Em Salvador, Lula assina acordo de criação do Parque Tecnológico Aeroespecial da Bahia

Do G1/BA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um acordo que formaliza a criação do Parque Tecnológico Aeroespecial da Bahia. O evento acontece, na manhã de hoje, no Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Cimatec), em Salvador.

A iniciativa é uma parceria entre o Governo Federal, por meio do Ministério da Defesa e do Comando da Aeronáutica, o Estado da Bahia e o Senai Cimatec. Segundo o governo federal, o parque vai instalado na Base Aérea de Salvador e vai ser um espaço para promover o ensino e pesquisas avançadas sobre o campo aeroespacial. A previsão de início das obras não foi informada.

Além do presidente Lula, participaram do evento os ministros Rui Costa, da Casa Civil; José Mucio, da Defesa; e Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação. O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, também participou do momento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, hoje, em Salvador, de uma solenidade para assinatura de acordo entre os governos Federal e Estadual e o Senai para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também participará do evento.

O Parque Aeroespacial visa promover o desenvolvimento regional da indústria através do ensino, pesquisa e projetos de inovação. O local ficará na Base Aérea de Salvador, em área cedida pela União ao Senai Cimatec.

É prevista a presença dos ministros Rui Costa, José Múcio, Luciana Santos e também do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos. Em seguida, o presidente embarca para o Recife, onde participa da cerimônia de retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima.

Por José Matheus Santos – repórter da Folha de São Paulo

O PDT mandou sinais ao PSB de que poderá romper a aliança entre os dois partidos no Recife caso não receba apoio em troca na disputa em Fortaleza. As duas cidades estão entre os três maiores colégios eleitorais do Nordeste. Enquanto a prioridade nacional dos pedetistas é reeleger o prefeito Sarto na capital cearense, a legenda pessebista almeja a renovação do mandato de João Campos no Recife.

A atual vice-prefeita do Recife é Isabella de Roldão (PDT). Inicialmente, o partido mandou sinais de que desejava manter o posto, mas as chances são diminutas. Isso porque o PSB não vê o PDT com a mesma força para emplacar a vice na chapa da tentativa de reeleição de João Campos. A vaga é disputada pelo PT, partido do presidente Lula, mas esbarra em resistências de João Campos, que quer emplacar um nome do próprio PSB e ter um vice de confiança.

A cobiça pela vice no Recife está mais intensa que o habitual porque o prefeito poderá ser candidato a governador em 2026, se a governadora Raquel Lyra (PSDB) estiver em um cenário adverso e de impopularidade.

Entre os nomes cotados pelo PT estão o deputado federal Carlos Veras e o médico Mozart Sales, auxiliar de Alexandre Padilha no Ministério das Relações Institucionais do Governo Federal. Pelo PSB, os mais cotados são o presidente da Câmara Municipal, Romerinho Jatobá, e o ex-prefeito Geraldo Julio.

Com a vaga entre PT e PSB, as relações do PSB e do PDT no Recife ficaram fragilizadas. “Estamos no começo do ano e muitas pessoas já estão pensando em 2026. Temos que focar no trabalho deste ano, que será muito intenso. O foco de 2024 é pensar em 2024 e no trabalho que estamos desenvolvendo nos últimos três anos”, diz a vice-prefeita Isabella de Roldão.

Para piorar a situação, a cúpula do PDT está chateada com a ausência de reciprocidade em Fortaleza. O atual prefeito Sarto enfrenta dificuldades em manter alianças em meio à perda de espaço do PDT no Ceará, após o rompimento e derrota para o PT nas eleições de 2022 e a briga, desde o segundo semestre de 2023, entre os irmãos Ciro e Cid Gomes.

O senador Cid Gomes está de saída do PDT e acertou a filiação ao PSB, que deve acontecer até o início de fevereiro. Além da chegada de Cid, outro fator que irrita o PDT é que o PSB cearense é presidido por Eudoro Santana, pai do ministro da Educação e senador licenciado Camilo Santana (PT). Já o PDT retornou às mãos do grupo do deputado federal André Figueiredo, ligado a Ciro Gomes, após a saída de Cid da presidência. A expectativa é que, junto com Cid, mais de 30 prefeitos se filiem ao PSB, deixando o PDT, além de vereadores e, futuramente, deputados federais e estaduais.

O ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo do Ministério da Previdência, afirma que a situação no Ceará coloca em risco a aliança no Recife. “Não tem nenhum problema nosso com o PSB, e João nos prestigia politicamente. Ocorre que Recife não é uma ilha e os acontecimentos do PDT Nacional terminam tendo efeito colateral no Recife”.

Em retaliação, o PDT cogita uma aliança com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), que já fez propostas para aliança a Lupi. O partido poderá atrair o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede) para disputar a Prefeitura do Recife, se o parlamentar obtiver uma carta de anuência com a liberação por parte da federação Rede/PSOL, o que é considerado difícil pelos próprios aliados do parlamentar. Túlio já foi filiado ao PDT até 2022 e agora reabriu diálogos com o PDT, por meio do ministro da Previdência, Carlos Lupi, com quem estava rompido desde 2020, quando o PDT barrou a candidatura a prefeito dele no Recife.

Lupi externou a interlocutores nos últimos dias que o PDT caminha para uma aliança com Raquel Lyra não apenas em 2024, mas também em 2026, nas eleições estaduais. O ministro alegou a aliados que partiu do próprio PSB ter outras prioridades de composição, inclusive sem ter a preferência para manter com o PDT a vaga de vice.

No dia 8 de janeiro, a vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão, foi ao gabinete de Lupi na Esplanada dos Ministérios junto com Raquel Lyra. Além disso, os três posaram juntos para foto. A imagem irritou o PSB, que viu o ato como falta de cortesia de Isabella, que estava no exercício do cargo de prefeita enquanto João Campos estava de férias, e tirou foto ao lado de Raquel Lyra, a quem o PSB faz oposição em Pernambuco.

Raquel Lyra articula para haver múltiplas candidaturas de oposição a João Campos no Recife. Além de Túlio Gadêlha, a gestora defende nos bastidores que o secretário de Turismo de Pernambuco, Daniel Coelho (Cidadania), seja postulante. A palavra de ordem no entorno da governadora é tentar levar a eleição ao segundo turno no Recife, o que já configuraria uma derrota política a João Campos, tido como favorito para ser reeleito no primeiro turno.

O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) afirma que o imbróglio em Fortaleza é um problema do PDT, mas reconhece que as composições entre os partidos serão discutidas levando em conta o cenário em outras capitais e cidades.

“É impossível que sejam discussões isoladas, vão ser feitas no contexto nacional. O PDT tem um problema que é do próprio PDT, que é essa divisão do grupo cearense, e isso é uma questão que eles devem tratar, nada tem relação com o PSB”, diz.

A Marquise Infraestrutura assumiu mais dois trechos da obra da ferrovia Transnordestina no Ceará. A empresa, além de estar em fase de conclusão dos lotes 1, 2 e 3, agora será responsável pelos trechos dos municípios de Acopiara a Piquet Carneiro e de Piquet Carneiro a Quixeramobim, totalizando 102 km. As informações são do jornal O Povo.

A continuidade da construção é possível devido à garantia de recursos para a contratação e a ordem de serviço dos lotes 4 e 5, que serão executados de forma simultânea. O início dos trabalhos é previsto para até março e a conclusão, segundo a Marquise, em menos de dois anos. O valor do contrato não foi revelado.

De geração de empregos são previstos até 1.300 postos de trabalhos diretos e mais que o dobro de forma indireta nas cidades da construção. “É o tipo de obra que nos deixa muito entusiasmados. Estamos escrevendo mais um capítulo importante na história do Ceará, estado onde o Grupo Marquise iniciou suas atividades. Uma obra robusta, que vai dinamizar a economia do Ceará e do Nordeste numa época em que o prenúncio de seca representa risco real de desemprego e falta de oportunidades”, frisa Renan Carvalho, diretor da Marquise Infraestrutura.

Do Metrópoles

O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país e uma das vitrines do governo federal, promoveu, ao longo de 2023, um pente-fino nos cadastros dos beneficiários, o que resultou no bloqueio de 8,4 milhões de famílias.

