Fernando Haddad galgou postos na administração pública e ascendeu na política pelas mãos de Lula, que costuma chamá-lo de o melhor ministro da Educação da história do país. Escolhido para comandar o Ministério da Fazenda no terceiro mandato do petista, ele sempre faz questão de dizer que cumpre as ordens do chefe e que quem dita os rumos da política econômica é o presidente da República. Até por isso, não há ruídos entre eles — nem vencedores e derrotados entre os dois.
Os embates do ministro, de fato, ocorrem dentro do PT e, principalmente, com a deputada Gleisi Hoffmann, a comandante do partido. Em 2018, quando estava preso e inelegível, Lula considerou os dois colegas de legenda como possíveis candidatos à Presidência na disputa com Jair Bolsonaro. Na ocasião, prevaleceu a opção por Haddad. Desde então, ele é visto como sucessor natural de Lula caso o mandatário não concorra mais ao Palácio do Planalto. O problema é que nem todos os petistas concordam com isso. As informações são da edição online da Veja.
Leia maisEmpoderada na formação do ministério, Gleisi também sonha em disputar a Presidência e trava um duelo permanente com Haddad — por poder na máquina pública, influência na esquerda e ascendência sobre Lula. A prorrogação da isenção dos combustíveis em janeiro foi interpretada como uma vitória dela sobre o ministro. Já a volta da cobrança dos tributos, anunciada recentemente, funcionaria no campo político como o empate do jogo, mas é bem mais do que isso.
Lula escolheu a solução defendida por Haddad depois de Gleisi e uma penca de petistas atacarem publicamente a possibilidade de retomada da cobrança dos tributos. Ele prestigiou o ministro num momento de fritura e, de quebra, reforçou uma percepção importante do ponto de vista eleitoral: enquanto Gleisi fala para o petismo e aposta num receituário populista, Haddad prefere a responsabilidade na gestão econômica e dialoga com setores mais amplos da sociedade. Ele está em franca vantagem, principalmente fora da bolha petista.
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