de 2,7 pontos percentuais.
O indicador é importante porque é sobre os votos válidos que se calcula o resultado oficial da eleição. Ciro aparece, portanto, acima dos 50% dos votos válidos, mas com uma vantagem de apenas 2,7 pontos sobre Elmano.
Como a margem de erro é de 2 pontos, a conversão para votos válidos não elimina o caráter competitivo do cenário. Principalmente considerando que falta um mês para o dia das eleições. A pesquisa mantém Ciro na dianteira, mas aponta uma distância muito curta entre os dois.
Empate técnico Embora Ciro apareça numericamente na frente, a vantagem de 2,6 pontos percentuais precisa ser lida à luz da metodologia da pesquisa. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos, com 95% de confiança.
Na prática, portanto, a pesquisa não permite afirmar que Ciro esteja efetivamente à frente de Elmano. Os dois estão em situação de empate técnico.
É uma diferença importante em relação a uma leitura simplesmente nominal do resultado. A fotografia mostra Ciro liderando numericamente, mas sem uma vantagem estatisticamente segura.
A curva mudou A comparação com as rodadas anteriores reforça a importância do resultado.
Em março, Ciro tinha 46,2%, contra 42,6% de Elmano. Em junho, eram 46% e 44,8%, respectivamente. Em agosto, Ciro chegou a 49,3%, contra 44,6% do governador, abrindo vantagem de 4,7 pontos.
Agora, Ciro recua para 48,4%, enquanto Elmano avança para 45,8%. Tudo isso ocorre dentro da margem de erro.
A nova rodada da Atlasintel mostra que a vantagem de Ciro cai de 4,7 para 2,6 pontos.
O movimento não muda a liderança numérica, mas há um indicativo de que a natureza da disputa está oscilando: Ciro deixa de apresentar uma vantagem mais confortável e passa a dividir com Elmano uma faixa eleitoral de empate técnico.
Metodologia A pesquisa Focus Poder/AtlasIntel ouviu 1.834 eleitores do Ceará entre 28 de agosto e 2 de setembro de 2026.
Foi utilizada a metodologia Atlas RDR (Random Digital Recruitment), com recrutamento digital aleatório durante a navegação na internet. A amostra é posteriormente pós-estratificada para representar o perfil do eleitorado.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos (a menor entre todas as pesquisas), com 95% de confiança.
O levantamento está registrado no TRE-CE sob o nº CE-02357/2026 e no TSE sob o nº BR-07411/2026.
A leitura O dado politicamente mais forte desta rodada é simples: Ciro lidera, mas a pesquisa aponta empate técnico.
Depois de ampliar a vantagem em agosto, o candidato do PSDB chega à nova rodada com uma diferença menor, enquanto Elmano recupera terreno.
É também a primeira pesquisa após os debates, o início do horário eleitoral gratuito e a intensificação da campanha nas ruas.
A fotografia captada pela AtlasIntel mostra, portanto, uma disputa aberta, concentrada em dois nomes e sem liderança estatisticamente consolidada.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta quinta-feira (3) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pedido de investigação contra o ministro André Mendonça.
Na petição, Moraes disse que há presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS. As informações são do g1.
A decisão de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news.
O ministro André Medonça ainda não se manifestou.
Na terça-feira (1), o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais da direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, a investigação de determinados alvos, e cita seu próprio nome, e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça “com flagrante perda de imparcialidade”.
Moraes apontou:
a usurpação da direção das investigações das autoridades policiais, inclusive com determinação de medidas administrativas que afastaram a observância da cadeia de custódia prejudicando a produção probatória;
a condução irregular das tratativas de eventual colaboração premiada;
o direcionamento de determinados alvos para investigação, por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela PF.
“Conforme destacado pela Polícia Federal, “o formato exigido é, em si, indicativo: destina-se a consulta e análise de teor”, permitindo ao Ministro relator selecionar, suprimir ou manipular documentação em flagrante quebra da c“Conforme destacado pela Polícia Federal, “o formato exigido é, em si, indicativo: destina-se a consulta e análise de teor”, permitindo ao Ministro relar selecionar, suprimir ou manipular documentação em flagrante quebra da cadeia de custódia”, diz a decisão.adeia de custódia”, diz a decisão.
