As últimas pesquisas eleitorais antes do primeiro turno das eleições de 2026 saem neste sábado (3), véspera da votação, marcada para amanhã (4). Serão divulgadas, no final do dia, novas rodadas do Datafolha e da Quaest. A rodada mais recente da pesquisa Datafolha para o Governo de Pernambuco, divulgada na última quinta-feira (1º), aponta a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) com 46% das intenções de voto, enquanto João Campos (PSB) soma 44% do total na consulta estimulada para o primeiro turno.
A Coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) a impugnação da pesquisa Quaest com as intenções de voto para o governo do estado, prevista para este sábado (3). As informações são do Diário de Pernambuco.
O candidato Ivan Moraes (PSOL) somou 2% na pesquisa atual (antes, tinha 1%), enquanto Renan Hallais (Missão), registrou 1% (antes, não havia pontuado). Professora Camila (UP), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) não pontuaram. Brancos, nulos e pessoas que não devem votar permanece em 4%, enquanto indecisos foram 3% (antes, eram 2%).
Nos votos válidos, Raquel Lyra ficou com 50% (antes, 51%), enquanto João Campos marcou 47% (antes, tinha 46%). Ivan Moraes somou 2% (antes, 1%) e Renan Hallais se manteve com 1% do total. Os demais candidatos não pontuaram.
Já no segundo turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) obteve 50% das intenções de voto na disputa pelo governo de Pernambuco, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) tem 46%. Ambos estão em um cenário de empate técnico.
Entrevistados que responderam que vão votar em branco, nulo ou nenhum dos candidatos citados permaneceram com 3%. O número de indecisos se manteve em 1%.
Confira as demais pesquisas para o Governo de Pernambuco antes do 1º turno
A campanha de reeleição de Raquel Lyra (PSD) acaba de sofrer o seu mais duro revés institucional. Se o escândalo da laqueadura forçada já havia aberto uma fissura profunda na imagem da governadora, as conclusões da Polícia Federal enviadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ontem (2), transportam a crise do suposto “gabinete do ódio” para o terreno do crime comum e eleitoral. Aí vem o pior: é a própria chefe do Executivo quem aparece no centro do furacão.
Não se trata mais de especulação de bastidor ou retórica de oposição. O relatório da PF aponta formalmente indícios de envolvimento direto da governadora em crimes de associação criminosa, peculato e desvio de verbas públicas para alimentar uma estrutura clandestina de difamação digital: o já batizado “gabinete do ódio” pernambucano.
O detalhe técnico revelado pela perícia é demolidor: postagens dos perfis de ataque e publicações da conta oficial de Raquel Lyra compartilhavam o mesmo endereço IP, registrado em nome de uma autarquia estadual de tecnologia da informação. A máquina pública, ao que tudo indica, operava na mesma tomada que a guerrilha digital para atacar adversários.
Politicamente, o impacto é devastador. Ao longo de seu mandato, Lyra tentou se equilibrar como uma figura de centro, técnica e avessa aos excessos da polarização. No entanto, o despacho do ministro Edson Fachin expõe uma engrenagem que a contradiz: o uso de contratos de publicidade estatal para financiar redes coordenadas de desinformação com o objetivo explícito de emparedar adversários políticos, em especial João Campos, seu adversário direto nessas eleições.
Ao somar o peso moral do episódio da laqueadura compulsória à gravidade jurídica de uma investigação no STJ por desvio de recursos públicos e associação criminosa, com forte apuração da PF, a governadora perde a iniciativa do debate. A tentativa de sufocar a CPI na Assembleia Legislativa em 2025, longe de estancar a sangria, apenas adiou uma cobrança que agora retorna endossada pela autoridade máxima do Judiciário.
Para Raquel Lyra, a disputa eleitoral deixa de ser uma batalha de entregas administrativas para se tornar uma luta de contenção de danos e sobrevivência jurídica. Em política, um escândalo pode ser atribuído a acidentes de percurso; dois, com essa magnitude, desenham um padrão difícil de explicar ao eleitor.
