Seis meses depois de ter eclodido o escândalo da Logo Caruaruense – empresa de ônibus da família da governadora Raquel Lyra (da qual a própria gestora já foi sócia) e sobre a qual pairam graves denúncias de irregularidades -, não existe qualquer manifestação por parte dos órgãos de controle, investigação e fiscalização do Estado sobre eventuais providências relativas ao caso.
O caso voltou à imprensa nacional nesta sexta-feira (17), quando o portal Metrópoles noticiou que o Ministério da Justiça, por meio da sua Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), está formalmente investigando a Logo. Se um órgão do governo federal, teórica e geograficamente mais distante, já manifestou publicamente as providências adotadas para averiguar a gravidade da situação, onde estariam a Polícia Civil de Pernambuco, o Ministério Público e o Tribunal de Contas?
Leia maisÉ a principal pergunta que tem de ser feita, uma vez que as supostas irregularidades na Logo Caruaruense envolvem boa parte da família de Raquel Lyra. Seus pais, o ex-governador João Lyra Neto e Mércia Lyra, participam do quadro societário, assim como as duas irmãs da governadora, Paula e Nara. Raquel também chegou a ser sócia da Logo, mas sua parte foi repassada para o pai.
A última fiscalização nos coletivos da empresa foi realizada em 2022, ainda sob o governo Paulo Câmara. De 2023 — já com Raquel governadora — em diante, nenhuma foi realizada. Além disso, os ônibus circulavam sem terem sido feitos os pagamentos de taxas estaduais obrigatórias. Sem qualquer fiscalização e com veículos em idade além da permitida pela lei, viajar pela Logo Caruaruense era ser submetido a risco de morte.
Tribunal de Contas e Ministério Público são poderes independentes do Palácio do Campo das Princesas. Mas, especificamente com relação à Polícia Civil, subordinada à governadora, não custa lembrar que a corporação esteve sob forte escrutínio público quando explodiu o caso da arapongagem praticada por um grupo de três delegados e sete agentes contra um secretário da Prefeitura do Recife – quando um rastreador foi instalado, de forma absolutamente irregular, no veículo funcional do servidor, sem que houvesse qualquer manifestação da Justiça ou do MPPE para tal.
Quantas outras manchetes da mídia nacional ainda vamos ver sobre a Logo Caruaruense? E será que, antes dos próprios órgãos estaduais, vamos ver a administração federal olhar para o caso?
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (17) que só se pronunciará sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros quando o mandatário norte-americano Donald Trump falar do assunto.
“Eu vou deixar pra falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei. Porque nós vamos mostrar que, no Brasil, ninguém ganha mentindo; ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse o chefe do Executivo durante visita à Carreta da Saúde da Mulher. As informações são da CNN.
A fala de Lula aconteceu em meio aos anúncios das novas tarifas de 25% a produtos do Brasil. Um alto funcionário do governo dos EUA ainda afirmou que os EUA irão rever as ações caso haja retaliação do lado brasileiro.
Leia maisEm nota divulgada na quinta-feira (16), a Presidência disse que “o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional”. E completou: “E retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.”
Apesar do reforço no discurso contra o novo tarifaço, o governo do Brasil decidiu deixar uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade para “um momento adequado”. Como mostrou a CNN, a cautela ocorre uma vez que aliados de Lula ponderam que uma resposta imediata poderia levar Donald Trump a ampliar as sanções contra o Brasil.
Esses mesmos aliados citam um trecho da decisão do USTR segundo o qual uma eventual elevação de tarifas sobre produtos americanos pelo Brasil pode indicar que as medidas adotadas pelos EUA “não são suficientes” para eliminar as práticas brasileiras consideradas problemáticas, abrindo espaço para novas sanções.
Reação do governo e da oposição
As reações do governo brasileiro começaram ainda na madrugada de quinta, momentos após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciar que as sobretaxas passarão a valer em 22 de julho. Em comunicado, o Brasil disse que o anúncio era um “marco lastimável” na relação entre os dois países.
Horas depois, o chanceler Mauro Vieira classificou como “descabidas” as críticas americanas ao Pix, afirmou que as tarifas “não têm racionalidade” e chamou de “inaceitáveis e ofensivas” as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra o presidente brasileiro.