Na decisão, o ministro disse ainda que o mesmo relatório aponta que a atuação de Mendonça teve como resultado a “atuação de julgador como investigador”.
“Conforme destacado pela Polícia Federal, “o formato exigido é, em si, indicativo: destina-se a consulta e análise de teor”, permitindo ao Ministro relator selecionar, suprimir ou manipular documentação em flagrante quebra da cadeia de custódia”, diz a decisão.
Segundo o documento, Mendonça fez perguntas sobre o estágio das negociações de delegações e em diversas ocasiões questionou sobre o conteúdo das colaborações.
Moraes afirmou também que Mendonça realizou contatos com defensores de pretensos colaboradores e teria proposto benefícios não previstos em lei.
“Ponto de maior relevo operacional: o custo dessa prática recairia sobre a Polícia Federal. Na proposição sugerida, a instituição figuraria como propositora do benefício extralegal, e a eventual invalidação futura do acordo – e da prova dele derivada – seria atribuída à sua atuação, e não à do juízo homologador. A recusa a essa via não é, portanto, apenas dever de legalidade: é medida de autoproteção institucional.”
Relatórios de inteligência da PF De acordo com Moraes, elementos apresentados pela PF em relatórios de inteligência apontam que Mendonça aplicou tratamento diferenciado entre autoridades de igual situação.
Moraes citou trecho de um desses documentos em que a PF diz haver indicações de que Mendonça adota posturas “muito diferentes diante de ilicitudes” em relação aos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques.
“Não bastasse o direcionamento da investigação para determinado alvo que não estava sob sua competência jurisdicional (…) o relator, Ministro André Mendonça determinou – DE OFÍCIO – diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o Ministro Alexandre de Moraes, com a agravante excepcional de ter determinado à Polícia Federal a realização da diligência sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito da comunicação pelas vias procedimentais legais, bem como ter subtraído o conhecimento da mesma da Procuradoria-Geral da República”, diz trecho do documento citado por Moraes.
Outro documentou citado por Moraes aponta “assimetria por espectro político” e diz que Mendonça parece ter uma estratégia de recomposição de forças no tribunal, tendo como provável alvo, Alcolumbre.
“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”, diz o relatório mencionado por Moraes. Moraes disse também que o relatório apontou que Mendonça quis afastar de suas funções o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o primeiro por suposta proximidade com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o segundo por proximidade com o ministro Gilmar Mendes.
Manifestação PGR A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou na terça pela nulidade da investigação ordenada por André Mendonça que apontou relação entre Moraes e Daniel Vorcaro.
As mensagens reveladas pelo relatório da PF também indicam proximidade entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Vorcaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou nesta quinta-feira (3/9) um vídeo sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou nesta quinta-feira (3/9) um vídeo sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O presidente não cita nominalmente nenhum ministro da Suprema Corte no vídeo, mas discorre explicitamente sobre a crise no Poder Judiciário e o escândalo envolvendo o Banco Master.
O tom do discurso de Lula é mais presidencial do que de candidato. A ideia da manifestação é ser mais neutra e ter caráter institucional.
Confira a íntegra da fala:
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. A suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos.
Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.
Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.
A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.
Um veículo da Secretaria de Saúde de Belém do São Francisco foi flagrado recolhendo bandeiras de candidatos apoiados pelo prefeito Calby Carvalho (Republicanos). Confira!
A presidente licenciada do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Ivete Caetano, denunciou a demissão de professores contratados temporariamente pelo Governo de Pernambuco sem aviso prévio. Segundo ela, profissionais afetados pela medida têm procurado o sindicato. “Os professores estão me ligando desesperados, sem saber como vão pagar água, luz, aluguel e fazer a feira. Não se trata um professor dessa forma. É preciso respeitar a dignidade de quem trabalha”, afirmou.