A governadora Raquel Lyra (PSD) já afirmou que trabalha para garantir “vez e voz” às mulheres. Mas quando uma mulher chegou à presidência da Associação dos Peritos Papiloscopistas Policiais Civis de Pernambuco (ASPPAPE), um direito que já havia sido concedido em situações anteriores foi negado pelo Governo de Pernambuco e precisou ser levado à Justiça.
“Eu sempre trabalhei como mulher que sou, especialmente para que as mulheres possam ter direito a vez e voz.” A frase é da governadora Raquel Lyra e ganha um significado particular diante de um episódio envolvendo a ASPPAPE.
Em 2025, Pollyanna da Silva Marinho foi eleita presidente da ASPPAPE, inaugurando uma nova realidade na entidade, que passou a ser comandada por uma mulher. Com a posse, requereu ao Governo de Pernambuco a licença remunerada para o exercício do mandato classista, direito previsto na legislação estadual.
A resposta, porém, foi negativa. A Secretaria de Administração indeferiu o pedido sob o argumento de que os Peritos Papiloscopistas já seriam representados sindicalmente pelo SINPOL. A negativa atingiu diretamente o exercício do mandato para o qual Pollyanna havia sido eleita e levou a ASPPAPE à Justiça.
O contraste chama atenção porque, segundo a própria entidade, em situações anteriores o Governo havia concedido licença para o exercício de mandato classista quando a presidência da associação estava nas mãos de homens. A mudança ocorreu justamente quando a ASPPAPE passou a ser dirigida por uma mulher.
A pergunta, portanto, é inevitável: o que mudou? Não mudou a existência da ASPPAPE. Não mudou a legislação que assegura a licença para o exercício de mandato classista. Não mudou a condição funcional dos Peritos Papiloscopistas.
Mudou a composição da liderança da entidade. Diante da negativa administrativa, a questão foi submetida ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. E foi justamente a Justiça que reconheceu o direito de Pollyanna à licença remunerada para o exercício da presidência da ASPPAPE.
Em decisão unânime, a Seção de Direito Público do TJPE concedeu a segurança e assegurou à presidente da entidade o direito à licença, sem prejuízo da remuneração, dos direitos e das vantagens funcionais. O julgamento também afastou, na aplicação da legislação ao caso, a interpretação utilizada pelo Estado para impedir a licença em razão da representação sindical exercida pelo SINPOL. O próprio processo registra que o Estado sustentava a impossibilidade da licença justamente por essa razão.
Para a ASPPAPE, o episódio ultrapassa a discussão sobre uma licença funcional. É sobre representatividade. É sobre igualdade de tratamento. E é sobre a diferença entre defender a participação das mulheres no discurso e assegurar, na prática, que uma mulher possa exercer plenamente o espaço de liderança que conquistou pelo voto da própria categoria.
A frase da governadora — “vez e voz para as mulheres” — permanece. O que o episódio deixa é uma questão para reflexão: quando uma mulher ocupa efetivamente um espaço de poder e representação, essa “vez e voz” também será respeitada na prática?
No caso da presidente da ASPPAPE, foi necessário recorrer ao Poder Judiciário para que um direito que havia sido negado pelo Governo fosse reconhecido. E foi assim que a discussão sobre a licença classista acabou se transformando em uma discussão maior: qual é o espaço efetivamente reservado às mulheres quando elas deixam de ser apenas representadas e passam a ocupar a liderança?
No último dia permitido pela legislação eleitoral para a campanha de rua, os dois principais candidatos ao governo de Pernambuco apostam todas as fichas na Região Metropolitana do Recife.
Considerada estratégica para a disputa, a região será o principal território das agendas dos candidatos, que intensificam a mobilização na reta final em busca dos votos dos eleitores indecisos e daqueles que ainda podem mudar de posição.
