Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com a deputada federal e ex-senadora Heloísa Helena (Rede), clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com a deputada federal e ex-senadora Heloísa Helena (Rede), clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
Do UOL
Pesquisa CNT/MDA divulgada hoje, véspera do primeiro turno, aponta o presidente Lula (PT) líder com 47,8% dos votos válidos, contra 42,1% de Flávio Bolsonaro (PL).
Votos válidos são a métrica de contagem do resultado final do pleito pela Justiça Eleitoral. Eles excluem os brancos e nulos no dia do voto. No caso das pesquisas, essa conta também retira os indecisos.
Leia maisPrimeiro turno – votos válidos
• Lula (PT): 47,8%
• Flávio Bolsonaro (PL): 42,1%
• Augusto Cury (Avante): 3,6%
• Ronaldo Caiado (PSD): 3,4%
• Renan Santos (Missão): 1,7%
• Romeu Zema (Novo): 0,9%
• Demais candidatos: 0,6%
Pesquisa estimulada: quando é apresentada ao entrevistado uma lista com os nomes dos candidatos.
Primeiro turno – votos totais
• Lula (PT): 43,1%
• Flávio Bolsonaro (PL): 38,0%
• Augusto Cury (Avante): 3,2%
• Ronaldo Caiado (PSD): 3,0%
• Renan Santos (Missão): 1,5%
• Romeu Zema (Novo): 0,8%
• Demais candidatos: 0,5%
• Branco/Nulo: 5,0%
• Indecisos: 4,7%
Pesquisa estimulada: quando é apresentada ao entrevistado uma lista com os nomes dos candidatos.
Primeiro turno – espontânea – votos totais
• Lula (PT): 39,5%
• Flávio Bolsonaro (PL): 36,0%
• Augusto Cury (Avante): 2,1%
• Ronaldo Caiado (PSD): 2,0%
• Renan Santos (Missão): 1,0%
• Romeu Zema (Novo): 0,4%
• Demais candidatos: 0,2%
• Branco/Nulo: 5,3%
• Indecisos: 13,5%
Pesquisa espontânea: quando não é apresentada ao entrevistado uma lista com os nomes dos candidatos.
Segundo – votos totais
• Lula (PT): 47,3%
• Flávio Bolsonaro (PL): 43,1%
• Branco/Nulo: 7,6%
• Indecisos: 1,9%
Como foi feita a pesquisa
A 171ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião ouviu 2.007 pessoas entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, em todas as regiões do país. A coleta foi presencial, em domicílios e pontos de fluxo, segundo a CNT e o Instituto MDA Pesquisa.
A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04756/2026.
Leia menos
Um dia depois de perder a liminar na justiça eleitoral sobre a divulgação da Quaest (pesquisa divulgada e contratada pela TV Globo), a candidata Raquel Lyra (PSD) decidiu, neste sábado (3), entrar com um mandado de segurança para evitar a divulgação da nova rodada estadual. É a segunda vez consecutiva que a campanha da atual governadora tenta impedir que seja divulgado o resultado da pesquisa de opinião, devidamente registrada no Tribunal Regional Eleitoral.
O instituto é liderado pelo cientista político, estatístico, professor e pesquisador Felipe Nunes, amplamente conhecido como fundador e diretor-executivo (CEO) da Quaest. Ele é (Ph.D.) em Ciência Política pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. Nunes também é comentarista oficial da TV Globo sobre as eleições. A pesquisa deve ser divulgada às 18h deste sábado, antecipando a previsão para o resultado eleitoral de amanhã.
Do Poder360
Canadá, Alemanha, Reino Unido e Irlanda emitiram ou atualizaram alertas de viagem ao Brasil em razão das eleições, cujo 1º turno será neste domingo (4). Ontem (2), as embaixadas dos EUA e da Austrália suspenderam os serviços temporariamente.
Os avisos recomendam cautela com aglomerações, manifestações políticas e possíveis confrontos violentos. As páginas oficias das embaixadas foram atualizadas para incluir orientações específicas sobre o período eleitoral.
Leia maisA publicação do Canadá também menciona a decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares na Embaixada e nos consulados americanos no Brasil por questões de segurança.