Os cortes, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), são referentes a famílias que apresentavam algum tipo de inconsistência no cadastro, de renda ou composição familiar, além de beneficiários com informações desatualizadas há muito tempo. O objetivo é reparar distorções no Cadastro Único, porta de entrada para programas sociais do governo federal.

Os dados, obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação, reúnem o número de famílias que tiveram o benefício cancelado entre os meses de março – quando se iniciou no governo um processo de revisão – e dezembro.

No total, foram 8.423.205 beneficiários retirados do Bolsa Família no período. A maioria deles estão nas regiões Nordeste (3.762.332) e Sudeste (3.023.165), locais que concentram a maior parcela de beneficiários.

Segundo dados do Observatório do Cadastro Único, atualmente, 21 milhões de famílias recebem o benefício: 9,4 milhões delas estão no Nordeste e 6,2 milhões no Sudeste. São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro foram os únicos estados a ultrapassarem a marca do milhão de benefícios cortados.

O MDS explica que a medida faz parte de uma série de ações de “retomada” do Bolsa Família, que, segundo a pasta, foi “modificado e destruído” nos últimos anos. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou irregularidades na gestão do Auxílio Brasil – o Bolsa Família do governo Jair Bolsonaro (PL) – e uma defasagem na atualização do Cadastro Único.

No início do ano, o MDS começou um processo de averiguação para encontrar famílias com inconsistência na renda ou na composição familiar declarada no registro. Além disso, houve a revisão de cadastros desatualizados.

Segundo o ministério, ambos os processos estão previstos no escopo do programa, mas foram paralisados durante a gestão de Bolsonaro por causa da pandemia de Covid-19 e “outras prioridades” do Executivo em 2022.

Umas das principais inconsistências encontradas pelo governo, e apontada no relatório da CGU, é em relação ao aumento de famílias unipessoais — compostas de uma só pessoa — beneficiárias do programa de transferência de renda.

O documento da CGU apontou que, entre outubro de 2021 e dezembro de 2022, o número de famílias com esse arranjo cresceu de 15 milhões para 22 milhões, aumento de 55%. Os dados obtidos pelo Metrópoles conversam com esse cenário. Dos 8,4 milhões de beneficiários retirados do programa, 7,1 milhões eram de famílias unipessoais.

Em todos os meses, no entanto, a média de renda per capita dos que tiveram o benefício cancelado se manteve abaixo do teto estabelecido pelo programa, de R$ 218 mensais por pessoa. De acordo com o MDS, as inconsistências não significam, necessariamente, que o beneficiário não estava na faixa de renda indicada pelo programa, mas que parte das famílias recebia o benefício duplicado.

“Às vezes, a família que foi cancelada, de fato, está com uma renda dentro do limite, porque é a mesma família, mas, operacionalmente, eram duas famílias [cadastradas]. E, aí, depois [após a correção], você coloca uma família com duas pessoas. Elas continuam sendo pessoas em situação de pobreza, mas agora estão com o cadastro corrigido. A renda dela continua baixa, mas agora está recebendo o valor correto por família. Antes, ela estava recebendo o dobro”, explica a diretora do Departamento de Benefícios do MDS, Caroline Paranayba.

“Não é uma situação deliberada de movimentação das famílias para fraudar. Muitas vezes, é uma falta de entendimento, porque a gente vinha no contexto do Auxílio Emergencial, no qual as pessoas podiam fazer cadastros individuais. E, aí, com o Auxílio Emergencial, a população começou a assumir que o benefício do Bolsa Família é individual”, avalia Paranayba.

Mudanças no Bolsa Família

O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita, ou seja, por pessoa, de, no máximo, R$ 218 mensais. Em 2023, o governo elevou o valor mínimo do benefício para R$ 600 por família – antes, eram R$ 400. Além do montante, beneficiários podem ter acréscimo de R$ 150 por criança de até 6 anos, e de R$ 50, em caso de gestantes, crianças e adolescentes até 18 anos.

Segundo a secretária nacional de Renda de Cidadania do MDS, Eliane Aquino, neste ano em que o programa completa 20 anos de criação, o foco tem sido retomar a interlocução com municípios, os principais gestores dos recursos do benefício.

“O recurso do Bolsa Família que entra naquele município, muitas vezes, é maior do que o FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. Nós temos um impacto do programa que não é só em cima dessas famílias que recebem o benefício, mas na economia local”, observa a secretária.