Trata-se da última oportunidade para ampliar a ofensiva nas ruas, conquistar votos e tentar chegar às urnas com uma vantagem construída até o último minuto da campanha. A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) passa pela capital, por Jaboatão dos Guararapes, Moreno, e encerra a agenda em Caruaru, no Agreste. O candidato do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, também vai circular por Recife e Jaboatão, incluindo Olinda na rota.
Comparação
Raquel Lyra inicia os compromissos às 9h, com carreata que começa no bairro de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e adentra pelo Recife, com previsão de encerramento no bairro do Pina. Em seguida, a gestora vai ao município de Moreno, também na região metropolitana, onde comanda outra carreata a partir das 13h30.
Às 18h, a gestora inicia, em Caruaru, o último compromisso da campanha eleitoral antes do primeiro turno da eleição, amanhã (4). A cidade é base política da governadora, que já enfrentou, no município, outras cinco eleições em que saiu vitoriosa, incluindo duas para a Prefeitura de Caruaru, e a última para o governo de Pernambuco, em 2022.
Ainda na sexta, a pessedista realizou panfletagem no bairro da Imbiribeira, Zona Sul do Recife. Ela também esteve nos bairros das Graças, Encruzilhada, Aflitos, Ibura, Jardim São Paulo e Afogados. Em empate técnico com o principal opositor, Raquel Lyra aposta na comparação com o governo anterior para garantir votos.
“O eleitor tem uma decisão pela frente. Pode optar por uma governadora que está trabalhando muito, que entregou, que pegou uma casa desarrumada, mas garantiu investimentos, em três anos e meio, maiores em todas as áreas do que os oito anos do governo anterior”, declarou durante ato na Imbiribeira.
Indecisos
Já o candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos, começa o dia de agendas pela Zona Norte da capital pernambucana, que governou por dois mandatos, até se afastar no início do ano, para disputar o comando do estado. A carreata sairá do Córrego do Jenipapo às 9h e deve seguir até a cidade de Olinda. A segunda e última parte da agenda vai contemplar a Zona Sul, iniciando o percurso no Jardim Jordão, às 15h30, seguindo para Jaboatão dos Guararapes.
Na reta final para a eleição, o socialista cumpriu agendas, na sexta, no bairro da Joana Bezerra, no Recife, e depois passou, em carreata, pelas cidades de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Camaragibe e encerrou na Zona Oeste da capital.
No primeiro compromisso, Campos fez balanço positivo da campanha e dirigiu mensagem direta aos indecisos. “A gente chega na reta final da campanha feliz e animado, (pois) fizemos a melhor campanha, com mais propostas. (…) Para você que está indeciso, pode ter certeza que vocês vão ter um cara que vai dedicar a vida a Pernambuco. Assim como fiz para o Recife vamos fazer pelo estado”, prometeu.
Peso
A concentração das agendas na Região Metropolitana do Recife não ocorre apenas pelo peso eleitoral da região. Segundo o cientista político Isaac Luna, é também na área que se encontra uma parcela importante dos eleitores que ainda podem definir ou mudar o voto.
“Do ponto de vista matemático, a Região Metropolitana tem um peso inegável. E como também a maior parte de indecisos está na Região Metropolitana, as candidaturas e campanhas intensificaram agora lá para tentar convencer esse eleitor que tá indeciso”, afirmou.
O especialista ainda avaliou que a estratégia das carreatas passarem por diversos pontos da RMR tem o poder de conquistar eleitores pela “expectativa de vitória”, que pode ser demonstrada pelo volume dos atos.
“Esse último ato de campanha é um ato de reafirmação do volume da força da candidatura. E é também um momento simbólico de chamar a atenção pela última vez do eleitor, de tentar conquistar o voto de quem tá indeciso ou até de virar algum voto por conta dessa expectativa de vitória”, pontuou Isaac Luna.
Raquel chega ao último dia sob o peso de uma campanha marcada por recuos e episódios negativos
A governadora Raquel Lyra (PSD) chega ao último dia da campanha tentando a reeleição tendo de administrar uma sucessão de episódios que, ao longo das últimas semanas, alteraram o ambiente da disputa. Em vez de encerrar a campanha ditando os termos do debate, a gestora chega à véspera da eleição reagindo a uma agenda que passou a ser cada vez mais imposta pelo adversário.