O país mantém recomendação de “alto grau de cautela” ao país, classificação atribuída aos índices de criminalidade e à violência ligada a grupos criminosos. A orientação inclui ainda a instrução de evitar áreas de aglomeração e seguir determinações das autoridades locais.

A Alemanha atualizou seu aviso em 1º de outubro, e o Reino Unido, em 29 de setembro. Ambos destacam o risco de manifestações e confrontos violentos às vésperas do pleito. O alerta alemão considera a possibilidade de distúrbios em todo o território nacional e recomenda cautela em grandes cidades.

O comunicado britânico orienta viajantes a evitar comícios e a acompanhar a imprensa local.

A embaixada da Irlanda no Brasil também emitiu aviso ontem (2). O documento destaca a possibilidade de manifestações políticas e aumento do aparato de segurança durante o período eleitoral.

Operação da PF
A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar se há planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. As buscas foram realizadas depois do fechamento da Embaixada e de consulados no país. A operação é de natureza preventiva e faz parte de uma investigação sigilosa. A ação é fruto da cooperação permanente entre a Polícia Federal e agências de inteligência estrangeiras.
As investigações não identificaram elementos que confirmem os riscos inicialmente indicados. Também não foram identificados suspeitos de envolvimento com organizações criminosas.
Leia menos
Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2) revela a situação da disputa presidencial entre eleitores de Pernambuco no primeiro turno. No estado, o presidente Lula (PT) tem 61% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 25%.
O levantamento mostra uma oscilação positiva dos candidatos dentro da margem de erro, que neste caso é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Na última pesquisa, divulgada no dia 25 de setembro, Lula tinha 60%, enquanto Flávio tinha 24%. As informações são do Diário de Pernambuco.
Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) marcaram 3%. Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos, nulos e os eleitores que não pretendem votar em nenhum candidato somam 4% (eram 5%). Indecisos se mantiveram em 2%.
Foram entrevistadas 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro e o nível de confiança é de 95%. Os números de registro da pesquisa são PE-06822/2026 e BR-02676/2026.
O candidato a deputado federal Miguel Coelho, que foi preterido na disputa ao Senado pela governadora Raquel Lyra, que escolheu outros nomes, divulgou hoje, em suas redes sociais, a composição de sua chapinha para as eleições.
O que chama atenção é que, assim como a chapa da governadora Raquel Lyra, a de Miguel Coelho também não tem candidato a presidente da República.
Ironia do destino. E fica a curiosidade para saber como será o comportamento de Miguel no day after da eleição, a depender do resultado da disputa presidencial.
Conhecendo bem, como todos conhecem, a família Coelho, é óbvio que, se der Lula amanhã, eles vão jurar amor, como já fizeram no passado, e depois vão traí-lo. Se der Flávio Bolsonaro, também será a mesma coisa. É o DNA da família.
O candidato João Campos (PSB) anunciou, na manhã deste sábado (3), que seu primeiro ato como governador será revogar o reajuste da conta de água previsto para novembro. Segundo o líder da Frente Popular de Pernambuco, a medida se justifica pelo fato de os contratos com as concessionárias terem sido assinados há menos de seis meses e de o serviço que ficará a cargo delas ainda não ter sido plenamente assumido. A concessão da distribuição de água e da coleta e tratamento de esgoto foi feita pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) e terá, logo depois das eleições, seu primeiro reajuste, levando em conta a inflação acumulada de quase três anos.
“Como é que um contrato assinado em abril já vai ter aumento de conta em novembro? Você já viu aluguel ter reajuste em menos de um ano? Não. Por que reajustar a inflação de três anos em seis meses? A empresa sequer começou a operar e a conta já vai aumentar. Como governador, eu vou barrar esse reajuste da água. Já analisei com a equipe jurídica e há espaço para fazer isso. Eu quero água na torneira das pessoas com preço justo. E nós vamos fazer isso acontecer”, disse João.
