O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai enviar uma comitiva a Brasília para discutir adaptações a um inciso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada na Câmara e pauta do Senado na quarta-feira, 2. O trecho em questão determina a redução no repasse do dinheiro das bets a entidades esportivas para proporcionar mais investimento na segurança. Essa perda, na soma das instituições que compõem o Sistema Nacional do Esporte, entre elas o COB, é na casa dos R$ 500 milhões.
“Vamos conversar com os senadores, mas não é para votar contra a PEC. Vamos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para retirar esse inciso, e segue para aprovação normalmente. Estamos mobilizando atletas, todo mundo. Não estamos pedindo mais recursos, mas para não tirar o que já temos”, argumenta Marco La Porta, presidente do COB. As informações são do jornal O GLOBO.
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A transferência direta de recursos das bets, sem passar por Ministério ou outro aparelho, para as entidades esportivas foi instituída pela Lei nº 14.790/2023, em 21 de maio de 2024. Definiu-se que 12% das arrecadações de apostas esportivas, descontados os prêmios e o imposto de renda sobre eles, tenham destinações sociais: educação, saúde, esporte e turismo. Também há 3% reservado à Polícia Federal.
O direito ao recebimento desses valores passou a valer em 2025, mas faltava a regulamentação da aplicação, determinada apenas em julho de 2026, em portaria do Ministério da Fazenda. Até por isso, o COB ainda não havia lançado mão do valor que já havia recebido. “Esperamos para começar exatamente quando tivesse definido mesmo, batido o martelo. Mas tem um fôlego até o próximo mês, depois vai ter que utilizar, não tem jeito”, comenta La Porta.
O artigo 139, inciso I, da PEC diminui para 8,4% a fatia das destinações sociais, mantém uma repasse específico à PF, em 2,1%, e estabelece um novo repasse geral de 4,5% aos fundos de segurança. Não há mudança em relação aos 85% voltados para a cobertura de despesas de custeio e manutenção das próprias operadoras de apostas.
La Porta é a favor da PEC da Segurança pública e propõe, junto aos seus pares, retirar 5% do custeio das bets para preservar a distribuição entre as destinações sociais, sem diminuir o valor que se pretende injetar na segurança.
A senadora e ex-jogadora de vôlei Leila Barros (PDT) propôs esta solução em emenda. Mas o senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC na CCJ, antecipou que vai apresentar relatório favorável à aprovação da proposta da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados.
O COB espera receber anualmente cerca de R$ 110 milhões provenientes das bets, o que equivale a 25% dos recursos que recebe da loteria. A redução sobre essa arrecadação é de 30% e representa uma perda estimada entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.
Segundo La Porta, essa faixa de valor é exatamente o custo total da entidade para organizar os Jogos Olímpicos da Juventude. “Um evento desse ajuda na questão da segurança pública, afinal são jovens que estão sendo direcionados para uma linha do esporte, um caminho melhor”.
O repasse das bets é uma receita nova para o COB, mas o dirigente argumenta que diminuir este investimento pode gerar “estagnação” no esporte nacional e não vê o setor refém do mercado de apostas fixas.
“O repasse das bets começou no ano passado. O esporte já caminha sem os recursos das bets, ponto. Só que, falando em resultados, chegamos a um ponto em que, se quisermos avançar mais no quadro de medalhas, precisamos de mais investimento. Seria 25% a mais. Talvez para Los Angeles-2028 não dê tempo, mas para Brisbane-2032 causaria impacto significativo. O esporte não vai acabar sem esse recurso, vai voltar ao que era antes, sem crescimento. É um recurso dado por lei, por que agora está sendo retirado?.”
Além do COB, a lei determina repasses também ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) e Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM).
A comitiva que tenta derrubar o inciso chega a Brasília na segunda-feira. O grupo, liderado por La Porta, conta com ex-atletas como Lars Grael, Magic Paula e Emanuel Rego, este último também diretor-geral do COB.
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