O movimento mais simbólico ocorreu nos últimos dias, quando sua campanha incorporou a defesa da isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas, uma proposta que João Campos já havia apresentado durante a campanha. O episódio ganhou relevância menos pelo conteúdo da medida, que passou a ser compartilhado pelos dois candidatos, e mais pelo momento em que ocorreu.
A poucos dias da votação, a adesão tardia a uma proposta do adversário reforçou a percepção de uma campanha que, na reta final, passou a responder aos temas colocados por João. Em uma eleição disputada voto a voto, a capacidade de estabelecer a agenda é também uma dimensão importante da disputa política.
A campanha de Raquel chega a esse desfecho depois de acumular outros episódios que produziram desgaste e desviaram o foco da discussão sobre seu governo. Debates, controvérsias e decisões de natureza política e jurídica se sucederam nas últimas semanas, obrigando a governadora e sua equipe a administrar crises em um momento em que a prioridade seria consolidar a mensagem de continuidade da gestão.
O contraste ficou particularmente evidente nos debates. João Campos transformou boa parte dos confrontos finais em uma comparação entre aquilo que foi realizado no Recife e o que, segundo ele, deixou de ser entregue pelo Governo de Pernambuco. Delegacias, escolas técnicas, UPAs e outros compromissos passaram a ocupar espaço relevante nas discussões, enquanto Raquel precisou dedicar parte considerável de seu tempo a responder às cobranças do adversário.
O resultado é uma reta final em que a campanha de Raquel parece ter perdido parte da capacidade de controlar a própria narrativa. Os episódios se acumularam, as respostas passaram a ocupar mais espaço do que as propostas e, agora, a candidatura chega ao último dia tendo também de lidar com a apropriação de uma agenda apresentada originalmente pelo adversário.
A eleição, portanto, chega às últimas horas não apenas como uma disputa entre dois projetos, mas como um confronto marcado pela capacidade de cada campanha de conduzir o debate público. E, nesse aspecto, o último movimento de Raquel, ao assumir uma proposta que já vinha sendo defendida por João, tornou-se um símbolo de uma campanha que chega ao fim precisando reagir até mesmo na escolha dos temas que pretende apresentar ao eleitor.
Miguel na mira do MP – O Ministério Público de Pernambuco abriu inquérito civil para investigar suspeitas de irregularidades na compra de livros didáticos pela Secretaria de Educação de Petrolina, em 2019, durante a gestão do então prefeito Miguel Coelho. A apuração, originada em auditoria do Tribunal de Contas do Estado, envolve indícios de direcionamento em licitações e possível superfaturamento de R$ 3,3 milhões. O procedimento também vai aprofundar a análise dos valores para avaliar eventual responsabilização dos envolvidos e ressarcimento aos cofres públicos.
“Colinha” em cima do muro – A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) divulgou, ontem, uma “colinha” eleitoral sem indicar voto para presidente da República e manteve, até o fim da campanha, a posição de ficar em cima do muro na disputa nacional. O material traz o número da governadora e dos candidatos ao Senado Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD), mas deixa em branco também os espaços destinados a deputado federal e estadual.
“Gabinete do ódio” vai ao STJ – O presidente do STF, Edson Fachin, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a investigação da Polícia Federal sobre um suposto “gabinete do ódio” ligado ao Governo de Pernambuco e que teria sido usado para disseminar notícias falsas na disputa contra João Campos (PSB). Na decisão, Fachin cita relatório da PF segundo o qual publicações do perfil oficial de Raquel Lyra (PSD) e de dois perfis apontados como integrantes da rede foram feitas a partir de um mesmo endereço de IP pertencente a uma autarquia estadual de tecnologia. Para o ministro, os elementos apurados indicam possíveis condutas ilícitas “no âmbito do governo do estado”, com suspeita de desvio de recursos para financiar notícias falsas com finalidade política e eleitoral. Fachin concluiu que o caso não envolve ataques ao STF, mas disputas políticas em Pernambuco, razão pela qual remeteu a apuração ao STJ, responsável por processos envolvendo governadores.