“Quem recebe o Bolsa Família não pega esse dinheiro e coloca em aplicação financeira, em poupança. Os beneficiários usam na farmácia, na padaria, no açougue, na feira, e a economia dessas localidades é aquecida por conta do programa”, pontua.

“Nosso grande desafio é fazer com que todos os municípios brasileiros voltem a olhar de verdade para o programa Bolsa Família, porque nós sabemos o impacto que a gente tem no combate à fome, no fortalecimento da segurança alimentar das nossas crianças. Então, nosso desafio para os próximos anos é estar cada vez mais perto dos municípios e melhorando a qualidade do programa”, destaca Aquino.

A 2ª Vara Cível da Comarca do Crato, município distante 502 km de Fortaleza, acatou Ação Civil Pública do Ministério Público do Ceará, que solicitou a suspensão da posse da candidata eleita Vanessa Lima Santos para uma das vagas do Conselho Tutelar do Município no último pleito, realizado em 2023.

Conforme denúncia feita junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), a candidata teria chamado de “macaco” um menino, durante conversa de aplicativo com o pai da criança. O caso se enquadra como crime de injúria racial. As informações são do O POVO.

Na ação, o Ministério Público fundamenta que a candidata não apresentou idoneidade moral, como prevê o artigo 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Para comprovar os argumentos, o Ministério Público analisou a íntegra das conversas de aplicativo de mensagens , que foram extraídas do celular da candidata, o que, segundo o juízo, acabou comprovando a prática do crime de injúria racial, conforme denunciado pelos responsáveis pela criança.

A decisão da Justiça suspende a posse da candidata em caráter de urgência. No entanto, ela ainda pode recorrer da decisão no prazo de 15 dias após a publicação do julgamento.

A cidade de São Luiz, em Roraima, recebeu em 2023 o pagamento de R$ 60 milhões em emendas parlamentares. A pequena cidade de 7.000 habitantes é a campeã de recebimento de emendas per capita no ano passado. Foram R$ 8.244 por habitante.

O valor contrasta com o da maioria das cidades brasileiras. Na outra ponta há municípios como Salvador, que recebeu R$ 6,33 por habitante. Com 2,4 milhões de cidadãos, a capital baiana recebeu R$ 15 milhões de emendas. É 1/4 do valor que a cidade de Roraima recebeu. As informações são do Poder360.

A desigualdade nos valores per capita ocorre em todo o Brasil. Enquanto há outras cidades pequenas que receberam mais de R$ 1.000 em emendas por cada habitante, a maioria dos municípios brasileiros recebeu um valor per capita inferior a R$ 180.

Há ainda 54 cidades para as quais não houve registro de recebimento de emendas. A maior delas é Santana do Parnaíba (SP), com 150 mil habitantes.

O Poder360 entrou em contato com a prefeitura de São Luiz (RR) para saber como foram aplicados os recursos. Vera Lúcia Mendes, chefe de gabinete, enviou à reportagem o telefone do prefeito, James Batista. Depois disso, durante 3 dias, nem o prefeito, nem Vera atenderam às ligações do jornal digital para falar sobre as emendas.

Os valores à cidade foram repassados via emendas Pix, menos transparentes, que permitem que o prefeito decida onde alocar os recursos.

Representação maior na Câmara

A disparidade no valor per capita das emendas ocorre, entre outros fatores, porque Estados com baixa população e poucos municípios têm maior representatividade no Congresso.

Por exemplo, Roraima tem 15 municípios e 636 mil habitantes. Seus 3 senadores têm direito a direcionar anualmente a mesma quantidade de emendas (R$ 177 milhões) que os 3 senadores de São Paulo (44 milhões de habitantes).

Esse tipo de maior representação no Congresso faz com que a distribuição de emendas, além de seguir critérios políticos, também siga uma lógica própria: municípios de Estados pouco populosos levam vantagem em relação a outras cidades.

Por conta disso, os cidadãos de Roraima receberam R$ 684 pagos em emendas municipais para cada um dos seus habitantes. Os cidadãos do Acre e do Amapá aparecem em seguida no ranking.

