Com um dos aviões da rede estadual de saúde desviados para fazer o transporte VIP da governadora Raquel Lyra (PSD), o Governo de Pernambuco está tendo que recorrer a uma manobra para não deixar usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) desassistidos. A lacuna será coberta pela contratação de um serviço extra de transporte aeromédico de pacientes e de órgãos para transplante, prevista em edital de credenciamento publicado no Diário Oficial. A medida chama atenção, porém, por não prever a realização de um processo licitatório e por envolver um gasto de até R$ 10,7 milhões em cinco anos.

O edital relativo à inexigibilidade de licitação foi publicado em 29 de maio. Semanas depois, a Folha de S.Paulo revelou que um avião comprado em 2025 para transporte aeromédico tem sido usado por Raquel em agendas políticas, em um escândalo conhecido como “Aeroquel”. Em dezembro, enquanto o veículo estava à disposição da governadora em Brasília, o governo precisou alugar um táxi aéreo por R$ 100 mil para socorrer um paciente. A intenção de contratar o serviço extra agora é para garantir os atendimentos sem que seja preciso alugar aviões quando Raquel estiver usando uma das aeronaves do estado.

A projeção é de um gasto de R$ 179 mil por mês ou de R$ 2,14 milhões por ano, o que fará os valores envolvidos chegarem a R$ 10,7 milhões nos cinco anos de previsão do contrato. No último sábado (4), porém, a gestão estadual decidiu adiar a inexigibilidade de licitação por tempo indeterminado alegando “necessidade de avaliação de requisitos técnicos de contratação”. Os recursos para contratar o serviço seriam provenientes do Fundo Estadual de Saúde, o mesmo que, no ano passado, esteve envolvido em denúncias de favorecimento em repasses avalizados pela vice-governadora Priscila Krause (PSD) para o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem o marido dela como sócio.


