Após a imposição das tarifas, Rubio criticou o presidente Lula e disse que as políticas econômicas do Brasil são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”. Ele também acusou o petista de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. O Planalto rebateu as críticas e disse que nunca deixou de comparecer às mesas de negociações.
Lula, por sua vez, disse que não há justificativa para os EUA aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita nas redes sociais, onde o presidente compartilhou o pronunciamento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta às falas do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
“Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas”, escreveu Lula.
A crise também ampliou a disputa política interna, com governistas e oposição buscando apontar os responsáveis pelo novo embate comercial. O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), explorou as declarações de Rubio para responsabilizar Lula pelo tarifaço. Governistas, por sua vez, reagiram acusando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de incentivar as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
O que é a Lei da Reciprocidade
A Lei da Reciprocidade é um mecanismo de defesa comercial que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que impõem tarifas, barreiras ou restrições abusivas a produtos e interesses do Brasil.
A ideia é que o Itamaraty acione formalmente a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que abriria um processo para verificar formalmente se as alíquotas aplicadas pelos EUA se enquadram nos critérios da lei.
No ano passado, após o governo Trump impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros (10% para todo o mundo e 40% especificamente contra o Brasil), a Camex chegou a iniciar um procedimento semelhante. No entanto, a Lei de Reciprocidade Econômica exige um objeto definido de análise e, naquela ocasião, o trâmite foi interrompido pela Suprema Corte dos Estados Unidos, levando à extinção do processo.
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Um relatório médico sobre as condições de saúde de Jair Bolsonaro enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o ex-presidente teve, nesta semana, um “forte e prolongado episódio de soluço”. De acordo com o documento oficial, a crise foi contínua e teve uma duração aproximada de 36 horas consecutivas.
Para controlar o quadro, a equipe médica informou que foi necessária a administração de doses extras de medicações específicas. O relatório destaca que Bolsonaro apresentou uma “resposta satisfatória” após o ajuste na dosagem. As informações são do portal G1.
Leia maisO documento atualiza o estado de saúde de Bolsonaro, atualmente com 71 anos, que segue sob cuidados em regime de acompanhamento médico domiciliar.
“O paciente vinha apresentando estabilidade nas últimas semanas, porém há três dias apresentou recorrência com forte e prolongado episódio de soluço (singulto), de forma contínua, com duração aproximada de 36 horas consecutivas”, diz um trecho do relatório enviado ao STF.
Sonolência e perda do equilíbrio
Apesar do controle da crise de soluços, os médicos ressaltaram que Bolsonaro ainda lida com os efeitos colaterais dos remédios de ação central utilizados no tratamento.
Os principais sintomas persistentes são a sonolência e a instabilidade crônica do equilíbrio corporal. O boletim médico também detalha que o ex-presidente mantém uma rotina rigorosa de recuperação, que inclui:
A equipe médica que assina o documento informou que, com exceção do aumento temporário dos remédios para o soluço, o restante da medicação de uso contínuo de Bolsonaro segue de forma inalterada. No momento, o quadro geral é considerado estável do ponto de vista respiratório e cardiológico.
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A saída do Secretário de Esportes de Camaragibe, Edno Fonseca, vista como gesto de lealdade ao partido Republicanos e ao deputado federal Silvio Costa Filho, após rompimento oficial com o prefeito Diego Cabral (PSD), abriu espaço para uma discussão que vai muito além da indicação de um novo nome. A pergunta que ronda no município é: quem assumirá a pasta terá capacidade técnica para manter e ampliar os avanços conquistados ou a secretaria será utilizada como mais um espaço de acomodação política?
Nos últimos anos, a Secretaria de Esportes acumulou uma série de ações importantes para a população. Entre elas estão a implantação do Pilates de Solo, os polos funcionais, a seleção de 19 professores de Educação Física, a ampliação das corridas de rua, a Escolinha de Vôlei, o Camará Cross, o programa Corredor Seguro, a reforma do Canetão, a construção de quatro areninhas, além do fortalecimento do basquete, atletismo para crianças, do apoio aos grupos de corrida e da criação de uma assessoria gratuita para corredores.