O candidato disse que, se eleito, ainda no período de transição, já começará a trabalhar nas negociações para evitar que o aumento da conta de água aconteça em novembro deste ano. João assegurou que, se o reajuste não for evitado por Raquel Lyra no fim da gestão dela, ele próprio revogará o aumento em janeiro de 2027, quando for chefe do Poder Executivo estadual. O compromisso de João Campos leva em conta um universo de oito milhões de consumidores. Ao longo da campanha, o líder da Frente Popular também já havia assumido a proposta de zerar a conta de água de quem está na tarifa social e não recebe água de forma regular em seus domicílios.
O contrato com a Vita Sertão, que ficou responsável pelo serviço na maior parte do Sertão, foi assinado em 7 de abril deste ano. Já o consórcio Pernambuco Saneamento, composto pelas empresas BRK e Acciona e que assumirá um lote composto por municípios do Grande Recife, do Agreste e do Sertão do Pajeú, oficializou o vínculo com o Governo do Estado em 29 de abril, também há menos de seis meses. A previsão é de que a operação dos serviços comece em outubro. Já para novembro, depois das eleições, está previsto um grande reajuste, equivalente à inflação acumulada desde setembro de 2023.
Por Gastão Cerquinha Neto*
Quando falamos sobre as mudanças climáticas, é comum pensarmos primeiro nos impactos mais visíveis: inundações, secas, incêndios florestais, deslizamentos de encostas, ondas de calor e outros eventos extremos. Nos preocupamos com as vidas perdidas, nas famílias que precisam deixar suas casas e nos prejuízos econômicos causados por esses acontecimentos.
Mas existe outro impacto, menos visível, que também merece atenção: o efeito das mudanças climáticas sobre a forma como nos sentimos e enxergamos o futuro. As pessoas estão preocupadas com o caminho que estamos percorrendo e com a saúde do planeta. A repetição de eventos extremos e a percepção de que eles podem se tornar mais frequentes ou intensos despertam sentimentos de medo, estresse, raiva, tristeza e impotência.
Leia maisÉ nesse contexto que surge a chamada ecoansiedade, também conhecida como ansiedade climática. Quando esses sentimentos aparecem de maneira mais moderada, alguns autores também utilizam expressões como ecossensibilidade ou ecorrealismo, destacando que se preocupar com uma ameaça real não significa, necessariamente, estar diante de uma doença.
Quando a chuva deixa de ser apenas chuva
Ao primeiro sinal de chuva, famílias que já foram atingidas podem reviver o medo de precisar deixar suas casas. Volta a preocupação com os móveis, os documentos, os animais de estimação e tudo aquilo que foi construído ao longo de anos. Em situações mais graves, existe também o medo de perder a própria casa ou de colocar a vida em risco.
Isso ajuda a entender por que os efeitos de um desastre não terminam necessariamente quando a água baixa, o incêndio é controlado ou a situação volta aparentemente ao normal. A experiência permanece na memória de quem viveu aquele momento.
Há ainda uma característica do nosso tempo que amplia essa percepção. Hoje, não somos expostos apenas aos eventos que acontecem perto de nós. Pela televisão e, principalmente, pelas redes sociais, acompanhamos quase em tempo real inundações em uma cidade, incêndios florestais em outro país, secas severas, ondas de calor e populações inteiras afetadas por desastres. Vemos o que está acontecendo em diferentes partes do planeta e percebemos que esses problemas não estão tão distantes quanto pareciam.
Os jovens e o medo do futuro
Essa preocupação merece atenção especial entre crianças, adolescentes e jovens. Para eles, as mudanças climáticas não representam apenas um problema do presente. Elas também levantam perguntas sobre o mundo em que viverão nas próximas décadas.
Como estarão nossas cidades? Haverá água suficiente? Os eventos extremos serão mais frequentes? Minha família estará segura? O lugar onde vivo continuará sendo adequado para morar?
São preocupações que podem aumentar a carga emocional associada às mudanças climáticas e às incertezas sobre o futuro. Muitas vezes, o medo não é apenas por si próprio, mas também pelos pais, familiares, amigos e pela comunidade onde vivem.
Isso não significa, entretanto, que toda preocupação com o clima seja necessariamente ruim.
