A Hapvida NotreDame Intermédica lançou, ontem, a campanha “Dar a vida a quem inspira a vida”, uma homenagem ao Mês Internacional da Mulher. Na maior operadora de saúde da América Latina, dos 66 mil colaboradores, 70% são mulheres. Em cargos de liderança, elas representam 69%.
Para homenagear essas personalidades que cuidam e são cuidadas, que acolhem e são acolhidas, o centro da campanha são mulheres inspiradoras, que ajudam a cumprir o propósito da companhia. Pelas mãos da multiartista negra e pesquisadora, Soberana Ziza, foi criado um grafite retratando a primeira médica negra do Brasil, Maria Odília Teixeira, nascida em 1884.
A arte revitalizou um muro de 31x3m em frente ao Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na capital paulista. “Revitalizar é trazer de volta à vida. Para nós, como companhia, presente nas cinco regiões do país com 764 unidades, a saúde das mulheres é prioridade. É pensar no cuidado de ponta a ponta. Por isso, investimos em programas de prevenção, pesquisas e acolhimento. Tudo isso é parte importante do nosso modelo de negócio”, diz Jaqueline Sena, vice-presidente de Odontologia e Marketing da Hapvida NotreDame Intermédica.
O exemplo de Maria Odília Teixeira está vivo em cada uma das profissionais e na cultura da empresa. A artista Soberana Ziza lembra que a homenageada fez história na medicina mundial: “Muitas mulheres falaram de Maria Odília, e eu não serei a última a falar sobre ela, é algo que nunca acaba”. Para a diretora de Criação da Ana Couto, Juliana Furtado, “esse é um projeto daqueles que traz no conteúdo uma história de valor para a sociedade, além de revitalizar o entorno de um hospital, onde passam muitas mulheres todos os dias”.
A campanha reforça um dos pilares da Hapvida NDI, que é o acolhimento integral de seus clientes e colaboradores. Por isso, a companhia oferece um plano de carreira com diretrizes para ascensão feminina, além de contar com uma política de diversidade, contra violência, assédio e discriminação, e criou o Canal da Mulher para colaboradoras e clientes em parceria com a ONG As Justiceiras.
De modo ágil e inovador, o Ministério da Saúde inspirou-se no Decreto de Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (ESPIN) para criar versão Estadual e Municipal para facilitar a liberação imediata de recursos para Estados e Municípios em situação de epidemia e risco epidemiológico. Este recurso é destinado ao custeio de ações para enfrentar epidemias, catástrofes ou colapso no sistema de Saúde. Para receber a verba, os Estados e Municípios afetados devem enviar ao Ministério da Saúde um Decreto Municipal ou Estadual de Emergência na Saúde, acompanhado de ofício do secretário de saúde informando os recursos necessários e a área das ações.
A liberação dos recursos é imediata no primeiro mês e nos subsequentes deve apresentar um completo plano de ação. Tanto em São Paulo como em outras regiões a declaração de estado de emergência foi feita devido ao aumento inusitado do número de casos de pessoas contaminadas pelo mosquito Aedes Aegypti. O Ministério da Saúde informou ter reservado R$ 1,5 bilhão para apoiar os entes federativos no enfrentamento de emergências, como a que vivemos agora com a alta de casos de dengue no País.
O médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta, explicou a importância da rapidez da liberação desta verba e como ela deve ser aplicada.
“Desta forma, o Ministério da Saúde aportará recursos adicionais para que as áreas afetadas possam fazer frente ao combate de epidemias durante o período em que elas persistirem. No caso da dengue, deve acontecer até abril, mas pode se estender”, explicou.
Segundo Zanetta, são os Estados e Municípios que exercem o controle e o combate diário a situações de urgência e emergência. A verba federal é direcionada unicamente para o custeio do pagamento dos serviços da atenção básica, especializada ou de urgência e emergência. E isso está vinculado à quantidade de recursos que as localidades em estado de emergência irão receber como adicional.
Com a declaração de Estado de Emergência Epidemiológica, São Paulo, Acre, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amapá e Distrito Federal poderão fazer compras emergenciais sem licitação e realizar a contratação de pessoal para o combate à doença.
Os sorotipos
O professor de Saúde Pública, informa que em São Paulo já circulavam os sorotipos 1 e 2 e este ano detectou-se a entrada do sorotipo 3. Ele explica que uma mesma pessoa pode ter dengue várias vezes ao ser infectada com diversos sorotipos.