Economistas entrevistados pelo Poder360 afirmam que o levantamento evidencia questões importantes relacionadas às emendas:

  • engessamento do Orçamento – a obrigatoriedade de mais emendas e de calendário de pagamentos, ainda em discussão, trará dificuldades para qualquer governo. Isso porque a maior parte do Orçamento da União, hoje, é engessado. São muitas despesas obrigatórias e pouco recurso para despesas discricionárias, como a de obras e investimentos. O aumento, ano após ano, na obrigatoriedade de emendas, deve reduzir ainda mais o que sobra para esse tipo de despesa. Felipe Salto, da Warren Reina, já fala em “possível shutdown“. Ou seja: a “sobra” tem ficado tão curta que problemas de arrecadação podem acabar fazendo com que o governo não tenha dinheiro nem para pagar o que manda a lei;
  • menos grandes obras – a parte discricionária do Orçamento vai cada vez mais para obras locais, creches, quadras de futebol e escolas, ligadas à atribuição municipal. Políticas intermunicipais e estruturantes, como melhoria da rede do SUS e grandes obras, passam a ficar desguarnecidas de recursos, diz Marcos Mendes, pesquisador do Insper;
  • custo político – “O custo político é zero para o Congresso. Para o Executivo, é alto. Se tiver qualquer problema em uma transferência de uma das milhares de emendas, é problema do governo. Além disso, como é que um deputado, com R$ 160 milhões para gastar em 4 anos de um mandato, vai perder uma eleição?“, questiona João Bernardo Bringel, da FGV.

Da Folha de S. Paulo

Enquanto o número de rotas internacionais em boa parte dos aeroportos do centro-sul brasileiro se aproxima ou até ultrapassa o patamar pré-pandemia, os principais terminais do Nordeste ainda sofrem para recuperar a demanda de trajetos para fora do país.

É o que mostra levantamento feito pela Folha com base em dados disponibilizados pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) com informações até o mês de novembro de 2023.

O caso mais drástico é observado no aeroporto internacional do Recife, que já chegou a oferecer 16 rotas internacionais em 2018. Nos anos seguintes, o número entrou em queda —e, sob efeito das restrições impostas pela pandemia, o patamar despencou para somente um trajeto em 2021, o que liga a capital pernambucana a Lisboa.

Em leve recuperação, o terminal pernambucano somou, em 2023, cinco destinos internacionais, sendo eles Lisboa, Buenos Aires, Montevidéu, Orlando e Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).

O levantamento considera somente rotas com mais de 400 passageiros anuais, para evitar distorções. Viajantes em voos que fazem escala no Brasil sem imigrar não foram incluídos.

Além disso, a reportagem considerou apenas voos regulares com passageiros pagos (ou seja, aqueles que geram receita para as companhias aéreas) realizados entre janeiro e novembro de cada ano.

Outros aeroportos que funcionam como porta de entrada do Nordeste também registraram queda. É o caso do terminal de Fortaleza, que chegou ao pico de destinos em 2018, quando tinha 12 rotas internacionais, mas viu o patamar ser reduzido a dois trajetos em 2021 e, em 2023, somou quatro rotas para fora do país —Miami, Lisboa, Paris e Buenos Aires.

Em Salvador, esse número saiu de nove destinos internacionais, em 2019, para quatro, em 2023 —Madri, Lisboa, Buenos Aires e Montevidéu.

No total, o Brasil também perdeu rotas a partir de 2018, quando teve 181 destinos internacionais, recorde neste século. Até 2020, começo da pandemia, esse número flutuou para 165.

Em 2021, com aeroportos do mundo todo fechados, houve 73 rotas. No ano seguinte o país começou a se recuperar e fechou os onze primeiros meses de 2023 com 142 trajetos, mas ainda longe do patamar recorde de 2018.

A Abear (associação do setor que reúne empresas como Gol, Latam e Voepass) afirma que o enfraquecimento dos terminais nordestinos é reflexo de um efeito da pandemia, que concentrou o tráfego internacional em Guarulhos.

Segundo a associação, a malha doméstica ficou responsável por distribuir os passageiros para outros destinos brasileiros durante esse período.

“As rotas internacionais partindo de outros aeroportos estão voltando a crescer conforme a demanda de cada localidade”, diz Ruy Amparo, diretor de operações e segurança de voos da Abear.