A preocupação também pode nos levar à ação
Em muitos casos, a ecoansiedade pode ter um caráter adaptativo. Em outras palavras, perceber uma ameaça pode nos motivar a procurar informações, mudar comportamentos, cobrar soluções e nos preparar melhor para aquilo que poderá acontecer. E é justamente aí que existe um caminho importante para transformar a preocupação em ação: conhecimento e adaptação.
Entender como uma inundação acontece, conhecer as áreas mais vulneráveis da cidade, compreender os alertas meteorológicos, saber quais atitudes tomar diante de uma emergência e conhecer as medidas que podem reduzir os riscos ajudam a diminuir a sensação de impotência. A informação não elimina o risco, mas pode fazer com que nos sintamos menos vulneráveis e mais preparados.
Da mesma forma, compreender as mudanças climáticas nos ajuda a perceber que nossas cidades também precisam mudar. Precisamos ampliar áreas verdes e permeáveis, recuperar rios e córregos, melhorar os sistemas de drenagem, proteger áreas vulneráveis, criar espaços capazes de armazenar temporariamente a água da chuva e preparar a população para situações extremas.
Não podemos controlar a chuva, impedir uma onda de calor ou simplesmente fazer desaparecer uma seca. Mas podemos transformar a maneira como ocupamos, planejamos e adaptamos nossas cidades.
Da ansiedade para a transformação
A ecoansiedade, portanto, pode ser entendida como uma reação emocional compreensível diante de um problema que é real. Ela pode atingir jovens e adultos e surgir justamente da percepção de que o clima está mudando e de que essas mudanças podem afetar nossa vida, nossas famílias e os lugares onde vivemos.
A ecoansiedade, por si só, não é considerada uma condição de saúde mental. Isso não significa, porém, que seus efeitos devam ser ignorados. Quando o medo e a preocupação passam a ocupar grande parte do cotidiano, prejudicando o sono, a concentração, os estudos, o trabalho ou as relações pessoais, é importante procurar ajuda profissional.
Ao mesmo tempo, é importante compreender que sentir preocupação com o futuro pode também ser um convite para participar da construção desse futuro. Conhecer os riscos, preparar nossas cidades, reduzir vulnerabilidades e adaptar os lugares onde vivemos são formas concretas de responder às mudanças que já estamos observando.
Talvez não seja possível eliminar completamente a ansiedade diante de um futuro climático incerto. Mas podemos substituir parte da sensação de impotência por informação, preparação e ação. E, quando falamos de água, cidade e futuro, adaptar nossas cidades não significa apenas construir lugares mais resistentes às mudanças climáticas. Significa também construir lugares onde as pessoas possam se sentir mais seguras para viver o presente e imaginar o futuro.

*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
Leia menos
Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Antes de votar amanhã, pense. Você acha que está tudo fora do lugar, mas onde está escrito que o Brasil tinha de dar certo? No livro de Stefan Zweig, “Brasil, País do Futuro”? Ali não foi registrada previsão, mas mera possibilidade.
O Brasil trata mal seu povo desde 1500. O conceito de nação e de povo nunca existiu de fato e, mesmo depois da Independência, demorou a aparecer. Enquanto o Peru inaugurou a Universidade de San Marcos em 1551, a Faculdade de Direito do Recife é de 1827 e a Universidade do Paraná, a primeira do Brasil, nasceu em 1912.
Leia maisStefan Zweig, escritor austríaco refugiado do nazismo, encontrou no Brasil de Getúlio Vargas o que chamou de país do futuro, porque o presente do Estado Novo era duro de digerir. Ficou encantado com o Rio e com brasileiro cordial, ironia de Sérgio Buarque de Holanda, e terminou seus dias em Petrópolis, no verão de 1942.
O Brasil está prestes a virar um país de velhos. Pior: de velhos pobres e ignorantes, totalmente dependentes do Estado e sem nunca terem experimentado riqueza. Eleitores com 60 anos ou mais já são 23%. Em 2030, serão 30% e poderão decidir a eleição. Qual será a escolha deles? Seguiremos assim, nas nossas lendas, nesse nosso estilo de nunca perder a oportunidade de perder uma oportunidade?
Se em pouco tempo poderão decidir as eleições, temem a ousadia, justamente por serem velhos. Mas não avançaremos sem ousadia. Diferentemente disso, retrocederemos. Pense nisso quando for votar amanhã.
