A saída do ex-deputado pernambucano Danilo Cabral (PSB) da superintendência da Sudene, em agosto do ano passado, gerou ruído no meio político. Na época, foi apontada interferência do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que queria expandir sua influência no governo Lula (PT), aliado ao então ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Ainda assim, o atual superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, nega que essa interferência cearense ocorra no órgão.
“Quem administra a Sudene hoje é um pernambucano. Eu sou de Bom Conselho. Eu não tenho as minúcias da saída do Danilo. O fato é que o mandato que me foi dado foi para fazer a execução da política de governo, e tenho feito essa execução. As influências, como você diz, na verdade não existem. O que existe são os compromissos que foram traçados, travados e assinados. Quando a gente faz uma liberação de recursos para uma obra como o eixo que vai até o Porto de Pecém, no Ceará, é porque é uma obrigação de fazer. Há um contrato que diz que nós temos que cumprir. Então não tem nenhuma influência, tem a execução contratual, que tem que ser feita”, afirmou o superintendente, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Temos feito vários estudos demonstrando a necessidade e a importância de se fazer o eixo de Salgueiro a Suape. Estamos convencidos, apresentamos documentos, estudos e levamos para o Tribunal de Contas da União (TCU), para o Ministério dos Transportes. Esses estudos mostram a importância de ter a estrada também chegando ao Porto de Suape. E o que temos recebido como retorno é que esta é uma obra de importância também para o governo, como uma obra estratégica. Tanto é que vamos assinar contrato para fazer todos os estudos da estrada, que deverão estar concluídos durante esse segundo semestre. A ideia é que, terminando até dezembro, a gente destrave tudo isso, que é o que pede o TCU. A gente tem a leitura de que a estrada deverá ter seu início logo logo”, completou Francisco.
Ele também disse desconhecer um possível lobby contra Pernambuco a favor do Ceará. “Se há um lobby ou não, a gente não pode fazer essa discussão, na minha compreensão. Como eu tenho uma obrigação de fazer e tem que haver, do ponto de vista técnico, um estudo, o que temos que fazer em Pernambuco é a unidade de todos em defesa da estrada. Temos conversado com as forças políticas, com os setores econômicos do Estado, todos são conscientes disso. Tão logo a gente passe o período eleitoral, onde há certa dispersão, precisamos continuar isso”, ressaltou o superintendente. Todavia, indagado se as forças políticas do Ceará – mesmo tão antagônicas – teriam mais força e unidade que as de Pernambuco, ponderou que “é possível”.

