TRE rejeita pedido de Raquel e mantém Quaest – O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) rejeitou os pedidos da coligação de Raquel Lyra para suspender a pesquisa Quaest que mostrou a governadora e João Campos (PSB) empatados com 42% no primeiro turno. A campanha alegou falta de informações sobre os critérios estatísticos usados no levantamento e, depois, citou uma reportagem sobre pagamentos do PSB ao instituto. O relator Luiz Gustavo Mendonça de Araújo entendeu que a pesquisa cumpriu as regras do TSE e que não havia provas de interferência nos dados que justificassem a suspensão. No segundo turno, a Quaest também apontou empate, com 44% para cada candidato.
João ironiza Raquel por copiar propostas – João Campos (PSB) subiu o tom contra Raquel Lyra depois de a governadora anunciar, na reta final, a intenção de zerar o IPVA de motocicletas de até 180 cilindradas e aumentar o PJES das forças policiais, propostas já apresentadas pelo socialista durante a campanha. “Reconhecendo que suas propostas não saem do papel, Raquel passa a copiar as minhas”, ironizou João nas redes sociais. Em seguida, alfinetou a adversária: “Teve quatro anos para fazer e não fez”.
CURTAS
“DIAS SUJOS E SANGRENTOS” – Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, ontem, que os 21 dias entre o primeiro e um eventual segundo turno podem ser “os mais sangrentos e sujos da história de todas as eleições no Brasil”. O candidato acusou o PT, o STF e o TSE de poderem interferir na disputa e disse esperar uma “quantidade gigantesca” de fake news no período. Flávio também voltou a criticar o cancelamento do debate da TV Globo e classificou a decisão como “um movimento muito brusco, obsceno mesmo, contra a liberdade de imprensa”.
INTERFERÊNCIA EXTERNA – A campanha de Lula (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão dos serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil seja incluída na investigação sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições. Anunciada a dois dias do primeiro turno e justificada pela Embaixada norte-americana por “preocupações com a segurança”, a medida foi apontada pela defesa do petista como um gesto capaz de projetar instabilidade sobre o ambiente eleitoral. A petição também cita carta de senadores dos EUA que manifesta preocupação com eventual interferência do governo Donald Trump no pleito brasileiro.
DE OLHO NO BRASIL – Donald Trump voltou a afirmar que acompanha “muito de perto” a eleição brasileira, mas evitou declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Questionado diretamente sobre a candidatura do filho de Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos respondeu apenas: “Estamos de olho em tudo e vamos observar esta eleição de muito perto”. A postura contrasta com eleições recentes na América Latina em que Trump manifestou preferência pública por candidatos.
Perguntar não ofende: Raquel perdeu o controle da própria campanha na reta final?
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma investigação sobre um suposto “gabinete do ódio” que seria utilizado pela governadora Raquel Lyra (PSD) para atacar o adversário na eleição deste ano, João Campos (PSB). A decisão desta sexta-feira foi tomada após a Polícia Federal (PF) abrir um inquérito para apurar indícios da atuação de uma milícia digital para disseminar notícias falsas com uso de recursos da gestão.
A informação sobre a investigação foi revelada pela “Folha de S. Paulo” em agosto. O caso tramitava no STF no âmbito do inquérito das fake news. No mês passado, Fachin retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria na esteira da crise na Corte derivada dos desdobramentos do caso Master. As informações são do jornal O GLOBO.
Na decisão, Fachin cita o uso de rede “restrita ao governo de Pernambuco” nas publicações. A apuração em curso busca constatar se a atuação dos perfis denunciados foi financiada por meio de contratos de publicidade da Secretaria de Comunicação da gestão de Lyra.
