Por Antonio Magalhães*
“Devemos estar prontos para usar trapaça, fraude, violação da lei e mentira [….] Podemos e devemos escrever em uma linguagem que semeie entre as massas ódio, repulsa e desprezo por aqueles que discordam de nós”.
Não, leitor, esta proposta não é do campo político que controla hoje o governo. E ela não é vanguardista como a esquerda nacional imagina. Ao contrário, ela é, na verdade, antiga e ultrapassada. O autor da orientação é o político russo Vladimir Lênin (1870-1924), ideólogo e comandante da revolução soviética de 1917. Depois de 70 anos de comunismo na Rússia e na Europa Oriental, não sobrou nada de concreto do que ele pregava. Foram extintas as violentas e assassinas ditaduras que vigoraram na região e restou um saldo de miséria econômica.
Mas a ideologia, como um zumbi, não desapareceu. Ela se transformou, com os mesmos propósitos, em algo mais difícil de se detectar, misturando-se em meio a setores da sociedade, escolas, universidades, mundo das artes, na Justiça, em lugares onde é muito difícil prevalecer decisões para mudanças por votos populares, como partidos, Legislativo e Executivo
A eleição deste domingo é o pequeno espaço político em que o cidadão de bem pode agir para promover mudanças. Neste domingo, 4 de outubro, 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão decidir, pelo voto ou pela ausência, o futuro do Brasil para os próximos quatro anos e muito mais à frente. Num país solidamente democrático, uma eleição seria apenas uma eleição, com votantes, candidatos, votos contabilizados e consagração dos eleitos. Mas esse não é o caso brasileiro.
Em 2022, os tribunais Eleitoral e Supremo semearam armadilhas tidas como legais para suprimir a vontade popular. Foram feitas intervenções contrárias à propaganda do candidato adversário do consórcio da época – STF/TSE/PT e velha imprensa -, beneficiando quem deixou a cadeia, depois de condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, para ser eleito ao cargo máximo da Nação.
Agora, neste pleito de 2026, mudou a forma de agir de quem não deseja deixar o poder. Sem tanta força na justiça eleitoral como antes, o grupo empoleirado nas altas esferas dos Três Poderes criam artifícios para neutralizar ilegalmente a candidatura oposicionista. Inclusive alertando para uma suposta intervenção estrangeira no pleito ou apelando com falsas promessas em situações variadas. Como a proposta de aumento no subsídio da Bolsa-Família para depois da eleição, numa esdrúxula compra fiada de votos. Ou a entrega a um custo alto de canetas emagrecedoras pelo SUS, quando o sistema sofre para ter medicamentos básicos.
Entrou também no cardápio de medidas eleitoreiras a suspensão das loterias online legais, as Bets. Aprovadas pelo próprio governo, o presidente decidiu cancelar as autorizações sob o argumento que estava endividando famílias. A enganação foi por meio de uma Medida Provisória do governo enviada ao Congresso para ser votada ou com validade vencida só no próximo ano. A iniciativa assustou investidores, clubes de futebol, fornecedores e uma extensa de rede de empregados assistida pelas Bets. Com fim dos sites legais de apostas, foram criadas no mesmo dia 415 plataformas ilegais. Após a iniciativa governamental, caem ainda a arrecadação de impostos. A receita dos jogos na casa de bilhões de reais passa agora limpinha para o caixa do crime organizado.
A insegurança jurídica afetou os meios econômicos. Mas o que mais mexeu com o imaginário eleitoral foram postagens com a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro iria destituir Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil, se fosse eleito presidente da República. Uma grande mentira propagada na Basílica de Aparecida pelo arcebispo, exonerado do cargo pelo Papa Leão 14, Dom Orlando Brandes.
Com o discurso alinhado aos petistas, registrado em vídeo, segundo a BBC Brasil, Brandes afirmou que rumores apontam que, caso eleito presidente, Flávio Bolsonaro poderá vir a atender uma reivindicação de setores evangélicos. “No caso de continuidade da expansão de evangélicos entre os brasileiros, cabe também perguntar se o país não consolidará uma transição cultural rumo a um conservadorismo ainda mais rígido em relação aos costumes. Não falo isso fazendo um juízo de valor a priori, qualificando tal fenômeno como bom ou ruim, mas é inevitável pensar se o Brasil continuará a ser “Brasil” caso a maioria religiosa do país deixe de ser católica”, acrescentou o religioso demitido pelo Papa por sua pregação militante.
Depois de passar a erguer imagens de Nossa Senhora em atos da campanha, o presidente petista também levou o caso da padroeira para a propaganda eleitoral. Um vídeo postado na noite de terça-feira nas redes sociais do petista em formato de “nota oficial” diz ser inaceitável que Flávio Bolsonaro desrespeite religiosos. É onde cabe a célebre expressão do escritor francês François La Rochefoucauld: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. O mesmo quando uma pessoa sente a necessidade de fingir que segue os padrões corretos.
No episódio, bispos e padres católicos militantes da esquerda, uniram-se à ala radicalmente antirreligiosa, encarnada pelo PT, para atacar evangélicos visando derrotar a candidatura de oposição. A CNBB negou qualquer responsabilidade por este caso, embora em seus quadros estejam os bispos mais radicais que assinam notas contra a oposição.
E na noite desta quarta-feira, 30, veio uma decisão deste caso por parte do TSE. A Corte decidiu manter a exclusão de postagens que veiculam a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro iria destituir Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil, se fosse eleito presidente da República.
A santa, acreditam os que têm fé, inspirou a Corte para barrar tal estupidez. Quem defende “fazer o diabo para ganhar a eleição” viu a verdade suplantar a mentira. Cabe lembrar, caro leitor, que sua decisão na hora do voto ou no esforço para comparecer ao local de votação vão ser decisivos para você, sua família e sua descendência ter um futuro com liberdade garantida e prosperidade. É isso.
*Jornalista