De acordo com os dados da Anac, o número de passageiros no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, vem crescendo desde o baque sofrido em 2020 por causa do distanciamento social.

A pouca oferta de voos do Nordeste faz o médico Aurélio Leal Silva, 29, reservar um dia para ir e outro para voltar de São Paulo em todas as viagens internacionais que costuma fazer, partindo de Teresina, onde mora.

“É sempre uma novela, porque, além do custo a mais de voo, você gasta com hospedagem, deslocamento para sair e voltar do aeroporto, tem que planejar bem para não perder o trecho seguinte”, afirma.

Isso mesmo quando o destino é a Europa, como a Itália, para onde vai em abril, quase 2.000 quilômetros mais perto de Teresina do que de SP. Ele até procura rotas saindo de aeroportos como Recife ou Fortaleza, “mas não vale a pena”, diz. “Você pode até economizar algumas horas saindo daqui, mas os voos são muito mais caros”, afirma.

Em 2023, de janeiro a novembro, quase 12,2 milhões de viajantes internacionais passaram pelo terminal —patamar próximo dos 13,1 milhões registrados em 2019.

Segundo maior terminal do país em fluxo internacional, o Galeão, zona norte do Rio de Janeiro, registrou pouco mais de 3 milhões de passageiros internacionais de janeiro a novembro de 2023. Antes da pandemia, em 2019, o número era de 3,9 milhões no mesmo período.

O terminal carioca amargou esvaziamento em anos recentes. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou há alguns meses um plano para transferir passageiros do Santos Dumont para o Galeão e reaquecer o aeroporto internacional.

Apesar de manterem um baixo número de destinos internacionais após o baque da pandemia, os principais aeroportos do Nordeste vêm recuperando gradualmente os passageiros internacionais.

De janeiro a novembro de 2023, Recife registrou quase 271 mil passageiros internacionais, o que tornou o terminal da capital pernambucana o maior em movimentação para fora do país no Nordeste.

O resultado representa um crescimento acima de 80% na comparação com o número observado no mesmo período do ano passado, mas ainda está longe de alcançar o patamar observado no pré-pandemia (479,2 mil passageiros internacionais, em 2019).

O aeroporto de Fortaleza, que tinha 498,7 mil viajantes internacionais nos 11 primeiros meses de 2019, acumulou 245,7 mil no mesmo período de 2023. Na mesma base de comparação, Salvador viu o número cair de 374,7 mil, antes da pandemia, para 249,5 mil passageiros internacionais. Os dois terminais tiveram recuperação em relação a 2022.

Rafael Castro, professor do Cefet-RJ (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca) e especialista em aeroportos, diz que o Brasil tem uma forte concentração de voos internacionais em Guarulhos.

Segundo ele, o cenário se agrava com o enfraquecimento do volume de passageiros no Galeão, no Rio de Janeiro, nos últimos anos.

“A gente está falando de um país com dimensões continentais. Fazer com que alguém do Recife tenha de vir a São Paulo para pegar um voo para fora do país é absurdo. Mas as companhias aéreas vão aonde tem demanda”, diz Castro.

O economista Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria, afirma que a pandemia pode ter acelerado a racionalização do sistema aeroportuário brasileiro. Os aeroportos do Nordeste, segundo ele, podem ter perdido voos ponta a ponta, que ligam um destino a outro sem conexões e escalas.

Dessa forma, companhias aéreas teriam passado a concentrar os voos em Guarulhos, por exemplo, para depois distribuir os passageiros para o resto do país.

“O Nordeste não deixou de ser atraente, continuou sendo uma região que atrai turismo doméstico e internacional. A pandemia afetou, obviamente. Talvez houvesse um excesso de rotas. E essa racionalização pode ter sido acelerada pela pandemia”, explica Frischtak.

Procurada, a Azul afirmou que “a demanda do mercado internacional tem uma forte relação com as questões cambiais e do preço do combustível”, mas que tem ampliado a malha internacional.

A companhia afirma que o Recife é um de seus principais hubs e destaca voos da capital pernambucana para a Flórida e o Uruguai.