“Uploads de mídia atribuídos ao perfil oficial da chefe do Poder Executivo estadual e a dois perfis nominalmente apontados na denúncia parlamentar como integrantes da rede de desinformação foram realizados a partir de um mesmo endereço IP titularizado por autarquia estadual de tecnologia da informação”, afirma o relatório da PF citado na decisão.
Uso eleitoral
O ministro avalia que as descobertas investigativas “apontam para supostas condutas ilícitas perpetradas no âmbito do governo do estado, mediante desvio de recurso para o financiamento de divulgação de notícias falsas na internet, no intento de subsidiar disputa política no estado de Pernambuco”.
Fachin entendeu que a investigação não conclui que a rede digital tenha sido utilizada para disseminar notícias falsas contra o STF ou seus ministros. Para o magistrado, o caso apurado pela PF diz respeito a disputas políticas em Pernambuco.
“Os elementos colhidos indicam a utilização da rede investigada, predominantemente, no contexto das disputas eleitorais regionais e de articulações voltadas ao controle político da referida unidade da federação”, diz o ministro.
Diante dessa constatação, o presidente do STF determinou o envio do caso ao STJ:
“Considerando que os fatos podem envolver desvio de recursos com possível finalidade eleitoral, registro que a competência do Superior Tribunal de Justiça para o processamento dos crimes comuns também alcança os crimes eleitorais”, conclui Fachin.
O GLOBO procurou a campanha de Lyra, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado em caso de resposta.
Troca de acusações
A campanha em Pernambuco deste ano foi marcada pela judicialização. Tanto Lyra quanto Campos acusam o rival de orquestrar “gabinetes do ódio”. No fim de agosto, a gestão Lyra exonerou um servidor após a TV Record veicular reportagem segundo a qual a Polícia Federal investiga uma suposta rede de perfis que receberia dinheiro público para atacar adversários políticos da governadora, incluindo Campos. A reportagem da mostrou a gravação de uma reunião na qual Amisadai Andrade da Silva, que é servidor da Caixa Econômica Federal e estava cedido à Secretaria estadual de Turismo e Lazer, negocia ataques nas redes sociais. Ele teria uma rede com mais de 300 perfis.
No mesmo mês, reportagem do GLOBO mostrou que a governadora acionou a Justiça Eleitoral por conta de um perfil nas redes sociais supostamente mantido por um produtor de vídeos ligado ao PSB — sigla de Campos. A conta, chamada “João Campos Platinado”, estaria vinculada a Wladimir Fernandes, que teve passagem por uma prefeitura pessebista no estado. Em 2022, Fernandes já havia sido alvo de ações da coligação de Lyra por conta da página “Marília Arraes debochada”, referência à rival da hoje governadora naquele pleito.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira, 2, acreditar que os 21 dias entre o primeiro e um eventual segundo turno podem ser “os mais sangrentos e sujos da história de todas as eleições no Brasil”, por uma suposta ação do PT.
Ele voltou a atribuir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a articulação pelas decisões da Justiça que afetaram o debate cancelado pela TV Globo, o que comparou a “um gol de mão”. As informações são do Estadão.
“Se você decidir validar o gol de mão do Lula, o jogo segue. Do primeiro para o segundo turno são mais 3 semanas, 21 dias, que podem ser os mais sangrentos e sujos da história de todas as eleições no Brasil. Imagina quantos gols de mão o PT não vai tentar fazer com seus amigos no STF e no TSE nesse período do segundo turno. A quantidade de fake news que eles vão inventar, vão espalhar, vai ser gigantesca”, declarou em vídeo publicado nas redes sociais.
Flávio classificou o cancelamento do debate como um fato “muito, mas muito negativo” e voltou a acusar o Judiciário de interferir nas eleições. “Foi um movimento muito brusco, obsceno mesmo, contra a liberdade de imprensa”, declarou.
