Corri meus 8 km diários, há pouco, na simbólica Diamantina, terra natal de Juscelino Kubitscheck, o estadista do Brasil que fez sua explosão econômica industrial em apenas cinco anos, mas que valeram por 50 anos. Aqui também viveu Chica da Silva, uma escrava alforriada que se tornou um símbolo de ascensão social no período colonial.
A cidade é linda, com prédios do século XVIII, casarões preservados, bons restaurantes e uma agitada vida noturna. Diamantina teve sua origem ligada à descoberta de diamantes na região, o que impulsionou seu desenvolvimento e a transformou em um importante centro de mineração.

O município preserva até hoje um conjunto arquitetônico colonial, com casarões, igrejas e ruas de pedras que refletem seu passado histórico. Em reconhecimento à sua importância cultural e histórica, a terra de JK foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1999.

Fica na Serra do Espinhaço, com uma geografia marcada por montanhas, vales e rios, oferecendo uma paisagem natural exuberante. O município tem um clima tropical de altitude, com temperaturas amenas ao longo do ano e um período chuvoso concentrado nos meses de verão. Essas características tornam a região propícia para o ecoturismo e atividades ao ar livre.
Dos 90 sítios arqueológicos já identificados em Diamantina, 72 correspondem ao período pré-colonial. Além disso, em outros 10 foram identificados testemunhos materiais de ocupações pré-coloniais e históricas, o que indica que as centenas de grutas e abrigos seguiram servindo de acampamentos provisórios para garimpeiros, caçadores e coletores de sempre-vivas em tempos recentes.

Em outro sítio arqueológico, batizado de “Lapa da Contagem 1”, antigos vestígios de garimpeiros foram encontrados por arqueólogos em 2017, lembrança do período em que as serras de Diamantina foram exploradas intensamente por brasileiros e portugueses em busca de ouro e diamantes.
Antes da chegada dos colonizadores portugueses, no século XVI, o território era habitado por grupos indígenas etnicamente diversos. Na região do Vale do Jequitinhonha e áreas próximas, há o registro de etnias como Kaposo (Copoxós), Panyame (Panhames), Malali (Malales) e Monoxó, com fontes indicando sua presença ainda na primeira metade do século XIX.

Contudo, o processo de colonização portuguesa na região fez com que boa parte dos nomes das populações que habitavam o centro-norte de Minas Gerais não chegasse até os dias atuais, tendo em vista as mortes causadas por doenças e guerras contra os indígenas.
Populações falantes de idiomas tupi-guarani também foram descritas pelos portugueses como habitantes dos arredores do Jequitinhonha, como os Abaetés e Caetés. Além disso, há registro da presença de grupos relacionados ao tronco linguístico Macro-Jê, como os Kayapós, Kariris e Xakriabás.
















