Um grupo de indígenas da tribo Ticuna, do Amazonas, chega ao Congresso para participar da sessão solene pelo Dia Internacional da Educação.
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Do Poder360
A abundância de sol, espaço e minerais críticos não basta para que o Brasil produza internamente os equipamentos necessários para gerar energia solar. O país depende de uma cadeia global amplamente controlada pela China. O gigante asiático é a origem de 99% dos painéis solares importados pelo Brasil.
A participação é de 62% nos kits completos de geradores fotovoltaicos e de 95% nas células solares. As compras atendem empresas que montam painéis e que revendem sistemas prontos no mercado doméstico.
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A cadeia dos painéis começa com o beneficiamento do quartzo e a produção do silício metalúrgico. O material precisa ser purificado até atingir o chamado grau solar e, depois, transformado em lingotes. Só cinco países têm capacidade industrial para alcançar o nível de pureza necessário. Nenhum em escala comparável à chinesa. De acordo com dados da AIE (Agência Internacional de Energia), a China concentra aproximadamente 86% da capacidade de produção do chamado polissilício.

Os lingotes são cortados em lâminas finas, chamadas wafers, que passam por tratamentos químicos para se transformar em células fotovoltaicas. Essas células são conectadas, encapsuladas e montadas em vidro e estruturas de alumínio, dando origem aos módulos ou painéis solares. A concentração chinesa chega a 97% na fabricação de wafers, 84% nas células e 78% nos módulos.
Alemanha, Estados Unidos e Japão lideraram o desenvolvimento inicial da tecnologia fotovoltaica, mas a China passou a integrar os diferentes elos da cadeia com incentivos governamentais, ganhos de escala e redução de custos. Hoje, 8 das 10 maiores fabricantes mundiais de módulos são chinesas. As exceções são a canadense Canadian Solar e a norte-americana First Solar. Malásia, Vietnã, Tailândia, Coreia do Sul, Índia, Taiwan e Singapura também participam de etapas específicas da produção, mas sem a mesma escala chinesa.
No Brasil, a energia solar ocupa hoje parcela relevante da matriz elétrica. Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema) mostram que as grandes usinas fotovoltaicas representam 8% da capacidade instalada de geração do país. Separadamente, a micro e a minigeração distribuídas — painéis instalados em residências, comércios e plantas industriais — respondem, junto com a geração eólica de pequeno porte, por 21%.
Dependência brasileira
No Brasil, a energia solar começou a ganhar escala depois que a Aneel editou, em 2012, as primeiras regras para conectar a micro e a minigeração distribuídas às redes das concessionárias. A regulamentação permitiu que residências, comércios e indústrias produzissem eletricidade e convertessem o excedente injetado na rede em créditos na conta de luz. A ampliação desse sistema de compensação e os incentivos tributários adotados a partir de 2015 reduziram o custo e a burocracia para a instalação dos painéis, estimulando a expansão desse mercado.
A geração centralizada avançou por outro caminho. Em 2014, o governo realizou o 1º leilão federal específico para contratar energia de grandes usinas solares. Como os contratos asseguravam demanda de longo prazo, os projetos puderam obter financiamento e atrair fornecedores. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) aproveitou esse poder de indução e condicionou seu crédito à incorporação progressiva de componentes nacionais. A expectativa era começar pela montagem dos módulos e pelas estruturas e avançar, gradualmente, até elos mais complexos, como células e inversores.
Essa articulação, contudo, perdeu força quando os leilões se tornaram menos frequentes e o mercado livre e a geração distribuída assumiram a liderança da expansão. No mercado livre, os geradores negociam diretamente com grandes consumidores e procuram reduzir ao máximo o custo dos projetos. Na geração distribuída, as instalações são pulverizadas e frequentemente financiadas por bancos privados, sem as exigências de conteúdo local associadas ao crédito do BNDES. Nos dois casos, o preço baixo dos equipamentos importados passou a pesar mais do que sua origem.
