Miguel não tem respaldo da federação
Com quem conversou reservadamente em Araripina na última quarta-feira, quando esteve na abertura oficial dos festejos juninos do município, a governadora Raquel Lyra (PSD) sinalizou que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), estará na sua chapa como candidato ao Senado ao lado de Túlio Gadelha (PSD), já escolhido, mas também não oficializado.
A decisão, se confirmada, não terá o respaldo da Federação Progressista, formada pelo União Brasil e PP, que tem como presidente o deputado federal Eduardo da Fonte (PP). Dudu da Fonte, como é mais conhecido, aliás, marcou para o próximo dia 29 a deliberação da federação, da qual tem o controle absoluto, por ter a maioria dos seus integrantes no Estado.
Leia maisNo encontro do dia 29, no Recife, sairá a indicação de Dudu como o candidato ao Senado pela federação. Se a governadora não aceitar, perderá, consequentemente, o apoio formal da federação. Isso implica danos para a governadora, que perderá tempo de TV na propaganda oficial e muito dinheiro do fundo eleitoral.
Raquel nunca imaginou tamanho abacaxi para descascar. Dudu e o conjunto da Federação Progressista não apoiam Miguel em hipótese alguma. O ex-prefeito de Petrolina tem dito que a decisão soberana caberá à executiva nacional da federação, cujo controle está dividido entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, presidente do UB.
Ciro e Rueda andam superafinados, e o que se diz em Brasília é que não vão interferir em Pernambuco, em respeito ao acordo nacional pelo qual quem tiver a maioria na formação da federação tem autonomia para decidir, o que favorece Dudu da Fonte.
Dudu tem dez deputados estaduais e dois federais, enquanto Miguel conta apenas com um federal e um estadual, respectivamente os irmãos Fernando Filho e Antônio Coelho. Se Raquel, portanto, contrariar essa lógica numérica, pode dar um tiro no próprio pé.

FAVAS CONTADAS – O que se ouve nos bastidores é que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), já estaria escolhido como o segundo candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), ao lado de Túlio Gadelha (PSD). E que só não foi ainda anunciado porque a governadora aguarda o respaldo da Federação Progressista, que não terá, segundo uma fonte bem próxima ao presidente estadual da federação, Dudu da Fonte. “Ela me confessou que o segundo candidato será Miguel”, disse um parlamentar da base governista com trânsito fácil no Palácio do Campo das Princesas.
O bicho vai pegar – Ouvido, ontem, pelo blog, o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel (PSD), torceu o nariz para uma possível escolha de Miguel Coelho ao Senado. “Não creio que a governadora passe por cima de uma decisão da Federação Progressista (PP-UB), que tem convocação do seu conjunto de deliberação para o dia 29. Vou esperar até lá”, disse. Adversário figadal dos Coelho, Pimentel não tem o menor entusiasmo pela candidatura de Miguel. “Miguel foi extremamente deselegante comigo e com Socorro”, afirmou Pimentel, referindo-se também à sua esposa, deputada estadual e candidata a federal. Se Raquel optar por Miguel, Pimentel só vai se pronunciar após a confirmação.
Prefeito à espera da definição – Quem também aguarda uma posição de Raquel sobre essa novela mexicana em que se transformou a escolha dos candidatos ao Senado em sua chapa é o prefeito de Araripina, Evilásio Mateus (PDT), que está sendo fortemente pressionado pela família Coelho para apoiar a reeleição da governadora. “Eu dependo dos Coelho. O grupo liberou R$ 10 milhões em emendas federais para Araripina por meio do deputado Fernando Filho”, disse o gestor, que na última quarta-feira recebeu a governadora em seu camarote na abertura oficial dos festejos juninos do município, mas não se rendeu às pressões. “Se ela confirmar Miguel, terá o meu apoio”, afirmou.
Reação do governo – A revelação da PF de que o senador Jaques Wagner, líder do governo, foi “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master não deve mudar, ao menos por enquanto, os planos da comunicação de Lula para a campanha eleitoral. O argumento repetido por petistas é o de que Jaques Wagner não disputa a Presidência da República e o principal opositor de Lula, Flávio Bolsonaro, tem provas contra si mesmo por sua relação para lá de próxima com Daniel Vorcaro. A estratégia traçada no entorno do presidente, por ora, é continuar explorando politicamente o envolvimento do Zero Um com Daniel Vorcaro, por meio das visitas do senador ao ex-banqueiro, pedidos de recursos para o filme Dark Horse e o fato de Flávio ter negado inicialmente a relação com Vorcaro.

Envolvido até o talo – A Polícia Federal já tem provas de que o senador Jacques Wagner (PT-BA), líder do Governo no Senado, está envolvido até o talo no escândalo do Banco Master. Ele teria recebido pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, usado aeronaves ligadas ao Master e recebido ingresso para o camarote de um show internacional em Los Angeles que teria custado R$ 63,3 mil. O petista foi alvo, ontem, de um mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. O ponto de conexão de Wagner com o caso Master se dá por meio do ex-sócio do banco, o empresário baiano Augusto Lima, que também foi alvo na operação de ontem.
CURTAS
CIFRADAS – As investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e o senador Jacques Wagner incluem o uso de mensagem que, para os investigadores, foi uma forma de linguagem cifrada para tratar do apartamento de R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador.
PROVAS – O diálogo ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro ligado ao grupo do Banco Master, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”, homem de confiança do senador e pai de seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins.
DOCUMENTOS – Segundo a decisão do ministro André Mendonça, após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, as tratativas envolvendo o apartamento não foram interrompidas. Ao contrário, continuaram por meio de reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e trocas de documentos destinados a reorganizar juridicamente a propriedade do imóvel.
Perguntar não ofende: Jacques Wagner tem culpa no cartório?
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