Qual nosso projeto de nação? Para onde vamos? Quem tem projeto de Brasil para apresentar ao respeitável público? Meu amigo Aldo Rebelo? Ou ele se inspira no projeto de José Bonifácio, patriarca da Independência, esquecido, cancelado, escondido nalguma gaveta da História?
O Brasil nasceu como território a ser ocupado e explorado. Até o nome veio de mercadoria: a madeira, matéria-prima da tinta vermelha para tingir tecidos. Depois vieram o açúcar, o ouro e os diamantes de Minas. A borracha ergueu palácios e o teatro de ópera em Manaus para logo decair. Café, minério de ferro, soja e petróleo abundante. Sem refinarias para transformar este último em diesel e gasolina, é vendido e volta como combustível.
Agora, são as terras-raras. O Brasil tem a segunda maior reserva do planeta. Mas sua produção não é nada diante do total mundial. O filme é conhecido: extrair minério, embarcá-lo e depois importar componentes, equipamentos e produtos de alto valor agregado fabricados a partir da matéria-prima por nós vendida.
Mudam os produtos, os compradores, os contratos e as tecnologias. Permanece a imensa incapacidade, bem brasileira, de transformar abundância de recursos naturais em conhecimento, produtividade e prosperidade.
Seria fake news dizer que nada mudou desde 1500. Mudou e muito. O Brasil fez agricultura de alta tecnologia, indústria complexa, sistema financeiro de primeira, universidades, centros de pesquisa e empresas capazes de competir internacionalmente. O difícil tem sido converter riqueza, escala econômica e capacidade produtiva em capital humano, mobilidade social e qualidade de vida para a maioria.
A Amazônia talvez seja o pior retrato dessa contradição. Mais de 75% da população não tem saneamento básico. Durante décadas, nos vendemos ao mundo como guardiães da maior floresta tropical do planeta. Tudo espuma.
Hoje, quem manda na Amazônia é o crime. Dos narcos aos contrabandistas de tudo o que possa valer dinheiro. Desde gente até pedras preciosas, animais, plantas e madeira. E, pasmem, há locais onde nem o Exército entra; só as ONGs. Soberania é presença, discurso some no vento.
É possível o país dar certo se a maioria da população é incapaz de fazer corretamente as quatro operações ou passar num simples teste de ditado? Enquanto isso, o debate sobre a qualidade do ensino é diluído por disputas ideológicas, salários medíocres, greves, modelos pedagógicos e outras bobagens incapazes de tirar a educação do atoleiro. Pense nisso quando for votar amanhã.
País sem educação está condenado a viver na escuridão. A produtividade, pilar da prosperidade, cresce muito pouco por falta de capacitação dos trabalhadores. E não existe minério capaz de compensar indefinidamente população mal-educada. Não há terra-rara que substitua capital humano. No século 21, o conhecimento é a maior riqueza. E a ignorância, a maior das misérias.
O custo da ignorância é o Estado capturado por corporações improdutivas, incapazes de criar emprego e renda, mas muito bem sustentadas pelos impostos. Sem um voto sequer, mandam e desmandam em tudo e todos.
No Brasil, há sempre umas forças ocultas para levar a culpa. O colonizador, o imperialismo, o mercado, as elites, o Congresso, o Supremo, o governo anterior, os Estados Unidos, a China e a conjuntura internacional. O político culpa o antecessor. O empresário culpa o governo. O governo culpa o mercado. O mercado culpa a insegurança jurídica. O eleitor culpa o político que ele próprio ajudou a eleger. São muitos e criativos álibis. Enquanto isso, a burocracia mata o empreendedor com tributos escorchantes e faz o país arrecadar como Europa e entregar como África. É o pior dos mundos.
Mas, afinal, o que significa dar certo? Dar certo não é ser a oitava, nona ou décima economia do planeta. Dar certo é quando não há criança sem escola nem escola sem criança, quando a lei funciona para o poderoso e para o motoboy, quando o pagador de impostos pode andar na rua sem medo, a qualquer hora, com ou sem celular e quando o Estado devolve em serviços, eficiência e obras de qualidade o que arrecadou. E, principalmente, quando os governantes entendem que seu papel principal é não roubar, não deixar roubar e pôr na cadeia quem rouba.