As próprias regras do BNDES também foram flexibilizadas. Em 2017, o banco retirou a exigência futura de fabricação nacional das células solares. Em 2020, passou a permitir o financiamento de sistemas com módulos importados, desde que incorporassem componentes nacionais, como inversores, rastreadores, estruturas metálicas ou cabos. Com juros mais altos no financiamento público e painéis chineses cada vez mais baratos, tornou-se mais vantajoso importar os módulos e agregar no Brasil apenas os componentes periféricos.


Posição do setor
Em entrevista ao Poder360, o CEO da Absolar — entidade que representa empresas do setor —, Rodrigo Sauaia, disse que há atualmente dois fabricantes nacionais de módulos com produção limitada, que atendem menos de 2% a 3% da demanda interna. No caso de componentes periféricos, como rastreadores, estruturas de suporte e materiais elétricos, a maior parte da fabricação é nacional.
A Absolar afirma que o fortalecimento da cadeia depende de três pilares: demanda, crédito e política industrial. A entidade defende leilões recorrentes para dar previsibilidade ao mercado, compras públicas de equipamentos produzidos no país e redução dos impostos sobre matérias-primas e máquinas utilizadas pelas fábricas.
“Nós recomendamos linhas de financiamento com condições diferenciadas para fabricantes nacionais. Isso significa dizer taxas de juros mais baixas, prazos mais longos, carências maiores, garantias menores”, afirmou Sauaia.
Segundo ele, o incentivo poderia ser oferecido pelo BNDES e por outros bancos públicos tanto aos fabricantes quanto aos consumidores que adquirirem equipamentos nacionais. A associação, no entanto, rejeita o aumento de tarifas sobre os produtos estrangeiros como forma de proteger os fabricantes brasileiros. “O que nós somos contra atualmente é aumento de impostos para criar barreiras artificiais. Medidas desse tipo, que são protecionistas, acabam por onerar o consumidor”, declarou.
Para Sauaia, a elevação do imposto de importação aumenta o preço dos equipamentos e da energia solar sem assegurar uma indústria competitiva.
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Por Fábio Zanini e Gabriela Echenique
Da Folha de S.Paulo
A PF (Polícia Federal) investiga a existência de um “gabinete do ódio” ligado à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição. Segundo fontes do órgão, a apuração teve início no final de 2025 após uma denúncia enviada à corporação por um aliado do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que polariza a disputa com ela.
A acusação foi enviada à PF pelo deputado estadual Rodrigo Farias (PSB) em outubro do ano passado. A peça sustenta que há uma rede com publicações de conteúdos difamatórios e caluniosos que começaram ainda em 2024, na pré-campanha municipal, quando Campos foi reeleito prefeito da capital.
Leia maisSegundo a denúncia, o objetivo era impactar o processo eleitoral e desqualificar a figura dele. “Os perfis coordenam uma extensa rede de publicações sincronizadas para potencializar o alcance de suas postagens, direcionando verdadeiras mensagens de ódio em face dos opositores da governadora”, diz.
Ela também cita supostas irregularidades em uma licitação feita pelo governo para prestação de serviço de publicidade institucional. A acusação é de favorecimento a empresas ligadas aos familiares da governadora. A denúncia lista as postagens feitas ao longo dos últimos e afirma que a maioria delas teve como objetivo antecipar as eleições de 2026 numa tentativa de desconstrução da figura de Campos.
A acusação é de que os executores da rede têm relação próxima com o governo de Pernambuco, seja com a ocupação de cargos comissionados ou distribuição de verbas por meio dos contratos de publicidade.
Outro lado
A governadora de Pernambuco afirmou, em nota, que faz campanha às claras e não em “estruturas ocultas” e que tem compromisso com um debate pautado pela verdade. “Chama atenção que a acusação venha justamente de quem já foi alcançado pela Justiça Eleitoral: o TRE-PE determinou medidas contra uma rede coordenada de perfis falsos usados para atacar a governadora”, disse.
A campanha afirmou que diante de uma acusação grave, sem nome e sem provas, a governadora acionou a Justiça para que João Campos identificasse a quem se referia ao falar em milícia digital. “Quem acusa tem o dever de dizer a quem”, afirmou.
