O vale-tudo de Lula
Povo nas ruas, um Lula que aderiu até às selfies, agressões duras a Flávio Bolsonaro, o presidente Lula, o PT e a militância entraram no jogo do tudo ou nada depois das primeiras pesquisas de intenção de voto na corrida ao Planalto apontando o candidato do PL na dianteira.
Fui rever as últimas eleições presidenciais no Brasil e constatei, via pesquisas, que desde a redemocratização nunca um candidato que passou ao segundo turno em desvantagem conseguiu virar o jogo e sair vitorioso da disputa presidencial.
Leia maisMas também nunca foi tão apertada a distância entre os dois postulantes mais bem votados na primeira volta: apenas 1,87 ponto percentual separa os 47,03% de votos válidos do senador Flávio Bolsonaro (PL) dos 45,16% do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obtidos no último domingo.
Na pesquisa Datafolha divulgada ontem, a primeira de segundo turno desde então, os dois somaram 52% e 48%, respectivamente. Logo após o resultado das urnas, a vantagem do nome do PL acendeu alerta máximo na campanha petista.
Depois de medidas tomadas às vésperas da eleição, como o fim das bets e o reajuste no Bolsa Família, não terem sido suficientes para alcançar a liderança, Lula reuniu seus aliados, convocou jovens parlamentares da esquerda eleitos pelo Brasil e apostou no aumento da rejeição do rival com vídeos curtos para as redes sociais, seara na qual o presidente pouco mergulhara até agora.
Mas, de zero a dez, qual a chance de Lula reverter o cenário contra Flávio no segundo turno? O antipetismo é maior do que Flávio e dá ao senador o favoritismo. Lula tem chance se a eleição deixar de ser um plebiscito sobre o PT e virar uma comparação sobre a vida real.
A escala 6×1 fala com quem quer tempo para viver, mas Flávio tem vantagem na segurança. A virada exige mais do que lembrar o passado: depende de o eleitor enxergar quem pode organizar melhor a vida futura. Antipetismo é sentimento. Escala 6×1 é vida concreta.
CHANCES EM 30% – As chances de Lula reverter a derrota no primeiro turno são de cerca de 30%, segundo analistas políticos ouvidos pelo jornal O Globo. Por um lado, segundo eles, “nunca um derrotado no primeiro turno reverteu no segundo. Por outro, os padrões de antes de 2018 não parecem valer para o novo mundo em que vivemos. Lula precisaria mudar a direção da campanha e ganhar tração — possível, mas improvável”.

Medidas de efeitos duvidosos – No mesmo jogo do tudo ou nada, o governo Lula (PT) anunciou, ontem, a renovação e a ampliação da desoneração de impostos federais sobre etanol e gasolina e a criação de uma subvenção exclusiva à importação do diesel, faltando 16 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. A medida zera os impostos federais sobre a gasolina (R$ 0,89/litro), renova o subsídio do etanol anunciado em setembro (R$ 0,19/litro) e acrescenta a subvenção à importação do óleo diesel (R$ 1,40/litro). Para garantir o diferencial competitivo do etanol, o governo também ampliou a subvenção para produtores do combustível, com custo de R$ 800 milhões.
Em alta após pesquisa – A Bolsa brasileira está em alta desde ontem e renovou o recorde intradiário ao atingir a máxima de 209.713 pontos. O recorde anterior havia sido registrado na última segunda-feira, quando o Ibovespa chegou aos 209.605 pontos, no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula (PT). A alta de ontem também reflete a repercussão do cenário eleitoral. Na véspera, a primeira pesquisa Datafolha feita após a definição da disputa de segundo turno mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% do presidente Lula. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição.
A guerra paulista – De um lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), passaram a primeira semana após o primeiro turno empenhados na reta final da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Do outro, o PT redefiniu a estratégia após a derrota de Fernando Haddad (PT) para Tarcísio e retornou às ruas ontem para começar, do zero, uma nova campanha pelo presidente Lula (PT) no maior colégio eleitoral do país. No primeiro turno, Flávio teve 51,93% dos votos válidos no Estado de São Paulo, contra 38,20% do petista. Já na capital paulista, maior cidade do país, o petista alcançou 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% do rival.

Reconstrução da Federal – A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou, ontem, durante visita à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um aporte emergencial de R$ 40 milhões para a recomposição dos equipamentos destruídos pelo incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na última quarta-feira. O montante se soma aos recursos divulgados, ontem, pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que confirmou a liberação de cerca de R$ 100 milhões para a construção de um novo edifício e ações de reconstrução no campus. “Essa é uma ajuda emergencial. Junto ao que o ministro da Educação relatou ontem, vamos somar esforços para atender a outras necessidades. Concomitantemente, a equipe do reitor Alfredo Gomes está reunida fazendo levantamentos, de modo que possamos, da maneira mais célere possível, garantir a retomada plena das atividades de pesquisa e desenvolvimento que existiam aqui”, afirmou Luciana.
CURTAS
EM CARUARU – Na noite da última quinta-feira, um incêndio atingiu uma área de vegetação no entorno do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), o acionamento ocorreu ainda na noite da quinta. Ao chegar ao local, a equipe constatou que os próprios funcionários da instituição haviam controlado o princípio de incêndio.
LACERDA – “Troquem o presidente pelo governador e vocês entenderão como me sinto”, escreveu o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), reproduzindo um sentimento de Carlos Lacerda ao falar sobre a sua derrota na Justiça Eleitoral para o governador eleito com a anulação dos votos de Anthony Garotinho, Douglas Ruas (PL).
BOLSA MANTIDO – No dia seguinte à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que beneficiou a eleição de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno no Rio, o governador esteve ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) numa reunião com políticos fluminenses na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. O encontro, que começou ao meio-dia de ontem, contou com a presença de dezenas de apoiadores e correligionários, como Netinho Reis (MDB), prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que fez campanha para Eduardo Paes (PSD), mas apoia o senador à presidência. Na saída do evento, Flávio negou que tenha intenção de acabar com o Bolsa Família.
Perguntar não ofende: Lula vai reagir ou a eleição está decidida?
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