O mundo está cheio de países ricos em recursos naturais e pobres em instituições. Esses são os eternos fracassados. Os que deram certo fizeram o dever de casa.
Zweig, tão grato pela acolhida, morreu no seu país do futuro encharcado de barbitúrico, numa noite de verão, abraçado a Lotta, amor da sua vida, companheira na viagem para a eternidade. E o Brasil do futuro virou devedor de si mesmo.
Leia menos
A campanha de reeleição de Raquel Lyra (PSD) acaba de sofrer o seu mais duro revés institucional. Se o escândalo da laqueadura forçada já havia aberto uma fissura profunda na imagem da governadora, as conclusões da Polícia Federal enviadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ontem (2), transportam a crise do suposto “gabinete do ódio” para o terreno do crime comum e eleitoral. Aí vem o pior: é a própria chefe do Executivo quem aparece no centro do furacão.
Não se trata mais de especulação de bastidor ou retórica de oposição. O relatório da PF aponta formalmente indícios de envolvimento direto da governadora em crimes de associação criminosa, peculato e desvio de verbas públicas para alimentar uma estrutura clandestina de difamação digital: o já batizado “gabinete do ódio” pernambucano.
Leia maisO detalhe técnico revelado pela perícia é demolidor: postagens dos perfis de ataque e publicações da conta oficial de Raquel Lyra compartilhavam o mesmo endereço IP, registrado em nome de uma autarquia estadual de tecnologia da informação. A máquina pública, ao que tudo indica, operava na mesma tomada que a guerrilha digital para atacar adversários.
Politicamente, o impacto é devastador. Ao longo de seu mandato, Lyra tentou se equilibrar como uma figura de centro, técnica e avessa aos excessos da polarização. No entanto, o despacho do ministro Edson Fachin expõe uma engrenagem que a contradiz: o uso de contratos de publicidade estatal para financiar redes coordenadas de desinformação com o objetivo explícito de emparedar adversários políticos, em especial João Campos, seu adversário direto nessas eleições.
Ao somar o peso moral do episódio da laqueadura compulsória à gravidade jurídica de uma investigação no STJ por desvio de recursos públicos e associação criminosa, com forte apuração da PF, a governadora perde a iniciativa do debate. A tentativa de sufocar a CPI na Assembleia Legislativa em 2025, longe de estancar a sangria, apenas adiou uma cobrança que agora retorna endossada pela autoridade máxima do Judiciário.
Para Raquel Lyra, a disputa eleitoral deixa de ser uma batalha de entregas administrativas para se tornar uma luta de contenção de danos e sobrevivência jurídica. Em política, um escândalo pode ser atribuído a acidentes de percurso; dois, com essa magnitude, desenham um padrão difícil de explicar ao eleitor.
Leia menos
A governadora Raquel Lyra (PSD) já afirmou que trabalha para garantir “vez e voz” às mulheres. Mas quando uma mulher chegou à presidência da Associação dos Peritos Papiloscopistas Policiais Civis de Pernambuco (ASPPAPE), um direito que já havia sido concedido em situações anteriores foi negado pelo Governo de Pernambuco e precisou ser levado à Justiça.
“Eu sempre trabalhei como mulher que sou, especialmente para que as mulheres possam ter direito a vez e voz.” A frase é da governadora Raquel Lyra e ganha um significado particular diante de um episódio envolvendo a ASPPAPE.
Em 2025, Pollyanna da Silva Marinho foi eleita presidente da ASPPAPE, inaugurando uma nova realidade na entidade, que passou a ser comandada por uma mulher. Com a posse, requereu ao Governo de Pernambuco a licença remunerada para o exercício do mandato classista, direito previsto na legislação estadual.
A resposta, porém, foi negativa. A Secretaria de Administração indeferiu o pedido sob o argumento de que os Peritos Papiloscopistas já seriam representados sindicalmente pelo SINPOL. A negativa atingiu diretamente o exercício do mandato para o qual Pollyanna havia sido eleita e levou a ASPPAPE à Justiça.