“Isso significa que, mesmo uma pessoa que já teve dengue por um sorotipo, pode correr o risco de ter nova contaminação com outras linhagens. O sorotipo 4 ainda não foi detectado no Estado paulista, mas potencialmente podemos ter todos os tipos de dengue em circulação”, explicou. Ele alerta a importância da população reforçar as ações de prevenção, evitando o criadouro do mosquito, uma vez que o Aedes aegypti também é vetor de outras arboviroses urbanas, como Chikungunya e Zika.
A gestão de Raquel Lyra em Pernambuco está enfrentando uma crise profunda, com problemas que abrangem desde a segurança pública até a infraestrutura e saúde. A governadora parece estar sem rumo e sem prumo, e distante das necessidades do povo, refletido em altos índices de reprovação.
A violência se alastra pelo estado, enquanto a segurança pública falha em proteger os cidadãos, deixando as categorias policiais insatisfeitas com a administração de Lyra. Na área da saúde, a situação permanece crítica, com hospitais na UTI e falta de investimentos para melhorar o sistema.
A ausência de projetos para as estradas e a falta de manutenção têm levado a uma crise na infraestrutura do estado, afetando diretamente a mobilidade e o desenvolvimento econômico. Além disso, a governadora parece distante dos municípios e do povo, não costuma andar nos municípios. Vive apenas priorizando uma imagem superficial em redes sociais em vez de um diálogo efetivo e uma ação concreta para as regiões do Estado.
Enquanto isso, seu oponente político principal, João Campos, se destaca como um líder articulado e eficiente, tendo somado forças políticas como os Coelhos em Petrolina e agora a família Queiroz, em Caruaru. João Campos tem sido, inegavelmente, eleito o melhor prefeito do Brasil entre as capitais. Sua popularidade e habilidade política o posicionam como um forte candidato para a reeleição na disputa pela prefeitura do Recife. Enquanto Raquel enfrenta uma batalha difícil para engrenar seu governo e evitar uma derrota avassaladora em 2026.
Se Raquel Lyra não conseguir reverter a atual situação e reconquistar a confiança do povo pernambucano, sua reeleição está fadada a ser um fracasso retumbante, abrindo caminho para uma mudança de liderança no estado, e esse nome respaldado na alternância de poder chama-se João Campos que traz o DNA do pai, Eduardo Campos.
Ao contrastar a gestão de Lyra com a liderança articulada e eficiente de João Campos, um deputado da base de Raquel que sugeriu que seu nome não fosse revelado enfatiza a crescente popularidade do prefeito do Recife e seu potencial para a reeleição. “A aliança política de Campos com figuras influentes do Estado, como os Coelhos, em Petrolina, e a família Queiroz, em Caruaru, fortalece ainda mais sua posição no cenário político estadual e sua chegada ao Palácio das Princesas é inevitável”, disse-me a fonte.
Há um sentimento predominante entre as forças políticas do estado de que Raquel Lyra está buscando realmente o fim da reeleição para evitar um confronto nas urnas contra João Campos em 2026 e escapar de uma derrota avassaladora. Essa percepção reflete a preocupação com o potencial eleitoral de Campos e a dificuldade que Lyra enfrentaria em uma disputa direta.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos na suposta tentativa de golpe, investigada pela Polícia Federal, de participar de eventos nas Forças Armadas e no Ministério da Defesa.
A decisão do ministro do STF é da quinta (7) e tem como alvo Bolsonaro e militares como os ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Sergio Nogueira (Defesa). As informações são da Folha de São Paulo.
Também estão entre os intimados sobre a proibição o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. De acordo com Moraes, eles estão proibidos de participar de “cerimônias, festas ou homenagens realizadas no Ministério da Defesa, na Marinha, na Aeronáutica, no Exército e nas Polícias Militares.”
O ministro estipulou uma multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento da medida imposta. Além de informar os alvos da decisão, Moraes também comunicou ao ministério da Defesa e aos comandos das Forças Armadas a proibição.
A decisão foi dentro da investigação sobre as tratativas por um golpe de Estado desenvolvida dentro do inquérito das milícias digitais.
O objetivo do golpe seria reverter o resultado da eleição, segundo os investigadores. A investigação apura a produção de minutas por pessoas próximas a Bolsonaro em que estavam expostas como se daria a intervenção.