Leia maisProjetos que foram viabilizados durante a gestão do ex-secretário Anderson Rangel e tiveram continuidade sob o comando de Edno Fonseca, consolidando uma política pública voltada à inclusão, saúde e incentivo ao esporte.
Diante desse histórico, cresce a preocupação de atletas, professores, treinadores e praticantes das mais diversas modalidades. Uma eventual mudança de comando, sem critérios técnicos, pode colocar em risco programas que beneficiam milhares de pessoas e que exigem planejamento, continuidade e conhecimento da área.
Enquanto circulam especulações sobre quem será o novo secretário, a população aguarda uma resposta objetiva do governo municipal: a escolha será baseada na competência e na experiência em gestão esportiva ou atenderá exclusivamente aos interesses da articulação política?
Mais do que ocupar um cargo, o próximo secretário terá a responsabilidade de preservar conquistas, ampliar oportunidades e impedir que o esporte de Camaragibe perca o ritmo de crescimento alcançado nos últimos anos. Afinal, o esporte continuará sendo prioridade ou passará a fazer parte apenas das negociações políticas?
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O ex-ministro e presidente do Republicanos em Pernambuco, Silvio Costa Filho, expôs, em entrevista recente, a sua mágoa com relação ao prefeito de Riacho das Almas, Dió Filho. Segundo Silvio, o gestor foi coagido pela governadora Raquel Lyra (PSD) a se filiar ao PSD e trair o grupo político apoiado pelo ex-ministro. “Acho que a governadora tem mágoa de mim porque não conseguiu me comprar com orçamento e cargos, eu tenho e sempre tive um lado”, declarou Silvio. Confira abaixo o áudio na íntegra.
Quatro pessoas ficaram feridas após a laje de uma gráfica em reforma desabar no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, na manhã de hoje. O desabamento aconteceu na Carimbart, na Rua da Saudade, próximo ao Parque Treze de Maio, e o resgate das vítimas foi feito pelo Corpo de Bombeiros.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) enviou três viaturas ao local do acidente com equipes de socorristas para atender os feridos. Duas pessoas foram levadas para unidades de saúde, e três foram atendidas no local do acidente. As informações são do portal G1-PE.
Não há informações sobre o estado de saúde das vítimas nem para onde foram encaminhadas. Os nomes e as idades dos feridos resgatados dos escombros também não foram divulgados. As causas do desabamento vão ser investigadas. Equipes da Polícia Militar (PM), da Neoenergia e da Defesa Civil do Recife também foram até o local do acidente.
Portal CBN
Um alerta de tsunami foi emitido após um terremoto de magnitude 7,3 ter sido registrado perto da costa de Chiapas, no México, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O terremoto atingiu Puerto Madero, um importante porto e vila de pescadores no Pacífico, localizada a aproximadamente 13 km da fronteira com a Guatemala. O terremoto ocorreu a uma profundidade de 10 km (6,21 milhas), segundo o USGS.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos afirmou que existe ameaça de tsunami em partes do Pacífico localizadas mais próximas do epicentro do terremoto. O texto acrescenta que “ondas de tsunami perigosas” são possíveis para as costas localizadas a até 300 km do epicentro do terremoto.
Já o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA alertou para a possibilidade de ondas de tsunami com altura entre 0,3 m e 1 m acima do nível da maré em algumas costas da Guatemala e do México. O terremoto sacudiu prédios e fez com que alguns moradores saíssem correndo de suas casas para as ruas da capital da Guatemala, Cidade da Guatemala, disse uma testemunha à agência de notícias Reuters. Ainda não há informações sobre vítimas, sejam elas mortos ou feridos.
A comunidade de Serraria, no Cabo de Santo Agostinho, ganhará em breve um moderno Complexo Educacional. As obras para a construção da unidade foram iniciadas ontem, reforçando o compromisso da Prefeitura com a ampliação da rede municipal de ensino e a oferta de uma educação pública de qualidade.