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Do Blog da Folha
A Prefeitura de João Alfredo, no Agreste de Pernambuco, confirmou, neste domingo (30), em nota publicada nas redes sociais, a morte do ex-prefeito do município Sebastião Manoel dos Santos, conhecido como Sebastião Mendes. O velório ocorrerá amanhã (31), no Ginásio Poliesportivo Djair Santos. O sepultamento está marcado para às 16h.
Sebastião Mendes exerceu o cargo de prefeito do município por quatro mandatos e também foi vereador. Segundo a prefeitura, Mendes deixou uma importante contribuição para a história e o desenvolvimento do município.
De acordo com a nota, em razão da trajetória política e dos serviços prestados à população, o atual prefeito de João Alfredo, Zé Martins, decretou luto oficial de três dias na cidade.
“Neste momento de dor e consternação, a Prefeitura de João Alfredo se solidariza com sua esposa, Graça, seus filhos, Alexandre, Virgínia, Anna Amélia e Anna Paula, seu sobrinho, o vereador Tato Mendes, demais familiares, amigos e todos que tiveram a oportunidade de conviver com Sebastião Mendes. Que Deus conforte o coração de todos e conceda força à família neste momento de profunda tristeza”, finalizou a nota.
A Globo anunciou que a jornalista Renata Lo Prete é quem vai conduzir as sabatinas com os candidatos à Presidência caso haja segundo turno nas eleições 2026. Ela substituirá César Tralli e Renata Vasconcellos, os responsáveis pela primeira rodada de entrevistas.
O anúncio foi feito pelo repórter Pedro Bassan e a decisão não está relacionada ao desempenho da dupla de jornalistas nas seis sabatinas iniciais, que tiveram como convidados os candidatos mais bem colocados nas pesquisas: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).
A mudança na condução das entrevistas já estava programada desde o início do ano, quando a emissora anunciou o formato do programa. As sabatinas eram realizadas dentro do Jornal Nacional até 2022, e passaram a ser exibidas após o jornalístico e antes da novela das nove. A informação foi publicada em fevereiro pela coluna Outro Canal. O segundo turno das eleições está marcado para o dia 25 de outubro.
O candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), realizou, neste domingo (30), uma carreata no distrito de Batateiras, em Belém de Maria, na Mata Sul do Estado. Ao lado de lideranças políticas e apoiadores, João percorreu as ruas da comunidade.
Durante o ato, o candidato destacou a proposta de isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas. Ao observar a presença de motociclistas na mobilização, João lembrou que, a partir do próximo ano, os proprietários desses veículos não precisarão pagar o imposto.
“Estou muito feliz e animado porque a gente está construindo um projeto em favor do povo de Pernambuco. Estou vendo muita moto aqui. Já podem fazer a conta que, a partir do ano que vem, o IPVA vai ser zerado por esse governador. Nós estamos do lado de quem precisa e de quem pode fazer muito mais”, afirmou.
Também participaram da mobilização o candidato à reeleição para deputado estadual Sileno Guedes, o candidato a vice-governador Carlos Costa e Alexandre Neto, importante liderança política da oposição em Belém de Maria.
Da Revista Veja
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, rebateu as declarações do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que o acusou de atuar em favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala de Flávio ocorreu durante entrevista concedida à TV Globo na sexta-feira (28), conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Baptista Júnior afirmou que a acusação teria sido utilizada pelo candidato para escapar de uma pergunta sobre a tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ex-comandante da FAB, trata-se de uma postura de “leviandade” incompatível com alguém que pretende ocupar a Presidência da República.
Leia mais“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo, uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu Baptista Júnior em seu perfil no X.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral
Durante a entrevista, Flávio foi questionado sobre os relatos apresentados por generais que integraram o governo Bolsonaro e que serviram de base para o processo que resultou na condenação do ex-presidente e de outros envolvidos.
Entre os depoimentos citados estavam os de Baptista Júnior e do general Freire Gomes. Ambos relataram que houve risco de uma ruptura institucional e pressão sobre integrantes das Forças Armadas para que apoiassem uma tentativa de golpe.
Flávio, porém, minimizou a gravidade dos relatos. “Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, afirmou.