O contraste chama atenção porque, segundo a própria entidade, em situações anteriores o Governo havia concedido licença para o exercício de mandato classista quando a presidência da associação estava nas mãos de homens. A mudança ocorreu justamente quando a ASPPAPE passou a ser dirigida por uma mulher.
A pergunta, portanto, é inevitável: o que mudou? Não mudou a existência da ASPPAPE. Não mudou a legislação que assegura a licença para o exercício de mandato classista. Não mudou a condição funcional dos Peritos Papiloscopistas.
Mudou a composição da liderança da entidade. Diante da negativa administrativa, a questão foi submetida ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. E foi justamente a Justiça que reconheceu o direito de Pollyanna à licença remunerada para o exercício da presidência da ASPPAPE.
Em decisão unânime, a Seção de Direito Público do TJPE concedeu a segurança e assegurou à presidente da entidade o direito à licença, sem prejuízo da remuneração, dos direitos e das vantagens funcionais. O julgamento também afastou, na aplicação da legislação ao caso, a interpretação utilizada pelo Estado para impedir a licença em razão da representação sindical exercida pelo SINPOL. O próprio processo registra que o Estado sustentava a impossibilidade da licença justamente por essa razão.
Para a ASPPAPE, o episódio ultrapassa a discussão sobre uma licença funcional. É sobre representatividade. É sobre igualdade de tratamento. E é sobre a diferença entre defender a participação das mulheres no discurso e assegurar, na prática, que uma mulher possa exercer plenamente o espaço de liderança que conquistou pelo voto da própria categoria.
A frase da governadora — “vez e voz para as mulheres” — permanece. O que o episódio deixa é uma questão para reflexão: quando uma mulher ocupa efetivamente um espaço de poder e representação, essa “vez e voz” também será respeitada na prática?
No caso da presidente da ASPPAPE, foi necessário recorrer ao Poder Judiciário para que um direito que havia sido negado pelo Governo fosse reconhecido. E foi assim que a discussão sobre a licença classista acabou se transformando em uma discussão maior: qual é o espaço efetivamente reservado às mulheres quando elas deixam de ser apenas representadas e passam a ocupar a liderança?
As últimas pesquisas eleitorais antes do primeiro turno das eleições de 2026 saem neste sábado (3), véspera da votação, marcada para amanhã (4). Serão divulgadas, no final do dia, novas rodadas do Datafolha e da Quaest. A rodada mais recente da pesquisa Datafolha para o Governo de Pernambuco, divulgada na última quinta-feira (1º), aponta a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) com 46% das intenções de voto, enquanto João Campos (PSB) soma 44% do total na consulta estimulada para o primeiro turno.
A Coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) a impugnação da pesquisa Quaest com as intenções de voto para o governo do estado, prevista para este sábado (3). As informações são do Diário de Pernambuco.
Leia maisO candidato Ivan Moraes (PSOL) somou 2% na pesquisa atual (antes, tinha 1%), enquanto Renan Hallais (Missão), registrou 1% (antes, não havia pontuado). Professora Camila (UP), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) não pontuaram. Brancos, nulos e pessoas que não devem votar permanece em 4%, enquanto indecisos foram 3% (antes, eram 2%).
Nos votos válidos, Raquel Lyra ficou com 50% (antes, 51%), enquanto João Campos marcou 47% (antes, tinha 46%). Ivan Moraes somou 2% (antes, 1%) e Renan Hallais se manteve com 1% do total. Os demais candidatos não pontuaram.
Já no segundo turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) obteve 50% das intenções de voto na disputa pelo governo de Pernambuco, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) tem 46%. Ambos estão em um cenário de empate técnico.
Entrevistados que responderam que vão votar em branco, nulo ou nenhum dos candidatos citados permaneceram com 3%. O número de indecisos se manteve em 1%.
Confira as demais pesquisas para o Governo de Pernambuco antes do 1º turno
• AtlasIntel – PE-08717/2026
• Quaest – PE-09665/2026
• Simplex – PE-04463/2026
Por Anthony Santana
Do Blog da Folha
No último dia permitido pela legislação eleitoral para a campanha de rua, os dois principais candidatos ao governo de Pernambuco apostam todas as fichas na Região Metropolitana do Recife.