O equipamento será implantado na área onde funcionava o antigo Alfredão e reunirá um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), destinado ao atendimento de crianças de 1 a 5 anos, e uma Escola Municipal em Tempo Integral, voltada aos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental. Com capacidade para atender cerca de 500 estudantes, o complexo contará com uma estrutura moderna e completa, composta por amplas salas de aula, laboratórios, biblioteca, quadra poliesportiva, playground, refeitório e uma pista de cooper ao redor do complexo.
O prefeito Lula Cabral destacou que o investimento representa mais um passo na transformação da educação do município. “Estamos construindo uma escola preparada para o presente e para o futuro. Queremos que nossas crianças e adolescentes tenham acesso a uma estrutura moderna, segura e acolhedora, com todas as condições necessárias para aprender, se desenvolver e construir um futuro melhor. Investir em educação é investir nas pessoas e no crescimento do Cabo de Santo Agostinho”, afirmou.
Por Germana Macambira – Folha de Pernambuco
Cristiano Vasconcelos é bom de prosa. Não por acaso, é pernambucano e, portanto, o tom é de bate-papo, para assuntos sérios, inclusive. E o sotaque não nega as raízes – mesmo ele (quase) um carioca da gema, não no sentido genuíno da expressão, claro.
É que quando se trata de abraçar a cidade do Rio de Janeiro em causas artísticos-culturais, ele se torna nato. Diretor-executivo do Museu do Amanhã – equipamento gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão, o IDG, o mesmo à frente do Paço do Frevo, no Bairro do Recife.
Leia maisRecentemente ele assumiu também a diretoria do Museu do Jardim Botânico, espaço de importância indiscutível para a arte, mas também, decerto principalmente, para propósitos ambientais.
Assim como o equipamento da Praça Mauá e o Museu das Amazônias, em Belém (PA), o Museu do Jardim Botânico fecha a tríade de espaços geridos pelo IDG voltados para a ciência.
E é por lá que o moço “Leão do Norte” passa a dividir o seu tempo, com o mesmo e evidente desejo de torná-lo mais um destino de excelência a moradores e visitantes da ‘Cidade Maravilhosa’.
“A gente passa a ser um grupo de museus no Brasil voltado para a ciência (…) Vai tendo muita convergência e adensamento de saberes, o que contribui com a nossa gestão”, frisou Cristiano Vasconcelos, em conversa com a Folha de Pernambuco.
O Instituto, aliás, segue com a ideia de ampliar a gestão a outras localidades, com outros museus, conta Cristiano. “Várias experiências que estão dando certo no Museu do Amanhã estamos levando para o Jardim Botânico, e temos trazido também de lá para cá. Eu acho que o Instituto vem se consolidando como uma instituição de terceiro setor, uma OS (Organização Social), em formato de grupo”, salienta.
Independência
Como diretor, para além das incumbências inerentes à função, Cristiano Vasconcelos faz o papel de maestro, como ele mesmo denominou ao ser indagado sobre os próximos passos na nova empreitada.
Mas, assim como ocorre no Museu do Amanhã, no Jardim Botânico a independência curatorial o posiciona como líder que respeita a equipe. “A função de um diretor executivo é muito mais de maestro, do que efetivamente de entrar na curadoria. Tenho muito cuidado e zelo ao trabalho do curador”, ressalta ele, complementando sobre o limite de interferir nos planos do museu.
“As pessoas estão ali estudando, com dedicação à pesquisa. A instituição está estruturada e o que a gente faz é tentar otimizar as coisas”, pontua o diretor que, na plenitude dos seus trinta e poucos anos, admite felicidades de estar onde está, e fazendo o que faz em equipamentos culturais tão importantes quanto o Museu do Amanhã e agora o Museu do Jardim Botânico.
“A gente trabalha com uma coisa muito boa, né? Numa instituição com um propósito muito maneiro, com entregas significantes. O que a gente faz aqui é uma execução de uma política pública cultural, uma parceria com o Estado, com o Governo Federal”, enaltece o entusiasmado pernambucano, pronto para despedir-se da prosa e seguir para efetivar outros ideais certeiros, ora para o Museu do Amanhã, ora para a flora brasileira repousada no Jardim Botânico.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) vê-se à frente de um desafio complicado. Teve que substituir na liderança do Governo um dos mais experientes políticos de seu partido, o senador Jaques Wagner (BA), guindado pelo rolo do Banco Master. Teresa Leitão não tem toda a experiência de Wagner. Foi deputada estadual por cinco vezes em Pernambuco e está no seu primeiro mandato como senadora.