Na resposta, Baptista Júnior também ressaltou que tanto seu livro, “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, quanto seu depoimento prestado ao STF não tiveram Flávio Bolsonaro como foco. “Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, afirmou o brigadeiro.
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O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco e candidato à reeleição, deputado Álvaro Porto (MDB), e o candidato a deputado federal Gabriel Porto (PSB) comandaram, neste domingo (30), comício da abertura oficial da campanha em Canhotinho, no Agreste Meridional. O evento foi no bairro do Alto do Vento e contou com a presença da prefeita de Canhotinho, Sandra Paes (Republicanos).
Simbólica base do grupo político liderado por Álvaro, Canhotinho foi onde a vida pública do deputado teve início em 2004, quando ele foi eleito prefeito, décadas depois de o pai, Lourival Mendonça de Barros, ter exercido o cargo por dois mandatos (de 1965 a 1968 e de 1977 a 1982). “Vamos dar a largada da nossa campanha em Canhotinho, reunindo nossa gente, nossa força, expressando nossa sintonia nesta caminhada. Vamos descer num grande arrastão, celebrando a alegria que sempre marca as nossas campanhas”, disse Álvaro. “Chegou a hora de ir pra rua, reafirmar nossa parceria e nosso compromisso de trabalho e responsabilidade com a população de Canhotinho”, completou Gabriel.
Por Isadora Teixeira
Do Metrópoles
A Justiça Eleitoral impediu candidatos impugnados de usar recursos públicos e de fazer propaganda eleitoral até julgar se eles podem ou não participar das eleições de 2026.
É o caso concreto de Pablo Marçal (PRTB) e de Anthony Garotinho (Republicanos). No Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSD) também teve a candidatura impugnada, mas o pedido de registro da candidatura dele ainda não foi a julgamento, assim como os de Marçal e Garotinho. Na sexta-feira (28), a defesa contestou a impugnação e alegou que ele está elegível, conforme mostrou a coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles.
Leia maisApós as decisões liminares em relação a Marçal e Garotinho, a Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal disse à reportagem que o caso de Arruda está em análise e que o órgão “não adiantará manifestação sobre eventuais pedidos liminares ou medidas cautelares específicas”.
Em relação a Marçal, que concorre à Presidência da República, a sanção à inelegibilidade determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) ocorreu por uso indevido dos meios de comunicação social. A decisão de 20 de agosto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o impede de obter recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário também cita, além da condenação em segunda instância, a falta de provas da filiação ao PRTB no prazo exigido.
Garotinho foi condenado por atos dolosos de improbidade administrativa no caso de desvio de recursos públicos de R$ 234 milhões por meio da contratação sem licitação da Pró-Cefet, no projeto Saúde em Movimento. O processo transitou em julgado recentemente. Ao suspender de forma liminar a utilização de recursos públicos e propaganda, o TRE-RJ considerou ainda possível nulidade na filiação partidária.
O relator do caso de Garotinho no TRE-RJ, desembargador Bruno Bodart, disse que a previsão para permitir atos de campanha eleitoral a candidato com registro sub judice “não constitui, contudo, salvo-conduto para o dispêndio de recursos públicos em prol de candidatura cuja inviabilidade jurídica se revela evidente desde logo”.
José Roberto Arruda teve candidatura ao GDF impugnada pela Procuradoria Regional Eleitoral do DF, que apontou seis condenações por improbidade administrativa e inelegibilidade até dezembro de 2030.
O que diz Arruda
Arruda defende que está elegível com base na flexibilização da Lei da Ficha Limpa, que terá julgamento retomado no Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro. Sobre possível impacto na campanha dele em razão dos precedentes do caso de Marçal e Garotinho, Arruda afirmou à reportagem que não é advogado, mas que acredita serem casos diferentes.
Arruda destacou que, se for considerar casos recentes, é preciso também avaliar a situação de Rôney Nemer (PP), ex-parlamentar que concorre a deputado distrital. Ele foi condenado por órgão colegiado em 2014. O MP se manifestou pelo deferimento do registro da candidatura, citando que já se passaram mais de oito anos e a inelegibilidade encerrou em 2022.
