A crônica domingueira

Chegou o dia delas! O que seríamos de nós sem elas? Louvemos nossas mulheres neste Dia Internacional da Mulher! Diz o princípio bíblico que a mulher foi gerada da costela de Adão. A costela, segundo o livro de Gênesis, simboliza que a mulher está ao lado do homem, não abaixo. Não foi criada para ser pisada, nem acima para dominar, mas perto do coração para ser amada.

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, ensinou a filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir em sua obra “O Segundo Sexo”, na qual defende que o gênero é uma construção social e cultural, não um destino biológico. Ela argumenta que a sociedade molda comportamentos, impondo papéis femininos ao longo da vida.

Sebrae - Fazer dar certo

A casa onde crescemos não é apenas tijolo e cimento. É nossa história contada em cômodos. Toda casa dos pais guarda em si a lembrança daqueles que nela moraram. Em especial, dos seus primeiros moradores. Quem pode tirar da memória a casa em que nasceu ou viveu grande parte da infância e adolescência?

Estou lendo “O velho Graça”, biografia de Graciliano Ramos. Nela, o grande escritor alagoano, de quem sou fã, já tendo devorado quase todos os seus livros, como “Vidas secas”, “Caetés”, “Memórias do cárcere” e “São Bernardo”, viveu sua infância entre Quebrangulo e Viçosa. E assim descreveu o que ficou na sua memória de uma casa que tinha um ambiente comercial: “O cheiro de fazendas, de querosene e de açúcar”.

Na virada de cada ano, cresci ouvindo que janeiro e fevereiro são meses perdidos no calendário, porque a corrida dos 365 dias só começa após o carnaval. Até lá, nada se resolve. Amigos, não se acham. Tiram férias. Políticos, fogem do Brasil. Vão desfrutar o frio, os vinhos e os encantos da Europa.

Tem gente com calendário anual de dez meses. Pulam janeiro e fevereiro, principalmente se o Carnaval acontece entre 15 e 20 de fevereiro. Esses ou são muito bem aquinhoados ou se enganam. Afinal, resultado não nasce de calendário, nasce de quem começa antes sem esperar o fim da folia.

Caruaru - Transparência 2026

Vivi muitos carnavais no Sertão, de onde venho. Lá, garoto, brincava os quatro dias de folia nos clubes. O Acai, Aero Clube de Afogados da Ingazeira, era a nossa Marquês de Sapucaí. Eu era feliz e não sabia!

Nos nossos carnavais, as palavras eram substituídas por sorrisos e o alto astral era linguagem universal da alegria. Uma época em que as almas se libertavam e os sonhos se tornavam realidade, através das fantasias coloridas.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Tucano, a cidade, não a ave, está viva no meu imaginário desde garoto. Em Afogados da Ingazeira, cresci ouvindo Jocelina, a Joça, irmã de criação de minha mãe Margarida, enaltecer o município baiano e, mais do que isso, por várias vezes, juntar seus apetrechos e pegar a estrada em busca do seu paraíso.

Na verdade, não era tão paraíso assim. Joça praticou um êxodo sem fim para Tucano, mas sempre fazendo o caminho de volta. Não tenho a mínima noção das suas idas e voltas. Também não lembro se havia parentes seus por lá. Só lembro ela comentando comigo e minha família: “Estou de partida para Tucano. Aqui, não dá mais para viver”.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Nas férias, que se estendem até o próximo dia 1, optei por um roteiro cultural, histórico e romântico: as cidades históricas de Minas Gerais. Na companhia adorável da minha Nayla, de suas primas Tayse e Kelly, esta com seu esposo Cid Severo, comecei por Diamantina, terra de JK, com suas ruas de pedras e paralelepípedos construídas pelo suor dos nossos ancestrais em busca de ouro e diamante.

Calçadas históricas cobertas de sangue dos chicotes em negros escravizados, lavadas por lágrimas de dor. Entre montanhas e pedras, a Diamantina de JK é uma joia inquebrantável, um tesouro no coração de Minas. Tem a musicalidade das serenatas, igrejas bicentenárias, cheias de ouro.

Palmares - 147 anos

Quem nunca se debruçou numa janela e instantaneamente teve leves pensamentos, uma reflexão meteórica sobre a vida, que atire a primeira pedra! A janela é um filtro para a alma, como definiu Mário Quintana, na sua genialidade prosaica.

Cronista refinado das montanhas mineiras, Paulo Mendes Campos ganhou o coração dos cariocas, no Rio das suas paixões, quando fez uma declaração de amor do alto de uma janela. “A janela é ponto de partida de amores impossíveis”, atestou, contemplando o Largo da Carioca da sua inseparável janela.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

No interior, onde fui criado, banco de praça é uma instituição. Qualquer matuto tem essa firme convicção. Em Triunfo, voltei ao tempo em que era feliz e não sabia em Afogados da Ingazeira. Sentei-me num banquinho e fiquei a contemplar, com os olhos abugalhados, um cenário deslumbrante: casarios coloniais e uma bela obra de arte mais que centenária: o cine-teatro Guarany.

Antônio Maria, grande cronista, poeta e compositor, que saiu do Recife para brilhar no Rio de Janeiro, dizia que o banquinho de praça é um grande lugar, onde o homem pode encontrar-se consigo mesmo para um ajuste de contas. Que nunca seria possível num bar, porque seria preciso ajeitar o laço da gravata, enxugar o suor da testa, sorrir e cumprimentar.

Camaragibe - A prefeitura mudou

Macondo, a cidade fictícia de Gabriel García Márquez, da sua obra-prima “Cem anos de solidão”, é um lugar mítico, com elementos de realismo mágico e eventos que misturam o fantástico com o cotidiano, inspirado em parte na cidade natal dele, Aracataca. Foi em Aracataca que o genial García Márquez viveu a sua infância e adolescência, absorvendo histórias e tradições.

Aracataca nunca saiu do seu imaginário, tampouco do seu coração, como Itabira nunca foi varrida dos pensamentos de Carlos Drummond de Andrade. Se Itabira, para Drumond, foi o retrato pendurado na parede corroendo o seu coração, efervescência da sua alma, Aracataca, para Márquez, foi mais do que o lugar em que nasceu.

Minha relação com o Governo Raquel Lyra (PSDB), objeto de questionamentos de leitores vez por outra, não é diferente de nenhum outro que a antecedeu. Com Paulo Câmara (PSB), seu antecessor, as dificuldades foram de igual intensidade. Sequer me dava entrevistas. Já Eduardo Campos (PSB), um dos mais explosivos na relação, chegou a ficar sem falar comigo por mais de dois anos, mas antes de perder a vida numa fatalidade reatou um convívio civilizado.

Foi dele que ganhei o apelido de “Maligno”. Jarbas Vasconcelos, que antecedeu Eduardo, na sua primeira gestão perdeu a estribeira, chegando a fazer uma carta de próprio punho cortando completamente qualquer possibilidade de um convívio harmonioso. Miguel Arraes era de altos e baixos. Como contei numa postagem por ocasião do aniversário do habilidoso Adilson Gomes, já me expulsou de um evento.