Ivete também afirmou que as demissões já provocam falta de professores e de aulas em escolas da rede estadual, com impactos sobre os estudantes, inclusive na preparação para o Enem. Ela questionou a decisão do Governo do Estado de dispensar temporários enquanto, segundo o sindicato, professores aprovados em concurso e integrantes do cadastro de reserva ainda aguardam convocação.
Diante da situação, o Sintepe solicitou uma reunião com a Secretaria de Educação de Pernambuco e informou que pretende realizar mobilizações contra as demissões. “Não vamos aceitar esse desrespeito. O Sintepe está ao lado desses trabalhadores e dessas famílias. Vamos à luta, nas ruas e nas redes sociais, para denunciar o que está acontecendo e cobrar do Governo de Pernambuco responsabilidade, planejamento e respeito aos profissionais em educação e aos estudantes”, declarou Ivete.
O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) recebeu, nesta quinta-feira (3), o apoio do ex-prefeito de Ouricuri Ricardo Ramos, que comandou o município por três mandatos. A declaração ocorreu após encontro na sede do Partido Progressista (PP), no bairro do Pina, Zona Sul do Recife.
“Eduardo tem uma trajetória de trabalho por Pernambuco e, especialmente, um olhar muito atento para as necessidades do interior. É por acreditar nesse trabalho e nesse compromisso que decidi apoiar sua candidatura ao Senado”, afirmou Ricardo Ramos. Eduardo da Fonte agradeceu o apoio e disse que a adesão amplia sua articulação política no Sertão do Araripe.
Enquanto enfrenta uma recuperação judicial bilionária atolada em disputas familiares e processos judiciais, o Grupo João Santos tenta reaver papéis avaliados em R$ 2,2 bilhões que foram parar nos cofres do Banco Master.
Os precatórios foram vendidos por herdeiros do fundador do conglomerado — que reúne dezenas de empresas e marcas, como a Cimento Nassau (foto em destaque) — em uma operação fracionada entre os anos de 2019 e 2020. À época, o Master já pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro, mas operava com o nome Banco Máxima. As informações são do Metrópoles.
De lá para cá, os precatórios engordaram o balanço do Master e serviram de âncora para a expansão do banco de Daniel Vorcaro.
A atual diretoria do grupo tenta, na Justiça do Estado de Pernambuco, anular integralmente a venda e retomar o controle dos papéis. Entre os argumentos está o deságio superior a 80% praticado na operação. Avaliados em R$ 1 bilhão no momento da venda, os papéis foram comercializados por R$ 180 milhões. Com a devida correção, os precatórios valem R$ 2,2 bilhões atualmente.
Além disso, argumentam que só R$ 30 milhões entraram de fato nas contas da empresa. O restante do dinheiro teria sido remetido para empresas sediadas na Suiça por meio de contas correntes mantidas pelo próprio Master.
Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco reconheceu a fraude na alienação e bloqueou os títulos, impedindo o repasse dos ativos. O motivo, no entanto, foi outro. Para a Justiça, a empresa não poderia ter vendido os precatórios por acumular dívidas também bilionárias com a União.
A liquidação do Master expôs o emaranhado de papéis podres que estruturam as operações do banco de Daniel Vorcaro. Os precatórios do grupo João Santos, no entanto, estão entre os itens considerados como valiosos pelo mercado.
Antes da decisão judicial, outros bancos chegaram a fazer propostas pelos papéis. Até um novo veredicto, no entanto, os precatórios precisam ficar onde estão: nos cofres do Master.
Origem
A origem dos precatórios remonta aos anos de hiperinflação e à política de tabelamento de preços no Brasil. Décadas depois, o governo federal foi condenado a indenizar as usinas do setor sucroalcooleiro por perdas financeiras causadas pelo controle de preços exercido pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) entre junho de 1989 e maio de 1994.
