A crônica domingueira

Em plena era das canções de gosto duvidoso, que fazem a cabeça das novas gerações, tratar nesta crônica do romantismo contagiante das serenatas soa como uma provocação. Mas as serestas, ou serenatas, estão de volta, por incrível que pareça, depois de um longo período adormecidas. Em Pernambuco, o grito de renascimento, a ousadia, vem de Santa Maria da Boa Vista, a 605 km do Recife, modelo para outras cidades.

Ali, o cenário próprio e inerente para uma seresta, com ambientes que reportam ao romantismo europeu, de onde surgiram as serenatas, encanta e seduz. Se passa em casarões e prédios mais que centenários, beirando o Rio São Francisco, com a luz exuberante da lua cheia estendida sobre as águas do Velho Chico, o chamado Rio da Integração Nacional.

Na crônica de hoje, falo da temática tropeços na vida. Quem nunca teve um, atire a primeira pedra. Acontece até nas mais aparentemente sólidas famílias. Todo mundo cai para aprender a levantar. Levantar é como aprender a andar de novo, dar passos mais seguros e firmes. Quando perdi o primeiro emprego, de forma surprendente e injusta, vi o mundo desabar na minha cabeça.

Igualmente quando Deus chamou meus pais, primeiro minha jóia Margarida, aos 86 anos, vítima de um infarto fulminante. Já papai morreu aos 100 anos e sete meses. A dor da perda dos pais é a maior delas. A ausência física deles dói demais, mas seu amor continua nos guiando o tempo todo. Com o passar dos anos, a dor se acalma, mas o legado e o carinho se tornam um consolo eterno no coração.

Não é fácil romper os laços da terra natal. Qualquer partida, mesmo prevista e esperada, traz medo, uma incerteza angustiante pelo futuro duvidoso, uma nuvem espessa de interrogações. Artistas cantam a dor da partida. A mais célebre canção virou uma espécie de hino de despedida dos retirantes sertanejos do seu torrão: “A Triste Partida”, de Patativa do Assaré, cantada por Luiz Gonzaga.

Outras canções, de diferentes estilos, também abordam o tema, como “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil. “A Triste Partida” retrata a dura realidade da migração, a saudade do lar e das raízes, da terra-mãe. Em “Aquele Abraço”, Gilberto Gil utiliza a música para se despedir de um amigo que está indo embora, com um toque de celebração pela partida.

Caruaru - Transparência 2026

Já falei neste espaço de reflexões sobre a vida do sentimento da inveja. Não estou triste, não se trata do meu caso. Pelo contrário, a vida, graças ao meu bom pai celestial, só tem me dado motivos para sorrir. Mas me pediram para escrever sobre este terrível sentimento da tristeza.

Que não deixa de ser atual e importante. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 12 milhões de brasileiros sofrem de uma chamada tristeza crônica. A tristeza é uma emoção natural e ao mesmo tempo complexa, geralmente desencadeada por perdas, frustrações ou decepções.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Não esperava, confesso, tamanha repercussão entre os leitores da minha crônica domingueira de hoje, relatando o início de carreira no Diário de Pernambuco, ao mesmo tempo uma homenagem ao bicentenário do jornal mais antigo em circulação na América Latina.

“Acabo de ler sua crônica domingueira de hoje sobre os anos dourados do Diário. Sua escrita é fluida e ágil, além de prazerosa”, escreveu o cantor e compositor Geraldo Maia, a quem fiz uma visita, ontem, em Taquaritinga do Norte, onde mora numa aconchegante casa em um sítio.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

A primeira casa é como a primeira professora: impossível esquecer. Para mim, o Diário de Pernambuco, que comemora seu bicentenário, é um retrato drummondiano na parede da memória, impregnado no meu coração. Matuto expulso da seca no Sertão do Pajeú, pisei na redação do velho DP com apenas 17 anos. Foi um estampido de emoção e ao mesmo tempo de medo.

Medo de tudo: do desafio que se abria pelo futuro incerto, do barulho infernal de um exército de malucos produzindo em máquinas de datilografia, de estar frente a frente com ídolos que só conhecia pelas páginas do jornal mais antigo em circulação na América Latina, como José Adalberto Ribeiro, colunista político, João Alberto, colunista social e Adonias de Moura, editor de Esportes e colunista, que me trazia o noticiário do meu Santa Cruz.

Palmares - 147 anos

A humanidade vive de sentimentos. Os sentimentos são os vetores da vida quando positivos, como o amor, a felicidade e a gratidão. Mas existem, infelizmente, os sentimentos negativos, entre eles a inveja, provocada pela prosperidade alheia, acompanhada pelo desejo de ter o que o outro possui.

Embora seja natural, causa sofrimento, se não for bem administrada. Por sua conotação, poucas pessoas admitem senti-la. Sou um homem feliz, temente a Deus, apegado a família e desprovido de qualquer sentimento invejoso. Segundo a Bíblia, a inveja é pior do que a ira e o furor.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Garanhuns é uma cidade diferenciada, com cara de metrópole. É um amor à primeira vista, de supetão, para quem pisa no seu solo com essência de flores e sabor de chocolate quente, lembrando uma Gramado nordestina. Meu amor por ela é maternal. Vem do ventre da minha mãe, que por lá morou entre a infância e a pré-adolescência. Quando ando pelas suas ruas, como fiz nos últimos dias, sinto o perfume da minha mãe na esquina, nos parques, nas casas cobertas de pinheiros.

Como não sentir o perfume de uma mãe com nome de Margarida, uma das flores que dão mais beleza aos jardins de Garanhuns? As margaridas são flores conhecidas por sua beleza singela. Simbolizam inocência, pureza, amor e esperança. Têm caules longos, que se fecham à noite e se abrem ao sol, crescendo em campos e jardins, excelentes para decoração.

Camaragibe - A prefeitura mudou

Nasci no mato, na caatinga, entre o avelós e o mandacaru, mas nem por isso tenho razão de não me apaixonar pelo azul infinito do mar. Já minha Nayla nem de sargaço gosta, é pura flor do mandacaru, mulher guerreira, presa às suas raizes. Tem cheiro de marmeleiro, a beleza e sensualidade de um beija-flor.

É daquelas sertanejas com alma que flerta os lírios do campo. Valoriza a vida, a simplicidade da gente que tem paz fazendo a conexão com a natureza. Que se encanta e se emociona com a beleza do nascer do sol, o canto dos pássaros, a satisfação de plantar e colher. No pomar de nossa choupana em Arcoverde rega as plantas com um sorriso largo.

O jornalismo é feito de emoções. Já vivi muitos momentos de coração pulsante. Estive frente a frente com figuras emblemáticas, como Fidel Castro, em Cuba, na residência oficial do ex-presidente cubano. Já tive o privilégio de almoçar com o poderoso Roberto Marinho, do alto do seu salão oval das Organizações Globo, no Rio, avistando o Corcovado.

Entrevistei Barbosa Lima Sobrinho em sua casa em Laranjeiras, no Rio. De José Sarney até Lula, entrevistei com exclusividade todos os presidentes da República. Na arte, Luiz Gonzaga me deu três entrevistas. Quem tem alma de repórter, faro de pedigree, a notícia é trazida pelo vento.