Advogado de Arruda, Francisco Emerenciano afirmou que não tem absolutamente nenhuma relação entre os casos de Marçal e Garotinho. “O caso de Garotinho é falta de condição de inelegibilidade, por causa de decisão transitada em julgado cuja consequência é suspensão dos direitos políticos. O caso de Marçal é da eleição anterior e não preenche nenhum dos requisitos da LC nº 219/2025 que estabelece limite de 8 anos e de 12 anos em qualquer situação. No caso do Arruda, houve condenação em 2014, portanto, 12 anos seria o limite em casos de condenação conexa, o que está mais do que claro”, declarou.
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Por Muniz Sodré
Da Folha de S.Paulo
É oportuna a expressão “baixo astral” para o desalento público com a desmoralização da classe política. “O povo vai meter 300 bandidos no Congresso”, diz um presidenciável. “Um manicômio”, diagnostica outro, psiquiatra. São sinais do ethos tóxico, agudo diante de eleições cujo parâmetro ético-político é a rejeição dos candidatos. A chamada para o voto de manutenção da democracia representativa debilita-se com a persistente sensação de desamparo social. A saturação dos modelos de governança neoliberal e a decomposição da representação parlamentar suscitam uma insólita náusea coletiva.
Não se trata de nojo, esse mal-estar psicológico que decorre da visão de uma sujidade, de intolerância física ou de repugnância moral frente a um comportamento execrável. Geralmente é individual, mas o nojo coletivo se manifesta em situações aberrantes, como figuras de uma antropologia negativa. Ficou gravada na memória pública a postagem despropositada pelo ex-presidente da República de um vídeo repulsivo, conhecido como “golden shower”. O fato e o ato definem-se como asco, nojo absoluto.
Leia maisA náusea, entretanto, não se confunde com essa abjeção. Trata-se de sensação estranha, o profundo mal-estar existencial categorizado como uma das bases do existencialismo de Sartre, descrito no romance “A Náusea” (1938). O protagonista experimenta a angústia de perceber que não há sentido predeterminado para o mundo. Do choque da existência sem essência nem finalidade, tal e qual ela aparece, advém a náusea.
Essa narrativa filosófica, que sempre trafegou no círculo das altas ideias, tem hoje correspondências com o mundo das significações correntes. Significação é o que se vive na prática de uma estrutura ou de um fenômeno, é o que torna concreto um conceito aplicado à vida. Viver uma realidade é percebê-la e lhe dar uma significação.
O problema atual é que as grandes transformações sociais acarretam mudanças em níveis diversos de consciência, com perturbações profundas nos modelos de percepção da realidade e de elaboração de significações. Algo como se as palavras estivessem anêmicas, perdendo força.
Uma das consequências é a estupidez coletiva como fenômeno das clivagens político-partidárias agravadas pela infecção neofascista, que antes era assintomática. Nesse processo, aberto à ascensão ao poder por aberrações políticas, emerge popularmente uma formação psíquica, patológica ao juízo imediato, mas de fato relacionada ao distúrbio que na Antiguidade Clássica inquietou os estoicos: a estupidez. O indivíduo não reza a um pneu de caminhão porque é louco, e sim porque é idiota ou estúpido.
Para a mentalidade antiga, estoica principalmente, a estupidez era calamidade pública por afetar o laço social, dissolvendo formas de vida comunitárias, familiares e civis. Num plano distinto da loucura, o estúpido não perde a dimensão cognitiva nem moral, mas, incapaz de vínculos construtivos, perverte significações e valores como democracia, liberdade e outros. Entre nós, isso tem se concretizado na boçalidade bolsonarista. É um fenômeno que banaliza a náusea sartreana na figura do eleitor da antidemocracia, besta quadrada da manipulação algorítmica, que vota bovinamente no pasto do nojo moral.
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O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) repudiou, neste domingo (30), a circulação de panfletos com ataques à candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), com fotos e frases acusando a governadora de ter matado o marido Fernando Lucena para ser eleita em 2022. “Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo. E quero deixar uma coisa muito clara: qualquer pessoa que tente atribuir esse tipo de prática a mim ou à minha candidatura vai responder por isso na Justiça brasileira”, disse
“Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, continuou.
