Por Germana Macambira – Folha de Pernambuco
Cristiano Vasconcelos é bom de prosa. Não por acaso, é pernambucano e, portanto, o tom é de bate-papo, para assuntos sérios, inclusive. E o sotaque não nega as raízes – mesmo ele (quase) um carioca da gema, não no sentido genuíno da expressão, claro.
É que quando se trata de abraçar a cidade do Rio de Janeiro em causas artísticos-culturais, ele se torna nato. Diretor-executivo do Museu do Amanhã – equipamento gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão, o IDG, o mesmo à frente do Paço do Frevo, no Bairro do Recife.
Leia maisRecentemente ele assumiu também a diretoria do Museu do Jardim Botânico, espaço de importância indiscutível para a arte, mas também, decerto principalmente, para propósitos ambientais.
Assim como o equipamento da Praça Mauá e o Museu das Amazônias, em Belém (PA), o Museu do Jardim Botânico fecha a tríade de espaços geridos pelo IDG voltados para a ciência.
E é por lá que o moço “Leão do Norte” passa a dividir o seu tempo, com o mesmo e evidente desejo de torná-lo mais um destino de excelência a moradores e visitantes da ‘Cidade Maravilhosa’.
“A gente passa a ser um grupo de museus no Brasil voltado para a ciência (…) Vai tendo muita convergência e adensamento de saberes, o que contribui com a nossa gestão”, frisou Cristiano Vasconcelos, em conversa com a Folha de Pernambuco.
O Instituto, aliás, segue com a ideia de ampliar a gestão a outras localidades, com outros museus, conta Cristiano. “Várias experiências que estão dando certo no Museu do Amanhã estamos levando para o Jardim Botânico, e temos trazido também de lá para cá. Eu acho que o Instituto vem se consolidando como uma instituição de terceiro setor, uma OS (Organização Social), em formato de grupo”, salienta.
Independência
Como diretor, para além das incumbências inerentes à função, Cristiano Vasconcelos faz o papel de maestro, como ele mesmo denominou ao ser indagado sobre os próximos passos na nova empreitada.
Mas, assim como ocorre no Museu do Amanhã, no Jardim Botânico a independência curatorial o posiciona como líder que respeita a equipe. “A função de um diretor executivo é muito mais de maestro, do que efetivamente de entrar na curadoria. Tenho muito cuidado e zelo ao trabalho do curador”, ressalta ele, complementando sobre o limite de interferir nos planos do museu.
“As pessoas estão ali estudando, com dedicação à pesquisa. A instituição está estruturada e o que a gente faz é tentar otimizar as coisas”, pontua o diretor que, na plenitude dos seus trinta e poucos anos, admite felicidades de estar onde está, e fazendo o que faz em equipamentos culturais tão importantes quanto o Museu do Amanhã e agora o Museu do Jardim Botânico.
“A gente trabalha com uma coisa muito boa, né? Numa instituição com um propósito muito maneiro, com entregas significantes. O que a gente faz aqui é uma execução de uma política pública cultural, uma parceria com o Estado, com o Governo Federal”, enaltece o entusiasmado pernambucano, pronto para despedir-se da prosa e seguir para efetivar outros ideais certeiros, ora para o Museu do Amanhã, ora para a flora brasileira repousada no Jardim Botânico.
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