Especificamente, a dívida da União que deu origem aos precatórios tem a Companhia Agro Industrial de Goiana (CAIG) como credora. A CAIG é dona da Usina Santa Tereza, em Pernambuco, controlada pelo Grupo João Santos.
O império industrial erguido pelo economista João Pereira dos Santos reúne 43 empresas, englobando fábricas de cimento, usinas de açúcar, ativos imobiliários e meios de comunicação.
Em 2009, João Santos faleceu aos 101 anos. Após a sua morte, os herdeiros iniciaram uma disputa ferrenha pelo controle do patrimônio. São, ao todo, seis linhagens de sucessores que travam verdadeiras batalhas judiciais. Em 2022, com uma dívida de R$ 14 bilhões, o conglomerado ajuizou seu pedido de recuperação judicial.
Em agosto deste ano, como mostrou o Metrópoles, a recuperação judicial do grupo foi parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma das famílias de herdeiros acionou a corte pedindo o afastamento do juiz e da administradora judicial responsáveis pelo processo de reestruturação do conglomerado.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, corregedor no CNJ, no entanto, negou os pedidos e arquivou o processo.
Enquanto os Policiais Penais continuam enfrentando um dos piores salários do Brasil, a situação do PCV segue sem solução e a categoria continua acumulando prejuízos, o SINPOLPEN parece estar mais preocupado com política partidária do que com as nossas reivindicações.
Falar nisso: cadê a tão falada amizade com a governadora?
O que essa proximidade trouxe de concreto para os Policiais Penais? Até agora, prejuízos e promessas não cumpridas.
Nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (3) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 44% em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Aqueles que votariam em branco e nulo são 9%, enquanto os indecisos, 2%.
O instituto também testou outros cenários de 2º turno.
Enfrentando Ronaldo Caiado (PSD), Lula tem 46% e o ex-governador de Goiás, 41%.
Já contra Romeu Zema (Novo), o presidente da República chega a 48% e o ex-governador de Minas Gerais, 39%.
No cenário contra Renan Santos (Missão), Lula tem 47% e o coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), 38%.
Metodologia
O Datafolha ouviu 2.002 entrevistados entre os dias 1º e 2 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número TSE-03669/2026. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo.
O debate sobre o fim da escala 6 por 1 deixou, nos últimos dias, uma diferença cada vez mais clara entre João Campos e Raquel Lyra.
De um lado, João assumiu uma posição firme e contundente em defesa da aprovação da matéria pelo Senado. Foi às redes sociais, explicou sua posição e deixou claro que está ao lado dos trabalhadores e de uma mudança que pode representar mais qualidade de vida para milhões de brasileiros.
Do outro, mais uma vez, a governadora Raquel Lyra prefere ficar em cima do muro. Recusa-se a comentar o assunto, como se a discussão não tivesse relação com ela, com os trabalhadores de Pernambuco.
Raquel não precisa dizer nada, não precisa assumir posição, não precisa se justificar. Essa parece ser a nova estratégia: diante dos grandes debates, silenciar; diante dos problemas, se colocar como vítima; e, quando cobrada, transformar tudo em drama para justificar a ausência de ações do seu governo. No fim das contas, é só chororô e mimimi.
Só que essa retórica está ficando cansativa. Pernambuco nunca foi assim.
Pernambuco sempre foi um estado altivo, corajoso, rebelde e protagonista da história do Brasil. Um estado que não se esconde diante dos grandes debates e que nunca teve medo de assumir posições.
Foi assim em 1817, quando Pernambuco protagonizou a Revolução Pernambucana e proclamou sua independência. Foi assim em tantos outros momentos da nossa história. A nossa tradição é de coragem, não de omissão. É de enfrentamento, não de vitimização.
Por isso, quando se discute uma questão tão importante para os trabalhadores brasileiros como o fim da escala 6 por 1, Pernambuco precisa saber quem está ao lado dos seus trabalhadores.
João Campos assumiu. Raquel Lyra, mais uma vez, preferiu ficar no muro. E Pernambuco não combina com muro. Combina com coragem.