Com a delação de Mauro Cid e as provas obtidas em outras operações, a PF chegou à conclusão de que Bolsonaro teve acesso a versões dessas minutas e chegou a pedir modificações no texto e apresentar a proposta aos chefes militares, para sondar um possível apoio das Forças Armadas à empreitada.
A primeira versão do texto teria sido apresentada a Bolsonaro pelo seu assessor de assuntos internacionais, Filipe Martins, e o padre José Eduardo de Oliveira e Silva numa reunião no Palácio da Alvorada em 19 de novembro de 2022.
Segundo a PF, o jurista Amauri Feres Saad também teria participado das discussões sobre a minuta golpista que foi apresentada a Bolsonaro, participando de reuniões posteriores.
O texto destacava uma série de supostas interferências do Poder Judiciário no Poder Executivo – os chamados “considerandos”, que, na visão dos investigados, daria base jurídica para o golpe de Estado.
“Após os ajustes, Jair Bolsonaro teria convocado os comandantes das Forças Militares no Palácio da Alvorada para apresentar o documento e pressionar as Forças Armadas”, diz trecho do relatório.
Na decisão que autorizou a operação da PF no último dia 8 de fevereiro, Moraes disse que as mensagens e provas “sinalizam que o então presidente Jair Messias Bolsonaro estava redigindo e ajustando o decreto e já buscando o respaldo do general Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira (há registros de que este último esteve no Palácio do Planalto em 9/12/2022), tudo a demonstrar que atos executórios para um golpe de Estado estavam em andamento”.
Na visão da PF, a discussão de planos golpistas por Bolsonaro e aliados não foi um fato isolado. Ela decorre de uma estratégia anterior do ex-presidente de colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral, lançando dúvidas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.
Por Magno Martins – exclusivo para a Folha de Pernambuco
Pesquisa do instituto Atlas Intel, divulgada ontem, mostra que o antibolsonarismo supera o antipetismo no País. No levantamento, a maior parte dos entrevistados se diz petista (31,2%) ou antibolsonarista (16,5%), enquanto 32% dizem ser bolsonaristas e apenas 8,6% antipetistas. Ademais, 11,4% dos entrevistados disseram que não se enquadravam em nenhuma dessas opções e apenas 0,2% responderam que não sabiam. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Os resultados mostram que o sentimento antipetista, explorado pela direita desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e usado para eleger Jair Bolsonaro (PL) como presidente, em 2018, hoje, é menor do que os que rejeitam o movimento partidário defendido pelo ex-capitão. A pesquisa mostrou, ainda, que a polarização política é avaliada como o principal ponto de conflito no País. Ao menos 53% dos brasileiros classificaram como “muito forte” a polarização entre pessoas que apoiam partidos diferentes.
De acordo com a amostra, apenas 23% da população prefere um candidato não alinhado a Lula ou a Bolsonaro. Essa conclusão é reforçada pelas respostas aos “partidos de preferência” dos entrevistados: 34,6% dizem preferir o PT enquanto 25,1% declararam predileção pelo PL. O PSDB, partido histórico brasileiro, tem atualmente apenas 2,3% da preferência do eleitorado nacional.
A pesquisa também revela um “espaço limitado e uma desvantagem estrutural para candidatos de centro nas corridas eleitorais. No entanto, centristas que logrem chegar ao 2º turno aumentam suas chances de derrotar um candidato extremista”.
O levantamento seguiu uma metodologia intitulada Atlas Random Digital Recruitment, ou RDR, segundo a qual os entrevistados são recrutados organicamente durante a navegação de rotina na web em territórios geolocalizados em qualquer dispositivo (smartphones, tablets, laptops ou PCs).
José Queiroz confirmou, ontem, sua candidatura a prefeito de Caruaru num concorrido ato, no qual duas questões foram acentuadas e mais relevantes do que o centrado e tarimbado político: a desconfiança de que permanece no PDT, como garantiu sem muito convencimento, e o viés preconceituoso da idade e do tempo, manifestado no discurso do filho, o ex-deputado Wolney Queiroz.
Numa fala infeliz e desastrosa, Wolney disse que o prefeito Rodrigo Pinheiro (PSDB), que vai para à reeleição, será derrotado por Queiroz. “E levar pisa de velho é mais vergonhoso ainda”, afirmou. Zé Queiroz, o pai de Wolney, está com 82 anos.