Para além da experiência menor, assume a liderança num momento complicado. É ano eleitoral em um país que segue muito polarizado. Com uma forte oposição que, no Senado, viu-se fortalecida pelos problemas correntes na relação mais recente do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Teresa Leitão não enxerga uma crise nesse relacionamento, uma situação de atrito mais difícil de se resolver. Mas ela admite: “Houve um mal-estar profundo”.
Leia maisTeresa Leitão se refere à quase inédita situação na qual uma indicação do presidente da República para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado. Quando o Senado derrubou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, fez algo que só tinha acontecido antes em 1894, no governo Floriano Peixoto, o segundo e complicado presidente da República brasileira, que governou o tempo quase todo em Estado de Sítio, com poderes ditatoriais. Desde então, azedou o relacionamento Alcolumbre.
“Tenho trabalhado para resolver isso desde que assumi a liderança”, diz a líder do Governo. O Correio Político participou de entrevista com Teresa Leitão ao programa ‘Direto de Brasília’, do jornalista Magno Martins em parceria com a Folha de Pernambuco. E essas respostas são decorrentes das perguntas feitas por este colunista. “O presidente Lula teve um nome que não foi aprovado. Bola para a frente”, diz ela. O problema é tocar essa bola adiante, como a senadora deseja, com as pautas de interesse do governo.
“Davi Alcolumbre está muito visado, por conta do fim da 6×1”, entende Teresa Leitão. Para a líder do Governo, esse hoje é o ponto maior do conflito. O fim da escala de trabalho 6×1 é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua tentativa de reeleição. Passou com certa facilidade na Câmara dos Deputados, porque lá teve o apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O fim da 6×1, porém, empaca no Senado desde que lá chegou no dia 28 de maio. Nem enviada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a primeira etapa de tramitação, ela foi. Teresa Leitão ainda tinha esperança de ver o tema votado este semestre na CCJ. Não conseguiu. Esta sexta-feira (17) é o último dia antes do recesso.
Assim, ficará tudo para o próximo semestre, premido pelas eleições em outubro deste ano. O tempo será muito curto. O desejo do governo é conseguir aprovar o fim da 6×1 ainda em agosto, quando o Congresso retornar. Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige quórum qualificado e votação em dois turnos.
Se o Senado alterar alguma coisa no projeto, ele ainda terá de voltar para a Câmara. Apesar de tudo isso, Teresa Leitão evita aumentar o “mal estar” com Alcolumbre. “Posso me gabar de não ter recebido nenhum não de Alcolumbre até agora”, diz a líder do Governo. “Pautas têm sido acolhidas. Outras têm sido adiadas”, diz ela.
“Institucionalmente, as relações prosseguem”, afirma a senadora. “Se há algum atrito com o presidente Lula, o que não acredito, que tenha perdurado até hoje, isso pode ser resolvido”, prossegue. “Havendo problema, se o presidente Lula tiver que conversar com o presidente Alcolumbre, essa conversa haverá”, confia a líder do governo.
Teresa Leitão também relativiza o papel de Alcolumbre na aprovação da pauta-bomba da redução da aposentadoria dos agentes de saúde, aprovada na terça-feira (14). O Ministério da Fazenda calcula um impacto de R$ 27 bilhões no orçamento. Para a senadora, Alcolumbre não tinha saída, dada a pressão dos demais parlamentares.
Segundo a líder do governo, o presidente do Senado tinha sobre a sua mesa um requerimento assinado por 60 senadores pedindo a colocação do projeto na pauta. Segundo Teresa Leitão, o cálculo é mais do que simples. No total, são 81 senadores. “Ou seja, era pautar e votar”, diz ela. Só houve um voto contrário. O mal-estar entra em recesso.
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Por Zé Américo Silva*
O Congresso Nacional entra em recesso deixando uma impressão difícil de ignorar: quando se tratou de enfrentar os grandes problemas do país, faltou urgência; quando o assunto envolveu disputas políticas e projetos de elevado impacto sobre as contas públicas, a velocidade foi outra.