O candidato disse que a disputa poderia ser afetada por um suposto uso da “Polícia Federal para atacar todos os adversários do PT pelo Brasil”: “Não vai ser só comigo. Vai ser uma baixaria sem precedentes. Vai ser um perigo real para a democracia”, disse.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) indeferiu a liminar da coligação Pernambuco de Coração, da governadora Raquel Lyra (PSD), que pedia a suspensão da pesquisa Quaest. A decisão foi proferida pelo relator Luiz Gustavo Mendonça de Araújo.
A representação eleitoral com pedido de tutela de urgência foi movida contra a Quaest Pesquisas e a Globo Comunicação. A campanha de Raquel Lyra alegou falta de detalhamento prévio sobre ajustes estatísticos no registro da pesquisa. As informações são do JC.
Ao analisar o caso, o desembargador relator concluiu não haver probabilidade do direito para conceder a medida cautelar. Segundo o magistrado, o registro continha as informações exigidas pela Resolução TSE nº 23.600/2019.
O relator explicou que a norma exige indicação de metodologia e fontes públicas, mas não a especificação prévia detalhada de cada modelo estatístico. Com isso, manteve autorizada a divulgação do levantamento.
A coligação de Raquel Lyra também apresentou um pedido de reconsideração citando reportagem sobre pagamentos do PSB à Quaest. No entanto, o relator indeferiu novamente a solicitação da aliança governista.
Na segunda decisão, o desembargador enfatizou que suspeitas de matérias jornalísticas, sem prova de interferência na coleta ou nos dados, não justificam a suspensão cautelar da pesquisa.
O questionamento na Justiça ocorreu após a divulgação da rodada da Quaest em 29 de setembro. O levantamento mostrou Raquel Lyra e João Campos empatados numericamente, com 42% das intenções de voto cada no primeiro turno.
Na comparação com o estudo anterior, João Campos subiu de 39% para 42%, e Raquel Lyra oscilou de 41% para 42%. A margem de erro é de três pontos e, no segundo turno, ambos aparecem com 44%.
A campanha de Raquel foi procurada pela reportagem do JC, que aguarda manifestação. O espaço segue aberto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (2) que está “convicto” de que o Senado Federal vai aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1.
“Essa é uma prioridade do nosso governo e uma mudança que o Brasil precisa fazer. Trabalhadores e trabalhadoras não podem viver apenas para trabalhar. Precisam ter tempo para a família, para estudar, descansar e viver, com dois dias de descanso por semana e sem redução de salário”, disse Lula em publicação no X. As informações são do g1.
A fala do presidente diz respeito à notícia de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou a proposta na pauta do plenário da Casa Alta na semana após o primeiro turno das eleições. A partir de terça-feira (6), senadores podem avançar com a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados em maio.
Parada por quase cinco meses no Senado, a PEC da 6×1 teve o destino comandado por Alcolumbre mesmo sob pressão do Governo Federal para que o Congresso desse aval para a medida. De forte apelo popular, o texto foi aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na última semana de trabalhos do Legislativo antes do período eleitoral, mas não foi ao plenário.
Aprovada no meio tempo entre o primeiro e o segundo turno, Lula ainda poderá colher os louros da proposta em uma eventual disputa de segundo turno. O petista também espera dar prosseguimento ainda neste ano para a PEC da Segurança Pública, que segue travada no mesmo Senado de Alcolumbre.
À CNN, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que seria “um ganho enorme” para o governo se a proposta passasse pelo Senado na semana que vem. Mencionou o trabalho de articulação com os presidentes do Legislativo para a tramitação da proposta e comparou o cenário trabalhista nacional com demais países que aboliram a escala de trabalho 6×1. Guimarães assumiu o cargo em abril e teve como principal missão a de aprovar a medida junto ao Congresso.
O ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) ironizou, nas redes sociais, a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) após ela anunciar a intenção de zerar o IPVA para motos de até 180 cilindradas e aumentar o PJES das polícias, duas propostas que já haviam sido apresentadas por João durante a campanha. “Reconhecendo que suas propostas não saem do papel, Raquel passa a copiar as minhas”, escreveu.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição pediu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considere a decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares presenciais no Brasil em uma investigação sobre suposta interferência externa nas eleições brasileiras.