Já a Gol destacou que “lidera a oferta internacional do Nordeste para a Argentina, voando o ano inteiro entre seis capitais dessa região e Buenos Aires” —a saber, Salvador, Maceió, Recife, Fortaleza, Natal e João Pessoa.

“Para a alta temporada de verão, a oferta de voos cresce 138% e abrange até 21 voos semanais entre o litoral nordestino e Buenos Aires”, diz a companhia.

“Durante a alta temporada de verão 2023/2024, são duas frequências semanais entre a capital argentina e os aeroportos de Fortaleza, Recife, Natal e Maceió, enquanto Salvador ganha três frequências semanais.”

A companhia ainda destaca ter operação semanal entre Fortaleza e Miami.

A Latam projetou um crescimento de 54% em seu número de passageiros internacionais em 2023, com 5,5 milhões de viajantes em voos com destino ou origem no Brasil —acima dos 3,5 milhões registrados pela companhia em 2022.

Portugal é destaque entre destinos internacionais

O Brasil vem recuperando aos poucos o volume de passageiros em destinos internacionais, mas rotas importantes, como aquelas que ligam o país aos Estados Unidos e à Argentina, por exemplo, ainda não alcançaram o acumulado que registraram em 2019.

Na contramão, Portugal se destaca e já ultrapassou os números pré-pandêmicos.

De acordo com os dados da Anac, foram registrados mais de 2,2 milhões de passageiros em voos que conectam o Brasil ao país ibérico nos primeiros onze meses de 2023 —cerca de 225,7 mil passageiros a mais do que em 2019.

A cantora Aparecida Silvino, 58, costuma separar algumas semanas do ano para ir a Lisboa visitar sua filha. Lá, também faz viagens a outros países da Europa. Ela está prestes a voltar a Portugal, mas reclama do preço da passagem.

Inicialmente, ela tinha pagado R$ 5.000 pelo trajeto de ida e volta que liga Fortaleza a Lisboa. Após um adiamento, desembolsou mais R$ 1.200. Foi o bilhete mais caro que já comprou para o trecho, conta. Silvino afirma que poderia ter economizado mais de R$ 1.000 se fizesse uma escala em São Paulo, onde a oferta de voos é maior, mas diz não valer a pena.

“Na volta, por exemplo, teria que ir para São Paulo, pegar as malas, andar o aeroporto inteiro para pegar o voo doméstico. É muito desagradável, desgastante. Eu acho que é um sofrimento, a gente paga para sofrer”, diz a cantora.

A companhia aérea portuguesa TAP anunciou recentemente um aumento da oferta no Brasil em 2024.

Serão, neste ano, 91 voos semanais (atualmente são 80 por semana) que ligarão onze pontos do Brasil à Europa —um recorde para a empresa. Todos os voos fazem parada em Lisboa, mesmo que sigam para outros destinos.

Segundo Carlos Antunes, diretor da TAP para as Américas, o Brasil é um mercado estratégico e um dos mais importantes para a empresa. Ele diz que a presença em cidades do Nordeste é uma característica da companhia.

“Temos voos diários em Fortaleza, Natal, Salvador, etc. Nós fazemos parte do ecossistema turístico e investimos localmente. Faz todo o sentido continuarmos lá. Portugal é um destino muito conveniente, com custo-benefício e facilidades de idioma e com receptividade para o turista brasileiro”, afirma.

O apoio a projetos que dialoguem com a inserção da base produtiva do Nordeste no processo de neoindustrialiação brasileiro foi tema de encontro entre o superintendente da Sudene, Danilo Cabral, e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Francisco Saboya. As instituições iniciaram uma articulação para buscar alternativas de apoio a projetos que dialoguem com o ambiente da nova política industrial brasileira, baseada na inovação e na sustentabilidade. Também estiveram presentes pela Autarquia o diretor de Planejamento e Articulação de Políticas da Sudene, Álvaro Ribeiro, e o economista José Farias. 

Saboya destacou que o modelo de atuação da Embrapii é pautado na agilidade e na redução de burocracia, aumentando a permanência de parceiros privados nas iniciativas promovidas pela instituição. A empresa trabalha em cooperação com instituições de pesquisa de natureza pública e privada, compartilhando os custos e risco de produção. De acordo com o dirigente, a empresa já apoiou mais de dois mil projetos, mobilizando quase R$ 3,5 bilhões em recursos na área de pesquisa e desenvolvimento.