O Senado Federal nasceu para ser a Casa da prudência. Sua missão constitucional é revisar propostas, medir consequências e impedir que decisões tomadas sob pressão comprometam o futuro do Brasil. Nos últimos meses, porém, essa vocação parece ter sido substituída por outra lógica: a do cálculo político.
Leia maisO exemplo mais emblemático foi a aprovação da PEC da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O reconhecimento da importância desses profissionais é indiscutível. O problema nunca foi o mérito da categoria. O problema é criar despesas permanentes sem indicar, com clareza, quem pagará essa conta. O próprio governo alertou para o impacto orçamentário da medida antes da votação.
Enquanto isso, uma longa lista de temas diretamente ligados ao cotidiano da população foi empurrada para depois. A regulamentação da inteligência artificial, a atualização do limite do MEI, a PEC da Segurança Pública, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e outras matérias consideradas prioritárias permanecem sem conclusão.
O calendário agrava esse cenário. Com o recesso parlamentar e o avanço do período eleitoral, a tendência é que o funcionamento do Congresso seja reduzido nos próximos meses, concentrando votações em poucos períodos previamente marcados. Na prática, a campanha eleitoral passa a disputar espaço com a atividade legislativa justamente quando o país enfrenta desafios econômicos, fiscais e sociais que exigiriam atenção permanente.
É nesse contexto que cresce a responsabilidade política das presidências da Câmara e do Senado. São elas que definem prioridades, organizam a pauta e estabelecem o ritmo das votações. Quando projetos estruturantes permanecem parados enquanto matérias de elevado custo fiscal avançam, a sociedade tem o direito de questionar quais critérios estão orientando a agenda do Congresso.
A metáfora do ninho de cobras continua atual. Cada bote parece atender a um interesse específico. Um agrada determinada categoria. Outro atende um segmento organizado. Um terceiro rende dividendos políticos imediatos a este ou aquele grupo. Mas o veneno não fica restrito aos protagonistas da disputa em Brasília. Ele contamina as contas públicas, reduz a capacidade de investimento do Estado e enfraquece a confiança da sociedade nas instituições.
Há quem enxergue nessas decisões apenas vitórias ou derrotas do governo do momento. Essa é uma leitura estreita. Governos passam. As despesas permanentes permanecem. O desequilíbrio fiscal não escolhe partido nem ideologia. A conta chega para todos os brasileiros.
O mais preocupante é que o Congresso inicia o recesso transmitindo a sensação de que o interesse nacional pode esperar. O cidadão comum continuará enfrentando problemas de segurança, saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego, enquanto Brasília entra em modo de campanha.
A democracia pressupõe eleições. Mas pressupõe também responsabilidade institucional. O Parlamento não existe para funcionar apenas quando lhe convém politicamente. Existe para representar a sociedade todos os dias.
Quando o Congresso troca a agenda nacional pela agenda eleitoral, renuncia à missão que justificou sua própria existência: representar o interesse permanente da sociedade. O país entra em compasso de espera, mas seus problemas não. Eles continuam crescendo enquanto Brasília fecha as portas para o recesso e abre os palanques da campanha. Essa talvez seja a mais perversa de todas as pautas-bomba: a que explode contra o próprio Brasil.
*Jornalista e consultor de marketing político
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O ex-vice-prefeito de Jataúba, no Agreste de Pernambuco, Fábio Mamão, declarou apoio ao projeto de reeleição do deputado federal, Silvio Costa Filho. O anúncio reforça o movimento de ampliação das articulações políticas conduzidas por Silvio em diversas regiões do estado, consolidando novas alianças com lideranças municipais.
“Silvio Costa Filho é um político sério, acessível e que tem demonstrado competência e compromisso com Pernambuco. É uma liderança que sabe ouvir os municípios, trabalha pelo desenvolvimento e tem construído resultados importantes. Tenho convicção de que merece continuar esse trabalho e, por isso, declaro meu apoio ao seu projeto de reeleição”, afirmou Fábio Mamão. Para Silvio Costa Filho, o apoio representa mais um passo importante na construção de um projeto voltado ao fortalecimento dos municípios pernambucanos.