João disse ainda que sua equipe jurídica já acionou a Justiça para investigar a origem dos panfletos. O Jurídico da Frente Popular de Pernambuco informou que apresentou, neste domingo, uma solicitação ao Ministério Público Eleitoral para apurar a autoria, produção e divulgação do material, que circula nas redes sociais e teria sido afixado em locais públicos. “Quero que a Justiça Eleitoral descubra quem produziu, quem financiou e quem distribuiu esse material, e que os responsáveis sejam punidos na forma mais severa da lei”, declarou.
O candidato afirmou que a democracia comporta divergências, críticas e confronto de ideias, mas não “covardia, anonimato e ataques contra famílias”. Em nota, a Frente Popular também repudiou os panfletos e reafirmou que não participou da produção ou disseminação do material: “A Frente Popular repudia de forma categórica esse tipo de prática e defende que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados na forma da lei. A coligação reafirma que não possui qualquer participação na produção ou disseminação desse material”, diz a nota da coligação.”
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que quatro perfis em redes sociais apagassem postagens que associam a governadora Raquel Lyra (PSD) a um suposto “gabinete do ódio”. De acordo com a decisão, as publicações utilizaram trechos de uma reportagem da TV Record acompanhadas de legendas com desinformação.
A decisão, assinada no sábado (29) pelo desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, determina um prazo de 24 horas para a remoção das publicações. As informações são do g1.
Leia maisTambém foi solicitado ao Facebook Serviços Online do Brasil LTDA que sejam informados “os dados cadastrais, registros de conexão e de acesso a aplicações de internet necessários à inequívoca identificação dos responsáveis pelos perfis”.
Os alvos da decisão são os perfis no Instagram @seremosresistencia, cujo responsável é Denilson Cadete Arruda do Nascimento, @bregabregoso, @recifeordinario e @pernambucoposting, que não tiveram os responsáveis identificados.
No documento da decisão, o desembargador afirma que “a publicação desinforma, pois parte de um fato existente (uma reportagem apontando suspeitas) para propagar a efetiva comprovação da existência de tal estrutura”.
As postagens traziam as frases:
Conforme avaliação do desembargador, as legendas trazem “conteúdo que desinforma ao transformar suspeitas jornalísticas em conclusões irrefutáveis, instigando o compartilhamento de fatos que não correspondem ao teor da matéria originária”.
Também menciona que os perfis do Instagram “descontextualiza a informação da matéria sobre as ditas apurações em face de ambos os principais candidatos”. Já que as duas candidaturas, de João Campos e de Raquel, afirmam ser alvo de “gabinetes do ódio” e de ações coordenadas de “milícias digitais”.
Em nota, o PSD, partido da governadora e candidata à reeleição, comentou sobre a decisão do TRE-PE. “Uma vitória na Justiça Eleitoral contra perfis nas redes sociais que utilizaram o conteúdo de uma reportagem da TV Record, exibida na última terça-feira (25), para afirmar falsamente que a matéria jornalística comprovaria um suposto “gabinete do ódio” contra o candidato ao governo João Campos (PSB)”, diz o comunicado.
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A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) registrou boletins de ocorrência nas polícias Federal e Civil após ser alvo de episódio de violência política, segundo nota divulgada neste domingo (30) pela coligação Pernambuco de Coração. Desta vez, o caso envolve a circulação de cartazes com acusações e ataques de caráter pessoal relacionados à morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena. A coligação informou que também acionará o Ministério Público Eleitoral.
As peças foram espalhadas em muros no Bairro do Recife. Em um dos cartazes, a imagem de Raquel aparece acompanhada da frase “Ela matou o marido para ganhar a eleição”. Em outro, a governadora é retratada ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, sob a expressão “matadoras de maridos”.
Raquel reagiu às publicações em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ela, as imagens foram vistas enquanto entrava no carro para seguir para uma agenda na Mata Sul. “Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeitem meus filhos, respeitem quem não está mais aqui, respeitem a minha dor”, disse.