Como diz um velho adágio, o preconceito nasce dentro das nossas casas. E não lá fora, no asfalto. Wolney reverberou o que viu e aprendeu em casa? Arraes disputou o governo de Pernambuco e venceu Gustavo Krause em 1994, com 78 anos, apenas quatro anos mais jovem que Queiroz. Bebia, fumava e fazia outras extravagâncias. E nunca sofreu preconceito por isso.
Zé Queiroz não bebe, não fuma, é magro e está enxuto fisicamente, demonstrando vitalidade. O preconceito não está na cor da pele, na idade, no sexo. Ele está na mentalidade de cada um de nós.
Getúlio Vargas, adepto do chimarrão e de churrasco, como todo bom gaúcho, um dos maiores presidentes da história do Brasil, e Agamenon Magalhães, o inesquecível governador de Pernambuco, o China Gordo, como era conhecido o sertanejo de Serra Talhada, de onde Lampião fez brotar sangue, o sangue da vingança, tinham algo em comum, além do amor ao trabalhismo: chegaram ao poder por duas vezes.
A primeira, excluindo a livre manifestação do povo. A segunda, convocados e abraçados pelas massas que se embriagaram com o jeito deles de governar o Brasil e o Estado. A consagração de Vargas e Agamenon se deu pelo voto, sem nenhuma dúvida, mas a história reservou a eles o capítulo de benfeitores da humanidade. Em 1939, Vargas deu um golpe e implantou o Estado Novo.
No poder, remanescente de um período como presidente provisório do Brasil, Vargas nomeou seu amigo Agamenon, braço direito do seu Governo imposto, então ministro do Trabalho, interventor de Pernambuco. Sob o comando de Agamenon, que já era já deputado federal-constituinte, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio se agigantou de tal forma que Lindolfo Collor, avô do ex-presidente Fernando Collor, o primeiro titular da pasta, o carimbou de “o Ministério da Revolução”.
E em 1945, Agamenon acumulou, ainda, o posto de ministro da Justiça, tornando-se o segundo homem mais poderoso do Brasil. Na pasta da Justiça, Vargas deu uma missão a Agamenon: democratizar o País, para apagar da memória do povo a ditadura de 1937. Restabeleceu as eleições diretas para a presidência – com participação, inclusive, do Partido Comunista –, através da chamada “Lei Agamenon”.
Paralelamente, criou uma legislação “antitruste”, regulamentando as operações das grandes empresas e do capital internacional no Brasil, que não foi tão bem recebida quanto a primeira. Apelidada pelo jornalista Assis Chateaubriand de “Lei Malaia”, em referência ao apelido de “China Gordo”, ela mexia com interesses muito poderosos e provocou uma enorme reação, apressando a saída de Vargas, em outubro de 1945.
Como Vargas, o presidente do trabalhismo, em Pernambuco Agamenon criou uma marca em seu governo como interventor: o agamenonismo, estilo próprio de governar com o povo e para o povo. Para conquistar os trabalhadores, Vargas lhes concedeu direitos que nunca tiveram antes, como carteira profissional, regulamentação das jornadas de trabalho, regulamentação do emprego das mulheres e dos menores.
Também criou os ministérios da Educação e da Saúde, a Justiça Eleitoral, o voto secreto e o voto das mulheres. Até 1930, os trabalhadores tinham suas reivindicações geralmente ignoradas, ou então respondidas à bala pelo governo e os patrões. Vargas, porém, lhes concedeu muitos benefícios, fazendo dos sindicatos, em troca, “correias de transmissão” do seu governo.
Como ministro do Trabalho, Agamenon promoveu intervenções em vários sindicatos, mas fiscalizou o cumprimento das novas leis, criou o seguro por acidente de trabalho e a indenização por demissão sem justa causa. Também acelerou a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões. A CLT, decretada por Vargas no dia 1º de maio de 1943, “consolidaria” essas conquistas. Por tudo isso, ganhou o apelido de “Pai dos Pobres”. Como interventor em Pernambuco, Agamenon Magalhães substituiu o governador Carlos Lima Cavalcanti, que vinha flertando com a oposição.
De volta à terra natal, China Gordo anunciou que trazia consigo “a emoção do Estado Novo” – ou seja, o espírito do regime autoritário recém-implantado. E falava a verdade. O “agamenonismo” foi uma cópia regional do varguismo, buscando uma a paz social. Para isso, não economizou na dureza no trato com os adversários. Combateu o cangaço, fez obras contra as secas e construiu moradias populares, beneficiando as populações mais pobres.
Criatura contra o criador – Em 1950, Agamenon Magalhães se rebelou contra Vargas, um caso típico da criatura enfrentar o criador. Getúlio Vargas saiu candidato à Presidência da República pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sem o apoio de Agamenon, que subiu no palanque de Cristiano Machado, fiel ao seu PSD. E lançou sua própria candidatura ao governo estadual contra João Cleofas, da União Democrática Nacional (UDN), apoiado por Vargas. No Brasil, ganhou o “Pai dos Pobres”. Mas em Pernambuco deu o “China Gordo”. O mandato de Agamenon como governador democraticamente eleito, porém, durou pouco. Ele morreu subitamente no dia 24 de agosto de 1952, mesma data fatídica na qual Vargas se suicidaria, dois anos depois.
Recife, cidade cruel – Em 1950, na disputa pelo Governo de Pernambuco contra João Cleofas de Oliveira, Agamenon Magalhães foi eleito com uma pequena margem de votos, chegando a perder as eleições no Recife, a quem chamou de “cidade cruel”. O Recife durante décadas foi o reduto das forças de esquerda, agrupadas na chamada Frente Popular. No novo mandato, Agamenon fez acordo com a oposição e iniciou uma grande obra para asfaltar as estradas do Estado.
Defensor do parlamentarismo – Em outubro de 1930, Agamenon participou da campanha da Aliança Liberal que derrubou Estácio Coimbra do Governo de Pernambuco. Em 3 de maio de 1933, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, se revelando no parlamentar mais destacado da bancada pernambucana, a favor do sistema parlamentarista de governo. Defendeu o desenvolvimento do crédito agrícola, a intensificação da produção de alimentos, a elaboração de uma legislação com maior facilidade de acesso à propriedade da terra aos agricultores e a criação de um sindicato único por categoria profissional.
Promotor em São Lourenço – Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, Agamenon também se graduou em Ciências Políticas e Sociais, foi geógrafo e professor. Ingressou na política pelas mãos e orientação do governador Manuel Borba, por quem foi nomeado promotor público do município de São Lourenço da Mata. Foi aprovado para a cátedra do Ginásio Pernambucano com a tese de Geografia Humana “O Nordeste Brasileiro, o Habitat e a Gens”. Com 29 anos, foi eleito deputado estadual e reeleito para mais um mandato. Em 1927, foi eleito para a Câmara Federal.
A ilusão da política é pior do que a do amor – Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, o China Gordo, nasceu em 1893, em Serra Talhada, numa família de políticos. Fez o curso primário em sua cidade natal. Estudou dois anos no Seminário de Olinda e depois no Colégio Diocesano. Foi promotor público e professor de Geografia até se eleger deputado estadual, em 1924; e, em seguida, federal, pelo Partido Republicano Democrata, que era governista. Em 1929, porém, foi para a oposição, aderindo à Aliança Liberal. Bom frasista, Agamenon dizia que em política, feio é perder. Também é de sua autoria a antológica frase: “A ilusão da política é pior do que a do amor”.
CURTAS
JORNALISTA E ESCRITOR – Agamenon, o China Gordo, também militou no jornalismo. Foi fundador do jornal Folha da Manhã e redator-chefe dos jornais A Ordem e A Província, ambos com sede no Recife. Entre as obras que publicou, O Nordeste brasileiro, em 1922, e O Estado na Realidade Contemporânea, em 1930.
DNA DA POLÍTICA – Sérgio Nunes Magalhães, pai de Agamenon, foi juiz de direito e deputado federal entre 1914 e 1915, eleito com o apoio de Hermes da Fonseca e José Gomes Pinheiro Machado, em oposição a Emídio Dantas Barreto. Seu irmão Sérgio Nunes de Magalhães também foi deputado federal pelo Distrito Federal e depois pelo Estado da Guanabara entre 1955 e 1964, quando teve seu mandato cassado devido à vitória do movimento político-militar que derrubou o presidente João Goulart.
ETELVINO LINS, O PRÓXIMO – A série prossegue na próxima segunda-feira, trazendo o perfil do ex-governador Etelvino Lins, sertanejo de Sertânia, eleito em 1952, num pleito extemporâneo convocado após a morte de Agamenon Magalhães.
Perguntar não ofende: Passa fácil no Congresso o projeto que regulamenta o trabalho por aplicativo?