Considerada estratégica para a disputa, a região será o principal território das agendas dos candidatos, que intensificam a mobilização na reta final em busca dos votos dos eleitores indecisos e daqueles que ainda podem mudar de posição.
Leia maisTrata-se da última oportunidade para ampliar a ofensiva nas ruas, conquistar votos e tentar chegar às urnas com uma vantagem construída até o último minuto da campanha. A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) passa pela capital, por Jaboatão dos Guararapes, Moreno, e encerra a agenda em Caruaru, no Agreste. O candidato do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, também vai circular por Recife e Jaboatão, incluindo Olinda na rota.
Comparação
Raquel Lyra inicia os compromissos às 9h, com carreata que começa no bairro de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e adentra pelo Recife, com previsão de encerramento no bairro do Pina. Em seguida, a gestora vai ao município de Moreno, também na região metropolitana, onde comanda outra carreata a partir das 13h30.
Às 18h, a gestora inicia, em Caruaru, o último compromisso da campanha eleitoral antes do primeiro turno da eleição, amanhã (4). A cidade é base política da governadora, que já enfrentou, no município, outras cinco eleições em que saiu vitoriosa, incluindo duas para a Prefeitura de Caruaru, e a última para o governo de Pernambuco, em 2022.
Ainda na sexta, a pessedista realizou panfletagem no bairro da Imbiribeira, Zona Sul do Recife. Ela também esteve nos bairros das Graças, Encruzilhada, Aflitos, Ibura, Jardim São Paulo e Afogados. Em empate técnico com o principal opositor, Raquel Lyra aposta na comparação com o governo anterior para garantir votos.
“O eleitor tem uma decisão pela frente. Pode optar por uma governadora que está trabalhando muito, que entregou, que pegou uma casa desarrumada, mas garantiu investimentos, em três anos e meio, maiores em todas as áreas do que os oito anos do governo anterior”, declarou durante ato na Imbiribeira.
Indecisos
Já o candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos, começa o dia de agendas pela Zona Norte da capital pernambucana, que governou por dois mandatos, até se afastar no início do ano, para disputar o comando do estado. A carreata sairá do Córrego do Jenipapo às 9h e deve seguir até a cidade de Olinda. A segunda e última parte da agenda vai contemplar a Zona Sul, iniciando o percurso no Jardim Jordão, às 15h30, seguindo para Jaboatão dos Guararapes.
Na reta final para a eleição, o socialista cumpriu agendas, na sexta, no bairro da Joana Bezerra, no Recife, e depois passou, em carreata, pelas cidades de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Camaragibe e encerrou na Zona Oeste da capital.
No primeiro compromisso, Campos fez balanço positivo da campanha e dirigiu mensagem direta aos indecisos. “A gente chega na reta final da campanha feliz e animado, (pois) fizemos a melhor campanha, com mais propostas. (…) Para você que está indeciso, pode ter certeza que vocês vão ter um cara que vai dedicar a vida a Pernambuco. Assim como fiz para o Recife vamos fazer pelo estado”, prometeu.
Peso
A concentração das agendas na Região Metropolitana do Recife não ocorre apenas pelo peso eleitoral da região. Segundo o cientista político Isaac Luna, é também na área que se encontra uma parcela importante dos eleitores que ainda podem definir ou mudar o voto.
“Do ponto de vista matemático, a Região Metropolitana tem um peso inegável. E como também a maior parte de indecisos está na Região Metropolitana, as candidaturas e campanhas intensificaram agora lá para tentar convencer esse eleitor que tá indeciso”, afirmou.
O especialista ainda avaliou que a estratégia das carreatas passarem por diversos pontos da RMR tem o poder de conquistar eleitores pela “expectativa de vitória”, que pode ser demonstrada pelo volume dos atos.
“Esse último ato de campanha é um ato de reafirmação do volume da força da candidatura. E é também um momento simbólico de chamar a atenção pela última vez do eleitor, de tentar conquistar o voto de quem tá indeciso ou até de virar algum voto por conta dessa expectativa de vitória”, pontuou Isaac Luna.
Leia menos