A crônica domingueira

No jornalismo, não sou uma ave solitária na contribuição de um pouco, uma gota no oceano, no resgate da história política de Pernambuco com “Os Leões do Norte”, 22 minibiografias de governadores. Acabei de ler, de um só fôlego, “Visionárias, a presença das mulheres na história de Pernambuco”, da minha amiga jornalista Danielle Romani.

Num trabalho de garimpagem raro, minucioso e sintético, Danielle traz ao público e, principalmente, às novas gerações, um minúsculo perfil de 40 mulheres revolucionárias, que deram o seu sangue em busca dos direitos das mulheres, na defesa intransigente do Estado, colocando em risco as suas vidas contra inimigos invasores, como os holandeses.

Petrolina é uma cidade diferenciada no Nordeste. Plana, bem iluminada, com uma orla na beira do Rio São Francisco repleta de bons restaurantes, equipamentos de lazer e esportes. A parte urbana nada lembra os cenários dos grotões do sertão, com seus bolsões de miséria. No hotel encontrei meu amigo Pedro Pires, um dos melhores médicos em ultrassom e Medicina Fetal.

Ele está em Petrolina um final de semana por mês para dar aula em uma faculdade da cidade. Entusiasmado, pegou seu celular para exibir um vídeo noturno em Petrolina, com suas largas avenidas e viadutos iluminados. “Não estou no Nordeste, mas nas Bahamas”, sapecou.

Desde que botei o pé em Brasília, nos anos 80, como jornalista, uma larga avenida se abriu à minha frente. Viajar virou uma rotina. Atuando em diversos jornais, estive nos Estados Unidos, boa parte da Europa e em quase todos os países da América do Sul. No Brasil, conheço todas as capitais.

Não esqueço da experiência pelo jornal O Globo, no Norte, como repórter itinerante do Acre a Manaus. Já escapei da morte em pousos de emergência no Mato Grosso do Sul, quando fui fazer uma reportagem especial sobre o Pantanal. Antes da internet, do mundo globalizado, repórter vivia nas ruas.