“A Embrapii é um canal para fortalecer, no Nordeste, a neoindustrialização pautada na sustentabilidade e na inovação. Podemos contribuir para transformar esta ação em processo para diminuir as desigualdades regionais, algo que conversa muito com a missão da Sudene”, destacou.

Danilo Cabral mostrou-se receptivo à ideia de uma parceria entre as instituições. De acordo com o superintendente, a Embrapii pode contribuir com o avanço das propostas do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) nas áreas de inovação e desenvolvimento produtivo. “Há uma preocupação nossa com a entrada tardia do Nordeste na neoindustrialização. Ainda precisamos vencer gargalhos associados à competitividade de nossa indústria e uma das oportunidades para isso é a mudança de pauta que a agenda da sustentabilidade nos impõe, transformando a caatinga e o semiárido como ativos neste processo”, comentou. Os gestores acordaram em estreitar propostas de atuação conjunta ainda nesta semana. 

No mês passado, a Sudene antecipou o debate sobre a neoindustrialização ao promover um seminário para a construção do Sistema Nacional de Territorialização da nova política industrial do País. Na ocasião, representantes da Sudene, Banco do Nordeste, BNDES, Finep, além de outras entidades, abordou o papel das instituições regionais, a participação do Nordeste nas missões da Nova Política Industrial e os instrumentos de financiamento para a territorialização dessa política.

A demanda por acesso a recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste cresceu em 2023. A Sudene registrou 78 pedidos de financiamento para a linha de crédito administrada exclusivamente pela autarquia. A alta foi de 5% em relação ao exercício anterior. Os dados são da Coordenação-geral de Fundos de Desenvolvimento da Autarquia.

No total, as solicitações somaram R$ 7,5 bilhões. Quase a totalidade das empresas que buscaram a Sudene para obtenção de crédito atuam na área de geração de energia solar e eólica. Apenas um empreendimento foi do setor hoteleiro. Vale destacar que dos 78 pedidos de financiamento, 45 tiveram as consultas prévias aprovadas pela Diretoria Colegiada da Sudene. Estas somam R$ 4,8 bilhões em créditos.

Considerando a localização das demandantes, 20 desejam instalar projetos no estado do Piauí. Seguem na ordem Bahia (17), Ceará (12), Rio Grande do Norte (12), Minas Gerais (7), Pernambuco (5), Paraíba (3) e Maranhão (2).

“As solicitações de crédito ultrapassaram o volume de crédito do FDNE para 2023, que foi de R$ 1,3 bilhão. Isso mostra que a Sudene é uma alternativa confiável e estratégica para obtenção de crédito pelos empreendimentos. Este cenário, inclusive, já foi apresentado como justificativa para balizar o recente pedido de capitalização deste fundo regional. Temos uma demanda represada que precisamos atender”, comentou o superintendente Danilo Cabral.

O diretor de Fundos, Incentivos e de Atração de Investimentos da Sudene, Heitor Freire, destacou o esforço da Autarquia para reposicionar positivamente o FDNE junto ao setor produtivo. “Ao longo deste ano, em eventos, feiras e reuniões com empreendedores, procuramos dar mais visibilidade a este fundo, que tem em sua carteira de projetos obras de importância estratégica para o Nordeste, como a Transnordestina”, comentou. “As empresas têm percebido que o FDNE possui vantagens atraentes para quem deseja investir em novos negócios na área da Sudene”, complementou o gestor.

A coordenadora-geral de Fundos de Desenvolvimento e Financiamento da Sudene, Cláudia Silva, também destacou que há um aumento das expectativas para investimentos do setor empresarial no país. “Além disso, há iniciativas do governo federal para o avanço da migração para geração de energias renováveis”, disse.

Após a aprovação da consulta prévia, a Sudene emitirá termo de enquadramento ao interessado, que negociará o projeto com o agente operador credenciado de sua preferência para apresentar os projetos e solicitar análise técnica e de risco. Atestada a viabilidade dos empreendimentos, a superintendência poderá, então, aprovar o financiamento, procedendo com a liberação do crédito.