A medida da embaixada norte-americana foi anunciada na noite desta quinta-feira (1), dois dias antes do primeiro turno das eleições. (Veja mais detalhes)
Segundo comunicado divulgado pela representação diplomática, a medida foi tomada por “preocupações com a segurança”. As informações são do g1.
Para a campanha, o episódio deve ser analisado no contexto da alegada interferência estrangeira no processo eleitoral e gera insegurança, projetando instabilidade sobre o ambiente eleitoral.
E faz parte, segundo o pedido, de ações de um “desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norte-americano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro”.
“Um gesto diplomático anômalo dessa magnitude, deflagrado por Estado estrangeiro no exato interregno eleitoral, projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito e se insere, como desdobramento, na mesma frente institucional-diplomática”, aponta a campanha.
O texto cita uma carta escrita pelos senadores norte-americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch dirigida ao secretário de Estado Marco Rubio em que advertem a Administração Trump contra a interferência nas eleições brasileiras de 4 de outubro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria, nesta sexta-feira (2), pelo indeferimento do registro de candidatura de Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba. A decisão ocorre no julgamento de um recurso do Ministério Público Eleitoral que aponta suposto uso da facção criminosa Nova Okaida para favorecer o projeto político do ex-prefeito de João Pessoa.
A ministra Estela Aranha foi a quarta integrante da Corte a votar contra a candidatura, acompanhando o relator, Ricardo Villas Bôas Cueva. Também se posicionaram nesse sentido os ministros Floriano de Azevedo Marques Neto e Dias Toffoli. O julgamento teve um pedido de vistas do ministro André Mendonça, entretanto, a maioria foi formada, com quatro votos entre os sete ministros. As informações são do Blog Vitrine do Cariri.
Ao defender o indeferimento, Cueva afirmou que as provas do processo indicam que Cícero teria sido beneficiado pela atuação da Nova Okaida nas eleições de 2020 e 2024. O ministro mencionou investigações envolvendo a filha do candidato, Janine Lucena, e a ex-primeira-dama Lauremília Lucena, além de apontar uma suposta troca de vantagens eleitorais por benefícios relacionados à atuação política.
A equipe diplomática do Palácio do Planalto foi informada com antecedência sobre a decisão dos Estados Unidos de suspender o atendimento na embaixada e nos consulados do país norte-americano em território brasileiro.
Nesta sexta-feira (2), os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados dos EUA no Brasil foram suspensos devido a “questões de segurança”. A interrupção dos serviços foi comunicada ainda na noite de quinta-feira (1), no site da embaixada do governo norte-americano. As informações são da CNN.
Com a interrupção, funcionários receberam a orientação para trabalhar em home office, segundo informação confirmada pela CNN Brasil.
As investigações sobre a suposta ameaça estão sendo mantidas sob sigilo, mas em cooperação entre os governos brasileiro e norte-americano, e no âmbito do tratado que existe entre os dois países em termos de segurança.
“As autoridades brasileiras estão completamente atentas para este caso”, afirmou uma autoridade do governo.
Segundo o Planalto, a decisão de fechamento da embaixada ou consulado é de responsabilidade do país estrangeiro, sem nenhuma ingerência do governo brasileiro. Não há até o momento um prazo definido para a volta dos serviços consulares.
A equipe diplomática de Lula minimiza a preocupação sobre o fato da suspensão dos serviços consulares e o fechamento da embaixada acontecer a dois dias das eleições. A estratégia do Planalto, segundo interlocutores, é não fazer alarde sobre o caso, nem dramatizar a situação.
Além dos EUA, a Austrália também comunicou o fechamento da embaixada em Brasília, alegando a “preocupação com segurança” que levou os EUA a suspender os atendimentos.
Nesta sexta, a PF (Polícia Federal) cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil.
Segundo a corporação, a ação preventiva foi adotada em investigação sigilosa conduzida pela PF e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras.