Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Na semana passada, o diretor do Instituto Indexa, Arílton Freres, que faz pesquisas para o Estadão/Broadcast, dizia sobre a corrida eleitoral que a possibilidade de uma virada de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tenta a reeleição, sobre Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário que terminou o primeiro turno em primeiro, era “possível”, mas “improvável”.
Avaliando, porém, a evolução esta semana a partir da pesquisa que fez e das demais divulgadas, Arílton muda seu prognóstico. “Não dá mais para dizer que é improvável. Há agora, de fato, um sinal de crescimento de Lula”, diz o diretor do Indexa. É um sinal, porém, ele alerta, modesto. “Sempre disse que essa seria uma eleição muito disputada e definida no detalhe”, pondera. “Mas os movimentos agora de fato apontam para uma tendência favorável a Lula na corrida eleitoral”. Tudo agora, diz ele, irá depender dos erros e acertos das campanhas.
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Os números das pesquisas, de fato, dão os sinais. Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno com uma vantagem de 1,8 ponto percentual. Nas primeiras pesquisas divulgadas após o resultado, chegou a abrir cinco pontos de vantagem em alguns levantamentos. Essa vantagem foi se reduzindo. Na Indexa, divulgada na quinta-feira (15), a vantagem de Flávio era de dois pontos: 51% a 49%. Mesmo resultado do Datafolha. Pesquisa PoderData na sexta já apontou rigoroso empate entre os dois: 50% a 50%.
Em conversas anteriores, Arilton Freres já observara a sensação de que Flávio Bolsonaro tinha calçado um salto alto depois do primeiro turno que poderia prejudicá-lo. Alguns dos seus aliados já davam a eleição como favas contadas. Algo parecido com o que fez Lula e parte da sua militância imaginando que venceria no primeiro turno. Agora, avalia o diretor do Indexa, observa-se esse e outros erros de Flávio. Em contrapartida, Lula e o PT parecem ter acordado da sua letargia. “As manifestações de rua foram impressionantes”.
Para Arilton Freres, alguns “movimentos erráticos” de Flávio teriam contribuído para o crescimento de Lula. O maior deles o posicionamento sobre o fim da escala 6×1: primeiro contrário, depois votando a favor e depois sinalizando que poderia derrubar a PEC caso fosse eleito. As pesquisas mostram amplo apoio da sociedade ao fim dessa escala de trabalho. Na média, a aprovação sempre foi em torno de 70%.
Arílton Freres aponta, porém, para um fator importante na última pesquisa do Datafolha. Flávio teve, no levantamento, uma queda nas suas intenções de voto. Mas Lula não subiu. Os votos perdidos por Flávio tornaram-se em branco ou nulos. Como o Indexa não tinha feito outra pesquisa no segundo turno não tem o mesmo dado.
“Esse dado é um alerta importante para Lula”, observa o diretor do Indexa. Ele lembra que Flávio experimentou antes do primeiro turno um movimento de queda semelhante, que foi também para nulo. “Depois, esses votos votaram para ele”, analisa. “Esse é um risco para Lula, que vai precisar ser observado nesta última semana”, diz.
Além dos atos nas ruas – há muito tempo não se viam manifestações tão grandes feitas pela esquerda –, Arilton Freres observa o forte crescimento nas redes sociais. “Houve um aumento expressivo da presença nas redes, retirando o domínio que se via antes somente da direita”, diz o diretor do Indexa. Há uma associação entre redes e ruas.
Os atos nas ruas foram principalmente organizados a partir de estudantes e fandons. A pesquisa Indexa e também a Datafolha mostra que houve uma inversão no apoio entre os mais jovens. Segundo o Datafolha, Lula tem agora 50% dos eleitores entre 16 e 24 anos, contra 43% de Flávio. Na Indexa, Lula ficou com 53,5% e Flávio com 31%.
Assim, Arílton Freres volta a dizer o que tem dito desde o primeiro turno: será uma eleição definida “por um detalhe” a favor de um ou outro candidato. No primeiro turno, ele observou, e registramos no Correio Político, o movimento de voto útil que saiu dos demais candidatos do campo conservador para Flávio Bolsonaro.
Agora, será preciso ver que “detalhe” irá surgir nesses dias finais da corrida eleitoral. Para Arilton Freres, Lula entrou na última semana de campanha com o vento a seu favor. Mas em uma disputa acirradíssima, empatada. Para onde soprará o vento no domingo, se muda ou não de direção, ninguém com prudência arrisca de fato dizer.
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